sábado, 16 de junho de 2012

Pode ser ético procriar com o ADN de três pessoas

Prevenção de certas doenças justifica a criação de embriões com os genes de duas mulheres e um homem.
Artigo escrito por Ana Gerschenfeld, jornalista do Público.
"Um controversa técnica de procriação medicamente assistida foi esta terça-feira considerada eticamente aceitável para prevenir as graves e incapacitantes doenças derivadas de defeitos no ADN das mitocôndrias, as “baterias” das células vivas, num parecer emitido pelo Conselho de Bioética Nuffield, órgão independente muito influente no Reino Unido.

O nosso património genético encontra-se quase na íntegra no núcleo celular, mas as mitocôndrias também possuem um bocadinho de ADN. E as mutações neste punhado de genes podem acarretar cegueira, surdez, disfunção cardíaca, doença hepática e renal, demência e morte prematura. Uma criança em cada 6.500 poderá vir a desenvolver uma forma grave de doença mitocondrial.

As mitocôndrias são herdadas apenas da mãe e existem várias técnicas experimentais que permitem substituir as mitocôndrias defeituosas pelas mitocôndrias saudáveis de outra mulher (por exemplo, retirando o núcleo ao ovócito doado e introduzindo o núcleo da futura mãe antes da fertilização). Três pessoas contribuem assim para os genes do futuro bebé: os pais biológicos, dos quais ele herdará 99,9% do seu ADN, e a doadora do ovócito, cujo ADN mitocondrial (e não nuclear) representa 0,1% do genoma — e cuja designação como “segunda mãe” o parecer agora emitido considera aliás “legalmente e biologicamente” inadequada. O parecer recomenda em particular que, quando se tornarem adultas, as crianças nascidas deste tipo de técnicas não tenham acesso à identidade das doadoras de mitocôndrias.

“Se as investigações ulteriores mostrarem que as técnicas são suficientemente seguras e eficazes”, disse Geoff Watts, presidente do conselho, “achamos que seria ético que as famílias que o desejem as usem, desde que recebam informação e apoio adequados”. Contudo, há quem conteste a utilização deste tipo de manipulação genética, uma vez que é transmissível à descendência. A Autoridade de Fertilização e Embriologia Humanas, a entidade britânica reguladora da investigação e da aplicação das técnicas de procriação artificial, anunciou entretanto que irá lançar uma consulta pública, já em Setembro, para sondar a opinião dos cidadãos."

Plantas infestantes voltam a cobrir o Guadiana na zona de Badajoz

Artigo escrito por Carlos Dias, jornalista do Público.

"No troço do rio Guadiana que atravessa a cidade espanhola de Badajoz e a pouco mais de uma dezena de quilómetros da albufeira de Alqueva a linha de água está coberta com o nenúfar mexicano, uma espécie aquática infestante oriunda do Sudoeste dos Estados Unidos e do México.
 













O Guadiana tem estado a ser afectado por infestantes, como o jacinto-de-água (na foto) e o nenúfar mexicano

A informação foi avançada pela Confederação Hidrográfica do Guadiana que faz a gestão da bacia do rio ibérico em território espanhol.

O nenúfar mexicano é uma planta aquática similar ao nenúfar autóctone existente na Península Ibérica, mas com folhas verdes do tamanho da palma da mão e uma atraente flor amarela. Apareceu pela primeira vez em Espanha em 1985. Desde então, a Confederação Hidrográfica do Guadiana (CHG) tem feito várias tentativas para erradicar esta infestante, mas este ano assiste-se a um recrudescimento mais acentuado. Desde da confluência do rio Xévora com o rio Guadiana e até ao açude de La Granadilla – precisamente o troço do rio que atravessa a cidade de Badajoz – o rio está coberto com um manto verde.

A partir do açude de La Granadilla, nome que recebe o bairro de Badajoz onde está situado, o rio Guadiana percorre pouco mais de meia dúzia de quilómetros para depositar as suas águas na albufeira de Alqueva.

Ao longo dos últimos cinco anos, a CHG tem feito experiências e recorrido a vários processos para erradicar o nenúfar mexicano, incluindo a recolha à mão ou com maquinaria e utilizando vários produtos para travar a expansão desta planta a outras zonas do rio Guadiana, mas não são observados grandes progressos.

Nicolas Cifuentes, especialista na CHG, confirma "a realização de experiências de diversos tipos" numa tentativa para diminuir a propagação da espécie. No entanto, e apesar dos investimentos feitos ao longo dos últimos cinco anos, "tem-se assistido a um aumento considerável na proliferação desta planta aquática", obrigando a reponderar a metodologia a seguir no combate à infestação, assinala o técnico espanhol.

Para erradicar esta planta invasora admite ter de se recorrer à "dragagem" do leito do rio, frisando, contudo, que se trata de uma operação de "elevado custo". A CHG também já analisou as vantagens e os inconvenientes de se esvaziar o açude quando este apresentar um menor volume de água para retirar as raízes do nenúfar. O problema é que esta operação "exige verbas elevadas" e, como tal, não se vislumbra uma "intervenção imediata", observa Nicolas Cifuentes, admitindo que tal possa ser possível quando houver "mais disponibilidades orçamentais".

Apesar de esta planta não representar "um grave problema ambiental", a CHG está a monitorizar e a interpretar a evolução do nenúfar mexicano no troço urbano de Badajoz. Mas tem inconvenientes não negligenciáveis. Quando aparecem grandes concentrações desta planta no rio, a linha de água fica coberta de verde e pode impedir a navegação, causando problemas a pescadores e a quem circula de barco. Além disso, impede a passagem da luz, prejudicando o desenvolvimento do plâncton e, consequentemente, de outras formas de vida.

Dias mais longos, maior exposição solar e aumento da temperatura da água são factores determinantes para o reaparecimento das espécies invasoras como o nenúfar mexicano, muito embora o ano em curso esteja a ser muito benigno, tardando o aparecimento das elevadas temperaturas ambiente, que nesta altura do ano já se começam a sentir na bacia hidrográfica do Guadiana, em território espanhol e português.

Mais uma infestante
Uma outra espécie invasora, o jacinto-de-água, que chegou ao rio Guadiana em território espanhol no ano de 2004, tem sido um verdadeiro quebra-cabeças para a CHG. A sua erradicação tem exigido muito esforço e dinheiro para evitar que a planta chegue a território português.

A CHG reconhece que a erradicação total na bacia do Guadiana "não tem sido possível" Aparece no Guadiana quando está mais calor e há maior número de horas de sol. Em 2012 este fenómeno ainda não ocorreu, mas assim que chegar o calor deverá cobrir o caudal do rio, tal como aconteceu no Verão de 2011.


Os especialistas admitem a sua inevitável propagação à albufeira de Alqueva se a espécie ultrapassar a barreira instalada no rio Guadiana próximo de Mérida. Se tal vier a acontecer, admite a CHG, representará "a ruína nos blocos de rega" porque a planta poderá "paralisar" os sistemas de distribuição de água."

Revelado modo de acção do primeiro fármaco contra a doença dos pezinhos

Artigo da autoria de Ana Gerschenfeld, jornalista do Público.

"O tafamidis, aprovado em 2011 pela Agência Europeia de Medicamentos e pela Comissão Europeia para o tratamento da doença dos pezinhos - e que se espera que comece a ser distribuído gratuitamente a doentes em Portugal, o mais tardar, em Julho -, funciona impedindo que os complexos formados pela proteína responsável pela doença se desintegrem e se partam ao meio. Esta é a conclusão a que chegaram agora cientistas norte-americanos, entre os quais o inventor do tafamidis, Jeffery Kelly, do Instituto de Investigação Scripps de La Jolla, na Califórnia. Os seus resultados foram publicados na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences.

Na doença dos pezinhos, os tetrâmeros de uma proteína chamada TTR (complexos formados por quatro moléculas da proteína) desintegram-se devido a mutações genéticas.

A doença dos pezinhos ou paramiloidose - ou mais precisamente, a polineuropatia amiloidótica familiar - é uma doença hereditária rara que foi descrita pela primeira vez na população portuguesa, nos anos 1940, pelo neurologista Corino de Andrade. Terá começado a espalhar-se há uns 500 anos, de Portugal para países como o Japão, a Suécia ou o Brasil, e hoje afecta cerca de dez mil pessoas no mundo.

Portugal é de longe o país mais afectado: segundo as mais recentes estatísticas do Ministério da Saúde, estão registados mais de 2000 doentes e surgem todos os anos 90 novos casos.

Braçadeiras moleculares

A paramiloidose é provocada por mutações no gene de uma proteína, a transtirretina (TTR), que faz com que os complexos que ela forma no organismo, e que normalmente se compõem de quatro moléculas de TTR, se desfaçam e dêem origem a agregados fibrosos e insolúveis. Estas estruturas anormais, ditas amilóides (daí o nome da doença), formam depósitos nos tecidos, em especial à volta dos nervos, com consequências fatais em apenas dez anos, se nada for feito.

Trata-se de uma doença dita autossómica dominante, o que significa que basta herdar um gene mutante de um dos pais para contrair a doença. Os sintomas, que se manifestam em geral após os 20 anos de idade nas pessoas portadoras do gene da TTR defeituoso, limitam-se no início a formigueiros nos pés, muitas vezes associados a prisão de ventre e diarreia. Mais tarde, surgem problemas de insensibilidade, dores, fraqueza e degenerescência muscular - e nalguns casos, cardiomiopatias (doenças do músculo cardíaco).

Até aqui, o transplante hepático era a única maneira de travar a progressão da doença, uma vez que a transtirretina é sintetizada predominantemente no fígado. O tafamidis, cuja aprovação ainda está em curso nos Estados Unidos mas que já foi aprovado na Europa, veio mudar essa situação.

O trabalho de Kelly começou nos anos 1990 e, em 2003, este cientista criou uma empresa que hoje pertence aos laboratórios Pfizer. Mas só agora foi demonstrado que o tafamidis estabiliza de facto o complexo de quatro moléculas (ou tetrâmeros) de TTR em condições fisiológicas, no fluxo sanguíneo. Quanto aos ensaios clínicos do tafamidis, realizados previamente, deverão, segundo disse Kelly ao PÚBLICO, ser publicados ainda este mês na revista Neurology.

Kelly e o seu colega Ian Wilson estudaram de muito perto, por cristalografia de raios X, as estruturas atómicas de cerca de 30 moléculas que demonstravam ter um efeito estabilizador sobre os complexos de quatro moléculas de TTR fragilizados pelas mutações no gene da transtirretina. E acabaram por escolher o tafamidis, explica em comunicado Stephen Connelly, outro co-autor dos mais recentes resultados, quando descobriram "que uma das extremidades da estrutura do tafamidis encaixa lindamente [numa cavidade] do tetrâmero, enquanto a outra se liga a aminoácidos [componentes de base] da TTR". Duas moléculas de tafamidis formam assim, como se de braçadeiras se tratasse, duas "pontes" químicas entre duas metades do tetrâmero, nos seus pontos mais fracos. É desta forma, concluem agora os cientistas, que o tafamidis consegue travar a formação de agregados amilóides de TTR. "O nosso estudo mostra", diz-nos Kelly, "que o tafamidis tranca a transtirretina [mutante] numa estrutura incapaz de formar agregados amilóides, travando assim a progressão da doença."

E a doença de Alzheimer?

O fármaco também tem propriedades estabilizadoras das proteínas TTR normais. Ora, sabe-se que, mesmo na ausência de mutações, os tetrâmeros de TTR têm tendência a fragmentar-se à medida que as pessoas envelhecem, provocando cardiomiopatias em 10 a 20% da população. Portanto, o tafamidis também poderá ser útil nestes casos.
"Os pormenores deste novo artigo, aliados aos dados dos ensaios clínicos, mostram pela primeira vez que uma doença amilóide pode ser tratada com sucesso reduzindo o ritmo de formação dos depósitos amilóides", resume Kelly.Poderia uma abordagem semelhante permitir descobrir fármacos capazes de travar eficazmente a doença de Alzheimer? Sim, responde-nos Kelly, dadas as semelhanças entre a paramiloidose e a Alzheimer. Esta também é uma doença degenerativa caracterizada pela formação de agregados amilóides, mas à base da proteína beta-amilóide, um fragmento de uma proteína maior, a APP - e de "emaranhados neurofibrilares" à base de fragmentos de uma outra proteína, chamada tau. Os agregados formam-se à volta dos neurónios e os emaranhados no seu interior, levando à morte inexorável do tecido cerebral afectado. "No caso da Alzheimer, os alvos [das moléculas estabilizadoras] poderiam ser a beta-amilóide ou a tau", diz Kelly, acrescentando que já há cientistas à procura de tais moléculas."

                       

terça-feira, 5 de junho de 2012


Formigas "Zumbis"

Ao encher a sua cabeça com células fúngicas e comandando os seus músculos para morrer onde quiser, é assim que um fungo consegue manipular uma formiga.

O fungo age como um parasita que causa a morte das formigas no exacto local em que deseja, sendo este um lugar ideal para o seu crescimento e reprodução. Este fungo é chamado de Ophiocordyceps unilateralis, quando infecta a formiga, deixa-a viva durante algum tempo, “comandando-a”.

A formiga, influenciada pelo parasita, sai do seu ninho, dirigindo-se a outras regiões, como pequenas plantas. A formiga alimenta-se de folhas rasteiras, mesmo antes de morrer, ficando com a boca agarrada às folhas. Algum tempo após a morte da formiga, o fungo sai da sua cabeça e liberta alguns esporo semanas depois.
“O fungo manipula as formigas contaminadas para que elas morram onde o parasita prefere ficar, fazendo-as viajar por muito tempo nas suas últimas horas de vida”, afirma David Hughes.
Para além disso, o fungo utiliza a formiga depois de morta como alimento, já que esta contém açúcares que ajudam no crescimento do parasita, tendo o cuidado de manter a mandíbula da formiga intacta, para que esta se mantenha presa à folha.

Vídeo:


Luís Filipe, Mário Mota e Jorge Pacheco, alunos do 11.ºB.

terça-feira, 22 de maio de 2012


"Tsunami" de nuvens invade orla da Cidade do Panamá!

Já imaginaste qual seria a sensação de acordar e ver toda a tua cidade envolvida por uma neblina de proporções jamais vistas anteriormente?
Foi o que aconteceu com os habitantes de Panamá, City Beach na Florida! Como podes ver na imagem, parecia um verdadeiro tsunami de nuvens que saía do mar para atingir a cidade.


Segundo o meteorologista Dan Satterfield, o fenómeno  aconteceu devido a uma série de fatores.
O ar gelado por cima do mar estava  próximo do ponto de orvalho (a temperatura à qual o vapor de água presente no ar ambiente passa ao estado líquido). Adicionando mais água a esse vapor , ocorreu a formação de nuvens. Este fenómeno deu-se, portanto,  em baixas altitudes  e o vento contribuiu para levar as nuvens do mar em direção à cidade.

Video:

Alexandra Bass e Celina Palma, alunas do 11.ºB.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Células estaminais- Cientistas conseguem fazer crescer pêlos em ratinhos carecas

Em artigo publicado pelo Público, Nicolau Ferreira dá-nos conta de uma importante investigação que poderá estar na base de um tratamento eficaz do problema da alopécia, vulgo calvíce, que afeta principalmente indivíduos do sexo masculino.
"O elixir da eterna juventude vem aos pedaços. Agora, uma equipa japonesa conseguiu fazer crescer pêlos em ratinhos carecas, com todas as funções. Este desenvolvimento foi feito usando células estaminais adultas da pele, que têm capacidade de originar vários tipos de células. Publicado na última edição da revista Nature Communications, o trabalho é um passo para o fim da calvície.

O segredo foi apostar nas estruturas que dão origem aos folículos capilares – os pequenos invólucros, que existem na pele, de onde nascem os pêlos do corpo e da cabeça. A formação dos folículos só ocorre durante o desenvolvimento do feto e, quando esta estrutura desaparece, a sua substituição não é possível e os pêlos deixam de crescer.

Mas, até lá, existem células que envolvem o folículo e que durante toda a vida vão produzindo pêlos ciclicamente. A equipa de cientistas, liderada por Takashi Tsuji, da Universidade de Ciências de Tóquio, utilizou as células dos folículos para fazer crescer pêlos. Os cientistas trabalharam com dois tipos de células estaminais dos folículos, umas que estão por baixo da raiz do pêlo e outras mais acima, ao lado do pêlo.

No laboratório, os cientistas juntaram as duas populações de células de ratinho e criaram uma bolinha de células que implantaram na pele de ratinhos carecas. Passados 14 dias, 74% dos 62 animais tratados tinham um tufo de pêlos a crescer saudavelmente no dorso.

Boa densidade capilar

Apesar da "plantação" ter resultado, quase todos os pêlos não tinham pigmentação. Ou seja, nasceram brancos. Mas a equipa conseguiu obter pêlos escuros, adicionando à bolinha células que produziam pigmentos.

Mais: os folículos capilares que se desenvolveram tinham ligações nervosas, glândulas sebáceas e fibras musculares associadas, o que permite que os pêlos se ericem, como acontece quando temos frio.

Tal como os folículos naturais, a equipa de Takashi Tsuji verificou ainda que os novos folículos originavam ciclos de crescimento e de morte dos pêlos. Estes ciclos, refere Tsuji num comunicado, mantiveram-se durante quase um ano.

"Pensamos que os folículos capilares construídos por bioengenharia podem funcionar durante o tempo médio de vida", diz. É assim uma plantação duradoura.

Numa outra experiência, os cientistas testaram o que aconteceria se construíssem bolinhas com células de folículos capilares de um homem com alopécia, o nome técnico da calvície, comum no sexo masculino.

Implantaram essas células nos ratinhos e, em 21 dias, cresceu cabelo escuro. Um resultado que é animador para o tratamento deste problema.

Para testar se seria possível ter uma densidade capilar boa, o que significa entre 60 a 100 pêlos por centímetro quadrado, a equipa fez ainda outra experiência: implantou 28 bolinhas de células de ratinho num centímetro quadrado da pele de três animais. E obteve bons números: em média, nasceram 124 pêlos.

"Estes resultados indicam que o transplante de folículos capilares feitos através da bioengenharia podem ser aplicados no tratamento da alopécia", conclui o artigo.

Num comentário feito na revista Nature, Mayumi Ito, dermatologista de Nova Iorque, sublinha que este é o primeiro relato da reconstituição de folículos capilares com células humanas. Para Mayumi Ito, falta agora a equipa mostrar que consegue disseminar os folículos capilares numa região maior".

quinta-feira, 19 de abril de 2012


Fauna a 2 Mil Metros de Profundidade na Antártida

No âmbito do programa “Census of Marine Life”, foi realizado um estudo sobre as fontes hidrotermais nos fundos marinhos do East Scotia Ridge, na Antárctica, liderado por uma equipa da universidade britânica de Oxford, constituída por cientistas dos Estados Unidos, Escócia, Espanha e Portugal. Este tinha como objectivo averiguar a hipótese de que o Oceano Antárctico funcionava como uma ponte entre os outros grandes oceanos do mundo, permitindo a dispersão de organismos. Deste modo, as fortes correntes deste oceano ajudariam as espécies a moverem-se de um oceano para outro, pelo que os cientistas esperavam encontrar uma fauna bastante diversificada neste local.

Estas fontes hidrotermais caracterizam-se por se encontrarem a cerca de 2300 metros de profundidade, atingirem temperaturas que rondam os 280 graus centígrados e, ainda, por apresentarem condições ambientais extremas (ondas que podem chegar aos 20 metros e nevões constantes) que constituem um obstáculo ao estudo dos fundos marinhos da Antárctida durante o inverno do hemisfério Sul.

O estudo da fauna nas fontes hidrotermais é uma área relativamente nova da ciência, assim, com este estudo, os cientistas esperavam encontrar a fauna típica das fontes hidrotermais de outros oceanos constituída por animais como, por exemplo, mexilhões, caranguejos e camarões.

No entanto, esta expectativa não se verificou, sendo encontrada uma fauna muito diferente da prevista na qual se encontraram incluídas comunidades completamente diferentes das conhecidas, não só ao nível dos animais como também das combinações de espécies. Estas particularidades levam os cientistas a considerar esta região como uma zona biogeográfica única, dado que é possível que as duras condições das águas da Antárctida possam actuar como uma barreira para alguma fauna das fontes hidrotermais.

Entre a particular fauna, foram encontrados a 2500 metros de profundidade novas espécies de caranguejo, estrela-do-mar (predadora com sete braços), cracas, anémonas e um polvo branco. A nova espécie de caranguejo descoberta, designado caranguejo-yeti, distingue-se por ser branco e apresentar pêlos no ventre, ao contrário dos caranguejos-yeti conhecidos do Pacífico Sul que apresentam pêlos nas patas que são utilizados para cultivarem bactérias das quais se alimentam. Para além disso, estes novos seres vivem em grandes grupos, tendo sido encontrados amontoados próximo dos fluxos das fontes hidrotermais, existindo em alguns locais cerca de 600 indivíduos por metro quadrado.


A descoberta foi revelada num artigo publicado na revista científica PLoS Biology, em que a investigadora da Universidade de Aveiro Ana Hilário, bióloga especializada em estudos marinhos, aparece como sendo a única portuguesa entre os autores e a participar na expedição à Antárctida.


Beatriz Bandarra e Fabiana Duarte, alunas do 11ºB