quinta-feira, 25 de julho de 2013

Alterações climáticas podem levar lince-ibérico à extinção neste século

Texto de Nicolau Ferreira publicado pelo jornal Público em 22/07/2013
Modelo mostra que nas próximas décadas o Sul da Península Ibérica deixará de ter condições para o felino mais ameaçado da Terra. Paradigma de conservação tem de mudar para salvar a espécie, defende estudo
O lince-ibérico tem cerca de um metro de comprimento e 70 centímetros de altura
O lince-ibérico é o felino que está mais próximo da extinção. Na última década, o número de animais não ultrapassava na natureza a centena e meia. Em Portugal, avistar um deles passou a estar no patamar dos sonhos, com uma ou outra excepção. Os imensos esforços de conservação reverteram, para já em Espanha, esta tendência e a população de linces tem aumentado. Mas de acordo com um novo estudo, este esforço não chega. As alterações climáticas podem mudar, em poucas décadas, as paisagens do Sul da Península Ibérica e tornar inviáveis as regiões onde hoje o felino tem condições para viver: se nada for feito, o lince desaparecerá da face da Terra ainda neste século, avança um artigo publicado agora na revista Nature Climate Change.
 
"As alterações climáticas vão rápida e severamente diminuir a abundância do lince e provavelmente levar à extinção da espécie na natureza dentro de 50 anos, mesmo que haja um forte esforço global de mitigar as emissões de gases com efeito de estufa", avança o artigo da equipa internacional que conta com dois portugueses.
 
A equipa teve em conta os cenários anuais do clima futuro na Península Ibérica fornecidos pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas, mas cruzou esses dados com a ecologia das populações de lince-ibérico e coelho-selvagem. "A maior parte dos modelos aborda as alterações climáticas e os solos, nunca aborda as interacções bióticas", explica ao PÚBLICO Miguel Araújo, coordenador do estudo e que divide o seu tempo entre a Universidade de Évora e o Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid.
 
Para sobreviver na natureza, o lince-ibérico (Lynx pardinus) está dependente do coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), que perfaz 90% da alimentação do felino. Nas últimas décadas, o coelho tem-se debatido com duas doenças que dizimaram as populações. Além disto, a diminuição do habitat disponível, a caça e uma terceira doença que afecta o lince-ibérico têm sido fatais para este felino. A área do lince reduziu 33 vezes entre 1950 - quando existiam mais de 5000 animais na Península Ibérica - e 2005. Neste ano, já só ocupava 1200 quilómetros quadrados, em Espanha. E as alterações climáticas podem dar o golpe de misericórdia, se nada for feito. "Se houver menos pluviosidade [um dos efeitos esperados para o Sul da Península Ibérica], há menos vegetação e menos coelhos", diz o biogeógrafo. "Menos coelhos implica menos linces."
 
O artigo mostra que, na melhor das hipóteses - tendo em conta a conservação actual que só contempla a reintrodução da espécie no Sul e uma mitigação agressiva da emissão de gases com efeito de estufa -, o lince-ibérico tem 89% de probabilidades de extinção. O que ocorrerá por volta de 2065. Apesar de os modelos não incluírem todos os aspectos, "a mensagem qualitativa da extinção nas próximas décadas é robusta", diz o investigador português.
 
Mas há uma alternativa. "Está nas nossas mãos assegurar a continuação da espécie, só que isso exige uma alteração de paradigma", defende o biogeógrafo. "Se tivermos uma política de reintrodução do lince-ibérico tendo em conta critérios geográficos e ambientais, poderemos esperar um aumento da população até aos 800 indivíduos [no final do século]."
 
Atendendo a esses novos critérios, o lince-ibérico deveria ser introduzido em várias zonas mais a norte da Península Ibérica, como a meseta ibérica, a costa da Catalunha, a zona perto dos Pirenéus e ainda na Beira Alta, a Beira Baixa e Trás-os-Montes. Todos estes locais, onde o lince-ibérico já existiu no passado, vão ter no futuro as condições climáticas para o coelho e o lince viverem.
 
"A mensagem mais geral é que as políticas de conservação têm de passar a considerar as mudanças de paisagem devido às alterações climáticas", resume o cientista.
 
Para Eduardo Santos, da Liga para a Protecção da Natureza e um dos coordenadores do Projecto LIFE Lince Moura/Barrancos - um dos potenciais locais onde o lince poderá ser reintroduzido em Portugal -, este artigo é importante quando se pensa na conservação a médio prazo deste felino. "O tempo e o investimento para fazer a conservação é grande e depende do esforço de diferentes entidades, não só das da conservação mas de proprietários, agricultores, caçadores e da sociedade em geral", considera. "A reintrodução sozinha não tem sucesso", diz.
 
Mas Eduardo Santos concorda com esta nova equação que inclui os efeitos das alterações climáticas: "Enquanto novo paradigma, faz todo o sentido."

Golfinhos-roazes chamam-se uns aos outros pelo "nome"

Texto de Marina Soares publicado pelo jornal Público em 23/07/2013
Estudo conduzido por investigadores de uma universidade escocesa conclui que os golfinhos só respondem ao som que os identifica dentro do grupo.
Golfinhos-roazes usam sons que só são reconhecidos dentro do grupo
Um grupo de investigadores da universidade escocesa de St. Andrews analisou os sons emitidos pelos golfinhos roazes e concluiu que estes se chamam uns aos outros pelo “nome”. Estes animais são, ao que parece, os únicos mamíferos não-humanos a usar sons individuais para comunicar com cada um dos membros do grupo.
 
O estudo, publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy Scientes (PNAS), conclui que os golfinhos respondem quando ouvem o seu próprio assobio reproduzido. “Os animais não respondem a assobios que não sejam a sua própria assinatura”, lê-se no resumo publicado na página de Internet da revista.
 
Já se acreditava que os golfinhos utilizavam sons distintos para se identificarem e que aprendiam a imitar os sons pouco habituais, de uma forma semelhante aos nomes utilizados pelos humanos. Mas esta é a primeira vez que se estuda a resposta dos animais ao seu próprio “nome”.
 
Para a investigação, os cientistas gravaram os sons produzidos por um grupo de golfinhos roazes (Tursiops truncatus) selvagens e captaram o som que identificava cada um dos animais. Em seguida, reproduziram os sons usando altifalantes subaquáticos, misturando também assobios identificativos de populações diferentes. Perceberam que cada animal só respondia ao seu próprio assobio, imitando-o.
 
Os investigadores afirmam que esta capacidade, tipicamente humana, deverá ter sido desenvolvida para ajudar os animais a manterem-se unidos no seu vasto habitat aquático.
 
“Na maior parte do tempo, eles não se vêem, nem conseguem usar o olfacto debaixo de água, sendo que este é um sentido muito importante para se reconhecerem”, explicou ao jornal espanhol El País o investigador Vincent Janik, da unidade de investigação de mamíferos marinhos da universidade de St. Andrews ."Os golfinhos também não costumam ficar num local específico, pelo que não têm tocas nem ninhos onde regressar", lembrou. Daí que utilizem os sons para se chamarem e se reconhecerem dentro de água.

NASA revela novas imagens do “pontinho azul-claro” (a Terra) visto de muito longe

Texto de Ana Gerschenfeld publicado pelo jornal Público em 23/07/2013
A cores e a preto e branco, foram apanhadas por duas sondas espaciais na última sexta-feira – e mostram, como bónus, um diminuto pontinho branco: a Lua.
Imagem em bruto da Terra e da Lua captada pela sonda Cassini
Imagem a preto e branco da Terra e da Lua captada pela sonda Messenger
 
A Terra e a Lua, a cores, captadas pela sonda Cassini
 
A sonda Cassini, actualmente em órbita de Saturno, virou há uns dias a sua câmara de mais alta resolução na nossa direcção e captou imagens a cores da Terra e da Lua, anunciou esta terça-feira a agência espacial norte-americana NASA em comunicado.
 
A sonda é um projecto conjunto da NASA, da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Italiana.
 
As fotografias, que foram captadas a 1500 milhões de quilómetros de distância de nós, são as primeiras da sonda Cassini que conseguem mostrar o nosso planeta e o seu satélite natural como dois objectos distintos, explica a NASA.
 
Uma das imagens agora divulgadas (a primeira das várias que acompanham este texto) teve de ser ampliada cinco vezes, a luminosidade tanto da Terra como da Lua aumentada – e a luminosidade da Lua ainda mais aumentada em relação à da Terra para a Lua ser visível. A imagem mostra o nosso “pontinho azul-claro” e o seu único “companheiro” mergulhados na imensa escuridão do espaço.
 
Pelo seu lado, a sonda Messenger, concebida e construída pela Universidade Johns Hopkins (EUA), em órbita de Mercúrio, captou uma imagem a preto e branco a 98 milhões de quilómetros de distância de nós.
 
É a terceira vez que a Terra nos surge vista dos confins do sistema solar. A primeira sonda a “olhar para trás”, a 14 de Fevereiro de 1990, foi a Voyager 1 da NASA, que na altura se encontrava a mais de seis mil milhões de quilómetros da Terra, para lá de Plutão, a caminho do resto do Universo. A ideia de virar as câmaras daquela sonda para a Terra foi do famoso astrónomo norte-americano Carl Sagan – e deu origem à mítica imagem que valeu ao nosso planeta a alcunha de “pontinho azul-claro”, também da autoria de Sagan.

Um só gene da palmeira-de-óleo explica espessura diferente da casca do fruto

Artigo publicado pelo jornal Público em 25/07/2013
Descodificado o genoma da planta que é a principal fonte de óleo comestível do mundo.
A forma espessa (à esquerda) e pouco espessa da casca do fruto
A descodificação do genoma da palmeira-de-óleo, revelada na última edição da revista Nature, permitiu identificar um gene que poderá revelar-se essencial para aumentar o rendimento e aliviar a pressão sobre as florestas tropicais.
 
A palmeira-de-óleo é cultivada pelos seus frutos, de onde se extrai o óleo de palma, a gordura vegetal mais consumida em todo o mundo. Não só é a principal cultura oleaginosa a nível mundial (33% da produção de óleo vegetal e 45% da produção de óleo comestível), como é a mais produtiva (dá cinco a sete vezes mais óleo do que o amendoim e dez vezes mais do que a soja).
 
Para fazer face às crescentes necessidades mundiais de óleo de palma, devido à procura da indústria agro-alimentar e dos biocombustíveis, a área cultivada de palmeiras-de-óleo aumentou consideravelmente nos últimos anos, sobretudo no Sudeste asiático, em detrimento da floresta. A enorme expansão da cultura da palmeira-de-óleo enfrenta um duplo problema de imagem: é acusada de destruir florestas e ameaçar a saúde humana originando produtos prejudiciais ao sistema cardiovascular.
 
Agora, investigadores do Painel Malaio para o Óleo de Palma (MPOB, na sigla inglesa), uma agência governamental para apoiar este sector agro-industrial da Malásia, o segundo maior produtor mundial depois da Indonésia, apresentaram dois artigos na revista Nature sobre a descodificação do genoma das duas espécies principais que dão o óleo de palma – a palmeira-de-óleo-africana (Elaeis guineensis), também conhecida por palmeira-dendém ou dendezeiro e que é originária da África Ocidental, e a palmeira-de-óleo-americana (Elaeis oleifera), da América latina.
 
Os investigadores identificaram um único gene – chamado Shell – que determina quão dura é a casca do fruto. Mutações neste gene explicam a existência de três variedades de palmeiras, em função da espessura da casca: o tipo dura, com uma casca espessa, o tipo pisifera, sem casca mas que geralmente não produz fruto, e o tenera, um híbrido dos dois tipos que tem a casca fina.
 
Na forma tenera, existe uma versão normal do gene Shell e uma versão mutada, uma combinação óptima que se traduz numa produção de óleo por fruto 30% superior ao do tipo dura.
 
Como as palmeiras-de-óleo tem um ciclo de reprodução muito longo, os agricultores têm de esperar até seis anos para determinar qual dos três tipos de fruto uma planta irá produzir. Na sequência da identificação do gene Shell, o desenvolvimento de um marcador genético permitirá acelerar o processo de selecção das plantas e diminuir as áreas cultivadas.
 
“Esta descoberta poderá ajudar a conciliar os interesses divergentes entre a crescente procura mundial de óleo alimentar e os biocombustíveis, de um lado, e a preservação da floresta por outro”, considera um dos autores do trabalho, Rajinder Singh, do MPOB.

Segredo de uma vida longa pode estar em ingerir menos calorias

Artigo publicado pelo jornal Público em 17/07/2013
Experiência de equipa chinesa em ratinhos mostrou que redução das calorias influencia as bactérias intestinais.
O número de calorias parece ser mais importante do que o facto de o alimento ser ou não rico em gordura
Restringir a quantidade de alimentos ingeridos pode ser a chave para uma vida prolongada, segundo dados de uma equipa de cientistas chineses que acabam de publicar um estudo na revista científica Nature Communications.
 
A equipa da Universidade de Jiao Tong, em Xangai, explica que fez uma série de experiências em 150 ratinhos ao longo de três anos e que foi possível estabelecer uma relação entre comer pouco e viver mais tempo nos ratinhos que foram sujeitos a uma restrição das calorias ingeridas por dia.
 
Zhao Liping, coordenador do estudo e investigador da Escola de Biotecnologia e Ciências da Vida da universidade chinesa, em declarações ao jornal Shanghai Daily, citado pela Lusa, adiantou que as conclusões se podem aplicar a outros animais e também a humanos – ainda que sejam necessárias investigações adicionais já que os resultados em pessoas devem ser personalizados. Além disso as experiências decorreram apenas em ratinhos machos, já que o sexo poderia ser um factor que poderia influenciar os resultados.
 
De acordo com o cientista, a restrição calórica favorece a expansão da flora bacteriana saudável presente no sistema digestivo, nomeadamente os lactobacilos, o que ajuda a combater e a reduzir o número de bactérias nocivas para o organismo. Zhao assegura que estas bactérias “boas” são um elemento determinante na saúde e tempo de vida.
 
“A restrição de calorias é o único regime experimental que pode alargar de maneira eficaz o tempo de vida em vários modelos de animais, mas o mecanismo que torna isso possível continua a ser controverso”, diz o artigo, que sublinha que os “microorganismos intestinais têm um papel essencial na saúde dos seus hospedeiros” e a sua estrutura deriva da forma como comemos.
 
“Os microbióticos do intestino mostraram que têm um papel pivô na saúde do hospedeiro e que a sua estrutura é sobretudo formada pela dieta. Com este estudo mostramos que uma dieta prolongada de restrição calórica tanto com muita como com pouca gordura, mas sem exercício voluntário, muda significativamente toda a estrutura dos microbióticos”, lê-se no estudo.
 
Segundo o artigo, as conclusões são válidas tanto para dietas com muitas ou com poucas gorduras, já que o que parece contar é o total de calorias ingeridas. Os ratinhos que foram sujeitos a uma dieta com cerca de menos 30% de calorias mostraram também uma redução de uma toxina associada a inflamações, a lipopolissacarídeo. E refere-se, também, que dados prévios em humanos já mostravam diferenças nas bactérias de quem tem uma dieta ocidental moderna ou mais rural.
 
Zhao Liping e os restantes cientistas acreditam que o trabalho que acabam de publicar traz importantes conclusões para outras investigações que estão a ser feitas sobre obesidade, as suas causas e efeitos, assim como para outras doenças do metabolismo.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Invasão de algas pintou de verde o mar Amarelo na China

Artigo publicado pelo jornal Público em 05/07/2013.
Fenómeno não é novo, mas este ano atingiu dimensões nunca antes vistas.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A maior invasão de algas jamais registada na China cobriu com um manto verde o mar Amarelo, que banha a cidade de Qingdao, na província de Shandong. O fenómeno não é novo, mas este ano atingiu dimensões nunca vistas.
 
Segundo o jornal britânico The Guardian, que cita a agência de notícias chinesa Xinhua, as autoridades foram obrigadas a utilizar bulldozers para retirar mais de 7300 toneladas de algas das praias.
 
As algas, da espécie Enteromorpha prolifera, não são tóxicas para pessoas ou animais. No entanto, podem alterar o ecossistema onde se inserem, bloqueando a entrada de luz solar na água e absorvendo o seu oxigénio, o que acaba por asfixiar os organismos marinhos.
 
O fenómeno tem ocorrido anualmente nos últimos seis Verões, naquela cidade. Este ano, as algas estenderam-se por quase 28 mil quilómetros, duas vezes mais do que em 2008. Nesse ano, Qingdao acolheu as provas de vela inseridas nos Jogos Olímpicos de Pequim, que estiveram em risco precisamente devido à enorme quantidade de algas no mar Amarelo.
 
Uma especialista contactada pelo The Guardian admite que esta invasão se deve à poluição. “A proliferação explosiva de algas costuma ocorrer após descargas maciças de fosfatos e nitratos na água. Pode ser da agricultura, de esgotos não-tratados ou de algum tipo de indústria que esteja a descarregar resíduos na água”, afirmou Brenda Parker, investigadora da Universidade de Cambridge.

E a 14ª lua de Neptuno foi descoberta

Texto de Teresa Firmino publicado pelo jornal Público em 16/07/2013.
Tem 19 quilómetros de diâmetro, está a cerca de 150 mil quilómetros do seu planeta e demora apenas 23 horas a orbitá-lo.
Imagem compósita de várias observações do telescópio Hubble, com a nova lua S/2004 N1
É tão pequena que a sonda Voyager 2 não deu por ela, quando passou perto de Neptuno em 1989, na sua viagem pelo sistema solar e agora a caminho do espaço interestelar. A 14ª lua descoberta em órbita de Neptuno tem apenas 19 quilómetros de diâmetro. Nome?Os cientistas chamaram-lhe S/2004 N 1.
 
Mark Showalter, do Instituto SETI, em Mountain View, na Califórnia, estava a analisar imagens de arquivo do telescópio espacial Hubble, para estudar os ténues anéis de Neptuno. Como as luas de Neptuno e anéis orbitam muito rapidamente o planeta, foi preciso gizar uma maneira de seguir o seu movimento para fazer sobressair os pormenores deste sistema, conta o investigador, num comunicado da NASA. “É o que acontece com um fotógrafo desportivo que segue um atleta a correr – o atleta fica focado, mas o ambiente à volta está desfocado.”
 
O investigador decidiu alargar a análise das imagens do Hubble a regiões muito para lá do sistema de anéis de Neptuno – e foi então que a 1 de Julho último detectou um minúsculo ponto branco, a cerca de 150 mil quilómetros do planeta, entre as luas Larissa e Proteu.
 
O mesmo ponto branco aparecia repetidamente em imagens do Hubble tiradas entre 2004 e 2009, como pôde verificar. Quando a Voyager 2 visitou Neptuno, viu uma tempestade do tamanho da Terra, encontrou seis novas luas e visitou Tritão, a maior lua de Neptuno, quase do tamanho da nossa Lua e onde descobriu géisers de azoto, mas a S/2004 N 1 passou-lhe despercebida.
 
Agora sabemos que faz parte do séquito de Neptuno como a sua mais pequena lua conhecida, que completa uma volta ao planeta em apenas 23 horas.