quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Nobel da Física para uma mulher pela primeira vez em 55 anos

Teresa Firmino 2 de outubro de 2018
Distinguidos trabalhos de três cientistas sobre física dos lasers. As aplicações das tecnologias dos lasers agora premiadas passam por ajudar a desvendar os mistérios de vírus e células e pelo uso em cirurgias oftalmológicas.

O Prémio Nobel da Física de 2018 vai para três investigadores sobre os seus trabalhos na física dos lasers – anunciou esta terça-feira de manhã a Real Academia Sueca das Ciências em Estocolmo. Metade do prémio, no valor monetário de nove milhões de coroas suecas, ou 866 mil euros, vai para o norte-americano Arthur Ashkin e a outra metade para o francês Gérard Mourou e a canadiana Donna Strickland. No anúncio, o comité resumiu que o prémio vai para “as ferramentas feitas de luz” ou, na justificação mais formal, para “invenções revolucionárias no campo da física dos lasers”. 

Até agora, em toda a história dos Prémios Nobel, criados em 1901, apenas duas mulheres tinham recebido o Nobel da Física: Marie Curie em 1903 (também distinguida com o Nobel da Química em 1911) e Maria Goeppert-Mayer em 1963. Portanto, há 55 anos que uma mulher não fazia parte do rol de laureados desta prestigiada distinção. Donna Strickland junta-se agora a este clube muitíssimo restrito.

Arthur Ashkin, dos Laboratórios Bell (em Holmdel, nos EUA), desenvolveu uma técnica de laser descrita como “pinças ópticas”, que é usada para estudar sistemas biológicos e para controlar minúsculos organismos vivos. Já Gérard Mourou, da Escola Politécnica (em Palaiseau, França) e da Universidade do Michigan (EUA), e Donna Strickland, da Universidade de Waterloo (Canadá), desenvolveram novas formas de produzir impulsos de laser de alta intensidade e muito curtos a partir de uma técnica que inventaram chamada chirped pulse amplification (CPA), que em português poderá designar-se como “amplificação de impulsos com dispersão temporal”, ou ainda “amplificação de impulsos com trinado”.

Os avanços dos três laureados ocorreram nos anos 80. Nascido em 1922 em Nova Iorque, Arthur Ashkin inventou as tais pinças ópticas, utilizando luz laser para movimentar pequenas partículas para o centro do feixe de luz e mantê-las aí, explica-se num comunicado da Real Academia Sueca das Ciências – ou seja, utilizando a pressão de um feixe de luz poderiam empurrar-se objectos microscópicos e aprisioná-los numa certa posição. Conseguia assim tornar realidade o que a ficção científica já tinha inventado há muito, acrescenta o comunicado: fazer mexer objectos físicos usando a luz.

As pinças ópticas são capazes de apanhar partículas, átomos, vírus e células vivas. Foi em 1987 que Arthur Ashkin conseguiu um grande avanço científico, ao utilizar as pinças ópticas para capturar bactérias vivas sem que elas ficassem danificadas, como explica o comunicado: “Começou imediatamente a estudar sistemas biológicos e as pinças ópticas são agora largamente utilizadas para investigar a maquinaria da vida.” Pela invenção das “pinças ópticas e a sua aplicação aos sistemas biológicos”, como justifica o comité do Nobel, metade do prémio vai para Arthur Ashkin.

Um primeiro artigo valioso




Quanto a Gérard Mourou e Donna Strickland, trabalharam juntos, tendo lançado as bases para o desenvolvimento dos lasers de menor duração e mais intensos alguma vez criados pela humanidade. Na verdade, Mourou (nascido em 1944 em Albertville) foi o orientador da tese de doutoramento de Donna Strickland (nascida em 1959 em Guelph), como ela destacou na conversa telefónica durante a cerimónia de anúncio do Nobel deste ano. “Gérard foi o meu mentor. Ele fez tantas descobertas anteriores. É fantástico.”


O artigo científico considerado revolucionário de Donna Strickland foi publicado em 1985, vindo a ser o cerne da sua tese de doutoramento. Publicado na revista Optics Communications, Gérard Mourou era o outro autor, ambos então na Universidade de Rochester, nos Estados Unidos. Incrível ainda nesta história científica é que esse artigo científico foi o primeiro que Donna Strickland publicou na vida e que, ao fim de 33 anos, viria a dar-lhe visibilidade mediática mundial com a atribuição do Nobel.

A técnica de CPA consiste na criação de impulsos de laser de duração ultracurta e grande intensidade sem que o material óptico sofra danos. Primeiro, usa-se um impulso de laser de curta duração, depois aumenta-se a sua duração, a seguir esse impulso alargado temporalmente é amplificado e, por fim, é comprimido para uma duração próxima da original. “Se um impulso é comprimido temporalmente e fica com menor duração, então mais luz é empacotada no mesmo espaço minúsculo – a intensidade do impulso aumenta de forma drástica”, nota o comunicado.

A técnica CPA é hoje utilizada, por exemplo, de forma rotineira por todo o mundo em cirurgias oftalmológicas que utilizam lasers.

Na conversa telefónica de Donna Strickland para a Real Academia Sueca das Ciências, onde os jornalistas presentes puderam fazer-lhe algumas perguntas, pediram-lhe um comentário ao facto de ser a terceira mulher desde sempre a receber o Nobel da Física. “Pensei que haveria mais”, começou por responder. “Tenho a honra de ser uma dessas mulheres.” Mais tarde, a falar com Adam Smith, do site do Nobel, disse ainda: “Nunca olhei para estes prémios a perguntar-me por que não havia mulheres. As coisas estão a mudar e vão mudar mais ainda.”

E quando recebeu o tradicional telefonema da academia sueca, pouco tempo antes do anúncio ao mundo do nome dos três premiados, para lhe comunicar a grande novidade? “Pensei que era uma loucura e se seria real”, respondeu. “Primeiro, pensei que podia ser uma partida, mas como era o dia do Nobel seria uma partida cruel”, diria depois a Adam Smith, que também quis saber se ela estaria preparada para ser muito requisitada agora com o prémio Nobel. “Tenho muito medo disso. Há pouco tempo estava a falar com uma pessoa que ganhou um Nobel e ela disse-me que tinha viajado 100 mil quilómetros num ano. Tenho medo disso. Ainda por cima, os cientistas nem sequer podem viajar em primeira classe”, ironizou.

A Göran K. Hansson, secretário-geral da academia sueca, os jornalistas perguntaram ainda se tinha uma ideia da percentagem de mulheres nomeadas para o Nobel da Física (os nomes dos nomeados não são revelados). “Não tenho as estatísticas. Mas é uma percentagem pequena. Por isso, tomámos medidas para encorajar mais nomeações. Não queremos deixar de fora ninguém.” Olga Botner, do comité do Nobel da Física e especialista na área de investigação agora distinguida, acrescentou que o número de nomeadas tem aumentado e que isso reflecte o trabalho que iniciaram há cerca de 30 anos.

Em relação a este assunto, Göran K. Hansson quis deixar claro que o que está em questão não é o facto de os premiados serem homens ou mulheres. “O importante é que o Prémio Nobel é por descobertas e invenções. Aqueles que o receberam fizeram grandes contribuições para a humanidade.” Ainda assim, as estatísticas da história do Nobel da Física mostram que, até agora, só Marie Curie, Maria Goeppert-Mayer e Donna Strickland foram reconhecidas pelos seus feitos em prol da humanidade.

Göran K. Hansson conseguiu contactar os três premiados antes do anúncio. “O dr. Ashkin não podia dar entrevistas porque estava muito ocupado com um artigo científico”, começou por dizer. E na sala ouviram-se risos. Talvez haja uma justificação para usar muito bem o seu tempo. Com 96 anos, Arthur Ashkin é, a partir de agora, o mais velho laureado com o Nobel.

Mas, depois, acabou por dar uma pequena entrevista para o site do Nobel, tendo-lhe sido perguntado se ainda trabalha em casa. “Sim, estou a fazer um artigo que espero que seja aceite para publicação”, referiu, denotando a sua modéstia. Sobre as pinças ópticas, disse ainda: “Previ que seria uma coisa muito importante, com muitas aplicações. Porém, a luz era algo que supostamente devia matar os tecidos. Foi uma grande surpresa ver que era usada para curar e tratar.” E pretende ir a Estocolmo em Dezembro, à cerimónia de entrega do prémio? “Se puder. Estou a escrever um artigo. Acho que tenho aqui uma coisa importante sobre energia solar. E o mundo precisa de alguma coisa para as alterações climáticas.”



Destravar o sistema imunitário para combater cancro dá Nobel da Medicina

Andreia Freitas
James P. Allison e Tasuku Honjo descobriram novas formas de bloquear os travões do nosso sistema imunitário que se revelaram muito eficazes no tratamento do cancro. “Um novo paradigma na luta contra o cancro”, considerou o comité do Nobel.

O Prémio Nobel da Medicina ou Fisiologia de 2018 foi atribuído aos investigadores James P. Allison e Tasuku Honjo pelas descobertas relacionadas com o papel do sistema imunitário na luta contra o cancro, anunciou esta segunda-feira o comité do Nobel no Instituto Karolinska, em Estocolmo (Suécia). O prémio tem um valor de nove milhões de coroas suecas (cerca de 871 mil euros).

 “O Prémio Nobel deste ano assinala um marco na luta contra o cancro”, anunciou o comité do Nobel esta segunda-feira, acrescentando que as investigações dos dois laureados representam uma mudança de paradigma. “É um princípio totalmente novo. Neste caso, em vez de ter como alvo as células cancerosas, estas abordagens usam os travões das células do nosso sistema imunitário para travar o cancro.” A descoberta feita pelos dois laureados do Nobel da Medicina aproveita assim a capacidade do nosso sistema imunitário de atacar as células cancerosas estimulando-o e bloqueando os “travões” das células do sistema imunitário, os linfócitos T. Com esta “avaria” dos travões, o sistema imunitário acelera-se, investindo rapidamente nas células cancerosas. 

O norte-americano James P. Allison, do Centro para o Cancro M.D. Anderson da Universidade do Texas, em Houston, estudou uma proteína, a CTLA-4, que funciona como um travão no sistema imunitário, e o japonês Tasuku Honjo, da Universidade de Quioto, investigou uma outra proteína, a PD1, e mostrou que ela também funciona como um travão, mas com um mecanismo de acção diferente. Usando anticorpos nestas duas moléculas é possível “avariar” os travões e fazer com que o sistema imunitário ganhe em força e velocidade. As duas terapias, que se complementam, mostraram-se surpreendentemente eficazes na luta contra o cancro, com resultados comprovados em tumores como o melanoma, cancro dos pulmões e dos rins.

“Até às descobertas feitas pelos laureados da Medicina de 2018, o progresso no desenvolvimento clínico foi modesto”, considerou o comité, sublinhando que são os “resultados fantásticos” das investigações que justificaram a escolha. A terapia de controlo (checkpoint) imunitário, como é conhecida, revolucionou o tratamento do cancro e mudou fundamentalmente a maneira como encaramos esta doença.

Golfe e blues
Por volta das 9h30 da manhã, foi publicado um tweet na conta do Prémio Nobel que anunciava que o vencedor já tinha sido escolhido. “Alguém está a receber notícias emocionantes de Thomas Perlmann, o secretário-geral do comité do Nobel.” No entanto, a essa hora, apenas Tasuku Honjo recebeu a fantástica notícia. Ao que parece, às 11h, meia hora depois do anuncio oficial, o comité ainda não tinha conseguido contactar James Allison. 

Mais tarde, à margem de uma conferência sobre cancro que decorre em Nova Iorque, James Allison disse: “Sinto-me honrado por receber este prestigioso reconhecimento. Uma motivação inspiradora para os cientistas é simplesmente empurrar as fronteiras do conhecimento. Não comecei a estudar o cancro, mas a tentar entender a biologia dos Linfócitos T, essas células incríveis que viajam pelo nosso corpo e trabalham para nos proteger.” O interesse de James Allison por biologia terá começado quando ainda era uma criança, após receber um kit de química como prenda do seu pai.

Tasuku Honjo, que começou sua investigação nesta área depois da morte por cancro de estômago de um colega seu no curso de Medicina, também reagiu ao prémio: “Quero continuar a minha investigação para que esta terapia imunológica possa salvar mais doentes.”

A notícia do prémio atribuído a James Allison surgiu esta segunda-feira acompanhada por uma banda sonora de música blues. Além do seu trabalho científico, foram divulgados os vídeos que mostram uma faceta interessante deste investigador, que toca harmónica numa banda chamada “The CheckPoints”, composta por médicos imunologistas e oncologistas.
Sobre Tasuku Honjo sabemos que gosta de jogar golfe e é um apreciador de arte. Aliás, citado pelo The Guardian, o cientista japonês contou que já foi abordado num clube de golfe por um colega, que agradeceu as suas descobertas, especificamente relacionadas com o cancro de pulmão e que lhe terá dito que graças a ele podia jogar golfe. “Esse foi um momento feliz. Um comentário como esse faz-me mais feliz do que qualquer prémio.”

O caminho até ao prémio
O cancro mata milhões de pessoas todos os anos e é um dos maiores desafios de saúde da humanidade. Estimulando a capacidade inerente do nosso sistema imunitário de atacar as células tumorais, este ano, os laureados com o Nobel estabeleceram um princípio inteiramente novo para a terapia usada para combater o cancro”, anunciou o comité do Nobel, logo no início da comunicação oficial dos premiados deste ano.

E continuou: “O cancro inclui muitas doenças diferentes, todas caracterizadas pela proliferação descontrolada de células anormais com capacidade de disseminação para órgãos e tecidos saudáveis. Assim, há várias abordagens terapêuticas que estão disponíveis para o tratamento destas doenças, incluindo a cirurgia, radiação e outras estratégias.” Algumas destas estratégias que actualmente são usadas de forma rotineira receberam prémios Nobel em edições anteriores, nomeadamente os métodos para tratamento hormonal para cancro da próstata (Charles Huggins recebeu o Nobel em 1966), quimioterapia (George Hitchings and Gertrude Elion receberam o Nobel em 1988) e transplante de medula óssea para a leucemia (E. Donnall Thomas recebeu o Nobel de 1990). “No entanto, o cancro avançado permanece extremamente difícil de tratar e é necessário encontrar novas estratégias terapêuticas”, constata o comité do Nobel.

Recuando ao final do século XIX e início do século XX, encontramos o aparecimento do conceito de que a activação do sistema imunitário poderia ser uma estratégia para atacar as células tumorais. “Várias tentativas foram feitas para infectar pacientes com bactérias que conseguiriam activar o sistema de defesa do nosso organismo”, diz o comunicado de imprensa sobre a edição de 2018 do Prémio Nobel da Medicina. Porém, “esses esforços só tiveram efeitos modestos, ainda que uma variante dessa estratégia seja usada actualmente no tratamento do cancro de bexiga”. Era então preciso investigar mais e melhor esta frente de batalha. “Muitos cientistas envolveram-se numa intensa investigação e descobriram mecanismos fundamentais que regulam a imunidade e também mostraram como o sistema imunitário pode reconhecer as células cancerosas.” Apesar dos avanços, a descoberta de respostas que pudessem ser usadas de forma generalizada revelou-se muito difícil.

“A propriedade fundamental do nosso sistema imunitário é a capacidade de discriminar o ‘eu’ do ‘não-eu’, de modo a que as bactérias invasoras, vírus e outros perigos possam ser atacados e eliminados”, explica mais uma vez o comité. E os linfócitos T, um tipo de glóbulos brancos, são os principais intervenientes nesta defesa, são os nossos soldados que combatem invasores. “Os linfócitos T mostraram ter receptores que se ligam a estruturas reconhecidas como não próprias e tais interacções fazem com que o sistema imunitário seja activado e entre no modo “defesa”. Por outro lado, há proteínas que também podem actuar como aceleradores dos linfócitos T e que são necessárias para desencadear uma resposta imunitária completa. O equilíbrio entre aceleradores e travões é essencial para um controlo rigoroso e eficaz do sistema imunitário, assegurando que está suficientemente envolvido no ataque contra microrganismos estranhos e, ao mesmo tempo, evitando a activação excessiva que pode levar à destruição auto-imune de células e tecidos saudáveis.

“Um novo princípio”
Durante a década de 1990, no seu laboratório na Universidade da Califórnia, em Berkeley, James P. Allison estudou a proteína CTLA-4 de linfócitos T. Foi um dos vários cientistas que perceberam que a CTLA-4 funciona como um travão nos linfócitos T. O cientista norte-americano desenvolveu depois um anticorpo que poderia ligar-se à CTLA-4 e bloquear sua função. A primeira experiência foi realizada no final de 1994 e os resultados foram “espectaculares”, avalia o comité. “Ratinhos com cancro foram curados pelo tratamento com os anticorpos que inibem o travão e libertam a actividade dos linfócitos T antitumorais.” O comunicado de imprensa acrescenta ainda: “Apesar do pouco interesse da indústria farmacêutica, James Allison continuou os seus esforços para desenvolver a estratégia e a transformar numa terapia para humanos. Os resultados promissores surgiram de vários grupos a trabalhar nesta área, e em 2010 foi publicado um importante estudo clínico que mostrou os seus efeitos notáveis em doentes com melanoma avançado, um tipo de cancro de pele. Em vários doentes, os sinais de cancro desapareceram.”

Em 1992, alguns anos antes da descoberta de James Allison, Tasuku Honjo descobriu a PD-1, realizando uma série de experiências no laboratório da Universidade de Quioto. Também neste caso, os anticorpos contra a PD-1 inibem a função do travão, provocando uma “avaria” neste mecanismo que leva à activação dos linfócitos T e ao ataque “altamente eficiente” das células cancerosas. Os resultados mostraram que a PD-1, tal como a CTLA-4, funciona como um travão, mas através de um mecanismo diferente. “O desenvolvimento clínico para aplicação em humanos prosseguiu e, em 2012, um estudo importante demonstrou eficácia clara no tratamento de doentes com diferentes tipos de cancro. Os resultados foram impressionantes, levando à remissão a longo prazo em vários doentes com cancro metastático.”

Os trabalhos que conseguiram inibir os travões induzidos pela CTLA-4 e pela PD-1 e activar o sistema imunitário na luta contra o cancro também aceleraram a investigação neste campo. Actualmente, este tratamento conhecido como “terapia de checkpoint imunitário” é usado em doentes com vários tipos de cancro avançado. É verdade que, tal como os outros tratamentos disponíveis para o cancro, este não está isento de efeitos secundários, que, nalguns casos, podem ser bastante graves. O pior que pode acontecer é uma resposta imunitária hiperactiva que leva a reacções auto-imunes, descontroladas.

Segundo o comunicado de imprensa do comité do Nobel, das duas estratégias de tratamento, a terapia de checkpoint contra a PD-1 tem mostrado ser mais eficaz e resultados positivos estão a ser observados em vários tipos de cancro, incluindo dos pulmões, rins, linfoma e melanoma. Por outro lado, há novos estudos clínicos que parecem indicar que a terapia combinada, tendo como alvo a CTLA-4 e a PD-1, pode ser ainda mais eficaz. “Esta combinação mostrou bons resultados em doentes com melanoma. Mas há muitos outros testes de terapias de checkpoint imunitário que estão a ser feitos em muitos tipos de cancro e há também novas proteínas que funcionam no controlo do sistema imunitário que estão a ser objecto de investigação como possíveis alvos.”

Em 2017, o Prémio Nobel da Medicina ou Fisiologia foi atribuído a três cientistas norte-americanos, Michael Rosbash, Jeffrey Connor Hall e Michael Warren Young, por descobertas sobre os mecanismos moleculares que controlam o ritmo circadiano.




sábado, 22 de setembro de 2018

Organização Mundial de Saúde: Consumo de álcool matou mais de três milhões de pessoas no mundo em 2016

MadreMedia/Lusa
22 set 2018
Mais de três milhões de pessoas no mundo morreram em 2016 devido ao consumo de álcool, sendo que os homens representam três quartos das mortes registadas, revela um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) hoje divulgado.

De acordo com o relatório “A Situação Global sobre o Álcool e a Saúde 2018″, que analisa os padrões de consumo de álcool a nível mundial nos últimos anos, uma em cada 20 mortes no mundo deveu-se ao consumo nocivo de álcool, correspondendo a 5% do conjunto das doenças a nível mundial.
Este estudo da OMS mostra um quadro global sobre o consumo nocivo de álcool em todo o mundo, o peso da doença em relação ao conjunto das doenças e indica o que os países estão a fazer para diminuírem este fardo.
“Muitas pessoas, suas famílias e as comunidades sofrem as consequências do consumo nocivo do álcool, através da violência, ferimentos, problemas de saúde mental e doenças, tais como o cancro e os acidentes vasculares cerebrais”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Para este responsável “é hora de intensificar as ações para evitar esta séria ameaça ao desenvolvimento de sociedades saudáveis”.
Do total das mortes atribuídas ao consumo nocivo do álcool, 28% deveram-se, entre outras causas, a lesões resultantes de acidentes de trânsito ou a violência entre pessoas, 21% foram causados por problemas digestivos e 19% por doenças cardiovasculares, sendo que doenças infecciosas, o cancro, perturbações mentais e outras situações de saúde representam a restante parcela.
Apesar de se observarem algumas tendências globais positivas desde 2010, o relatório classifica como “inaceitavelmente elevado” o peso da doença causada pelo consumo abusivo de álcool no conjunto das doenças, bem como o número das lesões provocadas, em particular na região das Américas e na região da Europa.
Em termos globais, estima-se que 237 milhões de homens e 46 milhões de mulheres sofram de problemas devido ao consumo de álcool, sendo que é maior a prevalência entre homens e as mulheres da região da Europa (14,8% e 3,5%, respetivamente) e da região das Américas (11,5% e 5,1%, pela mesma ordem).
O estudo refere ainda que os problemas com o consumo de álcool são mais comuns nos países com rendimentos mais elevados, prevê que o consumo global de álcool aumente nos próximos dez anos e diz que a Europa tem o maior consumo per capita do mundo, apesar deste ter diminuído em mais de 10% desde 2010.
A OMS estima que 2,3 mil milhões de pessoas consumam atualmente álcool no mundo, sendo que este é consumido por mais de metade da população de três regiões – Américas, Europa e Pacífico Ocidental.


quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Moléculas de colesterol num fóssil revelam o animal mais antigo já descoberto

MadreMedia/Lusa
20 set 2018
Vestígios moleculares de colesterol descobertos num fóssil revelaram a cientistas australianos o animal mais antigo já descoberto, que terá vivido há 558 milhões de anos, resolvendo um enigma de décadas.

Batizado “Dickinsonia”, tinha cerca de 140 centímetros de comprimento e forma oval, com segmentos semelhantes a costelas ao longo do corpo, segundo o estudo publicado hoje na revista Science.
O fóssil perfeitamente preservado numa área remota no noroeste da Rússia continha moléculas de colesterol, uma forma de gordura característica do reino animal.
“As moléculas de gordura fóssil que encontrámos provam que os “Dickinsonia” eram grandes e abundantes há 558 milhões de anos, milhões de anos antes do que se pensava”, afirmou Jochen Brocks, da Universidade Nacional Australiana.
Há mais de 75 anos que os cientistas debatiam o que seria o “Dickinsonia” e outros fósseis que ainda não tinham conseguido identificar no período anterior ao Câmbrico, que, há 540 milhões de anos, representou uma explosão da diversidade de formas de vida, com o aparecimento das formas modernas de vida prevalecentes nos fósseis: moluscos, vermes, artrópodes e esponjas.
O problema dos investigadores tinha sido encontrar fósseis de “Dickinsonia” com restos de matéria orgânica, uma vez que a maior parte das rochas onde foram descobertos tinham sofrido milhões de anos de desgaste.
A matéria orgânica acabou por ser encontrada em amostras de rochas na Rússia, em áreas que só são acessíveis de helicóptero.
“Estes fósseis estavam no meio de falésias no Mar Branco, a 60 e 100 metros de altura. Tive que me pendurar numa corda e escavar pedaços enormes de rocha, lavá-los e repetir até encontrar fósseis como os que procurava”, afirmou o investigador Ilya Bobrovskiy.
Além dos australianos, também colaboraram na investigação cientistas da Academia das Ciências Russa e do Instituto Max Planck para a Biogeoquímica e da universidade alemã de Bremen.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O maior parque eólico do mundo já está a funcionar

SAPO TEK
17 setembro 2018

No Walney Extension cabem mais de 20 mil campos de futebol. Ao todo são 87 turbinas que se estendem por uma área de 145 quilómetros quadrados.

Serve energia a mais de meio milhão de casas e fica localizado na costa oeste de Inglaterra. Chama-se Walney Extension, abriu no início de setembro, é composto por 87 turbinas eólicas e tem capacidade para gerar 659 megawatts. O parque faz parte de uma tendência que se tem vindo a verificar no sector energético, com milhares de milhões de euros a serem investidos nas fontes renováveis. O parque é neste momento o maior do mundo, mas com a fase de transição vigente, que está a privilegiar as energias verdes em detrimento das fósseis, este complexo não deverá poder gabar-se do estatuto durante muito mais tempo. Neste momento, há até uma proposta em cima da mesa para que se construa um parque com capacidade para gerar 30 gigawatts, numa ilha artificial, que poderá erguer-se até 2027, no meio do mar que separa Holanda e Noruega.

Quando atinge a capacidade máxima, o parque, que ocupa uma área de 145 quilómetros quadrados, faz chegar eletricidade a 590 mil casas. O parque foi construído pela empresa dinamarquesa, Orsted, que terminou o projeto no passado mês de junho.
Ao todo foram necessárias mais de 261 pás para compor as 87 turbinas. Cada pá pesa cerca de 30 toneladas e, de acordo com a Orsted, quando uma pá completa uma volta, a turbina gera energia suficiente para servir as necessidades energéticas de uma família durante um dia inteiro. As turbinas foram feitas pela Siemens e pela MHI Vestas, e têm 18 metros de altura.
De acordo com o Business Insider, a energia é transportada do parque eólico para a rede nacional britânica através de uma complexa rede de cabos que se estende por mais de 300 quilómetros.

Todos estes números contribuem para a dimensão da Walney Extension, que bate o segundo maior parque eólico do mundo por 14 quilómetros quadrados. O London Array, que ocupa a segunda posição da lista, situa-se na costa sudeste do Reino Unido e tem uma capacidade em 29 megawatts inferior à deste novo complexo.
A produção de energia eólica é mais cara quando feita offshore, mas como os preços da energia produzida em fontes renováveis continua a cair, é expectável que mais pessoas venham a beneficiar com a instalação de parques maiores e menores do que este. Em 2050, espera-se que as fontes renováveis sejam responsáveis por pelo menos de 50% de toda energia consumida no mundo.