sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Tapadas de Monserrate e de Mafra ligadas por novo programa de visitas

- Jornal Público
De manhã, conhecer a jovem floresta que pinta de verde a serra de Sintra. À tarde, seguir para Mafra à procura das espécies autóctones que habitam a mata com mais de 260 anos. Há novos caminhos para percorrer nas tapadas.
Na Tapada Nacional de Mafra existem cerca de 300 gamos, que passeiam livremente pela floresta
As tapadas de Monserrate, em Sintra, e de Mafra estão separadas por quase 30 quilómetros de distância mas ficaram agora mais próximas. Um novo programa conjunto de visitas guiadas dá a conhecer a biodiversidade e os valores naturais guardados naquelas duas florestas, uma mais jovem e outra já madura, convidando para uma verdadeira “viagem no tempo” à boleia da Natureza.
 
O programa "Do Parque à Tapada - A Natureza em Sintra e em Mafra", lançado esta quarta-feira, tira partido das semelhanças entre os dois espaços mas também valoriza as diferenças, o que os torna complementares. "Este projecto reúne duas entidades diferentes com responsabilidades comuns na gestão do património nacional", explica Susana Morais, da Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), que se associou à Tapada Nacional de Mafra na criação de dois percursos pedestres em zonas que "não têm sido tão exploradas ao nível da visitação".
 
A viagem começa na Tapada de Monserrate, no coração do Parque Natural Sintra-Cascais, onde a PSML tem estado a concentrar esforços na recuperação e protecção da floresta, ainda jovem, herdada do movimento romântico do século XIX. Por trilhos bem marcados na terra batida e sinalizados, ao longo de um quilómetro, os visitantes podem conhecer os carvalhos, medronheiros, sobreiros e azevinhos que estão ainda em crescimento, e saber mais sobre as espécies de fauna que se escondem na vegetação ou nos ribeiros.
 
O guia, que será um biólogo conhecedor da tapada, deverá saber também explicar a importância da água e a da existência de reservatórios que alimentam os vizinhos Jardins de Monserrate, e contar a história da origem da serra de Sintra. Os visitantes terão ao dispor painéis informativos (que permitem também a realização de visitas sem guia) sobre conceitos como forest food (a floresta como fonte de alimento para animais e para o Homem) ou espécies invasoras, com dados sobre a evolução daquele ecossistema e do microclima pelo qual é responsável.
 
Pelo caminho, algumas "surpresas", como lhes chama Susana Morais. Por entre as árvores espreitam esculturas em madeira de animais que em tempos habitaram a serra - um gamo e a cria, um urso e um lobo. O passeio demora 1h30, mas a viagem não fica por aqui.
 
A aventura continua em Mafra, a 45 minutos de carro, noutro percurso que segue os vales cravados nos montes da Tapada Nacional, mandada construir em 1747 por D. João V e por isso já madura. Ao longo de cerca de quatro quilómetros, num trilho marcado especialmente para este novo programa, os visitantes podem seguir a pé as pistas deixadas pelos animais mais emblemáticos daquela enorme mata de 833 hectares - como os javalis, os veados e os gamos, que passeiam livremente por todo o espaço - mas também ir atrás do rasto das espécies mais tímidas, como as raposas, os saca-rabos ou as aves.
 
A caminhada, também acompanhada de guia e com a duração de 2h30, inclui a passagem por um pequeno centro de interpretação, onde adultos e crianças podem divertir-se a identificar as aves residentes a que pertencem determinadas penas - entre elas estão espécies em vias de extinção, como a águia-de-Bonelli -, ou a descobrir a autoria de pegadas através de modelos em gesso. Na floresta, um verdadeiro mosaico vegetal, habitam mais de 130 espécies de animais autóctones.
 
O objectivo das duas empresas é, antes de mais, "transmitir a importância dos valores naturais que existem em Sintra e em Mafra, para que as pessoas sejam também porta-vozes dessa mensagem", explica Susana Morais. Além da vertente de sensibilização ambiental e divulgação do património natural desta zona da Grande Lisboa, os promotores apostam na diversificação da oferta para atrair outros tipos de público.
"Queremos fazer com que as pessoas que visitam um local, visitem também o outro. Actualmente temos públicos diferentes. Queremos atrair mais as escolas à Tapada de Monserrate e conseguir levar até Mafra os turistas nacionais e estrangeiros", afirma a coordenadora do Núcleo de Programação e Ambiente da PSML.
 
A visita conjunta custa dez euros para alunos (grupos mínimos de 20), 45 euros para famílias (dois adultos e duas crianças), 13 euros para adultos e 11 para crianças. É necessário reservar com antecedência mas no terceiro sábado de cada mês há visitas programadas, para as quais não é necessário reserva. Está previsto que a visita comece em Sintra às 10h e em Mafra às 15h30.
 
Alda Mesquita, directora da Tapada Nacional de Mafra, revelou que estão a ser trabalhadas parcerias com operadores turísticos ou parceiros que possam assegurar o transporte entre os dois percursos, mas por enquanto os visitantes terão de se deslocar por meios próprios.
 
O projecto custou aos promotores 200 mil euros, co-financiado em 40% pelo Programa Operacional Regional de Lisboa, dos quais 127 mil euros foram aplicados em Mafra, na criação do percurso e de material de apoio. Segundo Alda Mesquita, foi feito ainda um investimento na promoção e divulgação deste pacote, nomeadamente num micro-site bilingue, em português e inglês, marcando a aposta nos turistas estrangeiros.

Desde 1986 que não se via este náutilo

- Jornal Público

A 180 metros de profundidade, perto da Papuásia-Nova Guiné, em Julho foram filmados náutilos da espécie Allonautilus scrobiculatus. Este “fóssil vivo”, que vem de uma linhagem com 500 milhões de anos, foi descoberto em 1984.
O raro Allonautilus scrobiculatus que não era visto há quase 30 anos
Uma concha encaracolada, olhos laterais e tentáculos, os náutilos são membros da classe dos cefalópodes, como os polvos, as lulas e os chocos, mas a sua anatomia remete-nos para tempos remotos. A sua linhagem surgiu há cerca de 500 milhões de anos, muito antes dos primeiros vertebrados se aventurarem pelos continentes da Terra. Os antepassados dos náutilos viram ainda os dinossauros surgirem há 230 milhões de anos e desaparecem há 65 milhões de anos. Hoje, existem apenas seis espécies destes “fósseis vivos” divididas em dois géneros. A espécie Allonautilus scrobiculatus, descoberta em 1984 perto da ilha da Papuásia-Nova Guiné, foi vista pela última vez em 1986. Agora, cientistas voltaram a filmar este raro animal marinho, soube-se agora.
 
“Antes deste avistamento, apenas dois humanos tinham visto o Allonautilus scrobiculatus”, diz Peter Ward, do Departamento de Biologia da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, citado num comunicado daquela universidade. “O meu colega Bruce Saunders, da Universidade de Bryan Mawr [na Pensilvânia], viu-o primeiro, e eu vi-o passadas poucas semanas.”
 
Estes primeiros avistamentos de que fala o biólogo Peter Ward foram feitos há mais de 30 anos, em 1984. Bruce Saunders ainda voltou a observar estes animais marinhos em 1986, e desde então nunca mais foram avistados.
 
Os membros da espécie Allonautilus scrobiculatus vivem em profundidade. Em 1984, ao estudar estes animais, os dois cientistas verificaram que havia diferenças anatómicas entre esta espécie e as outras quatro espécies que pertencem ao género Nautilus, nomeadamente nas guelras, nas mandíbulas, na carapaça, nos órgãos sexuais masculinos, evidenciando que os náutilos continuaram a evoluir.
 
“Algumas características dos náutilos – como a carapaça que lhe dá a marca de ‘fóssil vivo’ – podem não ter mudado durante muito tempo, mas outras partes mudaram”, sublinha Peter Ward, apontando também para uma particularidade distintiva das carapaças do Allonautilus scrobiculatus. “Têm na sua carapaça uma cobertura grossa, viscosa e com pêlos”, explica. “Quando vimos esta cobertura pela primeira vez, ficámos espantados.” Por causa destas diferenças, Peter Ward e Bruce Saunders sugeriram em 1997 a criação do género Allonautilus.
 
Luta pelo isco
Em Julho último, Peter Ward voltou à pequena ilha de Ndrova, que fica a nordeste da Papuásia-Nova Guiné, e procurou aqueles cefalópodes. Para isso, a equipa instalou iscos com peixe e carne de galinha, para atrair os animais, uma vez que se alimentam de animais mortos. Os iscos foram colocados a uma profundidade entre 150 e 400 metros. Ao lado dos iscos, instalaram-se também câmaras para filmar, durante 12 horas, a movimentação ao redor.
 
Numa das filmagens, os cientistas viram a aproximação primeiro de um Allonautilus scrobiculatus, depois de outro náutilo, e observaram-nos a lutar pelo isco. De seguida, surgiu um peixe-lua. “Durante duas horas, o peixe-lua não parou de bater nos náutilos com a sua cauda”, descreve Peter Ward.
 
Os cientistas apanharam vários náutilos de espécies diferentes, num método que usava água fria para assegurar a sobrevivência dos animais, que estão acostumados a viver em uma determinada profundidade e a uma certa temperatura. Estas capturas permitiram aos cientistas medir o tamanho dos animais, além de retirarem amostras de tecido, da concha e do muco que eles deitam. Com esta informação, a equipa pôde determinar a idade e o sexo de cada animal.
 
Não se encontraram Allonautilus scrobiculatus noutros locais. Para Peter Ward, esta espécie está isolada junto daquela ilha. Como só podem viver entre determinadas profundidades e a uma certa temperatura, é difícil estes animais movimentarem-se pelo mar. “Este pode ser o animal mais raro do mundo. Precisamos de saber se o Allonautilus existe em mais algum lugar, e não o saberemos se não o procurarmos noutros sítioss.” A pesca e a procura das conchas dos náutilos já devastaram algumas populações de outra espécie e são uma ameaça potencial para este fóssil vivo, acrescenta o comunicado.

Quantas árvores tem a Terra? Três biliões

- Jornal Público

Última estimativa era de apenas 400.000 milhões. Um estudo que juntou dados no terreno com imagens de satélite mostra que número é oito vezes maior – mas 10.000 milhões de árvores são destruídas todos os anos.
A Mata Nacional dos Medos, na Costa da Caparica, perto de Lisboa
 
Planisfério com a densidade florestal nos continentes
É um número impressionante não só pela sua dimensão mas também pela sua importância: há 3,04 biliões (milhões de milhões) de árvores no mundo. Neste número cabe o verde da Amazónia e de outras florestas tropicais, que surgem como imagens recorrentes quando pensamos na biodiversidade. Mas cabe também o verde de todos os outros mares de árvores da Terra, que formam a floresta temperada, a floresta de montanha, a floresta boreal, ou a floresta mediterrânica, especialmente relevante para Portugal e que pode ser apreciada em locais como a Arrábida.
 
Aquele número de árvores foi obtido graças à combinação de dados recolhidos no terreno, quando se contabilizam directamente as árvores, com as imagens de satélite, num trabalho de investigadores de 15 países. Os resultados são publicados nesta quinta-feira na revista científica Nature. Além dos 3,04 biliões de árvores, os cientistas estimaram ainda que estas árvores são apenas 54% das que existiam inicialmente, antes da civilização humana se estabelecer. Esta diminuição da cobertura vegetal deve-se essencialmente à actividade humana, que já destruiu perto de três biliões de árvores desde então, quase tantas quanto as que existem hoje. Uma voragem que continua a matar, anualmente, 10.000 milhões de árvores, segundo os autores.
 
“As árvores estão entre os organismos mais proeminentes e importantes na Terra, ainda assim só recentemente é que começámos a compreender a sua extensão”, sublinha Thomas Crowther, da Faculdade de Yale para a Floresta e Estudos Ambientais, EUA, e coordenador do trabalho. “Elas armazenam enormes quantidades de carbono, são essenciais para a reciclagem de nutrientes, para a qualidade da água e do ar”, acrescentou o investigador, citado num comunicado da Universidade de Yale.
 
Antes, a estimativa que existia do número de árvores na Terra era de apenas 400.000 milhões, cerca de oito vezes menos do que o número actual e baseada em imagens de satélite. Mas depois de se ter feito um estudo mais aprofundado da Amazónia e se ter descoberto que só ali existiam 390.000 milhões de árvores, compreendeu-se que o número global subestimava em muito a realidade.
 
Agora, os cientistas usaram dados do número de árvores recolhidos em 429.775 locais diferentes, feitos por instituições e equipas em todo o mundo. Com isso, tiveram uma ideia da densidade das árvores em muitos locais, ou seja, o número de árvores que existe por uma determinada unidade de área. A equipa definiu uma “árvore” como uma planta com um tronco de, pelo menos, dez centímetros de diâmetro à altura do peito de uma pessoa.
 
Com estes valores, os investigadores conseguiram perceber que a região do mundo onde há uma maior densidade de árvores é na floresta boreal, composta por coníferas. No entanto, 43% das árvores da Terra estão espalhadas pelas florestas tropicais, enquanto a região boreal contém 24% e as zonas temperadas têm apenas 22%. Por cada ser humano, existem 422 árvores em todo o mundo. Para Portugal, os autores calcularam a existência de 3126 milhões de árvores, o que equivale a 301 árvores por português.
 
Além disso, os cientistas mostraram que certas condicionantes como a temperatura e a humidade estão associadas a uma maior densidade de árvores, enquanto outras, como a existência de população humana, têm uma consequência negativa.
 
Thomas Crowther explica que este trabalho não revoluciona o que se sabe da cobertura vegetal. “Não descobrimos novas árvores nem novas áreas da Terra com floresta”, explica aos jornalistas, numa conferência de imprensa organizada pela Nature. “Encontrámos apenas uma nova métrica que pode ajudar a conceptualizar a extensão florestal do mundo.”
 
Para o investigador, estes números são importantes para se compreender a pressão humana sobre a floresta. Anualmente, 15.000 milhões de árvores são cortadas e há 5000 milhões de árvores novas. Mas o saldo é claramente negativo, de 10.000 milhões: “É importante sabermos a quantidade de árvores que perdemos para compreender o impacto que tivemos e o tipo de impacto que temos de ter se queremos restaurar a floresta.”
 
O estudo da cobertura vegetal poderá ajudar a calcular melhor a quantidade de carbono sequestrado pelas árvores, que atrasa o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera – um fenómeno que provoca o aquecimento global. No entanto, saber só o número de árvores não chega, explica Thomas Crowther. Uma árvore grande consome mais carbono do que muitas árvores pequenas, pelo que será preciso calcular as dimensões das árvores. “Podemos olhar para as relações entre os tamanhos das árvores e a densidade e começar a gerar vários tipos de modelos”, refere, apontando este como um objectivo futuro.
 
Num comentário ao artigo, Nathalie Pettorelli, cientista da Sociedade Zoológica de Londres, elogia a investigação da equipa internacional por medir um parâmetro importante – a densidade florestal. Mas aponta limitações: “Há muito pouca informação [sobre o número de árvores] recolhida para a bacia do Congo, a China, a Austrália ou a Índia. À medida que mais informação ficar disponível, seria interessante refinar as estimativas.”

Será a aspirina capaz de “libertar” as nossas defesas naturais contra o cancro?

- Jornal Público

No ratinho, a acção biológica do mais que centenário analgésico, associada a outros medicamentos inovadores, fez aumentar drasticamente a resposta imunitária contra tumores malignos.
No ratinho, a aspirina teve um efeito potenciador de um tratamento anti-cancro à base de anticorpos

O investigador português Caetano Reis e Sousa

Uma equipa no Reino Unido, liderada por um investigador português, conclui que a administração de aspirina a doentes com cancro, em simultâneo com a de anticorpos específicos – uma abordagem recente e muito promissora, dita de imunoterapia – poderia permitir aumentar fortemente a eficácia da imunoterapia.
 
Caetano Reis e Sousa, do Instituto Francis Crick de Londres, e colegas publicaram esta quinta-feira os seus resultados na conceituada revista Cell.
 
A aspirina, que foi receitada pela primeira vez em finais do século XIX, tem vindo a revelar, para além do seu poder anti-dor, benefícios substanciais na prevenção e tratamento de doenças tão díspares como o cancro colorrectal ou as doenças cardiovasculares. Faz parte de um grupo de compostos chamados “inibidores da ciclo-oxigenase”, cuja acção inibidora consiste em interromper a produção pelo organismo de uma outra substância, a prostaglandina E2 (PEG2).
 
A PEG2, quanto a ela, faz diminuir a normal resposta das células imunitárias contra potenciais agressores. E como é produzida em grandes quantidades pelas células tumorais de melanomas, cancros da mama ou do intestino, tudo indica que isso permite que estes cancros fujam mais facilmente ao controlo sistema imunitário. Algo que, por sua vez, poderá explicar “por que é que os tratamentos com anticorpos não têm sido tão eficazes contra o cancro como se esperava”, lê-se num comunicado da Cancer Research UK, que financiou a investigação.
 
“Os mecanismos que permitem aos melanomas e outras células cancerosas fugirem à imunidade antitumoral ainda não foram totalmente desvendados”, escrevem os autores na Cell. Foi precisamente a sua vontade de compreensão “dos mecanismos que permitem alguns cancros escaparem à resposta imunitária” que motivou o estudo, disse ao PÚBLICO Caetano Reis e Sousa num email.
 
“Este estudo surgiu de uma das linhas de investigação no meu laboratório que visa tentar perceber como é que os tumores desencadeiam uma resposta imunitária e ao mesmo tempo conseguem escapar-lhe”, acrescenta.
 
De facto, os cientistas mostraram agora que, comparada com a utilização de uma imunoterapia sozinha, a associação de aspirina à imunoterapia reduzia substancialmente, em ratinhos de laboratório, a progressão de cancros colorrectais e melanomas.
 
“O estudo demonstra, no ratinho, não só que a produção de prostaglandina E2 por alguns cancros representa um processo de evasão ao controle imunitário, mas também que intervenções (…) farmacológicas tais como a aspirina, que levem a uma atenuação da produção de prostaglandinas pelas células tumorais, podem ser utilizadas para restabelecer o controlo do cancro pelo sistema imunitário.”
 
“A PGE2 actua sobre muitos tipos de células diferentes no nosso organismo, e este estudo sugere que uma dessas acções consiste em dizer ao sistema imunitário para ignorar as células cancerosas”, faz notar pelo seu lado Peter Johnson, responsável clínico da Cancer Research UK no já referido comunicado. “Mas quando impedimos a sua produção pelas células cancerosas, o sistema imunitário fica outra vez em ‘modo assassino’ e ataca o tumor.”
 
Os resultados são contudo muito preliminares ainda, avisa Caetano Reis e Sousa. “Muito resta a fazer, tanto em modelos animais como em seres humanos”, salienta, acrescentando que “apesar de termos estudado vários tipos de cancro em ratinhos, ainda não sabemos até que ponto os resultados se aplicam a todos os cancros”.
 
A seguir, para além de confirmar os seus resultados nos animais, a equipa prevê realizar um ensaio clínico “para estabelecer se a sinergia entre a aspirina e a imunoterapia (…) se verifica também em doentes”, diz Caetano Reis e Sousa.
 
Mas o que é que os impede, à luz dos actuais resultados, recomendar desde já a administração de um medicamento tão corrente como aspirina a doentes com cancro? “Qualquer resultado deste tipo tem de ser validado num ensaio clínico antes de ser receitado a doentes”, responde-nos o cientista. “Para além do mais, não sabemos se a combinação não pode dar graves efeitos secundários.”
http://www.publico.pt/n1706775

 

O mais antigo caso de leucemia está marcado num esqueleto com 7000 anos

Catarina Rocha - Jornal Público

Restos mortais de uma mulher encontrados num cemitério na Alemanha.
Esqueleto da mulher que teve leucemia 
Um esqueleto desenterrado num cemitério neolítico em 1982 foi agora diagnosticado como o mais antigo caso de leucemia conhecido. O que fez parte do corpo de uma mulher há 7000 anos é hoje um exemplar na Colecção Osteológica da Universidade de Tübingen, na Alemanha, a instituição da equipa que realizou o estudo.
 
O cemitério de Stuttgart-Mühlhausen, uma região no Sul da Alemanha, foi local de escavações entre os anos 1982 e 1993 e onde se encontraram, além deste esqueleto de uma mulher neolítica, restos mortais de outros indivíduos que viveram na mesma época. Quando morreu, a mulher teria entre 30 a 40 anos, segundo contam os seus ossos, e sofria, além da leucemia que lhe terá roubado a vida, de uma inflamação nos alvéolos dos dentes e de cáries dentárias.
 
“Examinámos vários ossos do esqueleto com o sistema de tomografia computorizada de alta resolução e encontrámos uma perda invulgar do tecido interior do osso – o osso esponjoso – na parte de cima do úmero direito [o osso que vai do ombro ao cotovelo] e no esterno”, diz num comunicado de imprensa Heike Scherf, co-autora do estudo da Universidade de Tübingen em conjunto com Joachim Wahl, e que apresentou este ano os resultados do seu trabalho na Conferência de Medicina Evolucionária, em Zurique, na Suíça.
 
No interior de ossos como o úmero ou o esterno, os analisados pela equipa, localiza-se a medula óssea, local onde as células estaminais hematopoiéticas produzem células sanguíneas, e onde surge também a leucemia. Mas estas estruturas não sobreviveram a 7000 anos. “A medula óssea não foi preservada, portanto analisámos a estrutura interna do osso, o osso esponjoso”, explica ao PÚBLICO Heike Scherf. “As zonas centrais do osso esponjoso do úmero e do esterno da mulher em questão apresentavam um desgaste incomum.”
 
E foi esta característica que levou os investigadores a colocar a hipótese da leucemia. Para confirmarem a suspeita de que algo estava errado, ou menos saudável, os cientistas compararam o úmero da mulher doente com o de outros 11 indivíduos contemporâneos e do mesmo grupo etário dela, também sepultados no cemitério de Stuttgart-Mühlhausen. “Nenhum dos outros espécimes mostrou um padrão igual, mesmo pertencendo ao mesmo local e ao mesmo grupo etário”, diz Heike Scherf.
 
Depois disto, a partir de um diagnóstico diferencial em que se excluíram outras possíveis doenças com os mesmos sintomas, os investigadores concluíram que a mulher neolítica teria muito provavelmente uma leucemia. “A idade biológica e a restrição dos achados ao úmero e esterno contra-indicaram a osteoporose. O hiperparatiroidismo, o excessivo funcionamento das glândulas paratiróides, pode ser descartado por causa das características típicas desta patologia, que se manifesta noutras partes do esqueleto, como o crânio e os ossos dos dedos das mãos, que não foram encontrados”, explica Heike Scherf.
 
Apesar de não poderem determinar rigorosamente o que se passou com aquela mulher há 7000 anos, a investigadora sublinha a grande probabilidade do diagnóstico estar certo: “Um vírus associado a um tipo de leucemia tinha sido já encontrado nas múmias dos Andes [a maior parte com cerca de 500 anos]. Mas este é provavelmente o caso mais antigo conhecido de leucemia, num achado arqueológico.”
 
Quando o esqueleto foi desenterrado em Stuttgart-Mühlhausen, encontraram-se também outros 72 túmulos nesse cemitério neolítico do sul da Alemanha. A mulher em questão estava ao lado de um jarro de fundo redondo, típico da cultura da cerâmica linear que surgiu entre 5500 e 4800 a.C. na Europa Central e Ocidental.
 
Sobre a descoberta, o director do Instituto de Medicina Evolucionária da Universidade de Zurique, Frank Rühli, e que não participou no estudo, sublinha ainda ao “site” Discovery News o seu interesse para a compreensão da doença: “Ter a indicação do mais antigo caso paleopatológico de uma doença moderna, frequente e com um grande impacto como é a leucemia, é algo muito importante para olharmos pela perspectiva da evolução da doença.”
Texto editado por Teresa Firmino
http://www.publico.pt/n1707518

Poderá a doença de Alzheimer ser transmissível em certas condições?

- Jornal Público

Análise de cérebros de pessoas tratadas com hormona de crescimento derivada de cadáveres – e que morreram da doença de Creutzfeld-Jakob – levanta questões acerca da transmissibilidade da doença da Alzheimer entre seres humanos.
 
Um pequeno estudo, realizado por cientistas britânicos, sugere que, em circunstâncias extremamente invulgares, certas alterações cerebrais características da doença de Alzheimer poderão ter sido transmitidas entre humanos, há várias décadas, através da injecção de extractos de tecidos, colhidos em cadáveres, a pessoas com deficiências da hormona de crescimento. Os resultados foram publicados esta quarta-feira na revista Nature.
 
A ideia não é totalmente descabida. Existe de facto uma outra doença, muito bem estudada, que apresenta precisamente essa capacidade: a doença de Creutzfeld-Jakob (DCJ), em que uma proteína anormal, chamada prião, se multiplica no cérebro das suas vítimas transformando-o literalmente numa esponja. Pertence à categoria das encefalites espongiformes – tal como a tristemente célebre doença das vacas loucas, que atingiu proporções epidémicas na Europa nos anos 1980. Recorde-se aliás que a doença bovina deu origem, por transmissão através da ingestão de carne infectada, a uma nova forma de DCJ no ser humano.
 
Seja como for, uma outra forma conhecida de DCJ deve-se justamente à transmissão de priões aquando de tratamentos realizados, entre 1958 e 1985, em crianças que não cresciam normalmente devido a deficiências da hormona de crescimento. Naquela altura não havia hormonas sintéticas e, para obter extractos da hormona, colhia-se a glândula pituitária de milhares de cadáveres.
 
Cerca de 30.000 pessoas receberam este tratamento no mundo ao longo desses anos. Mas quando começaram a aparecer casos de DCJ entre elas, o tratamento foi abandonado.
 
Como salientou John Collinge, do University College de Londres e um dos líderes do estudo agora publicado, durante uma teleconferência de imprensa que precedeu a publicação do trabalho, das quase 2000 pessoas que receberam o tratamento no Reino Unido 77 já morreram com DCJ. No mundo inteiro, estima-se que sejam cerca de 450 e, em certos países, a proporção atinge os 6,3% das pessoas tratadas. A título comparativo, o número de casos de DCJ na população geral é de cerca de um por milhão de habitantes por ano.
 
O que motivou de facto o presente estudo foi a DCJ e não a doença de Alzheimer – e a descoberta agora anunciada foi acidental. “Fizemos autópsias aos cérebros de oito vítimas do tratamento com hormona de crescimento e ficámos muito surpreendidos ao vermos que alguns apresentavam extensos depósitos de proteína beta-amilóide”, explicou Collinge. A beta-amilóide é uma proteína anormal que forma placas no cérebro dos doentes com Alzheimer. “Alguns tinham placas no cérebro, outros depósitos da proteína anormal à volta dos vasos sanguíneos cerebrais. Só um deles não apresentava este tipo de alteração.”
 
Como os doentes eram muito novos na altura da morte (tinham entre 36 e 51 anos), os autores começaram por descartar as razões mais óbvias para a presença dessas placas no seu cérebro, tais como a predisposição genética à Alzheimer precoce. Não encontraram nenhuma. Também compararam os cérebros de 116 vítimas de DCJ que nunca tinham recebido hormona de crescimento e, mesmo nas pessoas dez anos mais velhas, não encontraram qualquer sinal de patologia associada à proteína beta-amilóide.
 
Num artigo de comentário publicado na mesma edição da Nature, Mathias Jucker (Universidade de Tubingen, Alemanha) e Lary Walker (da Universidade Emory, EUA) resumem bem a conclusão – muito prudente – que se impõe à luz dos resultados: foram descobertos “indícios de que alterações cerebrais características da Alzheimer foram transmitidas entre humanos [e que] a transmissão ocorreu provavelmente através da injecção de hormona de crescimento humana derivada de cadáveres”.
 
Se já se sabia que era possível induzir a formação de depósitos de beta-amilóide injectando “sementes” desta proteína (minúsculos agregados) no abdómen de ratinhos, esta é a primeira vez que o fenómeno é observado no ser humano.
 
Contudo, como explicou ainda Collinge, isso não significa que, se não tivessem morrido com DCJ, aqueles doentes teriam um dia desenvolvido Alzheimer. Aliás, a equipa não detectou, nos cérebros dessas pessoas, um outro ingrediente essencial da doença: os “emaranhados fibrilares”, compostos de uma outra proteína, chamada tau.
 
Mas apesar de os autores – e muitos peritos a cujas reacções a imprensa internacional teve acesso antes da publicação dos resultados – enfatizarem que este estudo é puramente observacional e portanto não demonstra de maneira alguma que a doença de Alzheimer seja “contagiosa”, as conclusões não deixaram de suscitar, na já referida teleconferência, questões acerca da potencial transmissibilidade da doença de Alzheimer.
 
Em particular, o que dizer do risco associado a transplantes ou transfusões sanguíneas, neurocirurgias ou mesmo a certas operações dentárias? Tal como já aconteceu em raros casos com a DCJ, pode-se especular que seria possível transmitir acidentalmente as ditas “sementes” de beta-amilóide durante certas intervenções médicas comuns, que mais tarde poderiam levar ao desenvolvimento da doença de Alzheimer?
 
“Por enquanto, não há quaisquer dados epidemiológicos que sugiram que a beta-amilóide possa ser transmitida desta forma – e recomendo a todos que não cancelem uma cirurgia” por causa destes resultados, disse Collinge.
 
O que sim é preciso fazer, acrescentou, é conseguir perceber se as doenças de Alzheimer ou de Parkinson não serão mais semelhantes do que se pensava com doenças provocadas por priões como a DCJ, onde uma proteína anormal “cria adeptos”, levando as suas congéneres normais, naturalmente presentes no cérebro humano, a tornarem-se anormais.
 
“Por enquanto, nem sequer sabemos o que são exactamente as 'sementes' de beta-amilóide”, frisou. Daí que não seja possível ainda desenvolver ferramentas para estudar o seu comportamento e fazer "biologia quantitativa". "Quando soubermos isso, é provável que os métodos que desenvolvemos para estudar os priões possam ser aplicados.”
 
Quanto aos cerca de 1700 britânicos ainda vivos que receberam o tratamento hormonal há mais de 30 anos – e às dezenas de milhares no resto do mundo –, Collinge lamentou o facto de essas pessoas virem agora a inteirar-se pelos media deste novo risco potencial para a sua saúde. “Foi há tanto tempo, é difícil localizá-los. Mas estamos a fazer os possíveis para aconselhar e ajudar os que se apresentarem no nosso hospital.”

Bem-vindo, Homo naledi!

- Jornal Público
 O género humano acolheu, nesta quinta-feira, um novo membro, baptizado Homo naledi e cuja descoberta vem complicar ainda mais um pouco a nossa árvore genealógica evolutiva.
Uma equipa internacional de cientistas anunciou esta quinta-feira, em conferência de imprensa, a descoberta de uma nova espécie de humanos antigos numa gruta na África do Sul. Os seus resultados foram publicados em dois artigos separados na revista online de acesso livre eLife.
 
A nova espécie foi baptizada Homo naledi do nome da gruta, Dinaledi – que em sotho, uma das 11 línguas oficiais da África do Sul, significa “as estrelas”. Situada a uns 40 quilómetros de Joanesburgo, a gruta faz parte do local arqueológico conhecido como "Berço da Humanidade", que a UNESCO classificou como património mundial devido à riqueza de depósitos com fósseis que alberga nas suas inúmeras grutas.
 
Os 1550 fósseis agora analisados, que são sobretudo ossos mas também dentes, foram recolhidos durante duas expedições à gruta, respectivamente em Novembro de 2013 e Março de 2014. Quatro dezenas de cientistas, liderados por Lee Berger, paleoantropólogo da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, participaram no empreendimento.
 
Desde 2008 que Berger começou a realizar uma prospecção minuciosa do Berço da Humanidade. E em 2010, já descobrira aliás uma nova espécie de australopiteco, o Australopithecus sediba. Não admira portanto que a actual descoberta tenha agora feito exclamar a Eric Delson, do Museu Americano de História Natural de Nova Iorque, citado pelo New York Times: “Berger does it again!” (algo como “Berger volta a marcar!”)
 
Os ossos provêm de pelo menos 15 indivíduos e “representam a maior colecção de restos de hominíneos jamais descoberta no continente africano”, lê-se num comunicado da Universidade do Colorado (EUA), que também participou no trabalho.
 
“Astronautas subterrâneas”
O novo “homem das estrelas” merece duplamente a sua alcunha. É que, para aceder à câmara da gruta onde se encontravam a ossadas fósseis – a “câmara das estrelas” – foi precisa a ajuda de seis autênticas “astronautas subterrâneas”, lê-se ainda no mesmo comunicado. Seis jovens mulheres que desceram pela única via de acesso existente: uma fissura vertical, longa de 12 metros, cuja largura é por vezes da ordem dos 20 centímetros!
 
“A câmara que contém os fósseis está a uns 30 metros de profundidade e a cerca de 80 metros de distância, em linha recta, da entrada actual mais próxima da câmara”, lê-se num dos artigos publicados na eLife, que descreve a descoberta focando-se no contexto geológico e nas condições de fossilização das ossadas.
 
“Na gruta, encontrámos adultos e crianças que pertencem ao género Homo, mas que são muito diferentes dos humanos modernos”, disse por seu lado o co-autor Charles Musiba durante a conferência de imprensa que decorreu em Maropeng, o centro oficial de acolhimento dos visitantes ao Berço da Humanidade. “Eram muito pequenos e tinham o cérebro do tamanho do dos chimpanzés.” Outro elemento da equipa, John Hawks, da Universidade do Wisconsin (EUA), acrescentou: “Tinham o cérebro do tamanho de uma laranja e um corpo muito esbelto.” Na idade adulta, mediam em média um metro e meio de altura e pesavam 45 quilos.
 
“O minúsculo cérebro e a forma do corpo de Homo naledi são mais próximos do grupo pré-humano dos australopitecos do que de nós”, fez notar Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres e autor de um artigo, na mesma revista, que comenta os resultados. “Mas as mãos, os pulsos e os pés são muito semelhantes aos do homem moderno.”
 
Caley Orr, também da Universidade do Colorado e co-autor do artigo dedicado aos resultados da análise dos fósseis propriamente ditos, esteve a cargo do estudo das mãos e deu mais pormenores: “A mão tem características de tipo humano que lhe permitiam manipular objectos, mas ao mesmo tempo tem os dedos curvos, bem adaptados para trepar às árvores.”
 
As mãos de Homo naledi “levam a crer que tinha a capacidade de usar ferramentas”, os seus dedos eram muito curvos e, ao mesmo tempo, é “praticamente impossível distinguir os seus pés dos do homem moderno”, acrescentam em comunicado conjunto a Universidade de Witwatersrand, a Sociedade National Geographic (co-financiadora do projecto) e o Ministério sul-africano da Ciência. “Os seus pés e as suas pernas compridas permitem pensar que era capaz de caminhar durante muito tempo.”
 
Contudo, a posição exacta da nova espécie na árvore genealógica da evolução humana permanece desconhecida, bem como a idade dos fósseis.
 
“Se estes fósseis datam do fim do Plioceno [há 5,3 a 2,58 milhões de anos] ou do início do Pleistoceno [há entre 2,58 milhões e 700.000 anos], “é possível que esta nova espécie de Homo, primitivo e com um cérebro pequeno, represente uma fase intermédia entre os autralopitecos e o Homo erectus”, teorizam os autores.
 
Mas se forem mais recentes, especulam ainda, talvez este pequeno humano tenha vivido, no Sul de África, na mesma altura em que ali evoluíram espécies humanas com cérebros maiores.
 
“Isto suscita muitas perguntas”, disse Musiba. “Quantas espécies de humanos havia? Havia linhagens que surgiam e depois desapareciam? Coexistiram com os humanos modernos? Procriaram com eles?”
 
Rituais funerários?
Mas há mais, como explica ainda o comunicado da Universidade do Colorado: uma das constatações mais surpreendentes dos cientistas foi que os corpos pareciam ter sido depositados intencionalmente na gruta. “Imaginámos vários cenários, incluindo o ataque de um carnívoro desconhecido, uma morte acidental ou até uma armadilha”, explicou Berger. “E chegámos à conclusão de que o cenário mais plausível é que esses corpos tenham sido deliberadamente colocados naquele sítio.”
 
Se assim for, isso, só por si, fala da humanidade daqueles homens primitivos e põe em causa a ideia geralmente aceite de que só os humanos mais recentes desenvolveram comportamentos ritualizados. Como salientou Stringer, “a prática indicaria um comportamento surpreendentemente complexo para uma espécie humana ‘primitiva’”. A datação dos fósseis poderá fornecer respostas a este enigma.
 
“A mistura de características do Homo naledi”, acrescenta Stringer, “mostra mais uma vez a complexidade da árvore genealógica humana e a necessidade de realizar pesquisas mais aprofundadas para perceber a história e as derradeiras origens da nossa espécie”.
 
Seja como for, a câmara das estrelas “ainda não revelou todos os seus secretos”, frisa Berger. “Há potencialmente centenas, se não milhares, de restos fósseis de Homo naledi que ainda estão lá em baixo.”