domingo, 12 de outubro de 2008

O Outono e a sua beleza...



Poesia e Projecto...

Pouco depois de iniciar a Área de Projecto com a turma do 12º B, sou confrontada com dois poemas de que tive conhecimento numa experiência anterior. Repesquei-os e compartilho convosco a força inspiradora destas palavras, para um trabalho de construção dos projectos, ao longo deste ano lectivo.
Fátima Tadeu



AUTOBIOGRAFIA EM CINCO CAPÍTULOS CURTOS
I
Desço a rua.
Há um grande buraco no passeio.
Caio.
Estou perdida...estou desamparada
a culpa não é minha.
Levo uma eternidade a sair de lá.

II
Desço a mesma rua.
Há um grande buraco no passeio.
Finjo que não o vejo
Caio outra vez lá dentro.
Não posso acreditar que estou no mesmo sítio.
Mas a culpa não é minha.
Ainda levo muito tempo a sair.

III
Desço a mesma rua.
Há um grande buraco no passeio.
Vejo-o
Mas ainda caio lá dentro ... é um hábito
Tenho os olhos abertos
Sei onde estou.
A culpa é minha.
Saio imediatamente.

IV
Desço a mesma rua.
Há um grande buraco no passeio.
Passo ao lado.

V
Desço outra rua.

PORTIA NELSON

Poema extraído do Livro "GERIR O TRABALHO DE PROJECTO~Um manual para professores e formadores", de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, da Texto Editora, Colecção Educação Hoje.



A EXCEPÇÃO Á REGRA


Assim se termina história de uma obra
Vistes e ouvistes
Vistes um acontecimento vulgar
Um acontecimento como os que se dão todos os dias
E, no entanto, pedimo-vos,
Sob o familiar, descobri o insólito,
Sob o quotidiano, vêde 0 inexplicável.
Possa tudo o que é habitual inquietar-vos.
Na regra descobri o abuso
E onde quer que descubrais o abuso
Achai-lhe o remédio.

Bertolt BRECHT

sábado, 11 de outubro de 2008

Linces em Silves?! “Nã” pode ser…

Ai pode pode!! Finalmente e para breve!

No final do ano ficará concluído o 1º Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro do Lince Ibérico (Lynx pardinus). Sediado em Silves, este centro receberá em 2009 casais vindos da nossa vizinha Espanha, do Parque de Doñana, com o objectivo de futuras crias repovoarem antigos territórios do lince em Portugal, como a Serra da Malcata. Crucial será dizer o quão importante é repor, primeiro, o seu habitat largamente desaparecido, onde a sua presa de eleição, o coelho bravo, escasseia vitima de caça e doenças, imperando portanto assegurar a existência de presas nos campos.

Desde 1986 que o lince ibérico é classificado como “ameaçado” nas listas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Em 2002, o seu estatuto de conservação agravou-se para “criticamente ameaçado”, quando deixou de ser avistado no nosso país. Este predador, inofensivo para o Homem, que outrora percorria tanto as montanhas algarvias como as serras de S. Mamede e da Malcata, tornou-se um mito por cá. Contudo, no outro lado da fronteira, no mesmo ano de 2002, colocaram-se “mãos à obra” com o intuito de parar esta catástrofe ibérica, iniciando assim o Programa de Conservação Ex-Situ do Lince Ibérico. Até à presente data este programa já “deu à luz” 24 crias, sendo considerado um sucesso pelos espanhóis.

Embora as possibilidades de ver esta espécie, que prefere viver bem longe do Homem, sejam remotas, faço votos para que em poucos anos consigamos furtar definitivamente a este tímido “gato”, tão amargo destaque que é esse o da Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas.

Imagem daqui


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Dia Mundial da Alimentação - 16 de Outubro

Mantendo a tradição dos anos anteriores os professores do agrupamento de Biologia e Geologia promovem a realização de um conjunto de eventos para comemorar o Dia Mundial da Alimentação.
Longe de ser apenas uma necessidade fisiológica a alimentação é, desde há muito, também um acto de cultura. E quem diz cultura, diz Mediterrâneo, o "mare nostrum", o mar-matriz da nossa cultura feita de luz e festa, de vida na ágora, de abertura aos outros, onde sempre se misturaram sabores e saberes tão presentes na sua gastronomia.
É com este espírito que queremos assinalar este dia com uma ementa, que não sendo propriamente mediterrânica, o bacalhau lembra o norte, não deixa de sugerir o sul, o Mediterrâneo, pois lá estão o mel e o azeite, a cor do ouro, a hortelã e o odor intenso de uma erva que nos dá a sensação de refrescância.
Não faltarão os cestos de fruta colocados em pontos estratégicos da escola a lembrar a existência de uma fonte de preciosos antioxidantes,"lídimos guerreiros" no combate aos maléficos radicais livres, causadores indirectos do nosso envelhecimento precoce, cuja produção tem sido potencializada por uma panóplia de factores associados à vida moderna.
E porque queremos saber, também, o porquê das coisas, as palestras "Alimentação Saudável" (Sara Andrade) e "Alimentação e Imagem Corporal" (Magda Silva) saciarão a nossa curiosidade.
Agrupamento de Biologia e Geologia

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Na senda do combate ao vírus HIV

Este ano o Prémio Nobel da Medicina foi atribuído aos médicos franceses Luc Montagnier e Françoise Barré-Sinoussi que, em 1983, isolaram e identificaram o vírus da imunodeficiência humana, vulgarmente conhecido como HIV. O prémio é compartilhado pelo médico alemão Harald zur Hausen que, pela primeira vez, estabeleceu uma relação directa entre o cancro do colo do útero e o vírus do papiloma humano (HPV). De notar que em 2006 conseguiu-se obter uma vacina preventiva no sentido de imunizar as jovens contra o HPV.
No que toca ao vírus da imunodeficiência humana é conhecida a sua estrutura, o modo como a infecção se desenvolve, bem como os esforços, até agora inglórios, do sistema imunitário para se defender. Por ora, todas as tentativas desenvolvidas para a criação de uma vacina têm-se revelado infrutíferas, na medida em que não funcionaram as vacinas baseadas em vírus vivos e atenuados, as constituídas por vírus inactivos e as feitas a partir de proteínas. Nenhum dos processos habituais de imunização tem conseguido levar a melhor ao vírus. Isto, porque o HIV incorpora o seu próprio material genético no do homem e, não se tem conseguido retirá-lo sem danificar o DNA humano. Uma dificuldade acrescida deriva do facto de que, quando ocorre a replicação do vírus, cada cópia formada é um pouco diferente do vírus original, isto é, o vírus sofre mutações constantes, sendo que no combate a travar é necessário eliminar cada uma das variantes e, assim, evitar o aparecimento de novas cópias. Segundo Luc Montagnier, o processo que permite ao vírus estar constantemente a mudar resulta de um dos seus genes comandar a produção de uma proteína responsável por uma situação de "stress oxidativo" (produção de radicais livres tóxicos para a célula) que induz o aparecimento de mutações no próprio vírus. Mesmo que a célula infectada morra há tempo suficiente para a replicação e alteração do vírus. Para evitar que este mude é preciso agir sobre os factores responsáveis pela sua variação, a saber, a recombinação genética, a dispersão genética (o vírus reparte a sua informação genética por estruturas que contêm fragmentos dessa informação e a que Luc Montagnier chamou nanoformas) e o "stress oxidativo". Para este médico o caminho a seguir é o da estabilização do vírus para melhor o destruir e, o objectivo da vacina a criar será o de impedir a variação do mesmo. Dá vontade de dizer que inimigo conhecido é inimigo vencido. Todavia com este que a todo o momento muda de "rosto" depara-se aos investigadores um combate sem prazo, uma refrega digna de Hércules.
Face às proporções que a SIDA tem tomado a nível mundial, a única opção a tomar é reforçar a luta a este flagelo envidando esforços no sentido de se conseguir criar uma vacina eficaz e, ao mesmo tempo, desenvolver novos tratamentos para a doença. O combate para o desenvolvimento de vacinas contra o HIV é obra para variadíssimas entidades públicas e privadas e equipas multidisciplinares, que não se compadece com os menos de 1% de um montante de 70 biliões de dólares gastos anualmente em investigação na área da saúde, encaminhados para esse fim.
No estado em que se encontra a luta contra o HIV, a atitude mais sensata é fugir dele como o diabo da cruz, o mesmo é dizer que a prevenção é o melhor remédio. Cuidem-se!
Fernando Ribeiro

sábado, 4 de outubro de 2008

Basta um pequeno gesto...

Hoje à tarde, enquanto tomava café numa esplanada, na companhia de amiga de longa data, recordavamos, com alguma nostalgia, os tempos de faculdade em que acreditavamos sermos capazes de mudar o Mundo!!! Quem já não pensou o mesmo? Enquanto nos lamentavamos, surgiu-me uma ideia brilhante (não é original, mas pareceu-me interessante): "Podemos não conseguir mudar o Mundo, mas ainda vamos a tempo de salvar o nosso Planeta!"
Mudar o Mundo implica mudar atitudes, comportamentos, mentalidades, rever os valores fundamentais, e muito mais... Mas salvar o Planeta Terra está ao alcance de todos nós, basta um pequeno gesto individual, que multiplicado pela população mundial, trará um benefício global! (Até rimou!). E para que esta tarefa se torne mais fácil aqui vai uma sugestão, "O livro verde - O guia do dia-a-dia para salvar o Planeta", de Thomas M. Kostigen e Elizabeth Rogers.
Espero que gostem e que apliquem algumas das dicas no vosso dia-a-dia, afinal salvar o Planeta não é tão utópico como mudar o Mundo...

Doenças de Inverno

Hoje, já no final desta luminosa tarde de sábado do início de Outubro, ao passar uma vista de olhos pelo site www.sapo.pt, deparei-me na rubrica Saúde com um excelente dossier sobre doenças de Inverno. Como este, de mansinho, se vai aproximando e, já que prevenir é o melhor remédio, façam favor de o abrir...
Fernando Ribeiro