domingo, 21 de junho de 2015

Como a natureza reclama uma aldeia chinesa abandonada

Publicado por Green Savers em 13/06/2015
Nas últimas décadas, a China deixou para trás muita da sua ruralidade e transformou-se numa das nações mais industrializadas do mundo. Hoje, imagens de Pequim, Xangai, Tianjin ou Guangzhou chegam a todo o mundo como provas da grandiosidade chinesa: edifícios modernos, metrópoles consumistas.
 
Porém, há bem pouco tempo a china era um país rural. Muitas destas aldeias e vilas foram deixadas pelos seus habitantes, que partiram em busca da grande cidade, e muitas delas ficaram para sempre abandonadas.
 
Shengsi, um arquipélago com centenas de ilhas localizadas na boca do rio Yangtze, tem várias vilas piscatórias que, a pouco e pouco, estão a ser engolidas pela natureza. Segundo o Good, o fotógrafo Tang Yuhong retratou uma delas, na ilha de Goqui, que está literalmente coberta de verde. Como se ninguém alguma vez por lá tivesse passado, quanto mais vivido.
 

Migração de povo russo ajudou a formar Europa moderna há 5.000 anos

Publicado por Green Savers em 11/06/2015
A Europa moderna foi apenas formada há 5.000 anos, quando uma migração em massa do sul da Rússia e Geórgia trouxe novas línguas, tecnologia e processos agrícolas para o continente. De acordo com especialistas do Centre for GeoGenetics, do Museu do Museu da História da Dinamarca, em Copenhaga, uma grande mudança nas pessoas da região do Cáucaso, há 5.000 anos, trouxe os migrantes para o Norte da Europa.
 
Estes migrantes transportaram uma mutação genética que permitiu aos adultos a tolerância a beber leite de vaca – esta última característica surpreendeu os investigadores.
 
O estudo, um dos maiores acerca do ADN dos esqueletos da Idade de Bronze, descobriu que o povo Yamnaya, que então vivia no Cáucaso, espalhou as suas ideias e ADN por toda a Europa, em países como França, Alemanha e Holanda.
 
Os Yamnaya trouxeram novas ferramentas e experiências mas também uma nova língua, que se tornou na base de quase todas as línguas europeias actuais, incluindo o grego e o latim, inglês e alemão.
 
Os elementos do povo Yamnaya substituíram os caçadores-recolectores que viviam no Norte da Europa e trouxeram as suas manadas de gado, que foram importantes para a mudança na forma como os então europeus olhavam para a pecuária.
 
Esta mistura trouxe também genes ligados a peles mais claras e olhos castanhos para a Europa Central, avança o estudo. Na Europa do Norte, os Yamnaya misturaram-se com os povos da Idade da Pedra, estabelecendo a cultura da cerâmica cordada, que geneticamente se parece com os europeus que, hoje, vivem a Norte dos Alpes.
 
Há 4.000 anos, a cultura Sintashta evoluiu no Cáucaso – tratava-se de uma cultura com novas armas e carros de guerra sofisticados, que foram rapidamente apadrinhados no resto da Europa. A área a leste dos Urais e até à Ásia Central foi colonizada há 3.800 anos pela Cultura Andronovo – os Yamnaya também migraram para leste, estabelecendo-se em algumas partes da Ásia Central antes de serem substituídos pelos asiáticos há 2.000 anos.
 
“Até agora, pensava-se que a tolerância a lactose se desenvolveu nos Balcãs ou no Médio Oriente, devido à introdução da pecuária, na Idade da Pedra”, explicou o co-autor do estudo, Martin Sikora. “Mas agora podemos ver que, até no final da Idade de Bronze, a mutação que deu lugar a esta tolerância é rara na Europa”, explicou Sikora, o que levou à conclusão de que teriam sido os Yamnaya a introduzirem esta tolerância na Europa.
 
No início do ano, um estudo similar desenvolvido pela Universidade de Harvard descobriu que, quando os Yamnaya migraram do Mar Negro e Mar Cáspio, transportaram também os genes para da altura para a Europa do Norte e Europa Central.
 
Hoje, por exemplo, o povo alemão tem muitas das características trazidas pelos Yamnaya.

Metade da população mundial de saigas morreu em Maio

Publicado por Green Savers em 03/06/2015
O saiga é um antílope conhecido pelo seu nariz distinto, que consegue esticar e encolher para melhor ajudar na respiração, quer seja durante os Verões empoeirados ou nos Invernos rigorosos do Cazaquistão. Na estação quente o seu pêlo é fino e nos meses mais frios cresce, para se transformar numa espécie de cobertor lanoso.
 
Antes da última década do século passado, existia mais de um milhão de saigas pro toda a Ásia Central, mas desde então a população destes animais tem vindo a decrescer e a espécie encontra-se agora em vias de extinção. No último ano, o número total de espécimes ascendia a 250.000 animais.
 
Mas esta primavera, época de reprodução, foi catastrófica para a espécie. Quase metade da população mundial de saigas morreu de uma doença que ainda não foi identificada. Uma contagem oficial do Programa Ambiental das Nações Unidas dá conta da morte de 120.000 animais.
 
Foi já aberta uma investigação para apurar as causas das mortes e os conservacionistas e biólogos estão já a trabalhar no terreno, a recolher amostras de tecido animal para posterior análise laboratorial, escreve o Tree Hugger.
 
De acordo com a World Wide Fund for Nature, os saigas costumam viajar em manadas de 30 a 40 indivíduos, mas durante a migração primaveril, centenas destes animais juntam-se. As fêmeas dão à luz as suas crias todas ao mesmo tempo, normalmente no período de uma semana. Foi este encontro de primavera que terá sido o vector de propagação da doença entre os animais.
 
Antes de a doença ter dizimado a população global, a principal ameaça era a caça, tanto pela sua carne como pelos seus chifres, utilizados na medicina tradicional chinesa.
 
“Esta perda é um grande golpe para a conservação do saiga no Cazaquistão e no mundo, dado que 90% da população mundial de saigas se encontra no nosso país”, afirmou o vice-ministro da Agricultura do Cazaquistão, Erlan Nysynbaev, em comunicado. “É doloroso testemunhar esta mortalidade em massa”, conclui.

Maior parte dos glaciares do Evereste vai desaparecer com as alterações climáticas

Publicado por Green Savers e 03/06/2015
A maior parte dos glaciares da região do Monte Evereste deverá desaparecer ou derreter quase na totalidade à medida que as temperaturas forem aumentando, em consequência das alterações climáticas, ao longo do século. A conclusão é de uma nova investigação internacional.
 
O estudo estima que cerca de 5.500 glaciares da região Indocuche – local do Monte Evereste e de outros dos maiores picos do mundo – podem ver o seu volume reduzido entre 70% a 99% até 2100, o que terá consequências severas para a agricultura e grande hídrica da região no sopé destes cumes.
 
“O sinal de alterações futuras nos glaciares da região é claro: perda de massa continua e acelerada é uma probabilidade, dado o aumento projecto das temperaturas”, indica Joseph Shea, hidrologista glaciar no Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanha no Nepal, e líder do estudo, cita o Guardian.
 
Outra das conclusões da investigação é que os glaciares localizados a altitudes mais baixas vão derreter mais rápido porque a isoterma de zero graus – a altitude mínima à qual a temperatura atinge um valor de zero graus Celsius – vai elevar-se à medida que as temperaturas do ar aumentam.
 
“A isoterma de zero graus varia entre os 3.200 metros em Janeiro e os 5.500 metros em Agosto. Com base nas medições históricas de temperatura e no aquecimento projectado para 2100, a isoterma pode aumentar entre 800 a 1.200 metros”, afirma o co-autor do estudo, Walter Immerzeel, da Universidade de Utrecht.
 
“Uma subida destas não vai apenas reduzir a acumulação de gelo nos glaciares como também vai expor mais de 90% da área actualmente coberta por glaciares ao derretimento nos meses mais quentes”, acrescenta.
 
A investigação foi publicada na The Cryosphere, a revista científica da Associação Europeia de Geociências.

Tratamento hormonal controverso para vacas pode ajudar a travar o aquecimento global

Publicado por Green Savers em 20/06/2015
A indústria dos produtos lácteos tem um impacto nefasto no ambiente. De acordo com a World Wildlife Fund for Nature, cerca de 270 milhões de vacas por todo o mundo produzem leite para uma população em crescimento, que subsiste cada vez mais às custas de uma dieta ocidental. Estas vacas produzem grandes quantidades de metano, decorrente do funcionamento natural do seu organismo. Porém, o metano é 25 vezes mais potente que o dióxido de carbono no que concerne ao aquecimento global.
 
Um novo estudo da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, sugere que o uso direccionado de tratamentos hormonais pode tornar esta indústria mais eficiente e mais sustentável, além de reduzir os gases com efeito de estufa.
 
Estes tratamentos seriam aplicados às vacas, de maneira a que pudessem procriar mais novas. “Tratamentos hormonais rotineiros poderiam melhorar a eficiência ao fazer com que as vacas engravidassem mais cedo. Isto é melhor para o ambiente pois por cada litro de leite produzido seria necessário menos animais, o que dá origem a menos desperdício. Isto aplica-se a qualquer raça de vaca e à maioria das quintas, excepto para aquelas que já são excepcionalmente geridas”, explica Simon Archer, investigador principal do estudo e docente na Faculdade de Medicina Veterinária e Ciências da Universidade de Nottingham, cita o Phys.org.
 
Os resultados do estudo foram obtidos através de dados simulados de 10.000 manadas, cada com 200 vacas. Os resultados variaram de manada para manada, consoante as variáveis introduzidas pelos investigadores, mas para uma manada média, o tratamento hormonal permitira reduzir as emissões de metano num equivalente às de dois carros ou a uma casa de família ou 21 barris de crude. As conclusões foram publicadas na revista científica PLOS ONE.
 
Em 2050 estima-se que o crescimento em tamanho e riqueza da população humana conduza a uma procura de produtos de origem animal sem precedentes. As limitações dos recursos naturais implicam que o aumento da produtividade agrícola para suprir esta procura seja sustentável do ponto de vista ambiental. Os tratamentos hormonais aplicados às vacas poderiam ajudar a alcançar estes objectivos, mas a prática levanta várias questões éticas.
 
As vacas são já sujeitas a vários tratamentos hormonais de forma a desenvolverem mais músculo, para que possam dar mais carne. Porém, grande parte destas hormonas, semelhantes a testosterona, é excretada pelos animais e acabam por se infiltrar no solo. O mesmo aconteceria com o novo tratamento hormonal. Adicionalmente, quanto mais hormonas recebem as vacas maior será a quantidade de hormonas presentes no leite, que depois é consumido pelos humanos.
 
Embora seja importante desenvolver técnicas agrícolas e pecuárias que possam diminuir as emissões de metano, é igualmente importante que haja um escrutínio sobre a adição de mais hormonas artificiais à cadeia alimentar.

Biodiversidade marinha sofrerá grandes impactos mesmo que a temperatura da terra não aumente 2°C

Publicado por Green Savers em 11/06/2014
A biodiversidade marinha vai sofrer grandes alterações mesmo que o aquecimento global seja travado e a temperatura média do planeta não aumente 2°C. As espécies que habitam em águas mais frias vão migrar ou extinguir-se e serão substituídas pelas que vivem nas águas mais quentes – o que terá um grande impacto para a pesca industrial, já que a maior parte do peixe pescado é de água fria.
 
“Se as alterações climáticas não forem travadas rapidamente assistiremos a uma reorganização massiva da biodiversidade marinha a uma escala planetária”, indicam os investigadores do Centro Nacional para Investigação Científica de França, que elaboraram um estudo sobre as alterações da biodiversidade nas três eras da história terrestre, cita o Phys.org. O estudo foi publicado na revista científica Nature Climate Change.
 
O primeiro período a ser analisado foi o Plioceno, uma época terrestre caracterizada por temperaturas quentes que acabou há cerca de três milhões de anos. O segundo período analisado foi um de temperaturas muito mais frias – o pico da última Idade do Gelo, que também é conhecido como Último Máximo Glaciar, que ocorreu entre 26.500 a 20.000 atrás. O último período de análise compreendeu-se entre 1960 e 2013, outro período de aquecimento terrestre, mas agora potenciado pelo homem.
 
Posteriormente, os cientistas compararam os vários padrões com as projecções para o aquecimento global para 2100, que variam consoante o nível de emissões de gases com efeito de estufa dos próximos anos. As previsões mais optimistas, que assumem que a temperatura média terrestre apenas aumenta cerca de 1°C, apresentam um impacto mínimo para a biodiversidade marinha.
 
Porém, cenários mais drásticos, mas também mais reais pois são baseados nas actuais tendências de emissão de gases, assumem um aquecimento médio do planeta de 4,8°C, o que causará a maior alteração na biodiversidade marinha de pelo menos dos últimos três milhões de anos. Mesmo que a Cimeira Climática das Nações Unidas, a realizar no final do ano em Paris, consiga um acordo mundial para que a temperatura não aumente mais de 2°C até ao final do século, as alterações na biodiversidade marinha em 2100 vão ser três vezes superiores às ocorridas nos últimos 50 anos.
 
A investigação centrou-se nas espécies que habitam até 200 metros de profundidade, a parte mais valiosa dos ecossistemas marinhos para os humanos.

Sistema de limpeza dos oceanos vai começar a operar em 2016

Publicado por Green Savers em 05/06/2015
Um sistema inovador desenvolvido por um jovem holandês de 20 anos vai começar a limpar os detritos de plástico que existem nos oceanos já em 2016. O projecto chama-se “The Ocean Cleanup” e é da responsabilidade de Boyan Slat. Segundo o próprio, o sistema vai começar já a operar no próximo ano ao largo da costa da ilha de Tsushima, entre as águas do Japão e da Coreia do Sul.
 
Boyan Slat começou a desenvolveu o mecanismo em 2013, tendo contado posteriormente com o apoio de uma vasta equipa de engenheiros e cientistas. O Ocean Cleanup consiste numa plataforma flutuante que se move pelo oceano e aproveita as principais correntes marítimas para concentrar os detritos de plástico para posterior recolha. O sistema permite armazenar até 3.000 metros cúbicos de plástico de cada vez – o que equivale a uma piscina olímpica – num único local.
 
Segundo o jovem, o Ocean Cleanup é uma plataforma completamente auto-sustentável, que combina as tecnologias com o ambiente e que se alimenta através de sistemas de produção de energia solar e da força das correntes marinhas, escreve o City Metric.
 
Neste primeiro lançamento de 2016, a plataforma deverá limpar uma extensão de cerca de 2.000 metros de oceano, prevendo-se que fique em funcionamento pelo menos dois anos naquele local.
Nos próximos cinco anos, Slat ambiciona conseguir estender o alcance da plataforma até aos mil quilómetros para limpar cerca de metade da grande ilha de lixo do Pacífico, entre o Havai e a Califórnia, onde ao longo dos anos se tem vindo a acumular uma grande massa de plástico flutuante.