quarta-feira, 20 de novembro de 2013

15 alimentos que rejuvenescem

Texto: Madalena Alçada Baptista
Revisão científica: Dr. Tiago Osório de Barros (nutricionista no Espaço Qualidade e Saúde, em Lisboa) publicado na sessão de Saúde da Sapo.
Sabia que o chocolate preto é um deles? Descubra os outros!
 
De acordo com os dados mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), 5,3 milhões de mortes poderiam ser evitadas anualmente através da alimentação, e nada mais.
O segredo da eterna juventude encontra-se na nossa despensa.
Basta modificarmos os nossos hábitos para vivermos mais anos e em melhores condições de saúde e bem-estar. Tome nota.
Neste artigo vamos falar-lhe de alimentos que, apesar de não evitarem a morte, prolongam a vida! Na verdade, e segundo os especialistas da área de nutrição, é possível prevenir uma série de problemas com base numa alimentação correcta e equilibrada, entre eles, o cancro, problemas de ossos, de visão...
Vegetais, fruta, peixe e até chocolate! São alguns dos alimentos que, para além de a manterem saudável, lhe dão anos de vida. Saiba, um a um, quais os alimentos que a mantêm jovem por dentro e por fora!
 
1. Kiwi
Originário da China, contém ácido propeolítico, que melhora a circulação e a ajuda a combater o chamado mau colesterol (LDL). Possui uma enzima chamada actidina, que ajuda a digerir as proteínas.
O seu conteúdo elevado de vitamina C ajuda a prevenir constipações. A vitamina C é um antioxidante que elimina os radicais livres e desempenha um papel fundamental no combate ao envellhecimento. Contém uma quantidade considerável de fibra, potássio, ferro, fósforo, cálcio, magnésio e crómio, que têm um papel muito importante na prevenção de doenças cardíacas.

2. Abacate
Tem 10 vitaminas, entre elas, a vitamina E e o ácido fólico (B9), e glutatião, um derivado proteico com acção antioxidante (combate a degeneração celular).
Contém 10 ácidos gordos, dos quais cinco são mono e poli-insaturados, com destaque para o ómega-9, ómega-7, ómega-6 e ómega-3, sendo este último protector contra o cancro.
Também contém sitosterol, que previne a acumulação de colesterol. Possui, para além disso, aminoácidos essenciais (arginina, fenilalanina, lisina...), fundamentais ao normal funcionamento do organismo.
3. Tomate
Para além de estar bem provido de vitaminas, minerais e flavonóides, contém licopeno, um dos antioxidantes mais poderosos, que lhe dá a cor vermelha e tem "um papel antioxidante activo na degenerescência celular que conduz ao envelhecimento", explica o nutricionista Tiago Osório de Barros.
Fortalece as paredes celulares, depura o organismo de substâncias tóxicas e aumenta as defesas.
Previne o aparecimento de doenças do coração e dos seus vasos sanguíneos, é benéfico para a visão e melhora a saúde do sistema nervoso.

4. Presunto
O presunto protege o coração e reduz o colesterol, desde que não seja excessivamente gordo nem demasiado salgado.
Os seus ácidos gordos monoinsaturados e o ácido oleico previnem as doenças cardiovasculares. Tem cerca de 40% de proteínas, pelo que pode substituir a carne nas refeições, sendo importante na formação da massa muscular.
Tem vitamina E, um potente antioxidante. Também é rico em cobre (essencial para os ossos e cartilagens), ferro e fósforo.
 
5. Brócolos
O zinco que contêm favorece a função da próstata e a qualidade do esperma. Muito ricos em luteína, reduzem ligeiramente os efeitos da degenerescência macular da idade (DMI).
São ideiais para grávidas, convalescentes, pessoas anémicas, etc... por causa do elevado aporte de ácido fólico e ferro.
Actuam como fitoestrogénios na menopausa (tal como a soja).

6. Espinafres
Têm provitamina A e vitaminas C e E, todas elas antioxidantes. São uma fonte inesgotável de vitaminas do grupo B, como folatos, B2, B6, B3 e B1, que possuem uma acção anti-envelhecimento pelo seu papel como co-factores enzimáticos.
Relativamente ao seu conteúdo mineral, os espinafres são ricos em ferro, magnésio, potássio, sódio, fósforo e iodo. Para além das vitaminas, são ricos noutras substâncias antioxidantes como o glutatião, os ácidos ferúlico, o cafeico e o beta-cumárico e carotenóides.
 
7. Soja
Contém vitaminas A e E, e três do grupo B (B1, B2 e B5). A vitamina ajuda a conservar os epitélios celulares, que revestem as superfícies do corpo e dos órgãos. A vitamina E tem um efeito antioxidante, combatendo os radicais livres.
Possui mais minerais do que qualquer outra leguminosa, sobretudo potássio e fósforo. A relação cálcio-fósforo é essencial para uma boa estrutura óssea. O potássio tem uma importante acção a nível muscular.
Ajuda a prevenir alguns tipos de cancro, sobretudo na mulher após a menopausa. Alivia os sintomas da menopausa.

8. Frutos secos
Contêm proteínas (entre 14% e 19%), vitaminas do grupo B, aminoácidos, minerais, ácidos gordos poliinsaturados (nozes), ácidos gordos monoinsaturados e fibra.
Segundo Tiago Osório de Barros, "as proteínas são imprescindíveis na preservação e formação das estruturas musculares". As amêndoas, as nozes e as avelãs são as que têm melhores propriedades antioxidantes por causa da sua maior concentração em vitaminas.
 
9. Chocolate preto
Tem uma grande actividade antioxidante graças aos seus flavonóides, combatendo os sinais do envelhecimento.
Beneficia a dilatação das artérias e o aumento do seu diâmetro. Para além disso, diminui a rigidez aórtica em cerca de 7%. Actua como um antiplaquetário eficaz, prevenindo a formação de trombos.
Estimula as funções cerebrais graças à fenetilamina, um alcalóide que actua como neurotransmissor cerebral.

10. Alho
Tem propriedades anti-sépticas, antifúngicas e antimicrobianas, melhorando a resposta a vírus e bactérias e fungos.
Tem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, contribuindo para reduzir o envelhecimento e a degeneração celular, que está na origem de alguns tipos de cancro.
Ajuda a reduzir os níveis elevados de pressão arterial. Reduz o chamado mau colesterol (LDL), aumenta o colesterol bom e previne problemas de disfunção eréctil no homem.
 
11. Azeite virgem (e azeitonas)
Tem um alto teor de ácido oleico, uma gordura monoinsaturada rica em vitaminas A, D, K e, especialmente, em E, que actuam como antioxidantes.
Reduz o risco de doenças cardiovasculares e controla a tensão arterial. Favorece a absorção de cálcio, fósforo, magnésio e zinco, tendo por isso um papel importante ao nível da formação e manutenção de ossos fortes e saudáveis.
 
12. Peixe azul
Prolonga a vida das nossas artérias graças aos seus ácidos poli-insaturados (sobretudo o ómega-3), muito benéficos para o sistema cardiovascular. É rico em minerais e vitaminas, tendo, portanto, uma boa acção antioxidante.
Tem único senão. As espécies provenientes de águas poluídas (sobretudo as que andam menos á superfície) contém mercúrio, um metal pesado que se for ingerido de forma crónica é prejudicial para o organismo.
O mais recomendável é ingerir peixe entre quatro a cinco vezes por semana e variar o mais possível as espécies: cavala, sardinhas, salmão, atum, truta, anchovas, arenque...
 
13. Chá verde
Esta bebida é apreciada há mais de 5.000 anos nas culturas orientais. É rica em polifenóis, bioflavonóides e vitaminas A, C e E, o que a torna num elixir antioxidante e anticancerígeno.
Reforça o sistema imunitário, protegendo o organismo de bactérias e vírus prejudiciais. Ajuda a reduzir a gordura corporal e previne as doenças cardíacas. Regula o nível de colesterol.
 
14. Mel
Os seus minerais são assimilados directamente e contribuem para a manutenção do esqueleto (cálcio) e para a regeneração do sangue (ferro).
Tem um alto poder nutritivo, pelo que é um substituto ideal do açúcar industrial ou refinado. As suas enzimas facilitam a boa assimilação de outros alimentos.
É um bom remédio contra a fadiga, pois fornece hidratos de carbono de absorção rápida e facilita a reposição das reservas gastas.
 
15. Cebola
É uma boa fonte de fibra, vitaminas e minerais, essenciais para o bom funcionamento do organismo. É rica em compostos enxofrados, que fazem parte do seu óleo essencial e que actuam sobre as vias respiratórias, melhorando a expectoração.
Para além das vitaminas C e E, contém flavonóides, entre os quais se destacam as antocianinas e a quercetina, todos eles compostos antioxidantes.


O tabagismo, a mãe e o bebé

Texto: J. Gorjão Clara (coordenador do centro de investigação do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva) publicado na sessão de Saúde da Sapo.
Os riscos de fumar durante a gravidez para a mãe e para o bebé.
 
Nos últimos 30 anos assistiu-se a uma mudança de hábitos nas mulheres. Até aos anos 60, fumar, era em comportamento quase exclusivo do homem. Algumas décadas antes era pouco aceite, socialmente, que uma senhora fumasse.

A partir da década de 70 os homens começaram a fumar menos e as mulheres passaram a fumar mais. Como seria de esperar a incidência de algumas doenças aumentou nas mulheres, como o cancro do pulmão.

Mas o facto de a mulher jovem fumar criou um outro problema que transcende a fumadora. Refiro-me à mulher que fuma durante a gravidez. De facto fumar não faz só mal à futura mãe, tornando-a mais propensa à bronquite crónica, à sinusite, à dispepsia obrigando-a a tomar remédios potencialmente perigosos para o desenvolvimento do feto e reduzindo a sua capacidade física que deve manter-se alta durante toda a gravidez e em particular no esforço do parto.

A nicotina do sangue da mãe passa ao seu bebé e vai provocar-lhe alterações conhecidas. Quando a mãe está a fumar o coração do bebé bate mais depressa e o sangue que o alimenta e lhe conduz o oxigénio, leva alcatrão, monóxido de carbono e menos oxigénio. Não se sabe ainda a totalidade dos efeitos que estes factos provocarão no desenvolvimento psico-motor da criança e na suscetibilidade futura para determinado tipo de limitações ou de doenças.

O que se sabe com segurança é que as mães fumadoras têm maior risco de ver precocemente interrompida a sua gravidez ou de terem um parto antes do termo. Sabe-se também que os bebés das fumadoras nascem com menos peso e que se atrasam no crescimento, se a mãe fumar durante o período de aleitamento. É conhecido que algumas doenças alérgicas são mais frequentes nos filhos das mulheres que fumam durante a gravidez, com o eczema alérgico.

Também o tabaco parece ser responsável por problemas de comportamento nos 3 primeiros anos de desenvolvimento da criança (agressividade, oposição, agitação). A mensagem desta crónica não será só «não fume pela sua saúde», mas também por quem lhe é mais querido, o seu futuro bebé.

Voando com as libélulas de Portugal

Texto de Vera Novais publicado pelo jornal Público em 18/11/2013
Investiga sinistros a tempo inteiro e insectos nas horas vagas. Ernestino Maravalhas anda atrás das libélulas há mais de 30 anos e agora publica o primeiro guia de campo português para este grupo.
Macho da libélula Aeshna mixta em repouso, com as asas abertas. Esta espécie observa-se em voo sobretudo no Outono
São libélulas ou libelinhas? Muitas pessoas acreditam que a diferença está no tamanho, com as libélulas maiores do que as libelinhas. É verdade que as libélulas têm um aspecto mais robusto e as libelinhas são mais delgadas. Mas o maior destes insectos voadores é, na realidade, a libelinha Megaloprepus caerulatus, com 12 centímetros de uma asa à outra. No livro As Libélulas de Portugal, Ernestino Maravalhas e Albano Soares revelam este e outros aspectos das libélulas e libelinhas.
 
Em caso de dúvida, chame-se libélulas a todas elas, que não estará errado, porque libélulas também é o nome comum do grupo — a ordem Odonata. E se a origem do nome libélula ou libelinha é incerta, Odonata vem do grego e diz respeito à estrutura bocal dotada de dentes. As mandíbulas destes predadores vorazes têm sobretudo quitina (açúcar complexo), tal como o exosqueleto dos insectos, e, quando serrilhadas, têm o aspecto de dentes afiados.
 
Mandíbulas dilacerantes e asas enormes fizeram com que estes animais de voos graciosos fossem temidos pelo homem. Reflexo disso é o conjunto de outros nomes comuns atribuídos às libélulas: tira-olhos, cavalinho-das-bruxas, dragões-voadores ou balanças-do-diabo.
 
Se ainda hoje tememos as libélulas, com uma envergadura de asas de 1,8 a 12 centímetros, o que pensaríamos se nos tivéssemos cruzado com a Meganeura monyi, com 75 centímetros de envergadura? Foi o maior insecto voador de todos os tempos, há 300 milhões de anos, antes mesmo de existirem dinossauros.
 
A este gigante do mundo dos insectos chamou-se Meganeura porque tinha nervuras muito distintas nas asas, que até ficaram conservadas no registo fóssil. “As asas da ordem Odonata são estruturas membranosas muito delgadas e reforçadas por inúmeras nervuras”, lê-se no guia. As nervuras têm assim função de conferir resistência à membrana alar.
 
O formato das quatro asas é uma das principais diferenças entre os dois grupos dos Odonata: nas libélulas, da subordem Anisoptera, o par de asas anterior (mais perto da cabeça) tem uma forma diferente do par posterior; nas libelinhas, da subordem Zygoptera, os dois pares de asas são semelhantes. Observar o formato alar, durante o voo destes animais que podem bater as asas mais de 50 vezes por minuto, pode ser complicado. Mas não em repouso, porque os insectos das duas subordens têm comportamentos distintos: as libélulas mantêm as asas abertas e as libelinhas fecham-nas sobre o corpo.
 
No livro As Libélulas de Portugal, um guia de campo, são também indicadas as diferenças nos olhos, nos segmentos do abdómen ou nas estruturas reprodutoras, que permitem identificar a espécie no terreno. Apresentam-se microfotografias para todos os pormenores relevantes.
 
Cada uma destas imagens de pormenor é composta pelo empilhamento digital de várias fotografias (um dos casos chega às 150) tiradas com diferentes profundidades de campo, para permitir focar o maior número de detalhes possível em cada plano. “É a primeira vez que esta técnica de stacking é utilizada num guia de entomologia [ciência que estuda os insectos]”, sublinha Ernestino Maravalhas, autor destas fotografias.
 
Fotografias iniciais no lixo
Quando, no final de 2011, este entomólogo de 53 anos descobriu a técnica de empilhamento digital, deitou fora todas as fotografias que até então tinha tirado aos exemplares de colecções museológicas. “Parece um absurdo.” Conta que, em relação às novas fotos, demorou um dia inteiro a empilhar 50 só para ter uma boa imagem da cabeça de uma libélula.
 
Outro traço importante destes animais, cujos dois pares de asas se podem mover de modo independente e com um ritmo tão elevado, é a forte musculatura torácica, mais evidente nas poderosas libélulas do que nas delicadas libelinhas. Regra geral, as libelinhas não se afastam muito dos locais onde nasceram, enquanto as libélulas podem voar 100 quilómetros, indica Ernestino Maravalhas.
 
Algumas espécies de libélulas que têm aparecido em Portugal são migradoras, vindas de África para a Europa, devido ao aumento das temperaturas no continente europeu. Uma das recordistas da migração, que também vive em Portugal, é a Anax ephippiger, do grupo das libélulas maiores, e pode ir até à Islândia.
 
Já as libelinhas, provavelmente não aguentariam a travessia do estreito de Gibraltar, afirma Ernestino Maravalhas. O que torna ainda mais impressionante a existência, nos Açores, de uma espécie de libelinha — a Ischnura hastata — que só é conhecida no continente americano. Não se sabe quando ou como esta população terá chegado às ilhas açorianas, nem tão pouco como terá desenvolvido um dos seus aspectos mais distintivos — a reprodução por partenogénese. Exclusivamente composta por fêmeas, a sua descendência açoriana é originada sem haver fecundação, ou seja, as filhas são clones das progenitoras. É o único caso conhecido de partenogénese em libélulas e libelinhas.
 
No país, há 65 espécies
No total das ilhas portuguesas, conhecem-se somente sete espécies, entre elas a Sympetrum nigrifemur, exclusiva da Madeira (e das Canárias). O número aumenta para 65 espécies presentes em Portugal continental, sendo metade das espécies na Europa (130). São apenas uma pequena parte das 6500 a nível mundial, porque este grupo concentra-se preferencialmente nas regiões tropicais.
 
Esta distribuição justifica-se porque estes insectos necessitam de calor, para aquecer o corpo e se poderem movimentar, e também porque adultos e larvas têm mais facilidade em encontrar e apanhar as presas durante os meses mais quentes. Necessitam ainda de água, onde a maioria das espécies deposita os ovos e onde as larvas se desenvolvem.
 
A dependência da água torna estas espécies vulneráveis tanto à destruição do habitat (devido por exemplo a represas nos rios, poluição aquática ou seca dos pontos de água), como à introdução de espécies exóticas, como a gambúsia ou o lagostim-vermelho-do-luisiana que predam as larvas. “É provável que o aquecimento global agrave o impacto e a extensão destas ameaças. Este é um dos maiores perigos presentes e futuros para sobrevivência das libélulas”, alerta o relatório Estatuto de Conservação e Distribuição das Libélulas na Bacia do Mediterrâneo, da União Internacional para a Conservação da Natureza.
 
Para Patrícia Garcia Pereira, especialista em borboletas, o afastamento dos portugueses em relação à natureza compromete a sua conservação, pelo que incentiva, no prefácio do guia, “qualquer pessoa interessada” a utilizá-lo: “A prática de observar, identificar, registar e partilhar dados faunísticos, agora acessível a todos, é essencial para o aumento do conhecimento sobre a nossa diversidade.”
 
Limitado às libélulas que aparecem em Portugal, o guia tem um mapa para cada espécie com a zona do país onde pode ser observada, a indicação do habitat preferido e a altura do ano em que é provável ver os adultos em voo. Os mapas foram criados com a colaboração de várias pessoas, que através das redes sociais indicavam onde tinham visto os insectos. Depois, os dois autores do livro deslocavam-se ao local para confirmar as informações: Ernestino Maravalhas registava os dados (cartografia, habitat...), enquanto Albano Soares se ocupava das fotos de campo.
 
Interessava a Ernestino Maravalhas que no guia houvesse informação rigorosa cientificamente, mas que ao mesmo tempo fosse fácil de usar por todos. “As imagens são em tamanho natural para que seja mais fácil para observadores amadores. Queria um guia acessível mesmo para as crianças.” Conta como o seu neto, na altura com dez anos, o acompanhava nalgumas saídas de campo, e como foi capaz de encontrar algumas espécies difíceis de localizar.
 
A linguagem simples, as fotografias e ilustrações de pormenor, os gráficos e a apresentação bilingue (português e inglês) tornam este guia utilizável por muitas pessoas. Está a ser vendido fora do país, pela distribuidora dinamarquesa Apollo Booksellers. Em Portugal, não está nas livrarias, mas pode ser comprado no site Naturfun, ou através de instituições que apoiaram a publicação. O preço de editor é 20 euros.
 
“Este livro vem preencher uma lacuna”, frisa Ernestino Maravalhas. “Não há guias dedicados exclusivamente à fauna e flora portuguesas. E os guias europeus têm muitas espécies que nunca veremos por cá.” Enquanto proprietário e editor da Booky Publishers, que lançou este livro, quer publicar mais guias de campo de espécies nativas.
 
“O guia de campo As Libélulas de Portugal contém informação científica original e constitui um salto qualitativo no conhecimento”, afirma Patrícia Garcia Pereira, acrescentando que os insectos são o grupo com maior diversidade em qualquer ecossistema terrestre e os pilares do seu bom funcionamento.
 
“Gosto do trabalho de campo, de contar, registar e identificar”, revela Ernestino Maravalhas. “Gosto muito da biogeografia, de perceber até onde vão as espécies e porquê.” Os seis anos de trabalho de campo intensivo para concretizar esta obra actualizaram a cartografia das libélulas e os autores prepararam-se para publicar os resultados em revistas científicas. “A Macromia splendens [libélula protegida pela legislação portuguesa e comunitária] era considerada rara, mas agora que se conhece melhor o seu habitat pode ver-se muitas vezes.”
 
Devido à falta de verbas, ainda há muitos desertos de informação, zonas mal estudadas, como a bacia do rio Sorraia, refere o investigador. “Ainda não estamos a trabalhar com modelos de probabilidade de ocorrência, mas vamos fazê-lo.” Desta forma, os cientistas prevêem que espécies poderão estar em cada local e fazer uma gestão do trabalho de campo, evitando ir a zonas que não têm as espécies que querem estudar.
 
Ernestino Maravalhas, que reside no concelho da Maia, é profissional de seguros a tempo inteiro e investigador nas horas vagas. Diz que tem muitas ideias e trabalhos em mãos para desenvolver nos próximos anos. O grande sonho, que alimenta pouco a pouco, é fazer uma cartografia completa dos pontos de água em Portugal, desde rios até charcos temporários e lagos: “Tenho uma predilecção por meios aquáticos.” Daí também a paixão pelas libélulas, que estuda desde 1982, quando começou a trabalhar com o médico Serafim da Silva Aguiar, outro amante deste grupo.
 
Sabe que não tem tempo para investigar todos os grupos de animais que mereciam ter um guia, mas enquanto editor gostaria de publicar livros de outros autores. Por agora, dedica-se à continuação do seu primeiro livro, As Borboletas de Portugal, de 2003, com três novos volumes. O próximo, a sair em 2015, será sobre as 1050 espécies de borboletas nocturnas do país.
 

Revelada a estrutura da proteína que mantém adormecido o vírus do sarcoma de Kaposi

Texto de Nicolau Ferreira publicado pelo jornal Público em 18/11/2013
Doença tornou-se mais comum com o aparecimento da sida.
Representação da estrutura da proteína do vírus (a vermelho) ligada a uma molécula de ADN (a azul)
O sarcoma de Kaposi passou de um cancro da pele raro, aparecendo em homens mais idosos, e afectando em especial algumas zonas do globo, para uma doença mais espalhada quando a sida surgiu. Este cancro é provocado por um vírus da família do herpes, e fica facilmente latente no genoma das células humanas. Cientistas portugueses e norte-americanos conseguiram revelar, usando cristalografia de raios-X, a proteína que obriga o vírus a manter-se integrado no genoma das células humanas e a ficar latente nas células.
 
Os resultados foram agora publicados na revista de acesso livre Public Library of Science Pathogens.
Um momento culturalmente marcante na história da sida, provocada pelo VIH, foi o filme Filadélfia, protagonizado por Tom Hanks, que interpreta Andrew Beckett, um advogado homossexual com sida, vítima de preconceito, que é despedido do seu trabalho. Um dos momentos mais impressionantes do filme, que se estreou em 1993, foi quando Andrew Beckett despe a camisa em pleno tribunal para demonstrar que tem várias manchas no corpo, o sarcoma de Kaposi. Estes tumores são facilmente identificáveis.
 
Foi na década de 1990 que se descobriu que estes sarcomas são provocados pela actuação do “vírus de herpes associado ao sarcoma de Kaposi”, como é o seu nome, ou apenas HHV-8, um vírus diferente dos mais conhecidos vírus herpes. Até ao aparecimento da sida, este sarcoma era associado a populações mais limitadas, e não surgia de uma forma tão violenta.
 
Com o VIH e o surgimento de uma população que, de repente, perde a resposta imunitária, os efeitos do HHV-8, que está disseminado na população, apareceram em força. Numa pessoa sem imunidade, o vírus torna-se mais reactivo e provoca mutações nas células do tecido linfático. O tumor forma vasos sanguíneos e o sangue acaba por dar um tom roxo às manchas.
 
A equipa liderada por Colin McVey, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB), que pertence à Universidade Nova de Lisboa e que está em Oeiras, foi analisar a proteína LANA, associada ao estado de dormência deste vírus. O HHV-8 nem sempre está activo, muitas vezes o ADN deste vírus fica integrado no ADN das células humanas. Por algum motivo, pode voltar a tornar-se activo, provocando uma nova infecção. Mas para se manter inactivo, necessita de ser controlado e é isto que a LANA faz.
 
A LANA é a proteína viral mais produzida durante esta fase de inactivação do HHV-8. A proteína prende-se, no núcleo da célula humana, ao ADN viral e ao material genético humano, impedindo que várias partículas do vírus sejam produzidas. Foi este aspecto da estrutura da proteína que a equipa do ITQB, que inclui ainda cientistas do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa e da faculdade de Medicina de Harvard, nos EUA, conseguiu estudar mais aprofundadamente, ao revelar como é essa estrutura.
 
Os investigadores usaram a técnica da cristalografia de raios-X para fotografar a proteína equivalente de um vírus semelhante que ataca os ratinhos. Desta forma, conseguiram desenhar as formas tridimensionais da proteína.
 
“Só resolvendo a estrutura [da proteína] é que fomos capazes de descobrir as duas faces da LANA”, diz Colin McVey, em comunicado. “Uma face liga-se ao ADN viral e a outra liga-se ao cromossoma do hospedeiro”, diz. A equipa também descobriu que quando há mutações a impedir a ligação entre a proteína e o ADN viral, o vírus é incapaz de se manter dormente. Estes aspectos da fisiologia do vírus são importantes para continuar a estudar a patogenicidade do HHV-8, concluem os autores no artigo.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Alterações climáticas podem mudar os peixes à mesa dos portugueses

Artigo publicado pelo jornal Público em 13/11/2013
Com o aumento da temperatura da água do mar, chegarão às costas portuguesas menos tamboril, raia, abrótea, badejo, faneca ou solha. E mais carapau, sargo, besugo ou dourada.
O carapau é um dos peixes que pode chegar mais às águas portuguesas no futuro
As alterações climáticas poderão obrigar os portugueses a mudar hábitos de consumo de peixe, com menos tamboril ou solha e mais carapau ou dourada, indica um estudo do Centro de Oceanografia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve.
 
De acordo com o estudo, há uma “alteração significativa” do tipo de peixe para venda que chega ao país e que “parece estar associada às alterações climáticas”.

Célia Teixeira, investigadora do Centro de Oceanografia, disse que, em anos mais quentes, diminuíram as chegadas de espécies de peixe das águas mais frias, que tendem a deslocar-se mais para norte. Pela mesma lógica, as espécies subtropicais tropicais também tenderão a subir o oceano Atlântico. Portugal fica numa zona de transição, onde há peixes de afinidade temperada e de afinidade subtropical-tropical.

O estudo analisou dados de desembarques comerciais (de peixe), entre 1927 e 2012 e concluiu que estão a diminuir os desembarques de peixes das águas temperadas e a aumentar as espécies das águas subtropicais tropicais.

“Tendo em conta que os cenários climáticos prevêem um aumento da temperatura, espera-se que os desembarques das espécies subtropicais tropicais venham a aumentar e, por isso, essas espécies possam vir a ser mais frequentes na costa portuguesa, estando assim disponíveis para os consumidores”, conclui o estudo divulgado esta terça-feira em comunicado de imprensa.

Com o aumento da temperatura da água do mar, os portugueses terão portanto menos raia, abrótea, badejo, faneca ou solha, entre outros peixes. Mas, em compensação, terão mais carapau, sargo, besugo ou dourada, entre outros.

Célia Teixeira admitiu ainda que, no futuro, à mesa dos portugueses possam começar a chegar outras espécies de peixe que, até agora, não são pescados na costa.

Ervas aromáticas: um toque de saúde à refeição

Escrito por  Pedro F. Pina, com entrevistas a Fernanda Botelho, Maria João Sousa e Luís Alves.
 
Ervas aromáticas: um toque de saúde à refeição

Vêm em diferentes formas, cores, sabores e cheiros. E geralmente têm também diferentes benefícios para nós. Ainda assim, muitas delas têm um benefício em comum: podem substituir o sal, sem nos deixar um gosto insosso. Saiba mais sobre ervas aromáticas. E veja também o que temos a ganhar com plantas medicinais.

Em primeiro lugar, o que são ervas aromáticas? Resumidamente: as ervas aromáticas são normalmente retiradas das folhas de uma variedade de plantas. Se forem armazenadas convenientemente, retêm o seu sabor e propriedades durante largos períodos de tempo.

Fernanda Botelho é autora de livros como As Plantas e a Saúde - Guia Prático de Remédios Caseiros. As ervas aromáticas são uma das suas paixões, tendo já lecionado workshops sobre o tema. Diz-nos a autora que "as plantas aromáticas, tal como tudo o resto que ingerimos, vão repercutir-se na nossa saúde". E isto verifica-se de duas maneiras: como são plantas que podemos utilizar na culinária, ajudam a reduzir o consumo de sal, mas ao consumi-las estamos também a beneficiar dos seus componentes terapêuticos.

Existem muitas plantas diferentes e algumas delas são bem conhecidas do nosso paladar, embora muitas vezes não saibamos em pormenor que outros benefícios "escondem". Fernanda Botelho e Maria João Sousa, diretora do curso de fitofarmácia, plantas aromáticas e medicinais), ajudam-nos a perceber melhor, com alguns exemplos concretos, o que está aqui em causa.

O tomilho, por exemplo, é um bom antissético e antifúngico, expetorante, carminativo (que combate os gases intestinais), tornando-o também um auxiliar digestivo. O alecrim é excelente para tratar problemas de circulação, é bom para a memória e para a concentração. A salsa é muito rica em sais minerais, incluindo ferro e vitaminas, podendo ser uma boa ajuda ao em casos de fraqueza e anemia, além de ser também diurética. Mas existem mais exemplos a ter em conta.

A salva, por exemplo, é recomendada para auxiliar em alguns dos efeitos relacionados com a menopausa, como é o caso dos afrontamentos e suores noturnos; ajuda ainda a baixar os níveis de colesterol, além de ser recomendada em gargarejos para infeções da boca e da garganta. A segurelha, para além da sua tradicional utilização na sopa de feijão-verde, tem propriedades digestivas. Os coentros são uma boa fonte de cálcio e são digestivos e carminativos, sobretudo as sementes. Estas sementes, explica-nos Maria João Sousa, "têm propriedades diuréticas, hipoglicémicas, combatendo também o reumatismo e as nevralgias articulares".

Além das ervas acima mencionadas, Maria João Sousa destaca ainda a alfarroba, que pode ser usada como laxante, o lúpulo, conhecido como ingrediente da cerveja, mas que é também um aromatizante, com as suas flores a terem também efeitos relaxantes diuréticos e a alfazema, que "tem um óleo essencial responsável pelo seu aroma, e que pode ser usado como antisséptico, sedativo e analgésico".

Por uma questão de saúde

Alguns estudos sugerem que é possível reduzir até cerca de 30 por cento o consumo de sal, sem que tal se repercuta no nosso paladar. Que é como quem diz: o nosso paladar até pode ser atento, mas não é inflexível. Além do mais é possível "educá-lo". A chamada dieta mediterrânica, tantas vezes elogiada por especialistas em nutrição, não se destaca apenas pelo uso do azeite como gordura (mais saudável do que a manteiga ou a margarina, por exemplo). As ervas aromáticas, presentes na diversificada gastronomia nacional, são outro dos seus trunfos. E um que deve ser defendido, como a própria Direção-Geral de Saúde referiu na sua "Estratégia Nacional para a Redução do Consumo de Sal na Alimentação em Portugal".

O nosso país demonstra já há alguns anos níveis altos de incidência de hipertensão – estima-se que o número se aproxime dos dois milhões de hipertensos. O principal culpado? O excesso de sal. O tal que, dependendo do prato, alguma salsa, louro, orégãos ou simples cominhos podem substituir.

Luís Alves é o responsável pel'O Cantinho das Aromáticas. Apaixonado por botânica, chegou a trabalhar no frondoso Jardim de Serralves. Em 2002, juntamente com um amigo, decidiu arrendar parte da Quinta do Paço, em Vila Nova de Gaia, dar inicio a um projeto de produção de plantas aromáticas.

Hoje em dia têm três hectares dedicados a produção inteiramente biológica e já exportam para países como a França e a Suiça além de terem uma loja online, um sinal de que a aposta correu bem – e que há cada vez mais interessados neste tipo de produtos. Plantas, fungos e animais circulam livremente nos prados, assegurando uma fonte de matéria orgânica, essencial para esta forma de agricultura. Além de realçar a questão ambiental – todo o negócio mantém um espírito "amigo do ambiente" –, Luís Alves orgulha-se de o seu trabalho diário contribuir também para um futuro "mais saudável e mais civilizado".

Das ervas aromáticas às plantas medicinais

Desde há muito que o ser humano percebeu que a natureza tem propriedades que contribuem para a nossa saúde. E isto vai além dos exemplos acima referidos, que dizem respeito à culinária. Falemos também de plantas medicinais.

Maria João Sousa explica-nos que "as plantas têm o que se chama metabolismo primário, que é responsável pela sua sobrevivência e é basicamente igual para todas, mas depois têm também o metabolismo secundário, que é o responsável pela produção de compostos diferentes que variam de planta para planta e cujos resultados podem ser a produção dos tais compostos bioativos, com ação a nível da saúde humana".

Nem todas as plantas têm efeitos terapêuticos. E mesmo as que têm não estão isentas de cuidados. "É óbvio que [as plantas medicinais] também apresentam contraindicações e muitas delas são tóxicas e são apenas utilizadas por exemplo em homeopatia, em doses muitíssimo reduzidas". Mas não é razão alguma para alarme.

Maria João Sousa alerta que "em pequenas doses, os biocompostos podem ser fármacos eficientes, mas em doses um pouco superiores podem ser venenos potentes". Há ressalvas a fazer: situações como a gravidez, tratar-se de crianças e bebés, ou pessoas com doenças como a diabetes, problemas cardiovasculares ou outras, "onde a ingestão frequente de determinadas plantas medicinais pode ter efeitos nefastos", diz-nos.

Mas, em qualquer dos casos, não é razão alguma para alarme. A medicina tradicional chinesa, especificamente uma das suas disciplinas, a fitoterapia, tem usado os princípios ativos de plantas a nosso favor. Mas a verdade é que alguns dos grandes triunfos da própria indústria farmacêutica dependeram (e dependem) de princípios ativos de plantas. A já histórica aspirina, por exemplo, vai buscar a uma planta chamada spiraea ulmária um dos seus principais componentes, o ácido salicílico.

Num mundo industrializado como o nosso, a tecnologia não precisa de ser o que nos afasta da natureza. Pelo contrário, pode ser uma ajuda para conhecermos cada vez melhor o que a natureza coloca à nossa disposição, sejam plantas medicinais, sejam as ervas aromáticas que tão boa companhia podem fazer à mesa.

A couve-galega não gosta da nova forma de reprodução das azedas

Artigo publicado pelo jornal Público em 11/11/2013
Originárias da África do Sul, as azedas estão agora a propagar-se mais rapidamente na Península Ibérica e a sua invasão pode afectar algumas culturas agrícolas. 

Flores da Oxalis pes-caprae, conhecida por azeda ou trevo amarelo
 Investigadores das universidades de Coimbra e de Vigo descobriram uma nova forma de reprodução de uma planta invasora – a Oxalis pes-caprae, vulgarmente conhecida por azeda ou trevo amarelo –, que pode ter impacto nalgumas culturas agrícolas.

A nova forma de reprodução na Península Ibérica da Oxalis pes-caprae “está a influenciar o processo de invasão da espécie, podendo ter efeitos importantes para algumas culturas agrícolas”, anuncia esta segunda-feira a Universidade de Coimbra em comunicado.

As azedas reproduziam-se exclusivamente por bolbos (reprodução assexuada), sendo um clone na área invadida, explica ainda o comunicado. Mas a detecção de uma região onde as plantas se conseguem reproduzir também por semente (reprodução sexuada) – capacidade até agora exclusiva da área de onde a espécie é nativa, a África do Sul – fez com que os cientistas investigassem as causas do fenómeno e o seu impacto no ecossistema, nomeadamente as consequências para o processo de invasão e para as espécies nativas.

Por que razão o novo mecanismo de reprodução da azeda na Península Ibérica pode ser um problema? “Permite cruzamentos com outros indivíduos, o que aumenta a diversidade genética desta espécie nesta área. O aumento da diversidade genética gerada pela nova via de reprodução combina características que podem tornar as plantas mais agressivas e danosas para o ecossistema”, referem João Loureiro e Sílvia Castro, investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, citados no comunicado.

“Verificaram-se igualmente alterações profundas no processo propagação, que passou a ser mais rápido, fácil e muito mais agressivo. O impacto na reprodução das plantas nativas das áreas invadidas é também enorme, podendo comprometer a reprodução de algumas espécies e afectar a dinâmica das populações naturais”, acrescentam os dois investigadores.

O estudo dá informações para se compreender melhor como funciona esta espécie, o que pode ajudar a desenvolver medidas de controlo e erradicação da planta. “Isto assume particular importância uma vez que a Oxalis se propaga preferencialmente em zonas agrícolas, sendo necessários mais estudos para avaliar o impacto no sucesso de culturas. Os resultados obtidos até agora revelam que, dependendo das plantas nativas, o impacto pode ser positivo ou negativo”, refere o comunicado. “Por exemplo, na couve-galega foi verificado um impacto negativo.”