quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Vulcões de Gelo numa Lua de Saturno?

Durante anos, os cientistas debateram se os vulcões de gelo (criovulcões), existem em luas ricas em gelo, e se eles de facto existirem, quais serão as suas características.
A sonda Cassini, lançada no espaço em Outubro de 1997, juntamente com a sonda Huygens, é um projecto conjunto entre a NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Italiana (ASI) encontrou evidências do que poderia ser um vulcão de gelo em Titã, uma das luas de Saturno. Os dados transmitidos por esta sonda sobre a composição e topografia da lua permitiram aos cientistas fazer um mapa 3D e descobrir que na zona mais longínqua do sistema solar poderiam existir vulcões que libertavam gelo, em vez de lava. Os resultados recolhidos por esta sonda foram apresentados no encontro anual da União Geofísica Americana, realizado em São Francisco, entre 13 e 17 de Dezembro.
Anteriormente já tinha havido alegações da existência de luas de gelo em Titã, mas estas nunca ganharam apoio universal, já que a sua atmosfera obscura dificulta todas as observações. No entanto, os cientistas continuam à procura destes vulcões, sendo Titã uma das principais candidatas ao mesmo, já que a sua temperatura à superfície é de menos 180 graus Célcius.
A sonda detectou uma montanha com 1500 metros de altura e um vale profundo na mesma, o que aparenta ser um fluxo de material na superfície circundante. “Nós vimos uma montanha que tem uma cratera de onde são expelidos os fluxos de material que se espalham por toda a superfície, nalgum momento do passado, e na verdade, quando olhamos mais detalhadamente em 3D, descobrimos que havia mais que um vulcão nesta área”, referir Randy Kirk, membro da equipa da Pesquisa Geológica dos EUA (USGS). Tal como explicou Kirk, a maior parte do material exterior de Titã é gelo de água e amónia, e por isso é certamente possível um material que poderia derreter a baixas temperaturas e fluir na superfície.
Hoje, não existe nenhuma evidência da actividade actual do vulcão, que está situado a sul do equador de Titã, num mar de dunas chamado “Sotra”.

Fonte

Os alunos do 10ºA: Guilherme Duarte, João Campôa, Miguel Glória, Pedro Rosado.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Extremófila - GFAJ-1

Foi descoberta, no Lago Mono na Califórnia uma nova espécie de bactéria. O Lago Mono é muito alcalino e contém elevadas concentrações de sais. Possui ainda uma das maiores concentrações naturais de arsénio do mundo. A descoberta foi bastante divulgada em 2 de Dezembro de 2010.
Apelidada de GFAJ-1, a bactéria é extremófila da família Halomonadaceae.
O arsénio é tóxico para a maioria dos seres vivos, apesar de se conhecerem bactérias capazes de resistir a grandes concentrações. Mas esta nova bactéria faz algo de extraordinário, quando privada de fósforo, pode, em vez deste, incorporar arsénio no seu ADN e continuar a sobreviver.
Através de recolhas de ADN destas bactérias constatou-se que o arsénio se liga ao oxigénio da mesma forma que o fósforo o faz, e que quando estas bactérias são cultivadas em arsénio, a sua velocidade de desenvolvimento é de 60%, menos 40% comparando o seu cultivo em fósforo. Ainda assim desenvolvem-se consideravelmente bem.
Quando os cientistas acrescentaram arsénio radioactivo à solução em que as bactérias se desenvolviam, descobriram que o arsénio estava presente nas partes celulares que tinham as proteínas e lípidos.
A descoberta deste micróbio que pode usar arsénio para fabricar os seus componentes celulares pode indicar que a vida pode desenvolver-se na carência de grandes quantidades de fósforo, ampliando assim a probabilidade de descobrir vida noutro local do universo. A sua descoberta suporta a ideia de que a vida noutros planetas pode ter uma constituição química completamente desigual da constituição dos seres vivos da Terra.

Fontes aqui e aqui

Os alunos do 10ºA: Cédric Magarreiro, Cristiano Almeida, Manuel Correia, Pedro Furtado.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Fósseis de Pinguis Gigantes

O "Rei das Águas" do Perú viveu há mais de 36 milhões de anos e os seus fósseis foram descobertos por uma equipa de paleontólogos norte-americanos. Fazia parte de um grupo de espécies de pinguins que aparentemente ocupavam grande parte do hemisfério Sul e cujo formato dos membros e das suas penas evoluiu muito cedo.

Era um pinguim gigante que pesava aproximadamente 60 quilos, e tinha 1,5 metros de altura, praticamente o dobro do peso e mais 30 centímetros que o pinguim imperador.
Foram descobertas também penas fossilizadas, donde se conclui que este tipo de pinguins estava coberto de penas de tons castanho-avermelhados e de cinzentos, bem diferente da “vestimenta” dos pinguins actuais - tons pretos e cinzentos. Estas penas criavam uma camada protectora que permitiu que fossem bons nadadores, e devido ao facto serem mais pesados permitia-lhes atingir grandes profundidades, ao contrário dos actuais. Por isto, foi denominado de Inkayacu paracasensis, ou seja "rei das águas".
No Fóssil das suas penas foram encontrados “pacotes microscópicos denominados de melanossomas”, que continham pigmentos. Através da comparação com os melanossomas de aves actuais, conclui-se que os pinguins modernos têm um formato de melanossoma que não é encontrado em mais nenhuma espécie de aves, enquanto esta espécie de pinguins gigantes tem o formato dos melanossomas parecido com o das restantes aves.

É pena não podermos ver estas maravilhosas criaturas com características únicas, bastante diferentes das actuais!

Fonte

As alunas do 10º A: Andreia Gonçalves, Carolina Neves, Catarina Luz, Cíntia Pacheco.

Planetas Gigantes fora do Sistema Solar

“O telescópio Kepler, da Nasa, detectou pela primeira vez desde que entrou em operação cinco planetas fora do nosso Sistema Solar. O tamanho dos planetas varia de um raio quatro vezes maior do que o da Terra até planetas muito maiores do que Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar.”
“O telescópio, que foi lançado no ano passado para procurar planetas com características semelhantes às da Terra, fez as descobertas poucas semanas depois de entrar em funcionamento.”
“A agência espacial americana afirma que as descobertas mostram que o telescópio está a funcionar bem e tem alta sensibilidade.”
"Os planetas encontrados são todos mais quentes do que lava derretida; eles simplesmente brilham de tão quentes", disse Bill Borucki, o cientista da Nasa que lidera a missão do Kepler.
"De facto, os dois maiores são mais quentes do que ferro fundido e olhar para eles é como olhar para uma fornalha. Eles são muito brilhantes por si só e, certamente, não são lugares para procurarmos vida."

“Os detectores do Kepler têm sensibilidade extraordinária - segundo a Nasa, se o telescópio fosse voltado para uma pequena cidade na Terra, à noite, seria capaz de detectar a luz automática na entrada de uma casa quando alguém passa por ela.”
“Ele percebe a presença de planetas ao observar variações de sombra quando um desses planetas passa em frente ao seu sol.”
“A Nasa espera que tamanha sensibilidade leve à descoberta de planetas não apenas de tamanho semelhante ao da Terra, mas que orbitem em torno de seus sóis a uma distância mais favorável à existência de vida, onde haja também potencial existência de água em sua superfície.”

Na nossa opinião, o telescópio Kepler, da Nasa, está a cumprir uma missão muito importante para a história do conhecimento acerca do Universo, pois o objectivo é descobrir, não só, planetas com características semelhantes ás da Terra, mas também outros planetas.
Os resultados obtidos são fantásticos!

Fonte

Os alunos do 10º A: Andrea Marreiros, Marisa Santos, Sara Mucha, Tatiana Costa.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Cântico negro

Há dias vieram-me à memoria algumas das palavras do cântico negro, o belíssimo e enigmático poema de José Régio, pseudónimo literário de José Maria dos Reis Pereira, ilustre professor do Liceu de Portalegre, que falecido em 1969, não conseguiu vislumbrar a madrugada que também ele esperava "o dia inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio e livres habitamos a substância do tempo"como dizia Sofia de Mello Breyner, a propósito da reconquista da liberdade.
Atrevo-me a dizer que não há homem ou mulher da minha geração que não tenha lido, ouvido ou declamado esta pérola que brota do mais profundo do ser de um homem inquieto e inteiro, que não se limitou a ser mais um no cinzentismo de um país pouco habituado à verticalidade e ao respeito pela singularidade de cada um.
Num blogue que se diz dedicar às coisas da ciência, não é descabido relembrar que o caminho de muitos cientistas, tal como o deste homem de Letras, é, por vezes, um caminho inglório e solitário, em contracorrente com lobbies estabelecidos, tornando-se necessário gritar bem alto que não vale a pena aliciá-los com um melífluo "Vem por aqui".
No sentido de alertar os nossos alunos para a importância dos valores e de lhes relembrar que um cientista tem que ser um cidadão de corpo inteiro, convido-os a "saborear" este poema "inteiro e livre" que nos permite "habitar a substância do tempo".

Cântico negro
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!


José Régio





A Procura de Vida Extraterrestre

Eis que está de volta a velha teoria da panspermia segundo a qual a vida terá surgido no espaço e ter-se-á disseminado por todos os locais dos sistemas solares que reunissem condições propíceas ao seu desenvolvimento.

A ideia de que não estamos sós foi já defendida pelos filósofos da Grécia antiga, por volta do século VI a.C. e tem atravessado a história da humanidade, por vezes, com o sacrifício da própria vida dos seus defensores

Os cientistas têm tido a esperança de encontrá-la nos planetas Vénus, Marte e luas de Júpiter e Saturno, portanto dentro do nosso sistema solar. A utilização de equipamentos, cada vez mais sofisticados, que perscrutam os lugares mais recônditos do Universo, tem levado à descoberta de novos sistemas solares e, consequentemente, aumentado os possíveis locais onde a vida se possa ter alojado e evoluído.

A lógica e um certo sentido de humildade impelem-nos a crer que, num Universo tão vasto quanto o nosso, seria pouco provável que apenas na Terra tenha sido possível encontrar condições adequadas ao aparecimento e desenvolvimento da vida, quando se sabe que esta resiste ao vácuo e a temperaturas e radiações extremas.

Num artigo de Filomena Alves, jornalista do Diário de Notícias, intitulado "Nova bactéria muda forma de procurar vida no espaço", faz-se referência a uma conferência de imprensa, que foi amplamente pré-anunciada e publicitada, promovida pela NASA, incidindo sobre uma importante informação relacionada com a procura de vida extraterrestre.

Os media criaram a ideia de que teria sido encontrada na Terra uma forma de vida alienígena, quando e tão só ( o que em ciência é muito), a investigadora Felisa Wolfe-Simon anunciou ter encontrado no lago Mono, na Califórnia, uma bactéria que utiliza o arsénico no seu metabolismo. Este elemento natural que, na sua forma pura é um metal altamente tóxico, aparece na natureza normalmente combinado com outros elementos em moléculas orgânicas e inorgânicas, constitui um poderoso veneno para os seres vivos até agora conhecidos.

Perante este dado o bioquímico Steven Benner, que trabalha na Foundation for Applied Molecular, chamou a atenção para o caso de Titã, uma das luas de Saturno, em que as temperaturas são da ordem dos 180ºC negativos, como constituindo um local em que o arsénico poderia constituir-se um elo estável na estrutura de eventuais moléculas orgânicas.

As informações fornecidas na célebre conferência de imprensa vêm, mais uma vez, mostrar como o conhecimento actual é algo que não pode ser encarado como um conjunto de verdades absolutas, mas tão só o resultado que o trabalho investigativo e os equipamentos de que dispomos nos permite vislumbrar, o que nos leva a dizer que nada é tão incerto no futuro como as certezas de hoje.

Nos altares da ciência, a ideia de que o carbono, o hidrogénio, o azoto ou nitrogénio, o oxigénio, o fósforo e o enxofre eram os elementos básicos da vida, constituia uma verdade inquestionável e, eis que neste grupo se introduz um estranho, o arsénico, que vem substituir o fósforo nas moléculas do DNA e do RNA, os ácidos nucleicos, a quem cabe conter e transportar a informação genética, respectivamente.

Se no seu metabolismo esta bactéria, que Felisa Wolfe-Simon designou por GFAJ-1, substituiu o fósforo pelo arsénico, ou seja, "se um microrganismo pode fazer uma coisa tão inesperada na Terra, o que pode a vida fazer mais que ainda não vimos? É preciso descobri-lo" interrogou-se a investigadora, ao mesmo tempo que defendia que a vida "pode ser muito mais flexível do que geralmente pensamos".

Se há quem diga que "os caminhos do Senhor são insondáveis", talvez os caminhos da vida estejam também longe de serem previsíveis.