Nome provisório é unúntrio; durante 2016 será proposto um nome definitivo.
Investigador japonês Kosuke Morita, líder da equipa que descobriu o elemento 113
Uma equipa de investigadores japoneses do instituto RIKEN viu ser-lhe
atribuída a paternidade da descoberta do elemento 113 da tabela
periódica, bem como o direito de dar agora o nome ao novo elemento –
anunciou a União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC, na
sigla em inglês). É a primeira vez que um elemento é descoberto na Ásia.
Foi
o investigador Kosuke Morita, da Universidade de Kyushu, e o seu grupo
que obtiveram este privilégio da parte de dois organismos científicos
mundiais – da IUPAC e da União Internacional de Física Pura e Aplicada
–, depois de terem conseguido reunir dados experimentais da existência do novo elemento por três vezes,
entre 2004 e 2012, no acelerador do Centro RIKEN Nishina, em Wako.
Kosuke Morita recebeu uma carta da UICPA a informá-lo da novidade, no
último dia de 2015.
“A equipa do RIKEN do Japão preencheu os
critérios para o elemento 113 e será convidada a propor um nome e um
símbolo permanentes” para este elemento, temporariamente nomeado
unúntrio (Uut), indicou a IUPAC em comunicado.
Igualmente no mesmo
comunicado, a IUPAC informa que cientistas russos e norte-americanos,
que colaboraram nesta investigação, ganharam o direito de atribuir o
nome a três outros elementos – o 115, 117 e 118.
A
tabela periódica dos elementos, por vezes designada tabela de
Mendeleiev (o nome do cientista russo que criou a primeira versão em
1869, então só com 60 elementos), agrupa os elementos químicos em função
da sua composição e propriedades químicas.
O nome do elemento 113
ainda não está decidido, mas Kosuke Morita fará uma proposta durante
2016, especificou o instituto RIKEN também em comunicado. Japónio será o
nome favorito.
Este anúncio vem em boa hora para o instituto RIKEN, que acaba de sair docaso das chamadas “células STAP”,
em que uma jovem investigadora do instituto foi acusada de ter
falsificado dados e fotografias para demonstrar a criação, através de um
procedimento químico inédito, de células estaminais pluripotentes a
partir de células adultas.
Graças à já célebre técnica Crispr-Cas9, autêntico “corrector
ortográfico” dos genes, foi pela primeira vez possível apagar, no
ratinho, a mutação genética que provoca a distrofia muscular de
Duchenne.
Representação artística da acção do complexo Crispr-Cas9, com o alvo de ADN a remover a amarelo
Três estudos independentes sugerem que a nova técnica de edição
genética Crispr-Cas9 poderá permitir tratar a distrofia muscular de
Duchenne, uma forma rara de distrofia muscular humana. Os trabalhos
foram publicados na edição de sexta-feira da revista Science.
A
técnica Crispr-Cas9 recorre a um mecanismo do sistema imunitário das
bactérias e que, ao ser artificialmente introduzido nas células de
mamíferos, incluindo nas células humanas, permite cortar o ADN em locais
pré-escolhidos.
A distrofia muscular de Duchenne (DMD) é uma
doença hereditária que atinge um rapaz em cerca de cada 3500. É
provocada por mutações num gene situado no cromossoma X (que determina o
sexo feminino), e as mulheres portadoras do defeito não desenvolvem a
doença porque possuem um segundo cromossoma X para compensar. Portanto,
apenas os homens, que são XY, adoecem (tal como no caso da hemofilia).
Os
doentes, cujas células não fabricam uma proteína chamada distrofina,
sofrem uma degenerescência muscular progressiva que acaba por os
confinar a uma cadeira de rodas por volta dos 10 anos e condena-os a uma
morte prematura, em geral antes dos 30 anos, devido muitas vezes a
insuficiência cardíaca.
O que os autores dos estudos agora
publicados fizeram foi demonstrar que, em ratinhos que sofrem de DMD, é
possível restituir parcialmente a produção de distrofina introduzindo
nas células afectadas um “corrector ortográfico” Crispr-Cas9, cujo alvo é
o defeito genético em causa, a bordo de vírus tornados inócuos que
funcionam como veículo de entrada nas células.
Essencialmente, o
que a “tesoura molecular” Crispr-Cas9 – que os cientistas injectaram
directamente em músculos afectados dos animais – conseguiu fazer foi
identificar e remover a parte danificada do gene que codifica a
distrofina. Isso permitiu que as células musculares tratadas passassem a
fabricar uma quantidade de distrofina, que embora fosse bastante
inferior a uma produção normal, era suficiente para restaurar
parcialmente a função muscular dos animais doentes, explica a Science em comunicado.
A Crispr-Cas9 tem suscitado preocupação na
comunidade científica, tanto do ponto de vista ético como da sua
segurança, no que respeita à sua aplicação a gâmetas e embriões humanos
(o que os cientistas designam como a manipulação da "linha germinal"),
porque isso poderia permitir a geração de bebés “à medida”. Mas os
resultados agora publicados nada têm a ver com a manipulação da linha
germinal – apenas pretendem corrigir defeitos nas células ditas
somáticas (do corpo), correcções que não serão transmitidas à
descendência do doente.
“A utilização da Crispr-Cas9 para corrigir
mutações genéticas nos tecidos afectados de doentes não está em debate.
E estes resultados mostram um percurso possível para lá chegar”, diz
Charles Gersbach, o líder de um dos estudos, citado no comunicado da Universidade Duke, onde trabalha.
A
sua equipa conseguiu introduzir o “corrector” genético nas patas de
ratinhos adultos – e também o injectou (a bordo de um vírus, como já
referido) no sangue dos animais – constatando, nesta segunda fase, que
isso permitia melhorar o estado dos músculos em todo o corpo, incluindo
no coração. Em todos os casos, o “corrector” encontrou e cortou a parte
defeituosa do gene da distrofina e, a seguir, a maquinaria natural de
reparação do ADN das células encarregou-se de juntar de novo as pontas
soltas de ADN. Resultado: as células ficaram com um gene mais curto, mas
apesar de tudo funcional.
“Ainda temos muito trabalho pela frente
para traduzir isto numa terapêutica humana e demonstrar a sua
segurança, mas as nossas primeiras experiências são muito
entusiasmantes”, diz Gersbach.
Num outro estudo,
Chengzu Long, do Centro Médico da Universidade do Texas Sudoeste (EUA) e
colegas utilizaram um vírus do mesmo tipo, mas diferente, para fazer o
mesmo tipo de experiências – e mostraram ainda que era possível obter
resultados promissores injectando o sistema em diversos músculos de
ratinhos com DMD poucos dias após a nascença.
Por último, em ainda
mais uma variante experimental, uma equipa da Universidade de Harvard
(EUA), que inclui o conhecido geneticista George Church, obteve resultados muito semelhantes aos dos outros dois estudos.
As
próximas etapas deverão consistir, segundo Gersbach, em optimizar o
sistema de introdução viral do complexo Crispr-Cas9 nas células, em
testar esta potencial terapia genética em animais com formas mais graves
de distrofia muscular de Duchenne e em avaliar a sua eficácia e
segurança em animais de maior porte, com vista a iniciar, quando for
possível, ensaios clínicos em seres humanos.
No balanço de 2015, a ONG refere que os maiores problemas foram as descargas poluentes e as "absurdas" metas de reciclagem de resíduos urbanos.
A Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, emitiu esta segunda-feira o balanço ambiental do ano, com as boas e as más práticas de 2015. A Organização Não Governamental para o Ambiente pede maior responsabilidade ecológica para o próximo ano, por um crescimento económico mais sustentável.
A imposição de taxas aos sacos de plástico descartáveis, no âmbito da chamada fiscalidade verde, revelou-se “eficaz para minimizar a produção de resíduos e ajudar a uma maior sustentabilidade ambiental”. Por isso, esta medida surge em primeiro lugar na lista de boas acções ambientais do ano. A medida foi aprovada o ano passado, mas só entrou em vigor no início deste ano. Nuno Sequeira, da Quercus, afirma que “esta é uma medida transversal a todos os sectores. Basta ir ao supermercado e é fácil perceber que o paradigma mudou”. A medida terá significado, por outro lado, um aumento de mais de 40% no consumo de sacos de lixo em Portugal mas o responsável da Quercus insiste que, ainda assim, esta taxa terá ajudado a minimizar a produção de resíduos.
A recuperação de espécies extintas em Portugal recebeu também nota positiva este ano, depois de o investimento na fauna ameaçada ter devolvido habitat a espécies com estatuto de conservação, como o abutre-preto, que esteve extinto em Portugal ao longo de cerca de 40 anos, a águia-imperial-ibérica e o lince ibérico, que já conta com uma população de onze animais em território nacional.
A Cidadania pelo Ambiente é ainda apontada com um passo importante, e a organização evidencia os esforços dos cidadãos do Ribatejo pelo movimento “Vamos Salvar o Rio Almonda” como um exemplo de “persistência” na luta pela despoluição do rio, que levou à suspensão de algumas licenças de descargas de efluentes industriais. A criação da Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP), que reúne cidadãos e entidades algarvias para impedir a exploração de hidrocarbonetos na região é também apontada como bom exemplo de cidadania activa pelo ambiente.
A Quercus refere também entre as boas iniciativas de 2015 pelo ambiente, o acordo climático assinado em Paris na Conferência do Clima COP21, no qual as 196 nações signatárias se comprometeram a reduzir emissões de gases de estufa para manter o aumento da temperatura global nos 1,5ºC.
Más Práticas
Mas também houve mau ambiente em 2015. Uma das principais criticas diz respeito este ano às descargas poluentes no rio Tejo, que, de acordo com a Quercus, já formaram barreiras que impedem a migração da fauna piscícola ao longo do caudal do rio, cada vez mais degradado. As descargas ilegais e os caudais cada vez mais reduzidos deixam em risco não só a bacia do Tejo e a qualidade da água, mas põem em causa a pesca, a saúde das pessoas e o potencial turístico das zonas ribeirinhas.
As decisões políticas são também alvo de crítica no balanço. A Quercus defende que as metas de reciclagem, definidas em 2014 no Plano Estratégico de Resíduos urbanos (PERSU 2020), são “absurdas, porque obrigam as regiões do interior a reciclarem 80% dos resíduos em 2020, enquanto as grandes metrópoles, de Lisboa e Porto, só têm de reciclar entre 23 e 35%”. A organização avisa ainda que se as metas das duas cidades não forem aumentadas, o objectivo comunitária de reciclagem de 50% dos resíduos urbanos não será cumprido.
A criação, pelo anterior governo, de um regime especial para regular a actividade de empresas sem licença de exploração, desde pedreiras a explorações pecuárias, é ainda apontada pela ONG como uma “via verde para a irresponsabilidade ambiental”. O Decreto-lei 165/2014, que estipula o regime excepcional e suspende as contra ordenações em vigor contra as empresas, tinha sido já apontado no balanço de 2014 da Quercus como uma das piores iniciativas do ano para o ambiente.
O novo Regime Jurídico Aplicável às Acções de Arborização e Rearborização (RJAAR) também consta da lista negra do ano. O aumento desenfreado de plantações de eucalipto aumenta o risco de incêndios e põe em causa “pinhais-bravos e outras formações da nossa floresta”, associados a uma “incorrecta mobilização de solos”. Os ambientalistas acusam a falta de ordenamento de território e a falta de investimento em outras espécies, uma vez que o eucalipto é já abundante no país.
A fraude da Volkswagen, que manipulou os dispositivos de controlo de emissões das viaturas, incluindo em cerca de 117 mil carros vendidos em Portugal, e a suspensão, pela própria Quercus, do galardão de ouro que tinha atribuído à Praia de Dona Ana, no concelho de Lagos, por as intervenções ali feitas terem colocado em causa o equilíbrio ambiental e paisagístico, são outros pontos negros neste balanço.
Desejos para 2016
Para o próximo ano, a Quercus pede intervenção das autarquias no uso de herbicidas nos espaços públicos em prol de métodos não químicos. Muitos municípios já aderiram à campanha, lançada pela ONG o ano passado, mas a Quercus apela para que outros autarcas sigam o mesmo exemplo.
Com a proposta do actual governo para a revisão do regime de rearborização, a organização está expectante quanto à acção política em matéria de ambiente no próximo ano, e apela a “outros consensos políticos” sobretudo no que toca a melhorar o pacote de medidas da Fiscalidade Verde.
“Noventa por cento das verbas da Fiscalidade Verde são alocadas na reforma do IRS, e apenas 10% é investido no ambiente. O governo tem penalizado as más acções contra o ambiente, mas também deveria bonificar as boas para os que o beneficiam”, propõe Nuno Sequeira. O representante da ONG espera que o actual governo avance com uma revisão da distribuição destas verbas.
A ONG pede ainda mais investimento na sensibilização para a Conservação da Natureza, num ano que será “decisivo para a consolidação da Rede Natura 2000 em Portugal”.
Ditado de elefantes: “Se uma cair, outra levanta-se.” Esta parece ser de facto a fórmula que garante a resiliência das sociedades matriarcais de paquidermes africanos à caça ilegal de que têm sido alvo.
Duas jovens fêmeas de famílias diferentes interagem sob o olhar de uma parente mais velha
É a “transmissão vertical” da posição social que, no seio das manadas de elefantes africanos (Loxodonta africana), tem permitido a estas complexas sociedades matriarcais resistirem à dizimação dos seus elementos mais experientes por caçadores furtivos. Os resultados foram publicados na revista Current Biology.
Segundo as estimativas, caçadores ilegais mataram 100.000 elefantes africanos entre 2010 e 2012, explica um comunicado daquela revista. Como explicar então que, apesar deste massacre — que atinge fortemente as matriarcas decanas devido ao maior tamanho das suas presas de marfim —, a estrutura social das manadas de elefantes se tenha mantido estável? A resposta chegou agora.
Shifra Goldenberg, Iain Douglas-Hamilton e George Wittemyer, das universidades de Oxford (Reino Unido) e do Colorado (EUA) e da organização sem fins lucrativos Save the Elephants, com sede em Nairobi (Quénia) — e fundada pelo co-autor Iain Douglas-Hamilton —, estudaram, ao longo de 16 anos, os padrões de agrupamento social das fêmeas adultas de elefantes que vivem no Norte do Quénia. Os seus resultados mostram que as filhas das matriarcas ocupam frequentemente a posição social da mãe quando esta morre — seja de velhice ou das balas dos caçadores.
“Ficámos surpreendidos ao constatar a importância que a rede social da mãe tem para os novos laços sociais da filha”, diz Shifra Goldenberg, citada pelo comunicado. “Já tínhamos observado, no passado, jovens fêmeas a juntar-se a parceiras imprevistas, mas agora percebemos que as mães dessas jovens já se conheciam e tinham passado um tempo juntas.”
Os elefantes vivem em grupos que incluem fêmeas e as suas crias, formados por várias famílias relacionadas entre si, sendo uma fêmea adulta — a matriarca — que lidera cada família. Estudos anteriores da estrutura social das manadas já tinham revelado uma complexidade social comparável à das sociedades humanas. Ainda segundo o mesmo documento, os autores do actual estudo também analisaram agora a forma como as fêmeas do grupo que tinham filhas — e que desempenhavam um importante papel enquanto matriarcas — modelavam a vida social das suas filhas — ou seja, preparavam-nas para o desempenho do “cargo”.
Em particular, os cientistas conseguiram prever qual iria ser, após uma disrupção social no grupo devido à morte de matriarcas, a posição social de uma dada filha com base no que fora a posição social da sua mãe nos anos anteriores. “Esta capacidade de a filhas preencherem o lugar deixado vago pelas mães é o motor da resiliência da rede social [dos grupos de elefantes]”, lê-se ainda no comunicado.
De um modo geral, em caso de morte de matriarcas, eram as filhas mais velhas e mais experientes que passavam a ocupar esses “nós” centrais da rede social. E em situações extremas, quando as famílias do grupo perdiam a maior parte dos seus adultos, os elefantes criavam novas redes de relações mais distantes.
Isso tem permitido a manutenção da rede social dos elefantes do Quénia, apesar de uma taxa de “renovação” das fêmeas adultas que nos 16 anos do estudo rondou os 70%!
“O facto de os elefantes serem socialmente resilientes é importante e entusiasmante: mostra a sua resiliência inata face a essa ‘desafortunada’ pressão humana” que é a caça furtiva, diz Shifra Goldenberg.
“Teria sido expectável que uma sociedade centrada em matriarcas como estes grupos de elefantes se desmoronasse devido à perda das matriarcas, mas o nosso estudo mostra que estes animais são capazes de se adaptar a este tipo de mudanças”, salienta a investigadora.
“O nosso estudo demonstra que essa robustez social existe tanto nos grupos de elefantes confrontados com perdas menores, como nos que sofrem grandes perdas”, diz George Wittemyer. “Permite um certo optimismo quanto à capacidade de recuperação dos elefantes, desde que consigamos aliviar a pressão gerada pelas agressões humanas.”
É esta mesma “resiliência das redes” que faz com que uma rede global de computadores como a Internet resista aos ataques exteriores. Muitos “nós” da rede podem ir abaixo, mas há sempre alternativas que mantêm a rede funcional. Mas, como faz notar a revista Nature, o fenómeno é raramente observado na natureza.
A questão do aparecimento de novas espécies tem intrigado gerações de cientistas. Charles Darwin chamou-lhe “o mistério dos mistérios”. Um gene essencial para a divisão das células na mosca-do-vinagre veio ajudar a desvendar este enigma.
Sabe-se que o cavalo e o burro pertencem a espécies diferentes mas podem cruzar-se e ter descendentes, a mula e o macho, que, no entanto, são estéreis. Há mais casos semelhantes no reino animal, e é através do estudo destes casos que os cientistas tentam explicar como e por que razão aparecem novas espécies. Cientistas nos Estados Unidos descobriram agora um gene responsável por barreiras à reprodução entre duas espécies de moscas-do-vinagre. Surpreendentemente, este gene pode também estar relacionado com o desenvolvimento de cancro.
“Dizemos que existem espécies novas quando existem barreiras que impedem que se cruzem entre si”, explica Nitin Phadis, primeiro autor do artigo na última edição da revista Science e investigador da Universidade de Utah, em comunicado de imprensa. “Identificar os genes e desvendar a base molecular da esterilidade ou morte dos híbridos é chave para compreender o aparecimento de novas espécies.”
Os cientistas descobriram que o gene chamado “gfzf” – cuja acção normalmente impede que células com danos no ADN se dividam – está também envolvido nas barreiras biológicas à reprodução entre duas espécies muito próximas de moscas-do-vinagre, causando a morte dos machos híbridos. Utilizadas como modelos de investigação, as moscas-do-vinagre permitem compreender processos genéticos mais latos, neste caso sobre as barreiras biológicas entre espécies distintas e o aparecimento de novas espécies.
“A verificação do ciclo celular por genes como gfzf tem um papel importante na correcção de erros durante o ciclo celular, que, caso não sejam corrigidos, podem causar cancro. O nosso trabalho sugere que a especiação e a biologia do cancro podem fazer parte do mesmo contínuo de processos biológicos”, diz Harmit Malik, líder do projecto e investigador do Centro Fred Hutchinson de Investigação do Cancro, também em comunicado.
A mosca-do-vinagre é muito usada para estudos genéticos e desde 1910 que os cientistas tentam descobrir as causas das barreiras à reprodução entre duas espécies muito próximas de mosca-do-vinagre – as espécies irmãs Drosophila melanosgaster e Drosophila simulans que, quando cruzadas entre si, só têm filhas, que são estéreis. Os machos morrem durante a fase larvar. Outros estudos já tinham identificado dois genes envolvidos na mortalidade dos machos, mas como a sua acção não explicava totalmente o fenómeno previa-se que existisse um terceiro gene. Este estudo poderá agora desvendar este enigma com mais de um século.
Através de 55.000 cruzamentos entre moscas das duas espécies com mutações pontuais e da análise de mais de 330.000 filhas híbridas, os cientistas descobriram seis filhos machos híbridos que conseguiram sobreviver.
A análise de todo o genoma destes machos revelou que todos tinham mutações no gene gfzf. Tinha-se encontrado o gene que era o responsável pela morte dos machos. E que, quando possuía mutações que o desactivavam, permitia a sobrevivência dos machos resultantes do cruzamento entre as duas espécies de moscas.
“Não seria possível resolver este mistério com as abordagens genéticas tradicionais. Foi preciso uma abordagem totalmente nova, através da análise de todo o genoma”, conta Harmit Malik. Agora os cientistas pensam que os métodos que utilizaram poderão acelerar a descoberta da base genética do isolamento reprodutor noutros grupos animais.
Ainda nem passaram seis meses desde a alimentação artificial da praia D. Ana, em Lagos, e já o mar levou tanta areia que os desníveis metem medo.
Com temperaturas máximas a rondar os 20 graus, as férias de Natal e Ano Novo têm atraído muito boa gente à joia das joias da Costa d'Oiro. Vista de cima, do miradouro, a praia D. Ana continua enquadrada à direita por deliciosos leixões no meio do mar, como se caminhassem na direção da Ponta da Piedade. Mas por estes dias não será boa ideia olhar para baixo porque o areal parece ter sido cortado longitudinalmente, aqui e ali, como se o mar fosse uma faca afiada.
Olhar para a esquerda também não traz na volta uma boa imagem. Logo abaixo do edifício Montana, um dos dois empreendimentos turísticos de vários andares que castigam a arriba há cerca de vinte anos, há um grande buraco, rodeado por um velho gradeamento que ameaça cair a qualquer momento e terminado por canos de plástico.
E para a direita, muito perto das escadas de madeira maltratadas, escorre um esgoto a céu aberto. As autoridades dizem ser apenas águas pluviais inofensivas, mas os moradores sabem que estão misturadas com o que sai da estação de tratamento a funcionar cá em cima, no largo.
"É esgoto puro; mesmo que 80% tenha sido tratado, como dizem, basta ver a cor e o cheiro", diz Maria Trigoso. "Antes, ia diretamente para o mar, mas agora, como escorre para a areia, cavou um enorme vale na praia."
Foi em julho, já a época balnear começara, que terminou a alimentação artificial da praia D. Ana. Além de alargar o areal em 50 metros, com areia dragada ao largo, a obra, orçada em quase 2 milhões de euros, incluiu a construção de um esporão com 40 metros que ligou a falésia ao Leixão da Artilharia.
O esporão deveria ser suficiente para conter os 140 mil metros cúbicos de areia dragada ao largo, ou pelo menos grande parte deles. Tudo com o objetivo principal de aumentar o espaço para estender a toalha longe das arribas instáveis.
Agora, nem seis meses decorridos, o mar já fez desaparecer vários metros de areal. Na Agência Portuguesa do Ambiente garantem que a movimentação era esperada, que a praia foi "sobrealimentada" em 15 a 25 por cento, e que os desníveis, com o tempo, vão desaparecer. Mais: sem esta intervenção, o mar teria incidido com frequência batido na base da arriba, tornando-o ainda mais vulnerável.
Mas quem ali mora ou passa férias não se cansa de deplorar o estado atual da D. Ana. "Começou a ficar sem areia a partir de outubro, com as suestadas", conta Maria Trigoso "E ainda não houve um daqueles ventos muito fortes que levam tudo."
Os efeitos secundários também já se fizeram sentir – parte da areia levada pelo mar apareceu no Pinhão, uma praia pequenina à sua esquerda. Fernando Silva Grade, artista plástico e ativista do grupo ambientalista Almargem, chama-lhe "metástase".
Exagero? A Quercus, que ainda no verão suspendeu a classificação "Qualidade de Ouro" à praia D. Ana, "por considerar que as intervenções realizadas colocaram em causa o equilíbrio ambiental e paisagístico que deve nortear a atribuição deste galardão", escolheu essa suspensão um dos "piores factos ambientais de 2015" no balanço do ano agora publicado.
O estudo ainda não está concluído, mas os resultados dos testes são positivos. A investigação ajudou a localizar o elemento que provoca as contracções da mulher.
O parto prematuro, a principal causa de morte perinatal de mães e bebés, pode ser evitado graças a uma descoberta de cientistas norte-americanos publicada na revista especializada "Science Transnational Medicine".
Uma investigação da Universidade de Stanford e da Universidade do Nevada ajudou a localizar o elemento que provoca as contracções da mulher, o que permitiu desenhar um inibidor para as interromper e adiar o parto.
Actualmente, não existe uma estratégia específica para prevenir ou tratar os partos prematuros que provocam a morte ou graves deficiências em inúmeros recém-nascidos todos os anos.
O desencadeador do parto é um canal de cálcio, ou seja, uma proteína semelhante a um poro que se encontra na membrana das células e que controla o fluxo de cálcio até ao interior da célula.
A identificação do canal de cálcio nas células musculares da parede uterina como causador da activação das contracções permitiu aos médicos identificar o alvo para onde será direccionado um inibidor para as bloquear.
Os investigadores aperceberam-se de que este canal de cálcio está mais presente em mulheres grávidas do que nas não-grávidas, aumentando os índices à medida que a gestação avança.
Os canais de cálcio são conhecidos pela capacidade de conduzir e manter o ritmo cardíaco, pelo que faz sentido que ajudem a preparar o corpo da mulher para o parto, como descobriu a equipa liderada pelo cientista Lihua Ying.
As equipas académicas de Nevada e Stanford desenvolveram um inibidor e testaram-no com sucesso em dois tipos de roedores, conseguindo prolongar as gravidezes e evitar partos prematuros.
Pelo contrário, a estimulação do canal de cálcio acelerou o parto dos ratinhos, comprovando a descoberta.