terça-feira, 1 de agosto de 2017

Portugueses criam teste inovador que deteta medicamentos perigosos na gravidez

1 Ago 2017 10:23 // Nuno Noronha // Notícias
Uma equipa de investigação da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um teste que permite identificar medicamentos potencialmente perigosos para a gravidez, contribuindo para a redução de defeitos à nascença.

A solução, desenvolvida no âmbito de um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, irá permitir avaliar a toxicidade dos medicamentos num sistema “humanizado” e poderá contribuir para a redução de defeitos no desenvolvimento do sistema vascular do embrião.

O sistema é “humanizado” porque as células não são testadas em animais, mas colocadas numa plataforma microfluídica e expostas a condições de fluxo arterial que permite uma avaliação toxicológica em condições semelhantes ao que acontece in vivo.

Metodologia do sistema desenvolvido na UC
Numa primeira fase, a equipa desenvolveu uma metodologia para obter células endoteliais humanas a partir de células estaminais pluripotentes (CEP) – que podem originar todos os tecidos do organismo – e avaliou o impacto de 1280 químicos, identificando dois particularmente perigosos.

Helena Vazão, autora do artigo científico publicado, esclarece que "o grupo desenvolveu uma plataforma capaz de analisar e relacionar muitos dados simultaneamente de forma mais rápida (high-throughput) baseada em CEP humanas".

Por seu lado, a investigadora Susana Rosa,outra das autoras do artigo científico, sublinha que "identificámos dois compostos, aflufenazina (um anti-psicótico) e o 7-Cyclo (um anti-inflamatório), que interferem na formação da vasculatura embrionária. Os compostos foram posteriormente testados num modelo animal de embriões de peixe zebra confirmando-se a sua toxicidade".

A análise é baseada em células endoteliais (células que revestem os vasos sanguíneos e que estão em contacto direto com o sangue) embrionárias, obtidas a partir das células pluripotentes. A equipa descobriu que estes dois químicos apresentam uma maior toxicidade nas células endoteliais embrionárias quando comparados com as células endoteliais pós-natais.

Os problemas vasculares do embrião estão associados à morte do feto, malformações e deficiência cognitiva à nascença, podendo ser causadas pelo ambiente ou pela exposição a fármacos, sendo necessário um teste fiável que possa despistar químicos nocivos.

O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e por fundos europeus através dos programas COMPETE, QREN e FEDER.

Alimentos não essenciais representam quase um quarto da alimentação dos portugueses

29 jul 2017

Desenvolvida tecnologia para pavimentos que permite extrair energia cinética aos veículos e transformá-la em energia elétrica


27 jul 2017

Humanidade atinge quarta-feira limite de recursos disponíveis no planeta Terra para 2017


1 ago 2017
A associação ambientalista Zero revelou hoje que a partir de quarta-feira a humanidade atinge o limite e recursos disponíveis para este ano, mais cedo do que em 2016, quando este marco foi ultrapassado a 8 de agosto.
De acordo com a Zero, o último ano em que a humanidade respeitou o “orçamento natural anual”, fazendo com que os recursos existentes no planeta chegassem para o ano inteiro, foi há quase 50 anos, em 1970.

A Zero sublinha também o peso da pegada ecológica de Portugal, lembrando que eram precisos mais do que um planeta se todos os países atingissem os níveis portugueses.

“Se todos os países tivessem a mesma pegada ecológica do que nós, seriam necessários 2,3 planetas”, lembra.

Para os ambientalistas da Zero, o consumo de alimentos (32% da pegada global do país) e a mobilidade (18%) são as atividades humanas diárias que mais contribuem para a Pegada Ecológica de Portugal.

“Num mundo onde persiste uma enorme desigualdade em termos de distribuição de rendimentos e acesso a recursos naturais, estes dados são claros sobre a necessidade de se produzir e consumir de forma muito diferente”, defendem.

O chamado de Overshoot Day, quando os recursos se esgotam, “indica-nos que estamos a forçar os limites do planeta cada vez com maior intensidade, uma tendência que é urgente mudar para bem da Humanidade e da sua qualidade de vida”, acrescenta.

Entre as várias propostas da Zero para reduzir o défice ambiental está a aposta numa economia circular, onde “a utilização e reutilização de recursos é maximizada" e que segundo os ambientalistas deverá ser "uma prioridade transversal a todas as políticas públicas”.

“O ponto fulcral deverá ser a redução no uso de materiais, a promoção da reutilização e a extensão dos tempos de vida dos bens e equipamentos. Para ser eficaz, teremos que mudar o paradigma de ‘usar e deitar fora’, muito assente na reciclagem, incineração e deposição em aterro, para um paradigma de ‘ter menos, mas de melhor qualidade’”, defende a associação.

A promoção de uma dieta alimentar saudável e sustentável, com a redução do consumo de proteína de origem animal e um aumento significativo do consumo de hortícolas, frutas e leguminosas secas, é outra das propostas da Zero.

“Trará enormes benefícios à saúde de todos e uma redução significativa do impacto ambiental associado à alimentação”, sublinham os ambientalistas, lembrando que, em Portugal, tal significará uma aproximação da balança alimentar portuguesa com o que é defendido no padrão alimentar da roda dos alimentos.

A Zero propõe ainda a promoção da mobilidade sustentável assente em diferentes estratégias, designadamente a melhoria do acesso e das condições em que operam os transportes públicos, a disponibilização de condições e infraestruturas que estimulem a “mobilidade suave” e a partilha do transporte (‘car-sharing’).

“Evitar usar o cartão de crédito ambiental é um investimento no nosso bem-estar e qualidade de vida. Viver com pleno respeito pelos generosos limites do Planeta Terra é a única forma de garantirmos um melhor futuro para todos”, defende a Zero.                                                                

O chamado de Overshoot Day, quando os recursos se esgotam, “indica-nos que estamos a forçar os limites do planeta cada vez com maior intensidade, uma tendência que é urgente mudar para bem da Humanidade e da sua qualidade de vida”, acrescenta.

Entre as várias propostas da Zero para reduzir o défice ambiental está a aposta numa economia circular, onde “a utilização e reutilização de recursos é maximizada" e que segundo os ambientalistas deverá ser "uma prioridade transversal a todas as políticas públicas”.

“O ponto fulcral deverá ser a redução no uso de materiais, a promoção da reutilização e a extensão dos tempos de vida dos bens e equipamentos. Para ser eficaz, teremos que mudar o paradigma de ‘usar e deitar fora’, muito assente na reciclagem, incineração e deposição em aterro, para um paradigma de ‘ter menos, mas de melhor qualidade’”, defende a associação.

A promoção de uma dieta alimentar saudável e sustentável, com a redução do consumo de proteína de origem animal e um aumento significativo do consumo de hortícolas, frutas e leguminosas secas, é outra das propostas da Zero.

“Trará enormes benefícios à saúde de todos e uma redução significativa do impacto ambiental associado à alimentação”, sublinham os ambientalistas, lembrando que, em Portugal, tal significará uma aproximação da balança alimentar portuguesa com o que é defendido no padrão alimentar da roda dos alimentos.
A Zero propõe ainda a promoção da mobilidade sustentável assente em diferentes estratégias, designadamente a melhoria do acesso e das condições em que operam os transportes públicos, a disponibilização de condições e infraestruturas que estimulem a “mobilidade suave” e a partilha do transporte (‘car-sharing’).

“Evitar usar o cartão de crédito ambiental é um investimento no nosso bem-estar e qualidade de vida. Viver com pleno respeito pelos generosos limites do Planeta Terra é a única forma de garantirmos um melhor futuro para todos”, defende a Zero.

Porque é que a validade do mel é (quase) infinita?

MSN - Notícias ao Minuto - Daniela Costa Teixeira
É doce e faz as delícias de miúdos e graúdos, é um dos alimentos mais antigos e também dos mais versáteis. O mel marca presença numa boa parte das casas portuguesas e a sua validade é quase eterna. Mas como é que isso é possível?

Como explica a BBC Brasil no seu site, a validade do mel é quase eterna graças, em parte, à quantidade de açúcar que compõe este alimento. Na prática, o açúcar do mel é tanto que ganha um efeito higroscópico, isto é, fica com a capacidade de absorver a humidade à volta sem se deteriorar.

Esta valência anti-humidade faz com que o mel não seja um local apropriado para micro-organismos, acabando por ficar 'limpo' de agentes que comprometem o sabor, a textura e a própria qualidade do alimento. Contudo, quanto mais tempo o mel estiver ao ar e sujeito à humidade, maior é a probabilidade de ir perdendo esta capacidade a longo prazo. Sim, é por isso que se deve guardar sempre o mel num local fresco e sempre e preferencialmente com tampa.

Mas o mel não é o melhor local para os micro-organismos se alojarem apenas devido ao seu ambiente, também a acidez deste alimento tem algo a dizer. Por ser ácido (com um pH entre os 3 e os 4,5), o mel tem a capacidade de matar todos os agentes externos que possam tentar a sua 'sorte', diz a BBC.

Além disso, o processo que dá vida ao mel - desde a colheita do néctar nas flores até à sua decomposição - contém dois agentes muito específicos, sendo um deles um antissético natural.

Segundo a BBC, depois de entrar em contacto com as enzimas digestivas (glicose oxidase) das abelhas, o néctar colhido transforma o açúcar em ácido glucónico e em peróxido de hidrogénio, aquilo a que chamamos de água oxigenada e que impede a proliferação de bactérias, germes e outros agentes prejudiciais.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Sabe tudo sobre células estaminais?

Susana Krauss // Gravidez

O que são as células estaminais?As células estaminais definem-se por duas propriedades básicas: a capacidade de se auto renovarem indefinidamente num estado indiferenciado e a possibilidade de se diferenciarem num ou mais tipos de células especializadas. As células estaminais podem ser classificadas em função da sua origem e/ou da sua capacidade de diferenciação em dois tipos principais: embrionárias e adultas. As células estaminais embrionárias, presentes numa fase muito inicial do desenvolvimento humano, conseguem dar origem a todos os tipos de células que constituem o nosso organismo. As células estaminais adultas permitem manter as funções dos tecidos e órgãos onde estão presentes, bem como reparar os tecidos em caso de lesão. Alguns tecidos neo-natais, como a placenta, o sangue e o tecido do cordão umbilical, contêm também populações de células estaminais adultas (assim designadas por se obterem após o nascimento), com interesse para a medicina.

As células estaminais que têm tido maior relevância a nível clínico são as células estaminais da medula óssea, do sangue periférico e do sangue do cordão umbilical. Estas fontes são ricas em células estaminais hematopoiéticas, as células que dão origem às células do sangue: glóbulos vermelhos, plaquetas e todas as células do sistema imunitário.

O sangue do cordão umbilical é actualmente considerado uma fonte de células estaminais para o tratamento de mais de 80 doenças, que incluem doenças hematológicas, imunológicas e metabólicas, tendo em 2012 sido contabilizados mais de 30.000 transplantes com sangue do cordão umbilical em todo o mundo. Para além disso, a sua utilização encontra se em estudo em ensaios clínicos, em doenças como paralisia cerebral, autismo, diabetes tipo 1 e lesões da espinal medula, entre outras, o que poderá aumentar o leque de aplicações clínicas do sangue do cordão umbilical.

O tecido do cordão umbilical é muito rico num outro tipo de células, as células estaminais mesenquimais que poderão vir a ser úteis no tratamento de um conjunto alargado de doenças. Também o seu potencial clínico se encontra em estudo, em ensaios clínicos, em diversas doenças. Dadas as aplicações actuais e o crescente número de ensaios clínicos com células estaminais do sangue e do tecido do cordão umbilical, assume cada vez mais importância a criopreservação destas células, cuja colheita pode apenas ser feita no momento do parto.

Recentemente descobriu-se que células maduras especializadas podem ser reprogramadas para se tornarem células imaturas com características semelhantes às das estaminais embrionárias, capazes de dar origem a todos os tecidos do corpo. As células assim obtidas designam-se de células estaminais pluripotenciais induzidas (iPSC, do inglês: induced pluripotent stem cells), e têm o potencial de poderem vir a revolucionar a realidade terapêutica e contribuir para a cura de patologias actualmente sem tratamento. Por esta razão, as iPSC são promissoras para futuras terapias celulares tendo despertado a atenção generalizada de investigadores e médicos.

2. Para que servem as células estaminais?

As células estaminais desempenham funções importantes no nosso organismo. Por um lado, as células estaminais embrionárias, presentes numa fase muito inicial do desenvolvimento humano, conseguem dar origem a todos os tipos de células que constituem o nosso organismo e, por outro, as células estaminais adultas, encontram-se em muitos tecidos do organismo adulto e permitem a renovação e reparação dos tecidos de que fazem parte. Para além do papel fisiológico das células estaminais, elas têm também um papel importante no contexto terapêutico.

A capacidade das células estaminais se diferenciarem em vários tipos de células, podendo substituir células lesadas ou destruídas e regenerar tecidos danificados, explica o grande interesse na utilização das células estaminais no contexto terapêutico. As células estaminais hematopoiéticas são as que têm tido maior relevância a nível clínico, particularmente em doenças nas quais é necessário regenerar o sistema sanguíneo e imunitário do doente. No indivíduo adulto as células estaminais hematopoiéticas estão maioritariamente localizadas na medula óssea, e originam todas as células do sangue: glóbulos vermelhos, plaquetas e todas as células do sistema imunitário.

O sangue do cordão umbilical é também uma importante fonte de células estaminais hematopoiéticas, razão pela qual se tornou, nos últimos anos, numa alternativa à medula óssea nos transplantes hematopoiéticos. As células estaminais hematopoiéticas da medula óssea, do sangue periférico e sangue do cordão umbilical têm sido usadas para o tratamento de mais de 80 doenças, que incluem doenças hematológicas, imunológicas e metabólicas. No início de 2013 foram contabilizados mais de 1.000.000 de transplantes hematopoiéticos para o tratamento de um conjunto alargado de doenças, entre as quais se encontram vários tipos de leucemias e anemias, linfomas e doenças metabólicas.

3. Quais as doenças que podem ser tratadas com as células estaminais?

Até ao momento, as células estaminais que têm tido maior aplicação clínica são as células estaminais hematopoiéticas que se encontram na medula óssea, no sangue periférico mobilizado e no sangue do cordão umbilical.

Conforme publicado, por exemplo, no site do banco público de Nova Iorque (http://www.nationalcordbloodprogram.org/qa/), são mais de 80 as doenças em que já foi usado sangue do cordão umbilical (à semelhança da medula óssea e do sangue periférico). A maioria dos transplantes realizados destinam-se ao tratamento de doenças do sangue (como leucemias e alguns tipos de anemias) e do sistema imunitário, mas as células do sangue do cordão umbilical são também usadas no tratamento de algumas doenças metabólicas.

A utilização das células do sangue do cordão umbilical para além da utilização nas mais de 80 doenças já descritas, encontra se em estudo em ensaios clínicos (utilização em humanos a título experimental), em doenças como paralisia cerebral, autismo, diabetes tipo 1 e displasia broncopulmonar, entre outras, o que poderá aumentar o leque de aplicações clínicas do sangue do cordão umbilical.

Para além das células estaminais hematopoiéticas, há outros tipos de células estaminais, como as mesenquimais, que se encontram no tecido do cordão umbilical, na medula óssea e no tecido adiposo. As células estaminais mesenquimais podem diferenciar-se em cartilagem, osso, músculo e gordura. Para além disso, estas células têm a capacidade de regular a resposta do sistema imunitário e assim aumentar a probabilidade de sucesso dos transplantes, quando utilizadas em conjunto com células estaminais hematopoiéticas.

A utilização simultânea das células mesenquimais com células estaminais hematopoiéticas (por exemplo do sangue do cordão umbilical) reduz as complicações associadas aos transplantes alogénicos (em que as células do sistema imunitário do dador podem rejeitar o doente transplantado - doença do enxerto contra hospedeiro). O potencial destas células está actualmente em estudo, com mais de 400 ensaios clínicos a decorrer em doenças como a diabetes, colite ulcerosa, cirrose hepática, cardiomiopatias, esclerose múltipla, lúpus e doença do enxerto contra hospedeiro, entre outras.

Muitos destes ensaios clínicos encontram-se ainda numa fase inicial, mas alguns já apresentam resultados preliminares promissores. Considerando todas as fontes de células estaminais, estão actualmente em curso mais de 4.000 ensaios clínicos com células estaminais de várias fontes, e o que se espera é que estes venham a proporcionar, num futuro próximo, opções terapêuticas para muitas doenças actualmente sem tratamento.

4. Que tipos de transplantes de células estaminais podem ser feitos? No caso de irmãos, podem usar-se as células estaminais de um irmão no outro?

As células estaminais podem ter aplicação autóloga (quando são usadas no próprio) ou alogénica (quando dador e receptor são pessoas diferentes). Dentro da utilização alogénica, esta pode ser relacionada, também designada de familiar (quando o dador é familiar do doente, mais frequentemente um irmão), ou não relacionada (quando o dador das células não é familiar do doente).

Em caso de transplante autólogo não existe risco de rejeição, pois as amostras são 100% compatíveis com o próprio. Nos transplantes alogénicos, apesar de se usarem amostras compatíveis com os doentes a quem se destinam, há sempre algum risco de rejeição. A utilização de uma amostra de um familiar compatível (preferencialmente de um irmão) é preferível à de um dador não relacionado. O transplante de sangue do cordão umbilical alogénico com amostras de um dador familiar (preferencialmente de um irmão) aumenta o sucesso do transplante, pois é maior a probabilidade de sobrevida e menor probabilidade de doença do enxerto contra hospedeiro, uma complicação grave e frequente dos transplantes alogénicos. Para além disso, é entre irmãos que é mais fácil encontrar um dador com a compatibilidade necessária para o transplante.

A probabilidade de compatibilidade total entre irmãos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, é de 25%. Os bancos privados de sangue do cordão umbilical têm carácter familiar, permitindo não só a libertação de amostras para uso autólogo mas também para uso alogénico relacionado, sendo grande parte das amostras libertadas para utilização entre irmãos. O que normalmente dita a escolha entre o recurso a um transplante autólogo ou alogénico é a doença em causa.

No âmbito das aplicações actuais na área da hemato-oncologia, existem doenças (e.g. doenças genéticas) para as quais é indicada a utilização de células de um dador compatível e nestes casos recorre-se a um transplante alogénico. As principais indicações para o transplante alogénico são leucemias, hemoglobinopatias e doenças genéticas hematológicas, imunológicas ou metabólicas.

No entanto, existem outras aplicações para as quais a abordagem autóloga é a preferencial. Entre as doenças em que mais se recorre a transplantes autólogos encontram-se os linfomas e os tumores sólidos. Para além disso, actualmente estão em curso vários ensaios clínicos que envolvem a utilização autóloga de sangue do cordão umbilical em crianças com paralisia cerebral, autismo, diabetes, entre outras doenças, o que traz enormes perspectivas de aplicação do sangue do cordão umbilical nestas doenças.

Células do sangue do cordão umbilical expandidas aumentam a qualidade de vida dos doentes transplantados

Nuno Noronha // Saúde e Medicina // Alexandra Machado, Diretora Médica da Crioestaminal

Um grupo de investigadores publicou um estudo para avaliar o impacto da utilização de células do sangue do cordão umbilical expandidas na qualidade de vida dos doentes no pós-transplante. As explicações são de Alexandra Machado, Diretora Médica da Crioestaminal.
O possível surgimento de infeções e o longo tempo de hospitalização podem complicar seriamente o período pós-transplante. Até ao momento do transplante, o doente enfrenta um longo processo, que envolve um tempo de espera e uma gestão de emoções, como o stress e a ansiedade e, na maioria das vezes, o processo pós-transplante é longo e doloroso.

Neste sentido, têm sido desenvolvidos alguns estudos que pretendem melhorar a qualidade de vida dos doentes transplantados, diminuindo o risco de infeções e o tempo de hospitalização.

Recentemente, um grupo de investigadores publicou um estudo no jornal médico "Biology of Blood and Marrow Transplantation" que avaliou o impacto da transplantação de um produto resultante da expansão de células estaminais do sangue do cordão umbilical, chamado NiCord, na qualidade de vida dos doentes no pós-transplante.

O processo de expansão é realizado em laboratório através de metodologias que permitem a multiplicação das células. Os autores defendem que um aumento significativo do número de células transplantadas, acelera a recuperação da produção de células sanguíneas pela medula óssea e, consequentemente, a eficiência dos transplantes.

O estudo consistiu na comparação de um grupo controlo de doentes que receberam um transplante convencional de sangue do cordão umbilical, com um grupo que recebeu esse produto, com o objetivo de compreender as alterações relativamente ao tempo de recuperação do enxerto e de hospitalização e quanto ao número e severidade de infeções contraídas pelos doentes no período pós-transplante.

Relativamente ao tempo de recuperação do enxerto, observou-se uma diminuição de 26 dias no grupo transplantado de forma convencional, para 12,5 dias nos doentes que receberam o novo produto. A melhoria no tempo de recuperação teve um impacto positivo na incidência e severidade das infeções nos primeiros 100 dias pós-transplante. No grupo transplantado com as células estaminas expandidas, o número de infeções bacterianas diminuiu significativamente, bem como a sua severidade. Quanto ao tempo de hospitalização, os doentes ficaram menos 20 dias hospitalizados quando comparados com os doentes do grupo controlo.

O estudo é uma consequência dos resultados favoráveis de ensaios clínicos efetuados em humanos, que confirmaram a segurança da utilização do NiCord, e comprovaram a melhoria do tempo de recuperação do enxerto após o transplante com as células expandidas.

Esta nova solução permite aumentar o número de células antes do transplante e, assim, ultrapassar os constrangimentos relacionados com a limitação do número de células, situação comum em adultos com maior peso corporal.

Os estudos clínicos realizados com recurso a células do sangue do cordão umbilical, juntamente com o novo produto de expansão das células, sugerem que é possível aumentar a qualidade de vida dos doentes transplantados e o número de pessoas que podem beneficiar de um transplante hematopoiético.