sábado, 1 de agosto de 2015

Traços genéticos dos peixes serão a chave da sua sobrevivência às alterações climáticas

Green Savers - 28/07/2015
Os traços genéticos dos peixes serão cruciais para determinar a sua sobrevivência em águas mais quentes. A conclusão é de um novo estudo da Universidade James Cook, na Austrália, e da Universidade de Ciências e Tecnologias Rei Abdullah, na Arábia Saudita.
 
A equipa internacional de cientistas descobriu que determinados peixes conseguem ajustar-se a águas oceânicas mais quentes ao longo de várias gerações, mas apenas se utilizarem todas as suas capacidades genéticas. Durante o estudo, que decorreu ao longo de quatro anos, os investigadores analisaram como o peixe-donzela-espinhoso (Acanthochromis polyacanthus) lidava com o aumento da temperatura da água.
 
Durante a investigação, os cientistas identificaram 53 genes úteis na adaptação às temperaturas mais elevadas relacionados com a produção de energia, resposta imunitária e resposta a pressões externas. Os peixes que conseguiram lidar com as temperaturas mais quentes, que variaram entre 1,5°C e 3°C em relação ao seu ambiente normal, foram aqueles que utilizaram estes genes.
 
“Se os peixes não se adaptarem à medida que fica mais quente, a sua capacidade de oxigenação é afectada, o que prejudica a capacidade de evitar predadores, diminui a sua velocidade e dificulta a alimentação”, indica Philip Munday, professor na Universidade James Cook, cita o Guardian.
 
“Esta investigação ajuda-nos a perceber quais os mecanismos biológicos que vão ser determinantes para a adaptação dos peixes às alterações climáticas”, acrescenta o investigador.

A flor que fica transparente quando entra em contacto com a água

Green Savers - 25/07/2015
A flor esqueleto

O planeta Terra é um local que alberga uma incontável variedade de formas de vida, havendo espaço para todas caso a espécie humana não contribua para o seu desaparecimento. Uma destas formas de vida, com uma habilidade bastante interessante é a “flor esqueleto”, de nome científico Diphelleia grayi.
 
Esta planta dos bosques possui flores brancas que quando entram em contacto com a água, maioritariamente através da chuva, ficam transparentes. Quando secam, as pétalas da flor volta a adquirir a cor branca, escreve o Bored Panda.
 
A Diphelleia grayi gosta de crescer em locais húmidos e sombrios, florescendo entre a primavera e o verão. Esta planta pode apenas ser encontrada nos bosques frescos da China e Japão e nos Apalaches, nos Estados Unidos. A planta pode ser identificada pelas suas folhas características em forma de guarda-chuva.

No sudoeste de Marrocos, a água vem do nevoeiro

Green Savers - 25/07/2015
A tecnologia verde que permite transformar o nevoeiro em água fresca que sai directamente nas torneiras veio pôr um fim às caminhadas das mulheres de várias aldeias do sudoeste de Marrocos, que todos os dias percorriam vários quilómetros para ir buscar água a poços.
 
Recentemente, várias famílias de cinco comunidades de berberes do sudoeste marroquino começaram a beneficiar da “colheita de nevoeiro”, uma técnica que foi desenvolvida no Chile há cerca de 20 anos e que desde então tem sido aplicada a países como o Peru, Namíbia, África do Sul e agora Marrocos.
 
No cume de uma montanha chamada Boutmezguida, que se ergue sobre várias aldeias a 1.225 metros de altitude, foram instalados 40 painéis feitos de espessa malha que consegue capturar a água do nevoeiro e encaminhá-la para uma rede de tubos, que depois distribui a água pelas várias aldeias. Para os habitantes da região semiárida das montanhas Anti-Atlas é uma “revolução” ter água a sair da torneira nas suas casas. E tudo graças a esta tecnologia verde que aproveita a água presente no nevoeiro.
Os painéis colectores foram instalados pela Dar Si Hmad para o Desenvolvimento, Educação e Cultura, uma associação regional marroquina. Aissa Derhem, presidente da associação, ouviu falar destes painéis há 20 anos, quando ainda davam os primeiros passos. Anos depois, quando regressou à localidade de Sidi Ifni, nas montanhas Anti-Atlas, Derhem – que aí nasceu – apercebeu-se que o clima local era semelhante aos dos Andes da América do Sul.
 
Unindo esforços com a Fog Quest, uma organização de caridade canadiana, Derhem conseguiu trazer o sistema de filtragem do nevoeiro para a região de Sidi Ifni. A 22 de Março de 2015, Dia Mundial da Água e dez anos de pois de Derhem ter dado início ao projecto, as válvulas do sistema de tubagem que distribui a água pelos aldeões foram finalmente abertas e água jorrou das torneiras dos habitantes de Sidi Ifni.
 
Desde então, “92 lares, o que equivale a quase 400 pessoas” têm beneficiado da água que é filtrada do nevoeiro pelos painéis, indica Derhem ao Phys.org. “Marrocos tem muito nevoeiro devido a três fenómenos: a presença de um anticiclone provindo dos Açores, uma corrente de ar frio e uma cadeia montanhosa que funciona como obstáculo”, explica o presidente da associação Dar Si Hmad. As malhas que retêm a água são uma “mera imitação da natureza”, acrescenta, exemplificando como as teias das aranhas conseguem fazer o mesmo.
 
O objectivo passa agora por alargar o projecto e instalar mais painéis colectores de água em outras aldeias da região sudoeste e a longo-prazo no país inteiro.

Uma árvore com 6.000 anos e um bar lá dentro

Green Savers - 30/07/2015
Um baobab que funciona como bar

O baobab – ou imbondeiro – é uma das mais míticas e belas árvores do mundo, conhecida pelas suas proporções extraordinárias e longevidade. Aliás, há espécimes tão grandes que conseguem albergar casas e negócios – como é o caso do Sunland Baobab Pub, que desde 1933 se situa num imbondeiro perto de Modjadjiskloof, na África do Sul, e que pode acomodar até 15 pessoas.
 
Conhecido também por Pub Tree, este bar faz parte da Quinta Sunland, tem um pé direito de quase quatro metros e bancos feitos de madeira. As suas prateleiras mantêm documentos históricos deixados pelos clientes, que narram a história do bar que, segundo o Inhabitat, é detido pela família Van Heerden, que possui a quinta onde ele está localizado e uma pensão próxima.
 
Os abundantes ramos da árvore propiciam também uma ampla sombra para a área de restaurante, lá fora. O local também recebe eventos especiais. Este baobab é um dos mais velhos do mundo e uma das maiores atracções da província de Limpopo, África do Sul.
 
Com 32 metros de circunferência, este baobab tem ramos que medem perto de 22 metros. A árvore encontra-se dividida naturalmente em duas, cada uma com interiores que têm milhares de anos. As duas partes da árvore estão ligadas, ao centro, por uma passagem, que foi convertida em bar nos anos 30.

6 mitos sobre a poluição atmosférica

Green Savers - 23/07/2015
A poluição atmosférica é uma das grandes preocupações das últimas décadas, globalmente, e tem ganhado cada vez mais importância nas estratégias dos países de combate à poluição e transição para uma economia verde.
Ciente deste facto, o site Planeta Sustentável elencou seis dos mitos sobre a poluição do ar. Porque, muitas vezes, somos mal informados sobre o que se passa realmente à nossa volta.
 
1.A poluição do ar só nos afecta quando estamos na rua
Quando os níveis de poluição estão altos na rua, eles podem ficar altos também dentro de casa (ou do trabalho). As pessoas, de uma forma geral, passam cerca de 90% de seu tempo em ambientes fechados. Mas nem por isso elas se devem deixar de preocupar com a qualidade do ar na cidade.
 
2.Só teremos problemas se ficarmos expostos à poluição durante muito tempo
Não há um período seguro para a exposição a poluentes, uma vez que isso também depende da quantidade de poluição a que o organismo é exposto. É possível termos problemas de saúde por causa da exposição a partículas poluentes de períodos longos, como um ano, a períodos muito curtos, como de uma a 24 horas.
 
3.Poluição só é nociva para quem tem problemas respiratórios
Todos podemos ser afectado pela poluição do ar, incluindo as pessoas com doenças cardíacas, adultos e crianças. Se a qualidade do ar estiver classificada como má, estes riscos são ainda maiores e podem ter alvos mais abrangentes.
 
4.A poluição está no ar e não posso fazer nada para me proteger
Se, por um lado, é verdade que a poluição chega também aos ambientes internos, como já vimos no mito número 1, também é verdade que ela é maior na rua. Assim, podemos utilizar os indicadores de qualidade do ar para controlar as actividades ao ar livre. Em dias de má qualidade, é preferível ficar mais em casa ou no escritório.
 
5.Se não andar de carro, não contribuo para a poluição do ar
Vários aparelhos que todos nós usamos no nosso dia-a-dia contribuem para a poluição do ar. Um laptop, por exemplo, emite 12 gramas de poluentes por hora ligado, enquanto um LCD produz 88 gramas. A calça de ganga que usamos enviou seis quilos de gás carbónico para a atmosfera para ser produzida, e os nossos sapatos (um par só!) atiraram 11,5 kg. Por isso é tão importante reduzir o consumo.
 
6.Lidar com a poluição é coisa para os governos e as autoridades internacionais
Sim, de facto esta é uma posição cómoda. Mas está longe de ser verdade. Podemos adoptar medidas simples para contribuir com uma menor geração de agentes poluentes. Para começar com o óbvio, podemos trocar o carro pelos transportes colectivos – pelo menos algumas vezes por semana mas, quanto mais, melhor -, pela bicicleta ou por caminhadas são uma enorme ajuda. Além disso, o consumo consciente também é uma grande atitude.
 
Outra coisa que está ao nosso alcance é plantar árvores e mudas de plantas. Sim, elas ajudam mesmo: uma árvore plantada neutraliza a emissão de poluentes da produção de sete livros; cinco mudas de árvores absorvem gás carbónico equivalente à produção de três pares de sapatos; e 30 árvores compensam o uso de um portátil ligado directo durante dois anos.

Aljustrel: a vila portuguesa que vive coberta de pó

Green Savers - 25/07/2015
No final de 2014, um conjunto de aljustrelenses lançou um abaixo-assinado a alertar a câmara da localidade, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA), a Almina – que gere a mina local – e a Assembleia Municipal para a “poeira negra, potencialmente cancerígena, que cai diariamente em cima de uma zona habitada” da região.
 
Segundo os cidadãos, que há muito procuram alertar para esta situação, a população afectada “respira o pó preto enquanto ouve e sente explosões subterrâneas que fazem o chão tremer”. “O pó é tanto que muitos populares afirmam limpar o negrume dos quintais duas vezes ao dia”, avançava o abaixo-assinado.
 
Segundo uma reportagem da Visão de 2014, Aljustrel sempre viveu paredes meias com o caos ambiental provocado pela exploração mineira. Desactivadas, finalmente, em 2008, as antigas Pirites Alentejana reabriram no ano seguinte – com a designação Almina.
 
A exploração foi reconvertida para a produção de cobre e o pó escuro voltou à vila. “Basta uma volta pelas redondezas para se perceber que, com a retoma da exploração mineira, em 2009, reapareceram muitas das antigas – e também novas – feridas ambientais”, escreveu a Visão.
 
A partir do momento em que a produção atingiu a velocidade de cruzeiro, a poluição tornou-se tema obrigatório para os 6.000 habitantes da vila, todos dependentes – directa ou indirectamente – da mina.
 
Emprego ou ambiente?
“O problema insere-se numa dualidade conflituosa em que as notórias chagas ambientais provocadas pela exploração mineira e os benefícios económicos carregados pela mesma se confrontam em polos opostos”, explica o abaixo-assinado.
 
Segundo o grupo de cidadãos que redigiu o abaixo-assinado, é inegável a mais-valia económica da mina para a população. Mas é também impossível “ignorar a rede hidráulica da vila, poluída com metais pesados”. Ou ignorar “as explosões diárias que fazem o chão da vila tremer”, os “solos amarelados” que circundam as zonas explorados ou o estudo do Instituto Nacional de Saúde que colocava o risco de mortalidade por cancro de Aljustrel como o mais elevado do país.
 
“É também impossível ignorar um artigo do jornal Mapa onde se afirma que Aljustrel é um dos concelhos com maior incidência de cancro pulmonar em Portugal”, continua o abaixo-assinado.
 
Pó de britagem
A poeira aljustrelense terá origem nos processos de britagem (trituração) e de estucagem (queda no parque) do minério em bruto. Não existem dados concretos, porém, sobre que partículas estão a chegar à vila nesta poeira negra. “Essa ausência de informação é só por si alarmante. Mas basta analisar a literatura científica sobre o tema para perceber que as poeiras resultantes destes processos podem conter finas partículas de metais pesados e outras substâncias como sílica, cobre, alumínio, chumbo, mercúrio, enxofre”, avança o abaixo-assinado.
 
O impacto para a saúde destas substâncias inclui irritações nos olhos, doenças respiratórias crónicas ou cancro. “Estamos em plano século XXI e a situação nesta vila alentejana é inadmissível”, escreveu-nos há dias o leitor Humberto Figueira, alertando-nos para a situação.
 
Nas redes sociais é também possível encontrar referências ao pó aljustrelense – a página do Facebook Não ao Pó da Mina, por exemplo. E o caro leitor, tem alguma história ou fotografia que queira partilhar connosco sobre o pó de Aljustrel?

Mistério resolvido: aldeia em que as pessoas adormecem do nada está envenenada

Green Savers - 17/07/2015
Nos últimos três anos, os habitantes da cidade de Kalachi, no Cazaquistão, têm adormecido do nada, podendo estar neste estado comatoso durante dias. Quando finalmente acordam, eles sentem tonturas, dores de cabeça, náuseas e perdas de memória.
 
O caso tornou-se célebre mundialmente em Março e as conclusões da investigação ordenada pelo primeiro-ministro cazaque chegaram agora ao fim, com a conclusão há muito esperada: a cidade encontra-se envenenada por urânio não utilizado de numa mina próxima.
 
Para além dos habituais sintomas de mal-estar e dos sonos trocados, a população sentia ainda alucinações bizarras – especialmente as crianças -, agressividade e, por vezes, intenso desejo de praticar actos sexuais, avança a imprensa britânica.
 
“[Há homens com erecções intermináveis]. Os médicos riem-se e as enfermeiras ficam embaraçadas”, explica uma mulher cujo marido se encontra nesta estranha condição.
 
O fenómeno, que já atingiu 160 habitantes desde 2012, parece finalmente resolvido. A velha mina, utilizada nos tempos da União Soviética, está a levar níveis muito altos de monóxido de carbono para a aldeia, envenenando os seus habitantes.
 
“Depois de vários exames médicos, realizados em Moscovo e Praga, os nossos investigadores confirmaram que o monóxido de carbono é responsável pela epidemia de sono na aldeia de Kalachi”, explicou ao Mail Online Berdybek Separbayev, vice-presidente do Cazaquistão.
 
Situada a 400 quilómetros da fronteira russa, Kalachi e a aldeia vizinha de Krasnogorsk estão a ser evacuadas. O Governo cazaque está a relocalizar os habitantes em novas casas e a entregar €1.250 a cada pessoa que seja retirada da aldeia – 68 das 223 famílias já se mudaram.