sexta-feira, 8 de março de 2013

Sal e doenças auto-imunes, uma relação inesperada

Artigo publicado pelo jornal Público em 07/03/2013.
"Três estudos na edição desta semana da revista Nature dizem que há uma ligação entre as doenças como a artrite reumatóide e o consumo excessivo de sal.
O sal pode estar relacionado com as doenças auto-imunes
Nas últimas décadas, os casos de doenças auto-imunes, como a esclerose múltipla, a diabetes tipo 1 e a artrite reumatóide, têm vindo a aumentar. Três trabalhos científicos, em ratinhos, revelam agora que pode ter-se descoberto uma das razões para esse aumento: o sal.
 
Na edição desta semana, a revista Nature publicou três trabalhos científicos, liderados por investigadores das faculdades de medicina de Yale e Harvard e do Instituto Broad, nos Estados Unidos, que põem a hipótese de o sal potenciar as doenças auto-imunes.
 
Os investigadores aplicaram a ratinhos uma dieta com quantidades bastante elevadas de sal, ou cloreto de sódio. Observaram, então, que o sal potencia a produção de um tipo de células imunitárias, os linfócitos T. Estas células são importantes para combater agentes infecciosos, mas, quando são de mais, podem entrar em conflito com o organismo e desencadear doenças auto-imunes.
 
Em demasia e em conjunto com factores genéticos e ambientais, podem surgir doenças auto-imunes, em que as defesas do organismo deixam de reconhecer os próprios tecidos e atacam-nos como se fossem intrusos.
 
“Actualmente, as dietas ocidentais têm altos níveis de sal e isso levou ao aumento da hipertensão e, possivelmente, também das doenças auto-imunes”, refere David Hafler, um dos autores do estudo de Yale, citado num comunicado de imprensa.
 
Estas investigações foram inspiradas, em parte, na observação de uma alimentação à base de fast food, com altos níveis de sal, e que tende a desencadear o aumento da produção de células envolvidas nos mecanismos de inflamação, que são mobilizadas pelo sistema imunitário quando nos ferimos ou somos atacados por agentes infecciosos. Só que, nas doenças auto-imunes, o sistema imunitário vira-se contra nós. Os factores genéticos, só por si, não podem explicar o aumento dos casos de doenças auto-imunes, consideram os cientistas, e por isso foram à procura de outros possíveis factores. E dizem ter encontrado esta relação inesperada entre sal e doenças auto-imunes.
 
“Estes resultados são um contributo importante para a compreensão da esclerose múltipla e pode estabelecer novos alvos para tratar melhor esta doença, para a qual ainda não há cura”, diz Ralf Linker, director do Departamento de Neurologia do Hospital Universitário de Erlangen, na Alemanha.
 
“Claro que não é só o sal”, refere Vijay Kuchroo, do Instituto Broad. “Temos uma arquitectura genética: genes ligados a várias formas de doenças auto-imunes e que predispõem uma pessoa para estas doenças. Mas também suspeitamos que os factores ambientais desempenhem um papel: infecções, fumar, falta de luz solar e de vitamina D. O sal pode ser mais uma coisa na lista dos factores ambientais que promovem o desenvolvimento da auto-imunidade.”
 
Por isso, outros dos cientistas envolvidos nestes trabalhos, Aviv Regev, também do Instituto Broad, faz a pergunta que temos na cabeça, principalmente num país como Portugal, onde o consumo de sal é excessivo: “Como podemos olhar para estes resultados para a saúde humana? É prematuro dizer: ‘Não deve comer sal porque vai ter uma doença auto-imune.’ Estamos a avançar com uma hipótese interessante – uma ligação entre o sal e a auto-imunidade – que agora tem de ser testada através de estudos epidemiológicos nos humanos.”
 
Num comentário na mesma edição da Nature, John O’Shea, do Instituto Nacional de Artrite e Doenças Musculoesqueléticas e da Pele dos Estados Unidos, e Russell Jones, da Universidade McGill, no Canadá, também consideram que vai um grande passo entre estes resultados em animais e a sua extrapolação para os humanos: “Estes estudos mostram que o cloreto de sódio potencia uma doença criada artificialmente; não há dados que indiquem que promova ou piore o aparecimento espontâneo da doença.” Estes dois especialistas dizem ainda: “Apesar de estes dados serem entusiasmantes, é claramente prematuro – como apontam autores dos estudos – dizer que uma dieta à base de sal influencia as doenças auto-imunes nos humanos.”
 
Mesmo sendo ainda uma hipótese que necessita de mais estudos, uma coisa é certa em relação ao sal: quando é de mais, está relacionado com as doenças cardiovasculares."

Superfície dos pinguins-imperador fica mais fria do que a noite antárctica

Texto de Ana Gerschenfeld publicado pelo jornal Público em 06/03/2013.
"A excepcional regulação térmica destas aves, que passam vários meses a chocar os ovos, todas juntinhas, aos milhares no meio de nenhures, e conseguem sobreviver ao frio profundo da Antárctida, acaba de revelar mais um segredo.
Fotografia em infra-vermelhos de um pinguin-imperador que mostra o seu "mapa" térmico de superfície
Em Junho de 2008, uma equipa de cientistas tirou fotografias “térmicas” (em infravermelhos) a uma colónia de pinguins-imperador no seu habitat de Inverno, no meio das imensas planícies geladas de Terra de Adélia, na Antárctida Oriental. Os seus inesperados resultados foram publicados há dias na revista Biology Letters.
 
Quem viu o filme A marcha do imperador, que acompanha uma colónia de pinguins-imperador a chocar os seus ovos numa desolada e gélida planície da Antárctida, a centenas de quilómetros da costa, lembra-se de certeza. O filme mostra a inacreditável capacidade de resistência ao frio profundo destas grandes aves, que passam vários meses num dos ambientes mais hostis do planeta, onde nem sequer os vírus conseguem sobreviver.
 
A partir das fotografias, Dominic McCafferty, da Universidade de Glasgow (Reino Unido), juntamente com colegas britânicos e franceses (da Universidade de Estrasburgo), desenvolveu um modelo que descreve como o corpo do pinguim perde calor ao contacto do ar gelado. E os cientistas chegaram assim a uma surpreendente conclusão: quando um pinguim-imperador se afasta um pouco do grupo, a temperatura de superfície do espesso manto de penas e de gordura que cobre quase todo o seu corpo fica, em média, quatro a seis graus Celsius abaixo da temperatura ambiente. Temperatura essa que, na noite invernal do continente branco, pode atingir os 40 graus negativos.
 
Basicamente, a única parte exposta do seu corpo que permanece a temperaturas acima de zero são os olhos… E, no entanto, estes pinguins conseguem manter uma temperatura corporal interna de 39 graus! “A nossa primeira reacção face aos resultados foi de surpresa”, diz McCafferty, citado pela revista Wired.
 
Os cientistas querem agora estudar, pela mesma via, como é que o facto de ficarem todos tão juntinhos permite a estas aves conservar o calor do seu corpo durante meses, sem sequer se poderem alimentar: “Os pinguins-imperador nunca poderiam aquecer-se durante todo o Inverno antárctico se não se amontoassem de forma a se protegerem [da intempérie] e a partilharem o seu calor corporal”, salienta McCafferty."

Estimulação do cérebro mostrou-se eficaz a tratar anorexia

Texto de Romana Borja-Santos publicado pelo jornal Público em 07/03/2013.
"Estudo publicado na Lancet dá pistas para novos tratamentos dos sintomas da anorexia através da colocação de eléctrodos no cérebro.
Imagem de uma campanha de 2007 contra a anorexia com a modelo Isabelle Caro que acabou por morrer em 2010
A solução para os casos mais graves de anorexia pode passar pela estimulação de áreas específicas do cérebro com a ajuda de eléctrodos, indica uma investigação de cientistas norte-americanos e canadianos com “resultados promissores” e que acaba de ser publicada na revista científica Lancet.
 
O grupo de investigadores do Krembil Neuroscience Centre da University Health Network, em Toronto, conseguiu demonstrar que a técnica de estimulação cerebral profunda pode ser uma solução para o tratamento de doentes com anorexia nervosa que têm resistido a outros tratamentos. O ensaio piloto para este distúrbio alimentar, que se traduz numa redução limite da quantidade de alimentos ingeridos, ainda está na fase 1, mas os cientistas estão entusiasmados com os resultados.
 
A técnica está em fase experimental e só algumas das doentes mostraram melhorias. Depois de nove meses de tratamento, três das seis mulheres que estão no ensaio tinham engordado e mostravam estar psicologicamente melhor. Duas delas conseguiram mesmo integrar um programa específico para pessoas com distúrbios alimentares.
 
Para estas três doentes, “este foi o período mais longo de aumento sustentado do Índice de Massa Corporal (IMC)” – que avalia a relação entre peso e altura – desde o início da doença. Uma das participantes tinha um IMC de 11, quando o normal para o seu caso era entre 18,5 e 24,9, e conseguiu chegar aos 21.
 
A técnica, conhecida como estimulação cerebral profunda, esteve associada a melhorias no humor, ansiedade e depressão sendo que os investigadores perceberam que há diferenças estruturais e funcionais no cérebro das pessoas com e sem anorexia, que influenciam sintomas como a ansiedade ou a percepção do próprio corpo. Contudo, três das seis mulheres não mostraram qualquer ganho de peso e os cientistas justificam este facto com “vários eventos adversos associados”, incluindo o caso de uma doente que sofreu uma convulsão. Outros efeitos adversos incluem dor, náuseas ou ataques de pânico.
 
Mais de 50 hospitalizações
A idade média das participantes no estudo é de 38 anos e têm a doença há cerca de 18 anos, também em média. Cinco das seis participantes, além da anorexia, têm outras patologias psiquiátricas diagnosticadas, como depressão e transtorno obsessivo-cumpulsivo. Ao todo, desde que lhes foi diagnosticada a doença, foram hospitalizadas mais de 50 vezes, sendo que cinco delas tinham estado em unidades de cuidados intensivos e quatro chegaram a ser alimentadas com a ajuda de uma sonda.
 
Quanto ao procedimento, os investigadores adiantaram que as mulheres estavam acordadas durante a estimulação para perceber, em tempo real, os efeitos que cada eléctrodo tinha. Quando foram encontrados os níveis ideais, os eléctrodos foram ligados a um aparelho que emite impulsos eléctricos colocado debaixo da clavícula direita de cada participante e que é semelhante a um pacemaker cardíaco e que permitirá manter os estímulos definidos. Este é aliás um método muito semelhante a uma cirurgia utilizada para controlar os tremores associados à doença de Parkinson.
 
“Estamos realmente a alcançar uma nova era na compreensão do cérebro e do papel que pode desempenhar em certos distúrbios neurológicos”, resumiu Andres Lozado, um dos investigadores do estudo e neurocirurgião no Krembil Neuroscience Centre of Toronto Western Hospital, onde foram realizadas as intervenções cirúrgicas de estimulação cerebral profunda. “Identificando e corrigindo alguns circuitos cerebrais associados aos sintomas de algumas destas patologias, encontramos opções adicionais para tratar esta doença”, acrescentou, explicando que a estimulação permite tratar não directamente a anorexia mas sim sintomas como depressão, ansiedade e imagem corporal – que costumam dificultar e influenciar muito a recuperação.
 
“Existe uma necessidade urgente de terapias adicionais que ajudem quem sofre de anorexia severa. Os distúrbios alimentares têm das taxas de mortalidade mais elevadas entre as doenças mentais e cada vez mais e mais mulheres morrem de anorexia. Qualquer tratamento que potencialmente mude a história natural da doença não está só a oferecer esperança mas a salvar vidas”, insistiu Blake Woodside, outro dos investigadores e director de um dos maiores programas sobre distúrbios alimentares do Canadá.
 
Os investigadores esperam que o seu trabalho contribua para o aparecimento de novos tratamentos para a anorexia nervosa, mas também para a compreensão dos vários factores que estão envolvidos nesta doença crónica que afecta cerca de 1% das pessoas em todo o mundo e que geralmente é diagnosticada em mulheres jovens, com idades entre os 15 e os 19 anos."

Os primeiros camelos viveram no Árctico e estavam adaptados ao frio

Texto de Ana Gerschenfeld publicado pelo jornal Público em 05/03/2013.

"O antepassado de um dos animais mais emblemáticos do Sara surgiu há milhões de anos... no Árctico. Só muito mais tarde é que os seus descendentes terão migrado do Pólo Norte para o deserto africano.
Visão artística dos camelos que viviam perto do Pólo Norte há 3,5 milhões de anos
 
O acampamento dos cientistas no local onde os fósseis foram encontrados, na ilha de Ellesmere
Martin
 
A paleontóloga Natalia Rybczynski, que liderou o trabalho, a recolher um dos fragmentos de osso fossilizado
Martin
 
Pela primeira vez foram encontrados fósseis de um camelo gigante, hoje extinto, no Alto Árctico canadiano — ou seja, nem mais nem menos do que na região do Pólo Norte. Os resultados, publicados online nesta terça-feira na revista Nature Communications, contam uma história no mínimo inesperada, na medida em o camelo é hoje um dos mais representativos mamíferos de uma das regiões mais quentes e áridas do planeta.
 
Sabe-se que os antepassados dos camelos são originários da América do Norte, onde surgiram há uns 45 milhões de anos, lembra em comunicado o Museu Canadiano da Natureza. Mas entre 2006 e 2010, uma equipa de cientistas, liderada por Natalia Rybczynski, paleontóloga daquela instituição, descobriu, na ilha de Ellesmere, no Nunavut — o território mais a norte do Canadá —, 30 fragmentos fossilizados da tíbia de um camelo ancestral.
 
“Esta descoberta é importante porque é o primeiro indício de que os camelos viveram na região do Alto Árctico”, diz Rybczynski, citada no mesmo documento. “Estende o âmbito anterior dos camelos da América do Norte em cerca de 1200 quilómetros e sugere que a linhagem que deu origem aos camelos modernos terá estado inicialmente adaptada à vida nas florestas do Árctico.” E vai mais longe, especulando que “talvez algumas das especializações que vemos nos camelos modernos, tais como os seus pés largos e planos, os seus grandes olhos e as suas bossas de gordura tenham sido adaptações derivadas da vida num habitat polar" — ou seja, apesar de ser hoje difícil imaginarmos os camelos a deambularem pelas florestas boreais, terão desenvolvido bossas para se protegerem do frio e não do calor e da falta de água. É toda uma iconografia popular que se desmorona...
 
O local onde os fósseis estavam enterrados foi também datado pela equipa, com uma nova técnica de datação de areias — e mostra que os ossos têm, no mínimo, 3,4 milhões de anos. Ora, naquela altura, a Terra atravessou um período de aquecimento, com a temperatura global a aumentar dois a três graus Celsius. E também o Árctico se tornou menos frio, com temperaturas 14 a 22 graus superiores às actuais. Esta datação abona a favor da ideia de que, apesar de não ter um clima propriamente quente, o Árctico terá fornecido condições de vida sustentáveis aos primeiros camelos, que nessa fase conseguiram viajar mais para norte.
 
A identificação da espécie dos novos fósseis não foi imediata. “A primeira vez que apanhei um dos fragmentos, pensei que era um bocado de madeira”, conta Natalia Rybczynski. “Só quando voltei ao acampamento tive a certeza de que era invulgar: não só era osso, como vinha de um mamífero de tamanho superior a tudo o que já encontráramos naquele local.”

A análise anatómica indicou tratar-se de um osso da perna (a tíbia) de um “artiodáctilo” (mamífero ungulado com um número par de dedos), grupo em que se incluem os porcos, as vacas e os camelos. E quando os cientistas juntaram e alinharam os fragmentos graças a técnicas digitais 3D, perceberam que, pelo tamanho do osso reconstituído, o mais provável era tratar-se de um camelo.
 
Para o confirmar, realizaram então uma análise química às proteínas contidas nas diminutas quantidades de colagénio ainda presentes nos fósseis. A comparação desse “perfil do colagénio” com os de 37 espécies de mamíferos modernos e o de um outro fóssil de camelo primordial, encontrado no território canadiano do Yukon e conservado no mesmo museu, permitiu concluir que o animal em causa era próximo dos dromedários (camelos com uma bossa) e do fóssil do Yukon, que se pensa ter pertencido à linhagem ancestral dos camelos, designada Paracamelus.
 
“O nosso trabalho mostra que o Paracamelus viveu no Norte da América do Norte durante milhões de anos”, diz Rybczynski. “E a hipótese mais simples para explicar este padrão consiste em dizer que é daí que essa linhagem é originária.” "

sexta-feira, 1 de março de 2013

Estudo mostra benefícios significativos da DBS em Parkinson


Terapia por estimulação cerebral profunda traz melhorias a nível motor
Publicado em www.cienciahoje.pt
2013-02-21

Os resultados de um estudo clínico, publicado recentemente no«The New England Journal of Medicine», mostram que o uso da terapia por estimulação cerebral profunda (Deep Brain Stimulation, DBS) garante maiores benefícios em doentes de Parkinson com problemas motores numa fase inicial, quando comparados com doentes em tratamento médico otimizado ou farmacológico. O projeto Earlystim incluiu 251 pessoas com Doença de Parkinson de 17 centros na Alemanha e França, seguidos ao longo de dois anos.

O primeiro grande estudo multicêntrico, randomizado e controlado para avaliar os doentes de Parkinson com complicações motoras precoces mostra que os pacientes tratados com a terapia por DBS, em conjunto com o tratamento farmacológico, obtiveram uma melhoria média de 26 por cento na sua qualidade de vida relacionada com a doença aos dois anos.

Outras conclusões importantes do estudo revelam uma melhoria de 53 por cento nas aptidões motoras (numa condição sem medicação), de 30 por cento em várias atividades da vida diária, incluindo a fala, a escrita, capacidade para vestir-se e para andar; uma melhoria de 61 por cento em complicações induzidas pela levodopa (fármaco do grupo dos antiparkinsónicos), incluindo discinesias e flutuações motoras, nos participantes que receberam a terapia de estimulação cerebral profunda há dois anos; uma redução de 39 por cento da dose diária equivalente de levodopa no grupo de terapia DBS versus um aumento de 21 por cento na dosagem em participantes que receberam unicamente tratamento médico otimizado.

"Estes resultados refletem uma mudança na forma como os pacientes podem ser tratados e provam que a DBS pode melhorar a sua qualidade de vida, mesmo nos estádios iniciais da doença quando as flutuações e discinesias começam e tradicionalmente os médicos usam exclusivamente tratamento farmacológico", segundo Günther Deuschl, professor de Neurologia da Christian-Albrechts-University de Kiel e investigador principal do estudo Earlystim na Alemanha.

Por seu lado, Yves Agid, do Pitié-Salpêtrière University Hospital (Paris) e investigador principal do estudo em França, refere que "estes resultados permitem que os médicos se sintam confiantes ao usar a terapia de DBS no início da progressão da doença em pacientes que cumpram os critérios de seleção adequados".

DSB em fase inicial

Atualmente, a terapia de DBS é usada principalmente no tratamento de pacientes com Parkinson em estádios avançados da doença e que consequentemente apresentam complicações motoras incapacitantes, induzidas por levodopa, e que já não têm resultados satisfatórios apenas com medicação.

Os participantes no projeto Earlystim tinham uma duração média da doença de 7 anos e meio – cerca de cinco anos a menos do que os participantes em ensaios clínicos anteriores –, o que permitiu aos investigadores testar os benefícios da terapia de DBS logo no início das flutuações motoras e discinesia e enquanto as competências psicossociais ainda estavam asseguradas.

“Este estudo demonstra que não só é seguro tratar doentes de Parkinson numa fase inicial com a DBS, mas também que os pacientes obtêm maior benefícios terapêuticos comparativamente ao tratamento com medicação apenas. Por outras palavras, estes resultados permitem expandir a ‘janela de terapêutica’ durante a qual os pacientes podem beneficiar da DBS”, disse Lothar Krinke, médico, vice-presidente e manager da área de DBS na divisão de Neuromodulação da Medtronic.

Os parâmetros primários de segurança do estudo, tais como bem-estar psicológico e memória, e a incidência de eventos adversos não diferem significativamente entre os dois grupos.

Consumo moderado de cafeína não aumenta dispêndio energético


Estudo revela de café apenas diminui tempo de sono em 45 minutos
Publicado em www.cienciahoje.pt
 2013-02-26

“A ingestão de uma dose moderada de cafeína não altera o dispêndio energético de homens fisicamente ativos, mas diminui o seu tempo de sono”, segundo conclui o estudo realizado por uma equipa de investigação do Laboratório de Exercício e Saúde da Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Técnica de Lisboa, conduzido pela investigadora Analiza Silva.


O trabalho científico, publicado na revista «Applied Physiology, Nutrition, and Metabolism», incluiu uma amostra de homens saudáveis com idades compreendidas entre os 20 e os 39 anos e fisicamente ativos, não habituados a ingerir cafeína (com um nível de consumo inferior a um café por dia). O número de horas de sono e perfil de atividade física foi controlado através de sensores do movimento combinados com monitorização da frequência cardíaca diária ao longo de 11 dias.

Até à data, a maioria das investigações conduzidas em contexto laboratorial, num período máximo de 24 horas sugere que a cafeína aumenta o metabolismo energético. Contudo, nenhum estudo avaliou o seu efeito em condições de vida diária e em períodos mais longos.


Este estudo constituiu-se como o primeiro neste âmbito, a avaliar o impacto de uma dose moderada de cafeína no metabolismo de repouso, dispêndio energético total e em atividade física, durante quatro dias, no decorrer do estilo de vida normal. A investigação recai sobre um desenho experimental, tratando-se de um ensaio clínico controlado e duplamente cego.

Menos 45 minutos de sono

O grupo de 30 pessoas fez uma avaliação inicial e, de forma aleatória, recebeu cafeína (dose semelhante à de cinco cafés) durante quatro dias ou placebo, com um período de três dias de intervalo entre toma. Esta distribuição aleatória foi igualmente desconhecida para os investigadores e amostra “pelo que se conseguiu uma total imparcialidade nos resultados obtidos”, refere o comunicado.

O sistema de organização do estudo de quatro dias mais três permitiu ainda que cada substância tenha sido ingerida e avaliada durante os mesmos dias da semana, reduzindo a variabilidade dos fatores externos e aumentando a fiabilidade dos resultados.

Contrariamente à expectativa, uma dose moderada de cafeína não teve influência no metabolismo de repouso e no dispêndio energético total e em atividade física, incluindo a intensidade e a duração das várias atividades da vida diária. Este foi o primeiro estudo que acompanhou os participantes por um período de tempo mais longo, em condições de vida real. Foi ainda documentado que uma dose moderada de cafeína (cinco cafés), em pessoas sem consumo habitual desta substância pode provocar uma diminuição do período de sono em cerca de 45 minutos.

Micro-continente afundado no Índico


Mauritia separou-se de Madagáscar quando este pedaço de terra se separou da Índia
Publicado em www.cienciahoje.pt
2013-02-27

Uma equipa internacional de cientistas encontrou restos de um micro-continente antigo no Oceano Índico. Nas Ilhas Maurícias, descobriram zircão, cristais de silicato de zircónio, extremamente resistentes à erosão ou alteração química e que têm entre 660 e 1000 milhões de anos.
O estudo, publicado na «Nature Geoscience», sugere que não só um mas muitos fragmentos de crosta continental se encontram debaixo do Oceano Índico. As análises ao campo gravitacional da Terra revelam grandes áreas de fundo marinho onde a crosta é mais grossa do que o normal (25 a 30 quilómetros de espessura, em vez dos 5 ou 10 quilómetros normais).
Os cientistas indicam que essas anomalias podem ser restos de uma massa que a equipa chamou de Mauritia e que se terá separado de Madagáscar quando este pedaço de terra, por sua vez, se separou da Índia, há 60 milhões de anos.
Após o alongamento e adelgaçamento da crosta na região Mauritia, esta afundou-se e permaneceu escondida debaixo de camadas de lava. Se tivesse ficado à superfície, teria sido uma ilha do tamanho da ilha de Creta, sugerem os investigadores.
O zircónio foi encontrado depois da recolha de amostras de areia das Ilhas Maurícias. Este mineral não é comum na ilha, indicam os investigadores, “não há uma fonte local óbvia para estes zircões”.
Outras bacias oceânicas em todo o mundo podem também ter restos afundados de continentes 'fantasma'. Agora, falta conhecer os resultados pormenorizados do fundo do oceano, incluídos na análise geoquímica das rochas que revelarão se Mauritia é uma parte afundada de Madagáscar.

Artigo: A Precambrian microcontinent in the Indian Ocean