Implante experimental foi colocado em duas pessoas. Em três meses deverá começar a produzir insulina.
PÚBLICO
Há mais de uma década que se tenta usar células estaminais para tratar a diabetes
Duas pessoas com diabetes do tipo 1 receberam na semana passada um implante com células estaminais para produzir insulina e “curar” a doença, segundo uma notícia publicada nesta segunda-feira na revista New Scientist.
A diabetes do tipo 1 é uma doença auto-imune que vai destruindo as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina, uma hormona que desvia a glicose que está no sangue para as células, evitando os efeitos negativos deste açúcar. As pessoas com este problema têm que administrar insulina várias vezes ao longo do dia para controlar o nível sanguíneo da glicose.
Apesar de haver condicionantes genéticas, sabe-se pouco sobre as causas desta doença. Cerca de 10% das 442 milhões de pessoas com diabetes no mundo são do tipo 1. As restantes têm diabetes do tipo 2, que surge ao longo da vida quando o corpo se torna insensível à insulina ou produz menos hormona do que o necessário.
O implante, chamado PEC-Direct, é produzido pela empresa Viacyte, de San Diego, na Califórnia e tem o tamanho de um cartão de crédito. No implante estão contidas as células estaminais que, já dentro do corpo, entram num processo de maturação que dura três meses, especializando-se para produzir a insulina. Estas células foram originadas a partir de um embrião nos primeiros estádios de desenvolvimento não aproveitado por uma mulher que fez fertilização in vitro.
Assim que os níveis de açúcar do corpo sobem, espera-se que as células do implante iniciem a produção da hormona para reduzir os níveis de glicose. Como as células implantadas não pertencem aos doentes, é necessário usar medicação para suprimir o sistema imunitário não deixando que o corpo ataque o implante.
“Se resultar, podemos chamar de ‘cura funcional’”, diz Paul Laikind, da Viacyte, citado pelaNew Scientist. “Não é uma verdadeira cura porque não resolve o problema auto-imune que causa a doença, mas estaríamos a substituir as células que estão em falta.”
Num ensaio feito previamente em 19 pessoas, a empresa provou que as células estaminais desenvolviam-se em ilhotas de Langerhans – o grupo de células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. No entanto, como eram poucas células, aquele ensaio não foi feito para tratar a diabetes.
O novo implante pode ser posto no antebraço. Como é poroso, permite que os vasos sanguíneos o penetrem, de modo a alcançar as células estaminais que podem ser alimentadas.
“Se este tratamento tiver sucesso, esta estratégia pode realmente alterar a forma como tratamos a diabetes do tipo 1 no futuro”, diz, por sua vez, Emily Burns da Diabetes UK, uma instituição dedicada à doença, citada também pela New Scientist. Até agora, o único tratamento equivalente passa pelo transplante de células do pâncreas de órgãos de dadores. A técnica resulta, mas é limitada ao número de dadores de órgãos.
Há 15 anos que se tenta usar células estaminais para tratar a doença, mas sem sucesso. Se este implante funcionar, deixa de haver um problema de stock com os órgãos. As células estaminais poderão ser multiplicadas para se produzir os implantes necessários.
Com a nova técnica de edição genética, a CRISPR, dois grupos de cientistas bloquearam um gene que é essencial para o funcionamento dos receptores de odores nas formigas. Sem esta “peça”, os animais deixaram de conseguir comunicar.
Formigas-biroi obreiras marcadas com cores para que se seguissem os seus comportamentos individuais
Quantos de nós já não ficámos uns segundos intrigados a observar tamanha capacidade de coordenação e organização das formigas num carreiro? Mesmo que nunca o tenha feito, a verdade é que, para os cientistas, as colónias de formigas são um óptimo modelo para estudar comportamentos sociais e explorar as suas bases genéticas e complexos sistemas biológicos. Estudar formigas não é tarefa fácil mas a nova técnica de edição de genes, a CRISPR, pode ser uma ajuda preciosa. Dois estudos diferentes publicados na revista Cell esta quinta-feira contam experiências muito semelhantes que mostram como usaram a técnica CRISPR/Cas9 para “apagar” um gene especial nas formigas e como isso afectou o seu comportamento.
Para comunicar, as formigas enviam sinais químicos mediados por feromonas. É assim que sabem para onde ir, como se alimentar e o que fazer na sua colónia. E há muita coisa para comunicar neste pequeno mundo disciplinado de castas onde podem existir rainhas, machos alados, obreiras e soldados, todos com funções e tarefas bem definidas.
Já se sabia que as formigas usavam as feromonas para comunicar mas ainda há muito por esclarecer quanto aos mecanismos, receptores e emissores, que estão por detrás destas “conversas”. Sabíamos também que o envio de sinais químicos estava dependente do olfacto e que as minúsculas formigas carregam um total de 350 genes para vários receptores de odores. E se os apagássemos? O comportamento social das formigas mudaria sem estes receptores que são uma base importante da comunicação? Dois grupos de cientistas testaram este cenário à procura de algumas respostas.
Como? Usando a CRISPR/cas9, que foi desenvolvida em 2012 e permite cortar e colar pedaços de ADN com grande precisão, ou seja, fazer a “edição” do genoma. Ainda na semana passada foi notícia a aplicação desta técnica a embriões humanos, para corrigir um gene responsável por uma doença cardíaca hereditária. Desta forma, apagou-se a mutação genética do ADN dos embriões humanos.
Mas editar cada um dos 350 genes das formigas era uma tarefa difícil e para uma vida inteira. A nova técnica de edição genética ofereceu-lhes o atalho que faltava: sabendo-se que todos os receptores de odores cujo fabrico é comandado por esses genes têm em comum uma outra proteína chamada “orco”, que é um co-receptor olfactivo fundamental para o funcionamento dos vários receptores de odores, os cientistas só tinham de usar a CRISPR/Cas9 para apagar esta proteína e a função dos 350 genes ficava bloqueada. Fácil, não? Nem por isso.
As antenas das formigas são os seus sensores químicos
A complexidade dos ciclos de vida das formigas obrigou os cientistas a procurar determinadas espécies, que se organizam de forma mais simples, para fazer as experiências. Assim, a equipa da Universidade de Rockefeller (nos Estados Unidos) escolheu as formigas-biroi (Ooceraea biroi), que são uma espécie originária do Japão e de Taiwan cuja reprodução ocorre sem fecundação, não existindo rainhas nas suas colónias, os ovos não são fertilizados e desenvolvem-se como clones, criando-se grandes quantidades de formigas geneticamente idênticas. Qualquer formiga obreira desta espécie pode ter ovos. “Isto significa que usando a CRISPR/Cas9 para modificar os ovos conseguimos fazer crescer rapidamente colónias que contém a mutação genética que queremos estudar”, explica Daniel Kronauer, principal autor deste estudo, num comunicado da Cell sobre estes trabalhos.
A outra equipa que inclui cientistas de várias universidades dos Estados Unidos (Nova Iorque, Arizona, Pensilvânia e Vanderbilt) optou por outra espécie, as formigas saltadoras que existem na Índia, no Sri Lanka e Sudeste da Ásia (Harpegnathos saltator). “Escolhemos esta espécie porque possui uma característica especial que torna mais fácil transformar as formigas obreiras em rainhas”, refere Claude Desplan, um dos principais autores do artigo.
O “alvo a abater” nos dois estudos era o mesmo: o tal gene orco. E quando este pedaço do genoma das formigas foi editado e apagado, o resultado foi idêntico. Quer as formigas clones quer as saltitonas mutadas mostraram-se incapazes de comunicar, indiferentes aos sinais de feromonas. Sem estas pistas químicas, o seu comportamento tornou-se anti-social, não conseguiam procurar alimentos e vagueavam, perdidas, fora do ninho e longe das colónias onde estavam as formigas que mantinham o gene orco a funcionar. As fêmeas mutadas também deixaram de cortejar os machos. Formigas independentes e indiferentes a tudo, portanto.
Da depressão ao autismo
Além desta mudança no comportamento que revelou que o olfacto é fundamental para manter a harmonia da colónia, os cientistas perceberam que o bloqueio deste gene afectou também a anatomia do cérebro das formigas (nas duas espécies), danificando as estruturas que são responsáveis por interpretar os odores.
As zonas relacionadas com o odor nos cérebros das formigas mutantes “eram pequenas e desorganizadas”, descreve um outro comunicado sobre o projecto com as formigas saltadoras indianas. “As formigas normais têm cerca de 275 glomérulos distintos, estruturas arredondadas nos lóbulos cerebrais das formigas que recebem sinais de odor das suas antenas. As formigas mutantes, descobriram os cientistas, tinham apenas 62 glomérulos e não estavam separados de forma nítida”, adianta o comunicado. Claude Desplan conclui: “O olfacto não é apenas necessário para o comportamento das formigas, também é necessário para um cérebro normal.”
Os cientistas não sabem se estas estruturas no cérebro das formigas morreram ou se nunca se desenvolveram. Essa será uma das muitas perguntas que ficou em aberto. Outra será perceber se este mecanismo nas formigas também é observado nos mamíferos, ou seja, como é que o desenvolvimento do cérebro está ligado aos estímulos sensoriais.
“Entender melhor, a nível bioquímico, como o comportamento é moldado pode ajudar-nos a perceber distúrbios que são marcados por mudanças na comunicação e interacção social, como a esquizofrenia e a depressão”, sublinha Shelley Berger, da Universidade da Pensilvânia e que participou no estudo com as formigas saltadoras indianas. Num comunicado da Universidade de Nova Iorque, Claude Desplan acrescenta ainda: “Embora o comportamento das formigas não se possa comparar directamente aos humanos, acreditamos que este trabalho aumenta o nosso conhecimento sobre a comunicação e pode vir a servir para moldar a concepção de futuras investigações sobre distúrbios como a esquizofrenia, depressão e o autismo.”
Além destes dois estudos que usaram a CRISPR, a Cell publica na mesma edição um terceiro artigo sobre experiências com formigas saltadoras indianas. Neste projecto, os cientistas não recorreram à CRISPR/Cas9, usaram antes a injecção de um químico (corazonina) para alterar o comportamento dos insectos, observando várias mudanças nas funções que desempenhavam mas também nos mecanismos químicos do cérebro e na activação de alguns genes. Roberto Bonasio, que também trabalha na Universidade da Pensilvânia e liderou este estudo, constata: “Insectos sociais como as formigas são modelos extraordinários para estudar como a regulação genética afecta o comportamento. Isto porque vivem em colónias compostas por indivíduos com os mesmos genomas mas que têm um conjunto de comportamentos muito diferentes.” Esta será, no fundo, apenas uma visão mais científica do tal carreiro de formigas que às vezes admiramos aos nossos pés.
Uma equipa de investigação da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um teste que permite identificar medicamentos potencialmente perigosos para a gravidez, contribuindo para a redução de defeitos à nascença.
A solução, desenvolvida no âmbito de um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, irá permitir avaliar a toxicidade dos medicamentos num sistema “humanizado” e poderá contribuir para a redução de defeitos no desenvolvimento do sistema vascular do embrião.
O sistema é “humanizado” porque as células não são testadas em animais, mas colocadas numa plataforma microfluídica e expostas a condições de fluxo arterial que permite uma avaliação toxicológica em condições semelhantes ao que acontece in vivo.
Metodologia do sistema desenvolvido na UC
Numa primeira fase, a equipa desenvolveu uma metodologia para obter células endoteliais humanas a partir de células estaminais pluripotentes (CEP) – que podem originar todos os tecidos do organismo – e avaliou o impacto de 1280 químicos, identificando dois particularmente perigosos.
Helena Vazão, autora do artigo científico publicado, esclarece que "o grupo desenvolveu uma plataforma capaz de analisar e relacionar muitos dados simultaneamente de forma mais rápida (high-throughput) baseada em CEP humanas".
Por seu lado, a investigadora Susana Rosa,outra das autoras do artigo científico, sublinha que "identificámos dois compostos, aflufenazina (um anti-psicótico) e o 7-Cyclo (um anti-inflamatório), que interferem na formação da vasculatura embrionária. Os compostos foram posteriormente testados num modelo animal de embriões de peixe zebra confirmando-se a sua toxicidade".
A análise é baseada em células endoteliais (células que revestem os vasos sanguíneos e que estão em contacto direto com o sangue) embrionárias, obtidas a partir das células pluripotentes. A equipa descobriu que estes dois químicos apresentam uma maior toxicidade nas células endoteliais embrionárias quando comparados com as células endoteliais pós-natais.
Os problemas vasculares do embrião estão associados à morte do feto, malformações e deficiência cognitiva à nascença, podendo ser causadas pelo ambiente ou pela exposição a fármacos, sendo necessário um teste fiável que possa despistar químicos nocivos.
O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e por fundos europeus através dos programas COMPETE, QREN e FEDER.
Bolos, doces, bolachas, ‘snacks’ salgados, pizzas, refrigerantes e bebidas alcoólicas representam quase um quarto do consumo total alimentar dos portugueses, segundo um relatório da Direção-geral da Saúde que é hoje divulgado.
“Vinte e um por cento dos alimentos consumidos não estão incluídos na Roda dos Alimentos”, refere Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável.
No caso das bebidas, apesar de a água ser a bebida mais consumida pela população portuguesa, o “consumo inadequado” de refrigerantes é uma realidade, sobretudo nos adolescentes, com um consumo médio de 164 gramas por dia. São 43% os adolescentes que referem beber diariamente refrigerantes e consomem em média mais do que um refrigerante por dia.
O consumo de fruta e hortícolas encontra-se, a nível nacional, abaixo do que é recomendado e, pelo contrário, o consumo de carne, pescado e ovos está acima dos valores aconselhados.
Os resultados do consumo alimentar da população portuguesa revelam, segundo o relatório, “disparidades significativas” entre os diferentes grupos etários. As crianças e os adolescentes são os que consomem maior quantidade de leite, iogurte e cereais de pequeno-almoço, mas em contrapartida são o grupo que menos ingere fruta e produtos hortícolas.
Em todas as faixas etárias a carne é mais consumida do que o pescado.
Através de dados do Inquérito Alimentar Nacional 2015/2016 e do Inquérito Nacional de Saúde Física realizado em 2015 e agora publicados, o relatório vinca que há uma “profunda desigualdade na distribuição da doença”, que é influenciada pelo gradiente social. No fundo, os menos escolarizados e mais pobres têm maior carga da doença e fazem piores escolhas alimentares.
No que se refere à obesidade infantil, que tem sido estudada nos últimos anos, Portugal apresenta alguma estabilização entre 2008 e 2013, embora ainda acima da média europeia.
Uma equipa que envolve especialistas do Porto, de Lisboa e de Coimbra está a desenvolver uma tecnologia para ser aplicada na superfície de pavimentos rodoviários, que permite extrair energia cinética aos veículos e transformá-la em energia elétrica.
Esta tecnologia possibilita igualmente a redução da velocidade de circulação, sem qualquer ação dos condutores e sem induzir impacto nos veículos, aumentando assim a segurança rodoviária, indicou à Lusa Francisco Duarte, um dos responsáveis pela tecnologia Pavnext.
A energia cinética captada pela tecnologia é convertida em energia elétrica e pode ser utilizada na iluminação da via pública, em passadeiras, sensores e semáforos, contribuindo para a sustentabilidade ambiental e para promover a eficiência energética no espaço público.
Adicionalmente, gera dados de tráfego e velocidade, em tempo real, assim como de energia gerada e consumida, que são enviados para a 'cloud' (nuvem) e utilizados para criar relatórios e para otimizar os consumos energéticos, explicou Francisco Duarte.
Segundo indicou, os equipamentos Pavnext podem ser aplicados em zonas de desaceleração, como na aproximação a passadeiras e praças de portagem, rotundas, cruzamentos de paragem obrigatória e saídas de autoestradas, entre outros.
"Ao gerar energia elétrica, os equipamentos elétricos do local podem também ser alimentados por essa energia, reduzindo ou eliminando o consumo de energia elétrica da rede, bem como os custos operacionais", acrescentou.
A equipa já criou e testou um protótipo inicial, que permitiu validar o conceito em ambiente privado, estando a desenvolver, neste momento, uma instalação piloto que será aplicada no decorrer do segundo semestre de 2017, de modo a validar a tecnologia em ambiente real.
De acordo com Francisco Duarte, a tecnologia tem vindo a ser desenvolvido ao longo dos últimos quatro anos, desde que iniciou o doutoramento em Sistemas de Transportes no programa MIT-Portugal, na Universidade de Coimbra.
Este projeto conta ainda com o apoio da Universidade de Coimbra (UC), do programa MIT-Portugal, da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), do Instituto Pedro Nunes (Coimbra), do Automóvel Clube de Portugal, da Vodafone Portugal, da Ericsson e do Climate-KIC.
A equipa foi uma das três selecionadas para representar Portugal na final europeia do Climate LaunchPad, uma iniciativa da União Europeia que, em Portugal, é coordenada pelo Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC) e pela Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI).
A final internacional do ClimateLaunchpad, programa que apoia ideias inovadoras com vista à redução do impacto ambiental, em mais de 35 países, ocorrerá no Chipre, entre 17 e 18 de outubro.
Para além desta conquista, o projeto recebeu o Prémio Inovação de Segurança Rodoviária, em 2016, promovido pelo Automóvel Clube de Portugal (ACP) e pela BP Portugal, tendo também vencido, em julho deste ano, o concurso BIG Smart Cities 2017.
A equipa já criou e testou um protótipo inicial, que permitiu validar o conceito em ambiente privado, estando a desenvolver, neste momento, uma instalação piloto que será aplicada no decorrer do segundo semestre de 2017, de modo a validar a tecnologia em ambiente real.
De acordo com Francisco Duarte, a tecnologia tem vindo a ser desenvolvido ao longo dos últimos quatro anos, desde que iniciou o doutoramento em Sistemas de Transportes no programa MIT-Portugal, na Universidade de Coimbra.
Este projeto conta ainda com o apoio da Universidade de Coimbra (UC), do programa MIT-Portugal, da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), do Instituto Pedro Nunes (Coimbra), do Automóvel Clube de Portugal, da Vodafone Portugal, da Ericsson e do Climate-KIC.
A equipa foi uma das três selecionadas para representar Portugal na final europeia do Climate LaunchPad, uma iniciativa da União Europeia que, em Portugal, é coordenada pelo Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC) e pela Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI).
A final internacional do ClimateLaunchpad, programa que apoia ideias inovadoras com vista à redução do impacto ambiental, em mais de 35 países, ocorrerá no Chipre, entre 17 e 18 de outubro.
Para além desta conquista, o projeto recebeu o Prémio Inovação de Segurança Rodoviária, em 2016, promovido pelo Automóvel Clube de Portugal (ACP) e pela BP Portugal, tendo também vencido, em julho deste ano, o concurso BIG Smart Cities 2017.
A associação ambientalista Zero revelou hoje que a partir de quarta-feira a humanidade atinge o limite e recursos disponíveis para este ano, mais cedo do que em 2016, quando este marco foi ultrapassado a 8 de agosto.
De acordo com a Zero, o último ano em que a humanidade respeitou o “orçamento natural anual”, fazendo com que os recursos existentes no planeta chegassem para o ano inteiro, foi há quase 50 anos, em 1970.
A Zero sublinha também o peso da pegada ecológica de Portugal, lembrando que eram precisos mais do que um planeta se todos os países atingissem os níveis portugueses.
“Se todos os países tivessem a mesma pegada ecológica do que nós, seriam necessários 2,3 planetas”, lembra.
Para os ambientalistas da Zero, o consumo de alimentos (32% da pegada global do país) e a mobilidade (18%) são as atividades humanas diárias que mais contribuem para a Pegada Ecológica de Portugal.
“Num mundo onde persiste uma enorme desigualdade em termos de distribuição de rendimentos e acesso a recursos naturais, estes dados são claros sobre a necessidade de se produzir e consumir de forma muito diferente”, defendem.
O chamado de Overshoot Day, quando os recursos se esgotam, “indica-nos que estamos a forçar os limites do planeta cada vez com maior intensidade, uma tendência que é urgente mudar para bem da Humanidade e da sua qualidade de vida”, acrescenta.
Entre as várias propostas da Zero para reduzir o défice ambiental está a aposta numa economia circular, onde “a utilização e reutilização de recursos é maximizada" e que segundo os ambientalistas deverá ser "uma prioridade transversal a todas as políticas públicas”.
“O ponto fulcral deverá ser a redução no uso de materiais, a promoção da reutilização e a extensão dos tempos de vida dos bens e equipamentos. Para ser eficaz, teremos que mudar o paradigma de ‘usar e deitar fora’, muito assente na reciclagem, incineração e deposição em aterro, para um paradigma de ‘ter menos, mas de melhor qualidade’”, defende a associação.
A promoção de uma dieta alimentar saudável e sustentável, com a redução do consumo de proteína de origem animal e um aumento significativo do consumo de hortícolas, frutas e leguminosas secas, é outra das propostas da Zero.
“Trará enormes benefícios à saúde de todos e uma redução significativa do impacto ambiental associado à alimentação”, sublinham os ambientalistas, lembrando que, em Portugal, tal significará uma aproximação da balança alimentar portuguesa com o que é defendido no padrão alimentar da roda dos alimentos.
A Zero propõe ainda a promoção da mobilidade sustentável assente em diferentes estratégias, designadamente a melhoria do acesso e das condições em que operam os transportes públicos, a disponibilização de condições e infraestruturas que estimulem a “mobilidade suave” e a partilha do transporte (‘car-sharing’).
“Evitar usar o cartão de crédito ambiental é um investimento no nosso bem-estar e qualidade de vida. Viver com pleno respeito pelos generosos limites do Planeta Terra é a única forma de garantirmos um melhor futuro para todos”, defende a Zero.
O chamado de Overshoot Day, quando os recursos se esgotam, “indica-nos que estamos a forçar os limites do planeta cada vez com maior intensidade, uma tendência que é urgente mudar para bem da Humanidade e da sua qualidade de vida”, acrescenta.
Entre as várias propostas da Zero para reduzir o défice ambiental está a aposta numa economia circular, onde “a utilização e reutilização de recursos é maximizada" e que segundo os ambientalistas deverá ser "uma prioridade transversal a todas as políticas públicas”.
“O ponto fulcral deverá ser a redução no uso de materiais, a promoção da reutilização e a extensão dos tempos de vida dos bens e equipamentos. Para ser eficaz, teremos que mudar o paradigma de ‘usar e deitar fora’, muito assente na reciclagem, incineração e deposição em aterro, para um paradigma de ‘ter menos, mas de melhor qualidade’”, defende a associação.
A promoção de uma dieta alimentar saudável e sustentável, com a redução do consumo de proteína de origem animal e um aumento significativo do consumo de hortícolas, frutas e leguminosas secas, é outra das propostas da Zero.
“Trará enormes benefícios à saúde de todos e uma redução significativa do impacto ambiental associado à alimentação”, sublinham os ambientalistas, lembrando que, em Portugal, tal significará uma aproximação da balança alimentar portuguesa com o que é defendido no padrão alimentar da roda dos alimentos.
A Zero propõe ainda a promoção da mobilidade sustentável assente em diferentes estratégias, designadamente a melhoria do acesso e das condições em que operam os transportes públicos, a disponibilização de condições e infraestruturas que estimulem a “mobilidade suave” e a partilha do transporte (‘car-sharing’).
“Evitar usar o cartão de crédito ambiental é um investimento no nosso bem-estar e qualidade de vida. Viver com pleno respeito pelos generosos limites do Planeta Terra é a única forma de garantirmos um melhor futuro para todos”, defende a Zero.
É doce e faz as delícias de miúdos e graúdos, é um dos alimentos mais antigos e também dos mais versáteis. O mel marca presença numa boa parte das casas portuguesas e a sua validade é quase eterna. Mas como é que isso é possível?
Como explica a BBC Brasil no seu site, a validade do mel é quase eterna graças, em parte, à quantidade de açúcar que compõe este alimento. Na prática, o açúcar do mel é tanto que ganha um efeito higroscópico, isto é, fica com a capacidade de absorver a humidade à volta sem se deteriorar.
Esta valência anti-humidade faz com que o mel não seja um local apropriado para micro-organismos, acabando por ficar 'limpo' de agentes que comprometem o sabor, a textura e a própria qualidade do alimento. Contudo, quanto mais tempo o mel estiver ao ar e sujeito à humidade, maior é a probabilidade de ir perdendo esta capacidade a longo prazo. Sim, é por isso que se deve guardar sempre o mel num local fresco e sempre e preferencialmente com tampa.
Mas o mel não é o melhor local para os micro-organismos se alojarem apenas devido ao seu ambiente, também a acidez deste alimento tem algo a dizer. Por ser ácido (com um pH entre os 3 e os 4,5), o mel tem a capacidade de matar todos os agentes externos que possam tentar a sua 'sorte', diz a BBC.
Além disso, o processo que dá vida ao mel - desde a colheita do néctar nas flores até à sua decomposição - contém dois agentes muito específicos, sendo um deles um antissético natural.
Segundo a BBC, depois de entrar em contacto com as enzimas digestivas (glicose oxidase) das abelhas, o néctar colhido transforma o açúcar em ácido glucónico e em peróxido de hidrogénio, aquilo a que chamamos de água oxigenada e que impede a proliferação de bactérias, germes e outros agentes prejudiciais.