É comum usar alho para confecionar alimentos ou até mesmo para lhes dar um sabor mais intenso, mas é essa mesma intensidade do alho que provoca um hálito desagradável horas depois de ter sido consumido.
Mas, por que é que se tem ‘hálito a alho’? A culpa é de um dos quatro compostos voláteis no alho, o sulfeto de metil-alilo (que trabalha em conjunto com os restantes três: dialil dissulfeto, dissulfeto de metil-alilo e alilo mercaptana).
Contudo, o seu odor intenso e sabor persistente apenas acontece quando um dente de alho é partido, o que acontece quase sempre que é usado para confecionar alimentos, lê-se no site About.
Embora a cozedura do alho diminua a intensidade do seu sabor – e do seu efeito no hálito – a verdade é que é muito difícil (para não dizer quase impossível) não ficar com ‘hálito a alho’ depois de o consumir, uma vez que assim que o alho é cortado, o sulfeto de metil-alilo é absorvido pela região gastrointestinal e, depois, entra na corrente sanguínea, sendo apenas expelido por alguns órgãos, como os rins, pulmões e pele (daí a dificuldade em tirar o cheiro a alho das mãos depois de o cortar).
Embora não exista uma fórmula ‘cientificamente provada’ que sugira como eliminar o hálito a alho, a ingestão de leite ou de salsa crua pode ajudar a atenuar o cheiro que sai de dentro da boca. A maçã e o espinafre podem também ser boas alternativas.
Estes quatro alimentos possuem enzinas que ajudam a aniquilar os compostos voláteis presentes no alho, em especial o que dá origem ao cheiro e ao sabor intenso.
Os ovos são a chave de uma alimentação saudável e equilibrada e um dos principais aliados nutricionais da saúde, sendo uma das fontes de proteína de alta qualidade.
O alimento fornece diversos benefícios para a saúde, embora sejam ainda muitas as pessoas que olham com ceticismo para o consumo variado dos ovos.
Além de atenuar os efeitos da perda de massa muscular, de fornecer nutrientes fundamenais para o funcionamento do organismo (como as vitaminas A, B2, B12, D e E e os minerais como fósforo, selênio, ferro, iodo e zinco) e de ser uma das melhores fontes de ácido oleico, são doze os principais motivos para se comer mais ovos, lê-se no site ABC.es.
Conheça uma boa dúzia de motivos para apostar no ovo:
1. Fortalece os músculos;
2. Ajuda a melhorar a função cerebral e a memória;
3. Ajuda o corpo a produzir a energia necessária;
4. Contribui para manter o bom funcionamento do sistema imunológico;
5. Reduz o risco de doenças coronárias;
6. Ajuda no desenvolvimento saudável do bebê durante a gravidez;
7. Melhora a saúde ocular;
8. Impulsiona a perda de peso;
9. Mantém a aparência saudável;
10. É um dos alimentos mais versáteis;
11. É também fácil e rápido de cozinhar;
12. São uma ótima escolha para qualquer orçamento.
O núcleo interno da Terra formou-se há 1.000 a 1.500 milhões de anos, defendem cientistas num estudo publicado na revista Nature.
A camada mais profunda do "planeta azul" é uma esfera de ferro sólido, pouco maior do que o planeta-anão Plutão, que está rodeada por um núcleo externo líquido, cuja formação ocorreu há 500 milhões a 2.000 milhões de anos.
Investigadores das universidades de Liverpool (Reino Unido), Helsínquia (Finlândia) e San Diego (Estados Unidos) analisaram dados magnéticos de antigas pedras incandescentes e descobriram que, há 1.000 a 1.500 milhões de anos, se produziu um assinalável aumento da força do campo magnético da Terra.
O aumento do campo magnético é "uma possível indicação" do primeiro aparecimento de ferro sólido no interior da Terra e do momento em que o núcleo interno sólido começou a 'gelar' a partir do arrefecimento da camada mais externa de ferro fundido, segundo o estudo publicado na Nature.
O coordenador do estudo, Andy Biggin, da Universidade de Liverpool, considerou, citado pela agência Efe, que a descoberta "poderá mudar a compreensão do interior da Terra e a sua história".
Os resultados do estudo, adiantou, "sugerem que o núcleo da Terra está a arrefecer mais lentamente do que se pensava, circunstância que tem implicações para todas as ciências terrestres".
Além disso, precisou Biggin, os dados "apontam para uma taxa média de crescimento do núcleo sólido de um milímetro por ano, o que afeta a compreensão do campo magnético terrestre".
O campo magnético da Terra, que atua como um escudo contra a radiação do Sol, é gerado pelo movimento do ferro líquido presente no núcleo exterior, que se situa a três mil quilómetros de profundidade, sob a crosta terrestre. As oscilações acontecem porque o núcleo está a perder calor.
Andy Biggin admite que "o núcleo está a perder calor mais lentamente do que em qualquer outro momento nos últimos 4.500 milhões de anos, e que esse fluxo de energia deverá manter o campo magnético da Terra durante outros mil milhões de anos, ou mais".
O cientista assinalou que esta situação contrasta com a de Marte, "que teve um forte campo magnético no começo da sua história, mas que parece que se extinguiu após 500 milhões de anos".
Sem a “caixa de ferramentas” que as células possuem para corrigir os erros que vão surgindo no seu ADN, não haveria vida na Terra. Os laureados deste ano fizeram trabalhos pioneiros na área da reparação do genoma.
O retrato dos três premiados
Um modelo que mostra a estrutura do ADN na conferência de anúncio do Nobel da Química 2015
O Prémio Nobel da Química 2015 foi atribuído em partes iguais ao sueco Tomas Lindahl, do Instituto Francis Crick (Reino Unido); ao norte-americano Paul Modrich, da Universidade Duke (EUA); e ao turco Aziz Sancar, da Universidade da Carolina do Norte (EUA), pelos seus "estudos mecanísticos da reparação do ADN", anunciou esta quarta-feira em Estocolmo a Real Academia das Ciências Sueca.
Nos anos 1960, pouco mais de uma década depois da descoberta da estrutura do ADN, pensava-se que esta longa molécula, albergada no núcleo de cada uma das células do nosso corpo, era muito estável. Nas divisões celulares, por exemplo, copiava-se a si própria sem falhas. E embora a evolução das espécies exigisse que houvesse algumas mutações pelo caminho, considerava-se que o seu número era bastante limitado de uma geração para a seguinte.
Hoje, sabe-se que a realidade é diametralmente oposta a esta visão das coisas: não só o nosso genoma está sempre a ser agredido e danificado pelos raios ultravioletas (UV) do Sol e por uma pletora de substâncias tóxicas presentes no ambiente, mas o ADN também é, ele próprio, intrinsecamente instável.
Em particular, durante os vários milhões de divisões celulares que decorrem diariamente no nosso corpo, a cópia das “letras” do ADN é um processo sujeito a erros “ortográficos”. E para além disso, milhares de alterações espontâneas do genoma acontecem todos os dias nas nossas células.
“O nosso material genético não se desintegra num total caos químico porque há uma bateria de sistemas moleculares que está constantemente a monitorizar e reparar o ADN”, lê-se num comunicado do comité do Nobel. “O Prémio Nobel da Química 2015 recompensa três cientistas cujos trabalhos pioneiros permitiram mapear em pormenor o funcionamento de alguns destes sistemas ao nível molecular”.
As perguntas que surgiram na cabeça de Tomas Lindahl em finais dos anos 1960 são um bom ponto de partida para relatar estes três percursos científicos paralelos. Durante o pós-doutoramento na Universidade de Princeton (EUA), Lindahl observara que as moléculas de ARN (semelhantes ao ADN) se degradavam facilmente ao serem aquecidas, explica noutro documento o comité do Nobel. Mas então, que dizer do ADN? Seria possível perdurar toda uma vida sem se deteriorar?
Uns anos mais tarde, já a trabalhar no Instituto Karolinska em Estocolmo, Lindahl mostrou que o ADN também se degradava com o tempo, embora mais lentamente que o ARN. A partir daí, tornou-se claro para ele que a nossa própria existência era a prova provada de que as células possuíam mecanismos para preservar o genoma do tal “caos químico” incompatível com a vida.
Utilizando bactérias, Lindahl identificou uma enzima (uma proteína) que removia as moléculas de citosina – uma das quatro bases (ou “letras”) que se encadeiam no ADN – quando elas estavam danificadas. Em 1974, publicou a descoberta deste mecanismo, dito de “reparação por excisão de bases”.
Ao longo de 35 anos, Lindahl descobriu e estudou muitas das proteínas dessa “caixa de ferramentas” celular de reparação do ADN, lê-se ainda no mesmo documento. “Peça a peça, Lindahl construiu uma imagem molecular do funcionamento da reparação por excisão de bases." E em 1996, conseguiu reproduzir, in vitro, o processo correspondente nas células humanas.
Técnico de laboratório
Entretanto, no início dos anos 1970 na Turquia, Aziz Sancar, um jovem médico, decidiu estudar bioquímica para perceber por que é que as bactérias expostas a doses letais de raios UV recuperavam a saúde, como por magia, quando eram a seguir expostas a luz azul.
Sancar obteve o seu primeiro resultado – a clonagem do gene que comanda o fabrico da fotoliase, a enzima sensível à luz que repara os estragos causados pelos UV – durante o doutoramento numa universidade norte-americana. O trabalho valeu-lhe uma tese, mas quando quis continuar a fazer investigação, defrontou-se com recusas de várias universidades.
Sancar arranjou finalmente emprego como técnico de laboratório na Universidade de Yale – onde havia cientistas a estudar um outro mecanismo celular de reparação (não sensível à luz) dos danos no ADN causado pelos UV.
Participando nessas pesquisas, conseguiu então mostrar, em experiências in vitro, que existia um trio de enzimas capaz de identificar esses estragos feitos pelos UV e de “cortar” a cadeia de ADN que continha o defeito em causa. Tinha assim descoberto um outro mecanismo celular de preservação do ADN, o da “reparação por excisão de nucleótidos” (os nucleótidos são formados pelas bases do ADN acopladas a outras moléculas).
Quando Sancar publicou os seus resultados, em 1983, foi logo convidado a ensinar na Universidade da Carolina do Norte. Continuou a estudar as diversas etapas daquele processo celular e também mostrou que ele existe nas células humanas.
O terceiro laureado, Paul Modrich, descobriu ainda outro mecanismo de reparação do ADN, que intervém para corrigir os erros de cópia do ADN durante a divisão celular.
De cada vez que uma célula se divide em duas células-filhas, tem de criar duas cópias, em princípio idênticas, do seu ADN. Nesse processo, as bases (as “letras” A, T, C e G) das duas novas moléculas em formação não se emparelham ao acaso: um A liga-se sempre a um T e um C a um G. Ou quase sempre: um dos defeitos que podem surgir durante a cópia são precisamente os emparelhamentos incorrectos.
Foi esse mecanismo de “reparação dos desemparelhamentos de bases” que Paul Modrich desvendou, criando para isso, no laboratório, um vírus cujo ADN continha uma série de desemparelhamentos. Também ele descreveu e estudou as enzimas envolvidas no processo, recriando-o in vitro – um trabalho que foi publicado em 1989.
Mas ao contrário dos outros dois mecanismos, ainda não foi esclarecido o funcionamento deste tipo de reparação do ADN no ser humano.
O que acontece quando estes mecanismos não funcionam? O risco de cancro aumenta. Por exemplo, os defeitos congénitos da reparação por excisão de nucleótidos provocam uma doença, a xeroderma pigmentosa, cujas vítimas desenvolvem cancros da pele quando se expõem à luz solar, salienta ainda o já referido documento. E os defeitos da reparação do desemparelhamento de bases fazem aumentar o risco de cancro do cólon hereditário.
“O trabalho dos laureados permitiu perceber a um nível fundamental o funcionamento das células”, conclui o comité do Nobel, “e esse conhecimento poderá ser utilizado para desenvolver novos tratamentos contra o cancro.”
Os dois medicamentos descobertos pelos laureados – um vindo do solo japonês e o outro da medicina tradicional chinesa – “revolucionaram o tratamento de algumas das mais devastadoras doenças parasitárias”, segundo o comité do Nobel.
Urban Lendahl, secretário do comité do Nobel, a anunciar o prémio
Fotografias dos laureados: William Campbell, Satoshi Omura e Tu Youyou
O prémio Nobel da Medicina de 2015 foi atribuído esta segunda-feira aos investigadores William Campbell e Satoshi Omura "pelas suas descobertas acerca de um tratamento inédito contra as infecções causadas por parasitas nemátodos"; e à cientista Tu Youyou, "pelas suas descobertas acerca de um tratamento inédito contra a malária", anunciou o comité do Nobel no Instituto Karolinska, em Estocolmo (Suécia).
William Campbell nasceu na Irlanda em 1930 e é investigador emérito na Universidade Drew (EUA); Satoshi Omura (nascido em 1933 no Japão), é cidadão japonês e professor emérito na Universidade de Kitasato (Japão). Ambos partilham metade do prémio. A outra metade recompensa a chinesa Tu Youyou (nascida em 1930), da Academia de Medicina Chinesa Tradicional da China. O montante total do prémio é de oito milhões de coroas suecas (mais de 856.000 euros).
Eis alguns números que mostram até que ponto as doenças parasitárias constituem um gravíssimo problema de saúde pública. Por exemplo, estima-se que os chamados parasitas – ou vermes – nemátodos afectam um terço da população mundial, sobretudo na África Subsariana, no Sul da Ásia e nas Américas Central e do Sul. Uma dessas doenças, particularmente incapacitante, é a oncocercose, também chamada “cegueira dos rios”, que provoca uma inflamação crónica da córnea e conduz a perda total da visão. Outra é a filaríase linfática, mais conhecida como elefantíase, que atinge mais de 100 milhões de pessoas e causa inchaços monstruosos e crónicos em diversas partes do corpo.
Também a malária é uma doença parasitária, desta vez causada por parasitas unicelulares que são transmitidos aos seres humanos por mosquitos infectados. Os parasitas invadem os glóbulos vermelhos do sangue, causando febre e, nos casos mais graves, lesões cerebrais e morte. Mais de 3400 milhões de pessoas no mundo estão em risco de contrair a doença, que vitima 450.000 pessoas por ano, sobretudo crianças.
Campbell e Omura descobriram uma nova substância, a avermectina – um derivado da qual, a ivermectina, permitiu reduzir drasticamente a incidência da cegueira dos rios e da elefantíase. “O tratamento tem tido tanto êxito que estas doenças estão à beira da erradicação, o que seria um feito maior da humanidade”, diz o comité do Nobel em comunicado.
Pelo seu lado, Tu Youyou descobriu um outro medicamento, a artemisinina, que tem reduzido de forma substancial as taxas de mortalidade devidas à malária: mais de 20% na população geral e mais de 30% nas crianças, salienta o comunicado.
“Estas duas descobertas deram à humanidade poderosas novas ferramentas para combater estas doenças incapacitantes, que afectam centenas de milhões de pessoas no mundo todos os anos”, lê-se no mesmo documento.
A história das duas descobertas envolve bactérias que vivem enterradas no solo e plantas cujas propriedades terapêuticas estavam também elas “enterradas” em misteriosos e antigos compêndios de medicina tradicional chinesa. E põe assim em evidência o potencial dos compostos presentes na natureza para combater as doenças humanas.
As pesquisas que conduziram ao desenvolvimento da ivermectina partiram de Satoshi Omura, microbiólogo de formação, cuja especialidade era isolar bactérias a partir de amostras de solo. Omura desenvolveu métodos totalmente inéditos para cultivar e estudar bactérias do género Streptomyces, que se sabia produzirem diversas substâncias com qualidades antibacterianas. E isolou uma série de novas estirpes, seleccionando 50 das mais promissoras em termos terapêuticos.
Reza a lenda que Omura, grande adepto de golfe, terá descoberto essas novas estirpes no seu clube de golfe. Numa curta conversa telefónica esta-segunda feira com Adam Smith, da Fundação Nobel – e depois de ter “humildemente” (mas com alegria) aceitado o galardão e quase ter dito que não o merecia – Omura explicou, entre risos, que não foi no relvado do campo de golfe que descobriu aquelas bactérias, mas numa área de floresta que ladeava o terreno.
Seja como for, Campbell adquiriu as culturas bacterianas de Omura e decidiu estudar mais a fundo a sua eficácia. Foi assim que mostrou que uma dessas culturas continha um componente “cuja eficácia contra parasitas dos animais domésticos e de criação era notável”, explica ainda o comunicado Nobel. A seguir, esse composto – a avermectina, que foi entretanto modificada e rebaptizada invermectina – foi testado em seres humanos, mostrando-se capaz de matar as larvas de uma série de parasitas nemátodos.
Basta uma dose anual de ivermectina oral para proteger as pessoas da cegueira dos rios. E desde 1987 que o medicamento, comercializado pelos laboratórios Merck, é distribuído gratuitamente pelo fabricante no mundo inteiro.
Compêndios antigos
Entretanto, nos anos 1960, a malária costumava ser tratada com quinino, mas o sucesso desse medicamento estava em queda. Foi perante esta situação, relata o comunicado, que Tu Youyou decidiu virar-se para as plantas medicinais utilizadas na medicina tradicional chinesa. Fez um levantamento das ervas medicinais utilizadas para tratar animais infectados pelo parasita da malária e descobriu um composto que parecia interessante: um extracto de Artemisia annua, uma planta autóctone das regiões temperadas da Ásia.
Só que a eficácia desse extracto não era clara. Isso levou a cientista a consultar antigos tratados de literatura médica chinesa. E foi aí que descobriu diversas pistas que lhe permitiram extrair o componente activo daquela planta medicinal, que mais tarde seria baptizado artemisinina. O composto deve a sua alta eficácia contra o parasita da malária, tanto nos animais infectados como nos seres humanos, por matar os parasitas numa fase precoce do seu desenvolvimento, salienta o comunicado. Em combinação com outras terapias anti-malária, é hoje utilizado no mundo inteiro.
“O impacto global [destas] descobertas e o benefício resultante para a humanidade são incomensuráveis”, conclui o comité do Nobel.
Os dois laureados deste ano lideraram duas gigantescas experiências de detecção de neutrinos – as partículas mais esquivas do Universo –, resolvendo um grande enigma da física e mostrando ao mesmo tempo que os neutrinos têm massa.
O anúncio foi feito na manhã desta terça-feira
Detector de neutrinos Super-Kamiokande, no Japão
O Prémio Nobel da Física 2015 foi atribuído a dois físicos pela "descoberta das oscilações dos neutrinos, que mostra que os neutrinos possuem uma massa", anunciou esta terça-feira em Estocolmo a Real Academia das Ciências Sueca. Os premiados são o japonês Takaaki Kajita (n.1959), da Universidade de Tóquio (Japão); e o canadiano Arthur McDonald (n.1943), professor emérito da Queen’s University (Canadá).
Os neutrinos estão por todo o lado. Milhões de milhões destas partículas atravessam o nosso corpo a cada segundo sem darmos por elas. De facto, os neutrinos interferem muito raramente com a matéria – e detectá-los é uma árdua tarefa.
Os neutrinos podem ter diversas origens: alguns foram criados no Big Bang, outros surgem de cada vez que uma estrela morre numa grande explosão (ou supernova), outros ainda provêm da interacção das radiações cósmicas com a atmosfera terrestre, de reacções nas centrais nucleares ou de desintegrações radioactivas naturais, explica o comité do Nobel num documento que relata a história dos trabalhos premiados. Mas a maioria dos que chegam à Terra são criados nas reacções nucleares que decorrem no interior do Sol.
Diga-se ainda que o chamado Modelo Padrão da física das partículas (que descreve, ao nível subatómico, o mundo que nos rodeia) estipula que há três tipos de neutrinos. São eles os neutrinos do electrão, os neutrinos do muão e os neutrinos do tau – e cada um tem, segundo essa teoria, uma partícula “parceira” com carga eléctrica (respectivamente, o electrão, o muão e o tau, sendo estas duas últimas mais pesadas que o electrão e com tempos de vida muito curtos).
Cada um por seu lado, em pontos opostos do globo, os dois laureados deste ano lideraram, a partir de finais dos anos 1990, grandes equipas científicas internacionais encarregadas de uma missão que podia parecer quase impossível: detectar os neutrinos que chegavam à Terra para tentar explicar por que é que certas previsões teóricas acerca destas partículas elementares não batiam certo com as observações feitas até lá.
Acontece que, quando os neutrinos foram descobertos, em meados dos anos 1950 (mais de 20 anos depois de a sua existência ter sido proposta), calculou-se quantas dessas partículas eram teoricamente criadas no centro do Sol. Mas a medição experimental revelou um número muito inferior ao da teoria: até dois terços dos neutrinos solares pareciam ter, por assim dizer, desaparecido sem deixar rasto.
Para além da possibilidade de os cálculos teóricos estarem totalmente errados, houve então quem especulasse que os neutrinos não desapareciam, mas “mudavam de identidade” – passavam de um dos três tipos de neutrino para outro –, tornando-se indetectáveis pelos meios disponíveis. E se fosse possível provar que os neutrinos mudavam de tipo ao longo do seu percurso até nós, isso permitiria reconciliar a teoria e a experiência.
Piscinas subterrâneas
Foi preciso esperar quase até a viragem do milénio para entrarem em funcionamento dois super-detectores de neutrinos. Um deles, o Super-Kamiokande, é um tanque com 50.000 toneladas de água muito pura e 11.000 detectores de luz a toda a volta, construído a 1000 metros de profundidade numa antiga mina de zinco, a 250 quilómetros de Tóquio. O outro, o Observatório de Neutrinos de Sudbury (SNO), é um tanque com mil toneladas de água pesada (variante química da água) rodeado de 9.500 detectores e situado a 2000 metros de profundidade, numa antiga mina de níquel no Ontário (Canadá). Juntas, estas duas experiências permitiriam confirmar a mudança de identidade dos neutrinos, com implicações profundas para a física.
Quando por acaso um neutrino colide com um núcleo atómico ou um electrão nestas grandes massas de água (o que acontece muito raramente), isso gera um clarão de luz azul que pode então ser detectado pelos milhares de “olhos” electrónicos que estão à espreita, dia e noite, em redor destas piscinas subterrâneas.
As duas grandes experiências tinham objectivos diferentes. O do Super-Kamiokande era detectar neutrinos do electrão e neutrinos do muão vindos das interacções dos raios cósmicos com a atmosfera; o do SNO era detectar neutrinos vindos do Sol. E juntas, permitiram mostrar que os neutrinos mudavam efectivamente de tipo no seu percurso até aos detectores.
No caso da experiência no Japão, que começou em 1996, os cientistas constataram que o número de neutrinos do muão detectados variava em função da direcção da qual provinham essas particulas. Mais precisamente, o número de neutrinos do muão detectados que vinha da atmosfera logo por cima da mina era duas vezes maior do que o número vindo do outro lado da Terra (correspondendo, no primeiro caso, a uma viagem de umas dezenas de quilómetros e no segundo, de quase 13.000 quilómetros).
Como esta discrepância não se verificava com os neutrinos do electrão, uma conclusão impôs-se em 1998: os neutrinos do muão que “faltavam” ter-se-iam transformado em neutrinos do tau ao longo do seu percurso. Porém, como os neutrinos do tau não eram detectáveis nesta experiência, faltava “uma peça decisiva ao puzzle” para provar a transformação dos neutrinos, como refere o documento do comité do Nobel.
Essa peça seria acrescentada pelo SNO, que entrou em funcionamento em Maio de 1999. O SNO permitia medir, por um lado, o número de neutrinos do electrão e por outro, o número total de neutrinos (incluindo o do tau). Só que, como o Sol apenas gera neutrinos do electrão e como o SNO tinha sido concebido para detectar especificamente os neutrinos solares, se os neutrinos solares não mudassem de tipo, as duas medições deviam chegar ao mesmo resultado. Não foi isso que aconteceu: ao fim de dois anos, os resultados do SNO mostravam que apenas um terço dos neutrinos do electrão expectáveis tinha sido apanhado pelos detectores; dois terços tinham desaparecido. Já não havia lugar para dúvidas: parte dos neutrinos do electrão tinha mudado de identidade entre o Sol e a Terra.
O resultado trouxe consigo uma outra conclusão espectacular: que os neutrinos devem possuir uma massa, condição sine qua non para essa sua mudança de identidade ser possível. Já agora, a explicação deste “acto de magia” reside na física quântica, mas essa é outra história.
Seja como for, acontece que o já referido Modelo Padrão estipula, pelo contrário, que os neutrinos não têm massa. Portanto, “estas experiências revelaram a primeira fissura aparente no Modelo Padrão”, que até lá tinha resistido “a todos os desafios experimentais”, explica ainda o documento. “Tornou-se assim evidente que o Modelo Padrão não pode ser uma teoria completa do funcionamento dos constituintes fundamentais do Universo.”
O futuro? “Novas descobertas dos segredos bem guardados dos neutrinos irão certamente mudar a nossa compreensão da história, da estrutura e do destino do Universo”, conclui o comité do Nobel.
Uma cobra de um centro de conservação da natureza no estado norte-americano do Missouri reproduziu-se sozinha, sem a participação de um macho, pela segunda vez em dois anos. A cobra, que vive em cativeiro num tanque onde não existem machos. A fêmea fê-lo através de um processo reprodutivo muito raro, chamado partenogénese.
A cobra era uma Nerodia Erythrogaster.
A cobra já o tinha feito em 2014, e este ano voltou a dar à luz a crias sem que um macho a tivesse fecundado. O animal, um tipo de cobra de água da família Colubridae, pertence a uma espécie que dá à luz crias vivas em vez de ovos.
A partenogénese é um processo de reprodução assexuada, através do qual óvulos que não foram fertilizados por um macho conseguem gerar crias. A divisão celular dos óvulos é normalmente causada por outras células que são produzidas ao mesmo tempo que os óvulos e que, em vez de morrerem como é normal, agem como esperma. Jeff Briggler explicou ao jornal Guardian que os chamados "partos virgens", como se chama aos casos em nascem crias sem a participação de um macho, são raros mas acontecem nalgumas espécies em circunstâncias especiais.
As crias da cobra que nasceram este ano não sobreviveram, mas as que nasceram em 2014 estão noutro jardim zoológico. São 'clones' da mãe, no sentido em que têm exatamente o mesmo ADN.
O departamento de conservação da natureza onde nasceram as crias da cobra diz que é a primeira vez que uma cobra desta espécie tem crias por partenogénese.