segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Prepare-se: vem aí uma super-Lua como não se via há 68 anos

Teresa Serafim

O nosso satélite natural vai aproximar-se bastante da Terra, na fase de Lua Cheia.
 
Na próxima segunda-feira, 14 de Novembro, o céu vai estar preenchido por uma super-Lua como já não acontecia há 68 anos. A Lua estará então mais perto da Terra e, por isso, vai parecer-nos maior do que o costume. Em Portugal, o fenómeno acontecerá em plena luz do dia, mas ainda assim, caso a meteorologia o permita, valerá a pena olhar para o céu.

O que é uma super-Lua? É um fenómeno que ocorre quando o nosso satélite natural está em fase de Lua Cheia e se encontra a pelo menos a 90% do seu ponto mais próximo da Terra. Em Lisboa, serão 11h22 quando a Lua atingirá o perigeu – o ponto da sua órbita mais perto da Terra. É que a órbita da Lua (tal como a dos planetas) é elíptica, em vez de circular, e não é sempre igual.





















A 16 de Outubro já houve a primeira super-Lua deste ano. Mas não faz mal se não se apercebeu disso. É que a super-Lua de 14 de Novembro é a mais “favorável” deste ano para observação, sublinha o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL). Ou seja, é a que este ano estará mais perto de nós.
Lua Cheia no apogeu a 3 Fevereiro 2015 (esquerda) e no perigeu a 9 de Agosto de 2014 Robert J. Vanderbei
Nessa altura, o satélite estará a 356.509 quilómetros da Terra. Com esta aproximação parecerá 14% mais larga e 30% mais brilhante do que o habitual. Mas “nem todas as super-Luas têm o mesmo tamanho aparente e brilho”, uma vez que isso depende da distância do perigeu, lembra o OAL.
 
Cerca de duas horas e meia depois de atingido o perigeu nesta segunda-feira, mais exactamente às 13h52 (de Lisboa), o satélite natural da Terra estará mesmo em fase de Lua Cheia. Nos momentos exactos em que estes dois fenómenos acontecem (a chegada ao perigeu e a entrada na fase de Lua Cheia), o satélite ainda estará abaixo do horizonte em Portugal.
 
Mas esta é também uma super-Lua “extrema”, como explica o OAL. Isto porque não há um grande desfasamento temporal entre a passagem no perigeu e a entrada em fase de Lua Cheia.
 
Por isso, esta Lua será digna de se ver nessa noite. Nascerá às 17h50, em Lisboa. “Nesta altura, parecerá maior, não apenas pela ocorrência da super-Lua, mas porque, estando mais próxima do horizonte, vê-se mais ampliada”, lê-se ainda no site do OAL, explicando que "essa será a melhor ocasião” do dia para se observar. Ressalva-se, no entanto, que esse aumento do tamanho da Lua é uma “ilusão de óptica”.
 
Também no dia seguinte (15 de Novembro), a Lua, que nascerá às 18h40 (de Lisboa), estará sob um efeito de ilusão óptica. Ainda nos vai parecer grande. E a 14 de Dezembro, ocorrerá outra super-Lua, a terceira a última deste ano – embora com o perigeu mais distante da Terra (a 358.461 quilómetros) do que a 14 de Novembro.
 
A última vez que a órbita da Lua esteve tão perto do nosso planeta, como acontecerá já na segunda-feira, foi há 68 anos. Em 1948, a distância foi então de 356.461 quilómetros, tendo estado até um pouco mais próxima (cerca de 48 quilómetros) do que vai estar agora.
 
Para quem não guardar um momento do dia para observar o céu durante esta aproximação, só poderá fazê-lo daqui a 18 anos, mais exactamente a 25 de Novembro de 2034 (a Lua estará então a 356.445 quilómetros da Terra).
 
No Planetário do Porto – Centro Ciência Viva, por exemplo, haverá uma sessão pública de observação da Lua com telescópios, entre as 19h e as 21h de segunda-feira. Para ajudar a compreender este fenómeno, haverá modelos à escala da Terra e da Lua e também se irá recorrer ao sistema de projecção digital fulldome (projecção na cúpula do planetário, criando o efeito de ambiente imersivo).
 
As super-Luas não são um fenómeno inédito, uma vez que acontecem, em média, quatro a seis vezes por ano, explica, em comunicado, o Centro de Astrofísica Smithsonian da Universidade de Harvard, nos EUA. Desde 2014, já houve seis super-Luas. No próximo ano, haverá uma apenas, a 3 de Dezembro, refere o documento Super-Luas desde 2014 a 2050, do OAL.
 
Mas além das super-Luas, também existe o fenómeno “oposto” – as micro-Luas. Neste caso, a Lua Cheia ocorre quando o nosso satélite natural está no seu ponto mais afastado da Terra, o apogeu. “Pode ser interessante saber que a Lua Cheia distante também é por vezes referida como micro-Lua”, nota o Centro de Astrofísica Smithsonian.

Chovem estrelas

Embora o céu de Novembro possa estar nublado, haverá várias chuvas de meteoros, as vulgares chuvas de estrelas. As órionidas (de actividade moderada) ocorrerão de 14 de Novembro a 6 de Dezembro, com maior intensidade prevista para 28 de Novembro. Surgem na constelação de Órion, daí o seu nome.
 
Também são de destacar as leónidas, que acontecem quando a Terra se cruza a órbita do cometa Tempel-Tuttle e os restos que ele lá deixou provocam esta chuva de meteoros, de 14 a 20 de Novembro, com origem na constelação do Leão. A intensidade máxima será a 17 de Novembro.
 
Como não há duas sem três, ainda poderão observar-se as táuridas, com origem na constelação do Touro. Divididas em norte e sul, podem ser contempladas por períodos distintos. As táuridas do Sul podem ser vistas de 10 de Setembro a 20 de Novembro; enquanto as táuridas do Norte podem ser observadas de 20 de Outubro a 20 de Novembro, com o pico a 14 de Novembro – o mesmo dia, note-se, da super-Lua mais “favorável” deste ano.
 
Para todas estas noites de Novembro e Dezembro, o OAL aconselha quem quiser ver a beleza dos astros a “evitar a poluição luminosa das grandes cidades e procurar um horizonte desimpedido”. Caso o tempo assim o deixe.

mySugr – A app que o vai ajudar a controlar a diabetes

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mySugr

A mySugr é uma aplicação gratuita, disponível para Android e iOS, criada para pessoas com diabetes por diabéticos, dando a estes a possibilidade de elaborar um diário da doença, facilitando a rotina de um doente.

Através desta aplicação, o utilizador poderá fazer uma monitorização de vários indicadores, como a glicemia, as tomas de insulina, medicamentos, os alimentos consumidos, o próprio peso, entre outros, de forma a poderem controlar a doença.


 
Todos estes dados poderão, posteriormente, ser analisados através de representações gráfica e exportadas para CSV. Existe uma versão Pro que irá, obviamente, oferecer mais funcionalidades aos utilizadores, que poderá compensar, mediante as suas necessidades.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Aurica: o novo supercontinente nascerá dentro de 300 milhões de anos


Cientistas em Portugal e na Austrália defendem, como cenário provável, a formação de um novo supercontinente, a que deram o nome Aurica, dentro de 300 milhões de anos, em resultado do fecho simultâneo dos oceanos Atlântico e Pacífico.
 
O cenário, traçado com base em modelos computacionais, cálculos matemáticos, evidências e na história geológica da Terra, é sustentado pelos geólogos João Duarte e Filipe Rosas, do Instituto Dom Luiz e do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e Wouter Schellart, da Universidade de Monash, na Austrália.
 
Os resultados do estudo foram publicados na edição digital da revista Geological Magazine.
 
Ciclicamente, ao longo da história da Terra, a cada 500 milhões de anos, os oceanos fecham-se e os continentes juntam-se, formando um supercontinente.
 
Há 200 milhões de anos, quando os dinossauros habitavam a Terra, todos os continentes estavam reunidos num supercontinente, a Pangeia, em que a América do Sul estava ligada à África.
 
No novo supercontinente, apresentado pelos três investigadores, o núcleo é formado pela Austrália e pela América, que estão ligadas, daí o nome Aurica atribuído ('Au' de Austrália e 'rica' de América).
 
A hipótese da formação de um supercontinente, a partir do fecho simultâneo dos oceanos Atlântico e Pacífico, baseia-se na "evidência de que novas zonas de subducção se estão a propagar no Atlântico", refere a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em comunicado.
 
As zonas de subducção (locais onde uma placa tectónica mergulha sob a outra) são requisitos para os oceanos fecharem.
 
"Para fechar os oceanos, é necessário que as margens dos continentes se transformem em margens ativas, se formem novas zonas de subducção", esclareceu à Lusa o geólogo João Duarte.
 
O Pacífico, explicou, "está rodeado de zonas de subducção", nomeadamente próximo do Japão, do Alasca (EUA) e da região dos Andes (América do Sul).
 
As zonas de subducção "propagam-se de um oceano para o outro, do Pacífico para o Atlântico", sublinhou.
 
No Atlântico, já existem duas zonas de subducção totalmente desenvolvidas: o Arco da Escócia e o Arco das Pequenas Antilhas.
 
Uma nova zona de subducção poderá estar a formar-se ao largo da margem sudoeste ibérica, que apanha território português.
 
Segundo João Duarte, a chamada Falha de Marquês de Pombal, localizada ao largo do Cabo de São Vicente, no Algarve, e apontada como "uma das possíveis fontes do sismo de 1755", em Lisboa, está "a marcar o início dessa nova zona de subducção".
 
Hipóteses anteriores, de outros cientistas, sugerem a formação de um novo supercontinente a partir do fecho de um dos oceanos, do Atlântico ou do Pacífico.
 
O geólogo português, e investigador-principal no estudo, lembra que, no passado, dois oceanos tiveram de se fechar para dar origem a um supercontinente.
 
João Duarte advogou que manter o Pacífico ou o Atlântico aberto significa que um dos dois oceanos vai perdurar para lá da sua 'esperança de vida', cifrada em 200 a 300 milhões de anos.
 
"Isso é contraditório com a história, a geologia da Terra. Os oceanos não vivem mais do que 200 ou 300 milhões de anos", frisou.
 
O investigador acrescentou outro dado para sustentar a sua tese: a da fracturação da Euroásia (Europa e Ásia).
 
De acordo com João Duarte, o Oceano Índico "está a abrir" na Euroásia e existem novos riftes (fissuras da superfície terrestre causadas pelo afastamento e consequente abatimento de partes da crosta) que "estão a propagar-se para norte".
 
A cadeia montanhosa dos Himalaias, a Índia e o interior da Euroásia correspondem a "uma zona de rutura, onde as placas tectónicas vão partir-se num futuro", permitindo "partir ao meio" a Euroásia, cenário possível dentro de 20 milhões de anos, admitiu.
 
Para o cientista, a fratura da Euroásia irá possibilitar o fecho dos oceanos Atlântico e Pacífico.
 
João Duarte e restante equipa propõem-se, agora, testar "até à exaustão", com modelos computacionais mais avançados, o cenário "muito provável" que avançaram, o de um novo supercontinente chamado Aurica.

domingo, 16 de outubro de 2016

Isolamento de idosos pode levar à desnutrição, desidratação e obesidade

16 out 2016 · 13:19
Investigadores da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP) acreditam que o isolamento dos idosos leva ao sedentarismo e à baixa mobilidade, fatores que podem provocar desnutrição, desidratação, excesso de peso e obesidade.
 
Neste que é o Dia Mundial da Alimentação, o investigador da FCNAUP Nuno Borges disse à Lusa que, embora sejam necessários mais estudos para comprovar os efeitos do isolamento nesta população, os dados indicam que há risco de insuficiência e deficiência de vitamina D, o que acontece em cerca de nove em cada dez idosos.
 
Nuno Borges é um dos responsáveis pelo NutritionUP 65, um projeto desenvolvido na FCNAUP e coordenado pela professora Teresa Amaral, que visa determinar o estado nutricional dos portugueses com mais de 65 anos, numa amostra representativa de 1500 pessoas idosas, de acordo com o intervalo de idades, o género, o nível de ensino e a área regional do país.
 
Segundo os dados recolhidos no estudo, cerca de 44% dos idosos apresentam excesso de peso e 39% têm obesidade, situações que derivam de problemas no balanço energético, despoletados por um hábito de "comer mal e a mais e praticar atividade física a menos".
 
Esta condição está relacionada com a sarcopenia (perda de massa, força e função musculares em consequência do envelhecimento), "que compromete todas as atividades do dia-a-dia dos idosos", como andar, subir e descer escadas, ir às compras e cozinhar, indicou o investigador.
 
Os dados relativos à desnutrição, outro dos fatores estudados no NutritionUP 65, indicam que 15% dos idosos estão em situação de risco, o que, para Nuno Borges, "é espantoso visto que quase 90% de idosos têm excesso de peso ou obesidade".
 
Para além da questão do isolamento, a desnutrição pode ser causada pelo acesso limitado aos alimentos, à incapacidade de preparar as refeições, por problemas económicos e por uma locomoção reduzida.
 
As doenças crónicas também influenciam esse fator, sendo que "quanto mais velha for a pessoa, mais patologias pode ir acumulando, o que aumenta a probabilidade de terem problemas a nível alimentar, agravando o risco de desnutrição", acrescentou o investigador.
 
Quanto à hidratação, mais de um terço dos idosos estão desidratados. "Há a ideia que o mecanismo que nos defende da desidratação - a sede - perde progressivamente eficácia com a idade e, por outro lado, não se verifica muito, nesta faixa etária e em Portugal, o hábito de se beber água", o que pode levar à obstipação e problemas renais, explicou o docente.
 
O consumo excessivo de sal, que se verifica em mais de 85% dos idosos, pode estar ligado à hipertensão arterial e aos acidentes vasculares celebrais (AVC).
 
Para Nuno Borges, "todos estes indicadores agravam-se com o isolamento", o que, "a confirmar-se com mais estudos", configura uma ideia dos idosos em Portugal, "que estão nas suas casas ou apenas em centros de dia, com níveis excessivamente baixos de atividade física e altos de uma alimentação desadequada".
 
"Há um grande trabalho que deve ser feito ao nível das medidas governamentais, além das alimentares, no sentido de proporcionar aos nossos idosos condições e estímulos para que se mexam mais, venham mais para à rua e se exponham mais à luz", tornando-se em "elementos ativos na sociedade", concluiu.
 
O NutritionUP 65 conta com a participação da FCNAUP, do Departamento para a Pesquisa do Cancro e Medicina Molecular da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia e da Unidade Local de Saúde do Alto Minho, EPE, e foi financiado pelo EEAGrants - Programa Iniciativas de Saúde Pública - em 519 mil euros.

Há uma razia nos pepinos-do-mar da ria Formosa

Margarida David Cardoso

Pesca em excesso, para o mercado internacional, está na origem do desaparecimento abrupto em dois anos destes animais E não são só eles que estão em risco, alertam os cientistas. Vazio legal afasta a possibilidade de condenação.
Pepinos-do-mar criados em aquacultura na Estação Experimental do Ramalhete, perto de Faro
Em dois anos, 75% da população de pepinos-do-mar desapareceu em vários locais da ria Formosa, no Algarve. A espécie Holothuria arguinensis é a mais afectada: junto à ilha da Armona havia 120 indivíduos por hectare, em 2014. Hoje, são cerca de 30. Apesar de estarem na área protegida do Parque Natural da Ria Formosa, é junto às ilhas da Armona e da Culatra que se detectam as maiores perdas.
 
Os números preocupam os investigadores do Centro do Ciências do Mar da Universidade do Algarve (CCMAR), dada a dificuldade de reprodução deste animal quando a sua densidade é baixa. Sabendo que os pepinos-do-mar são denso-dependentes (dependem da existência de grandes quantidades de fêmeas e machos para terem êxito na reprodução), Mercedes González Wangüemert, do CCMAR, alerta: “Já podemos falar do risco de a espécie desaparecer completamente da ria.”
 
E não só. Segundo noticiou o jornal Barlavento, também ao largo de Olhos de Água, de Albufeira e Sagres, onde a equipa da espanhola González Wangüemert tem vindo a monitorizar a população de pepinos-do-mar desde 2012, se registou a quebra de três quartos, de 2014 até agora. A população que sobra é maioritariamente juvenil, uma vez que os pepinos-do-mar adultos e reprodutores são a faixa etária mais afectada.
 
“Se continuar a este ritmo, em menos de dois anos não vamos ter nada em algumas localidades”, lamenta.
 
A causa está na “pesca abusiva”, aponta a investigadora. Os pepinos-do-mar – animal da família dos ouriços-do-mar e das estrelas-do-mar – são extremamente procurados para alimentação e medicina tradicional com destino ao mercado asiático. Tanto que os chineses são capazes de correr o mundo em busca deles. Secos, cada quilo pode chegar aos 150 a 200 euros. A somar ao valor nutricional (possíveis antioxidantes e ácido gordo ómega-3), estes animais são ainda usados na obtenção de substâncias para fins terapêuticos.
 
No entanto, González Wangüemert não arrisca classificar a pesca de “ilegal”, porque, na verdade, não há nenhuma lei que a proíba. Apesar de haver três espécies de pepinos-do-mar (Holothuria forskal, Mesothuria intestinalis e Sthichopus regalis) referenciadas num regulamento sobre a apanha de animais marinhos, nenhuma das existentes na ria Formosa está incluída nele: “Nesta zona, não há qualquer legislação específica.”
A investigadora Mercedes González Wangüemert
Quando González Wangüemert confronta os mariscadores, como fez na passada semana ao largo da Armona, é a economia a falar: “Só numa maré apanho 70 ou 80 euros, no mínimo, de pepinos-do-mar. Faz ideia de quantas horas são precisas na apanha das ostras ou do lingueirão?”
 
Os mariscadores podem facilmente vender cada pepino-do-mar a 1,5 euros e, numa só maré, são capazes de apanhar 30 a 40 indivíduos, pelas contas da investigadora. E a venda não é difícil, dada a rede de processamento que os investigadores identificaram em Olhão, que escoa os animais para o mercado internacional. “Tendo em conta estas quantidades, já não estamos a falar de restaurantes locais”, o negócio chega mesmo a Hong Kong e a Pequim, afirma. Cá, tirando os restaurantes chineses, não há tradição de os comermos.
 
E as perguntas e propostas de empresas estrangeiras são cada vez mais frequentes, com a Malásia no topo da lista dos novos países interessados.
 
No Índico e Pacífico, a procura desenfreada já levou os cientistas a considerarem que nalgumas regiões os pepinos-do-mar estão “praticamente extintos”. Esta escassez nos trópicos tem provocado uma deslocação dos mariscadores para o Mediterrâneo e a costa europeia.

O que está em risco?

Não falamos só da sobrevivência de uma espécie, mas “de toda a diversidade de um ecossistema”, ressalva a investigadora do CCMAR. Tendo em conta a “pequena distribuição geográfica” destes animais, encontrados apenas desde o sul de Lisboa até ao fim da costa africana, um desequilíbrio local pode significar “um efeito em cadeia para o fim das espécies”.
 
Soma-se a isto a importância dos pepinos-do-mar na limpeza dos sedimentos depositados no fundo dos mares. “Estes bichos limpam a matéria orgânica e é deles que depende uma parte importante da cadeia alimentar do ecossistema.” A investigadora relata o desequilíbrio ecológico existente no Norte da Turquia, onde três espécies de pepinos-do-mar desapareceram por completo: “Começaram por morrer algas, depois peixes pequenos até se notar uma diminuição dos peixes maiores”, explicou.
 
Perante o risco de desaparecimento do animal em ambiente natural, o CCMAR começou a criá-los em terra, através da aquacultura, na Estação Experimental do Ramalhete, uma estação-piloto na ria Formosa instalada num antigo armazém da Companhia de Pescarias do Algarve, perto de Faro. Foi nesta estação que, em meados de 2014, nasceram as primeiras crias de pepinos-do-mar, precisamente a Holothuria arguinensis. Mas agora até esta criação “em terra” pode estar em causa: “Se continuar esta dinâmica, vou ficar sem reprodutores.” Risco que levou a cientista a pedir autorização à Fundação para a Ciência e a Tecnologia (que financia esta investigação) para este ano ficar com os reprodutores, em vez de os libertar na ria como era procedimento habitual.
 
Apesar de não ter sido bem-sucedida em anteriores abordagens, González Wangüemert acredita que a solução passa pela sensibilização dos mariscadores para a pesca sustentável. No entanto, a investigadora vê a elaboração de uma lei e regulamentação restritiva como uma prioridade, para que, a partir daí, seja possível iniciar programas para restabelecer o número de animais. Outro dos objectivos é a criação de um programa de monotorização da costa em parceria com a Polícia Marítima e a GNR, para que seja possível fazer um registo dos animais que estão a ser capturados.

Afinal, o Universo terá dez vezes mais galáxias do que se pensava

AFP

São dois biliões (milhões de milhões) mas só conseguimos observar cerca de 10%, segundo novas estimativas de uma equipa internacional astrónomos.
Daqui a 3000 milhões de anos a nossa galáxia, a Via Láctea, vai encontrar-se com Andrómeda e formar uma outra galáxia
Afinal, o Universo terá cerca dois biliões (milhões de milhões) de galáxias, ou seja, dez vezes mais do que se pensava até agora, conclui um estudo de uma equipa internacional de astrónomos publicado esta quinta-feira. Nos últimos anos, os astrónomos pensavam que o Universo continha entre 100 bilhões e 200 bilhões de galáxias.
 
A equipa de Christopher Conselice, da Universidade de Nottingham (Reino Unido), trabalhou com os dados obtidos pelo telescópio espacial Hubble, desenvolvido pela NASA com a Agência Espacial Europeia, e por outros telescópios. Com estas informações, os cientistas construíram cuidadosamente imagens em 3D e extrapolaram o número de galáxias presentes em diferentes momentos da história do Universo. Quanto mais longe estão as galáxias, mais fraca é a luz que emitem e que chega até nós. Os telescópios que usamos actualmente permitem estudar apenas cerca de 10% das galáxias.
 
“É espantoso pensar que 90% das galáxias do cosmos ainda têm de ser estudas”, afirma Christopher Conselice. “Quem sabe o que vamos descobrir quando pudermos começar a estudar estas galáxias graças à nova geração de telescópios”, interroga-se o cientista num comunicado divulgado após a publicação do estudo na revista Astrophysical Journal.
 
Para os cálculos, a equipa de astrónomos utilizou métodos estatísticos e apoiou-se no conhecimento que temos do Universo mais próximo para prever o que se passará mais longe. “O estudo é muito interessante, embora possamos ter algumas reservas sobre o número preciso de galáxias”, comenta François Hammer, astrónomo do Observatório de Paris e especialista na formação de galáxias, em declarações à agência AFP.
 
“Christopher Conselice fez o melhor que conseguimos fazer nesta altura. Mas o resultado não pode ser considerado a palavra final”, disse o astrofísico. “É um trabalho que não poderá ser confirmado até que tenhamos telescópios gigantes que nos permitam ver muito melhor nestas regiões distantes”, refere ainda François Hammer.
 
O Telescópio Europeu Extremamente Grande E-ELT (European Extremely Large Telescope) está prestes a começar a ser construído no Chile pelo Observatório Europeu do Sul (ESO, organização intergovernamental europeia a que pertence Portugal). O seu espelho primário terá um diâmetro de 39 metros. O telescópio deverá começar a funcionar “em 2024/2025”, precisou François Hammer, responsável científico do seu espectrógrafo multi-objecto (MOS). Este instrumento vai permitir observar galáxias extremamente distantes.
 
Os Estados Unidos também pretendem construir, no Havai, o Thirty Meter Telescope (TMT), que terá um espelho segmentado de 30 metros.
 
O estudo agora publicado reforça um cenário que está “na moda” e que defende que as galáxias se formam quando se fundem umas com as outras, observa ainda François Hammer. “No início, há muitas galáxias pequenas e, em seguida, fundem-se, tornando-se cada vez maiores”, refere o cientista, acrescentando: “Dentro de 3000 a 4000 milhões de anos, a nossa galáxia, a Via Láctea, vai encontrar-se com Andrómeda e formar uma outra galáxia.”

Obama felicita acordo para eliminar hidroflurocarbonetos

Renascença
15 out, 2016 - 18:08
Emenda de Kigali foi assinada por 200 países e junta-se ao Acordo de Paris como mais um avanço para ajudar a travar as alterações climáticas.
 
O Presidente norte-americano, Barack Obama, felicitou "o ambicioso" novo acordo alcançado por 200 Estados para eliminar gradualmente os hidroflurocarbonetos (HFC), os gases utilizados nos sistemas de refrigeração, espumas e aerossóis, e que potenciam o aquecimento do planeta.

Em comunicado, o Presidente norte-americano aplaude a aprovação em Kigali, de uma emenda ao Tratado de Montreal de 1987 que inclui as duas maiores economias do mundo, a China e os Estados, e cuja aplicação poderá evitar o aumento em meio grau da temperatura da Terra neste século.
 
"Durante muitos anos, nos Estados Unidos trabalhámos sem descanso para encontrar uma solução global que permitisse eliminar, gradualmente, a produção e o consumo dos HFC", que "podem ser centenas e até milhares de vezes mais potentes que o dióxido de carbono", assegurou Obama.
 
"Hoje em Kigali, cerca de 200 países adoptaram uma solução ambiciosa e de grande alcance para esta iminente crise", acrescentou.
 
Segundo o acordo, baptizado como Emenda de Kigali, os países desenvolvidos começam a diminuição gradual do uso de HFC em 2019, apesar de estar já em vias de desenvolvimento o congelamento dos seus níveis de consumo entre 2014 e 2028.