domingo, 21 de junho de 2015

Maior parte dos glaciares do Evereste vai desaparecer com as alterações climáticas

Publicado por Green Savers e 03/06/2015
A maior parte dos glaciares da região do Monte Evereste deverá desaparecer ou derreter quase na totalidade à medida que as temperaturas forem aumentando, em consequência das alterações climáticas, ao longo do século. A conclusão é de uma nova investigação internacional.
 
O estudo estima que cerca de 5.500 glaciares da região Indocuche – local do Monte Evereste e de outros dos maiores picos do mundo – podem ver o seu volume reduzido entre 70% a 99% até 2100, o que terá consequências severas para a agricultura e grande hídrica da região no sopé destes cumes.
 
“O sinal de alterações futuras nos glaciares da região é claro: perda de massa continua e acelerada é uma probabilidade, dado o aumento projecto das temperaturas”, indica Joseph Shea, hidrologista glaciar no Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanha no Nepal, e líder do estudo, cita o Guardian.
 
Outra das conclusões da investigação é que os glaciares localizados a altitudes mais baixas vão derreter mais rápido porque a isoterma de zero graus – a altitude mínima à qual a temperatura atinge um valor de zero graus Celsius – vai elevar-se à medida que as temperaturas do ar aumentam.
 
“A isoterma de zero graus varia entre os 3.200 metros em Janeiro e os 5.500 metros em Agosto. Com base nas medições históricas de temperatura e no aquecimento projectado para 2100, a isoterma pode aumentar entre 800 a 1.200 metros”, afirma o co-autor do estudo, Walter Immerzeel, da Universidade de Utrecht.
 
“Uma subida destas não vai apenas reduzir a acumulação de gelo nos glaciares como também vai expor mais de 90% da área actualmente coberta por glaciares ao derretimento nos meses mais quentes”, acrescenta.
 
A investigação foi publicada na The Cryosphere, a revista científica da Associação Europeia de Geociências.

Tratamento hormonal controverso para vacas pode ajudar a travar o aquecimento global

Publicado por Green Savers em 20/06/2015
A indústria dos produtos lácteos tem um impacto nefasto no ambiente. De acordo com a World Wildlife Fund for Nature, cerca de 270 milhões de vacas por todo o mundo produzem leite para uma população em crescimento, que subsiste cada vez mais às custas de uma dieta ocidental. Estas vacas produzem grandes quantidades de metano, decorrente do funcionamento natural do seu organismo. Porém, o metano é 25 vezes mais potente que o dióxido de carbono no que concerne ao aquecimento global.
 
Um novo estudo da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, sugere que o uso direccionado de tratamentos hormonais pode tornar esta indústria mais eficiente e mais sustentável, além de reduzir os gases com efeito de estufa.
 
Estes tratamentos seriam aplicados às vacas, de maneira a que pudessem procriar mais novas. “Tratamentos hormonais rotineiros poderiam melhorar a eficiência ao fazer com que as vacas engravidassem mais cedo. Isto é melhor para o ambiente pois por cada litro de leite produzido seria necessário menos animais, o que dá origem a menos desperdício. Isto aplica-se a qualquer raça de vaca e à maioria das quintas, excepto para aquelas que já são excepcionalmente geridas”, explica Simon Archer, investigador principal do estudo e docente na Faculdade de Medicina Veterinária e Ciências da Universidade de Nottingham, cita o Phys.org.
 
Os resultados do estudo foram obtidos através de dados simulados de 10.000 manadas, cada com 200 vacas. Os resultados variaram de manada para manada, consoante as variáveis introduzidas pelos investigadores, mas para uma manada média, o tratamento hormonal permitira reduzir as emissões de metano num equivalente às de dois carros ou a uma casa de família ou 21 barris de crude. As conclusões foram publicadas na revista científica PLOS ONE.
 
Em 2050 estima-se que o crescimento em tamanho e riqueza da população humana conduza a uma procura de produtos de origem animal sem precedentes. As limitações dos recursos naturais implicam que o aumento da produtividade agrícola para suprir esta procura seja sustentável do ponto de vista ambiental. Os tratamentos hormonais aplicados às vacas poderiam ajudar a alcançar estes objectivos, mas a prática levanta várias questões éticas.
 
As vacas são já sujeitas a vários tratamentos hormonais de forma a desenvolverem mais músculo, para que possam dar mais carne. Porém, grande parte destas hormonas, semelhantes a testosterona, é excretada pelos animais e acabam por se infiltrar no solo. O mesmo aconteceria com o novo tratamento hormonal. Adicionalmente, quanto mais hormonas recebem as vacas maior será a quantidade de hormonas presentes no leite, que depois é consumido pelos humanos.
 
Embora seja importante desenvolver técnicas agrícolas e pecuárias que possam diminuir as emissões de metano, é igualmente importante que haja um escrutínio sobre a adição de mais hormonas artificiais à cadeia alimentar.

Biodiversidade marinha sofrerá grandes impactos mesmo que a temperatura da terra não aumente 2°C

Publicado por Green Savers em 11/06/2014
A biodiversidade marinha vai sofrer grandes alterações mesmo que o aquecimento global seja travado e a temperatura média do planeta não aumente 2°C. As espécies que habitam em águas mais frias vão migrar ou extinguir-se e serão substituídas pelas que vivem nas águas mais quentes – o que terá um grande impacto para a pesca industrial, já que a maior parte do peixe pescado é de água fria.
 
“Se as alterações climáticas não forem travadas rapidamente assistiremos a uma reorganização massiva da biodiversidade marinha a uma escala planetária”, indicam os investigadores do Centro Nacional para Investigação Científica de França, que elaboraram um estudo sobre as alterações da biodiversidade nas três eras da história terrestre, cita o Phys.org. O estudo foi publicado na revista científica Nature Climate Change.
 
O primeiro período a ser analisado foi o Plioceno, uma época terrestre caracterizada por temperaturas quentes que acabou há cerca de três milhões de anos. O segundo período analisado foi um de temperaturas muito mais frias – o pico da última Idade do Gelo, que também é conhecido como Último Máximo Glaciar, que ocorreu entre 26.500 a 20.000 atrás. O último período de análise compreendeu-se entre 1960 e 2013, outro período de aquecimento terrestre, mas agora potenciado pelo homem.
 
Posteriormente, os cientistas compararam os vários padrões com as projecções para o aquecimento global para 2100, que variam consoante o nível de emissões de gases com efeito de estufa dos próximos anos. As previsões mais optimistas, que assumem que a temperatura média terrestre apenas aumenta cerca de 1°C, apresentam um impacto mínimo para a biodiversidade marinha.
 
Porém, cenários mais drásticos, mas também mais reais pois são baseados nas actuais tendências de emissão de gases, assumem um aquecimento médio do planeta de 4,8°C, o que causará a maior alteração na biodiversidade marinha de pelo menos dos últimos três milhões de anos. Mesmo que a Cimeira Climática das Nações Unidas, a realizar no final do ano em Paris, consiga um acordo mundial para que a temperatura não aumente mais de 2°C até ao final do século, as alterações na biodiversidade marinha em 2100 vão ser três vezes superiores às ocorridas nos últimos 50 anos.
 
A investigação centrou-se nas espécies que habitam até 200 metros de profundidade, a parte mais valiosa dos ecossistemas marinhos para os humanos.

Sistema de limpeza dos oceanos vai começar a operar em 2016

Publicado por Green Savers em 05/06/2015
Um sistema inovador desenvolvido por um jovem holandês de 20 anos vai começar a limpar os detritos de plástico que existem nos oceanos já em 2016. O projecto chama-se “The Ocean Cleanup” e é da responsabilidade de Boyan Slat. Segundo o próprio, o sistema vai começar já a operar no próximo ano ao largo da costa da ilha de Tsushima, entre as águas do Japão e da Coreia do Sul.
 
Boyan Slat começou a desenvolveu o mecanismo em 2013, tendo contado posteriormente com o apoio de uma vasta equipa de engenheiros e cientistas. O Ocean Cleanup consiste numa plataforma flutuante que se move pelo oceano e aproveita as principais correntes marítimas para concentrar os detritos de plástico para posterior recolha. O sistema permite armazenar até 3.000 metros cúbicos de plástico de cada vez – o que equivale a uma piscina olímpica – num único local.
 
Segundo o jovem, o Ocean Cleanup é uma plataforma completamente auto-sustentável, que combina as tecnologias com o ambiente e que se alimenta através de sistemas de produção de energia solar e da força das correntes marinhas, escreve o City Metric.
 
Neste primeiro lançamento de 2016, a plataforma deverá limpar uma extensão de cerca de 2.000 metros de oceano, prevendo-se que fique em funcionamento pelo menos dois anos naquele local.
Nos próximos cinco anos, Slat ambiciona conseguir estender o alcance da plataforma até aos mil quilómetros para limpar cerca de metade da grande ilha de lixo do Pacífico, entre o Havai e a Califórnia, onde ao longo dos anos se tem vindo a acumular uma grande massa de plástico flutuante.

Borracha geradora de energia pode carregar gadgets a curto prazo

Publicado por Green Savers em 11/06/2015
A Universidade de Ciência de Tóquio e a empresa Ricoh estão a anunciar um novo material flexível que transforma a pressão e a vibração em energia eléctrica com alta eficiência. O projecto, denominado Borracha Geradora de Electricidade, foi desenvolvido tendo por base que, no futuro, o calçado normal ou de corrida poderá ser o acessório de carregamento dos nossos dispositivos móveis, como smartphones ou smartwatches.
 
“Os materiais piezoelétricos – que geram electricidade através da pressão mecânica – estão a captar a atenção enquanto materiais de recolha de energia. Estes materiais consistem em tecnologia ou processos de produção eléctrica com base em fontes externas, tais como pressão, vibração, luz, energia térmica, e ondas de rádio”, explica a empresa em comunicado. “Os principais materiais piezoelétricos correspondem à cerâmica ou polímeros, contudo, cada um apresenta limitações que impedem que sejam massificados no uso prático”.
 
A cerâmica piezoelétrica é utilizada apenas em casos específicos, devido à sua fragilidade e peso elevado, embora o material tenha a capacidade de gerar bastante electricidade. Por sua vez, o polímero piezoelétrico produz menos electricidade, apesar de obter flexibilidade através da redução da densidade.
 
“Imagine-se o seu uso na sola dos sapatos ou calçado de corrida, para gerar energia enquanto caminhamos e que possa ser suficiente para alimentar os sensores de movimento integrados, dispensando a utilização de equipamentos no pulso para contar os nossos passos. Ou, por exemplo, ser usado como carregador de bateria dos novos smartwatches”, explica a empresa.
 
A Borracha Geradora de Eletricidade produz um nível de electricidade tão elevado como as cerâmicas, enquanto a sua aparência é flexível como uma folha. Tendo em conta que o novo material supera as deficiências das cerâmicas e polímeros piezoelétricos, espera-se que este seja aplicado em diversos domínios, conjugando as vantagens de flexibilidade e alta potência.
 
Na verdade, o mecanismo desta solução não é o mesmo que os materiais piezoelétricos anteriores. A Ricoh, em colaboração com a Universidade de Ciência de Tokyo, lançou mecanismos de análise a nível molecular, com recurso a química computacional inovadora. Os resultados do estudo vão, no futuro, expandir as possibilidades do material e contribuir para o seu desenvolvimento e aplicação, em vários áreas e domínios.
 
A Borracha Geradora de Energia tem a sensibilidade necessária para a carga leve e a durabilidade para a carga pesada, através da combinação de potência equivalente às cerâmicas e flexibilidade superior aos polímeros. Além disso, ela traz vantagens ao nível de produtividade, uma vez que é maleável e não requer processos de alta temperatura como as cerâmicas.
 
Flexível, de alta potência, duradoura, manobrável e produtiva, a Borracha Geradora de Energia pode ser instalada em diversas localizações e espaços amplos. “Este material pode ser usado nos múltiplos domínios do mercado em geral, ao contrário das cerâmicas e polímeros”, conclui a empresa.

Cirurgia revolucionária cura diabetes tipo 2

Publicado por Green Savers em 21/06/2015
Um médico espanhol conseguiu reverter a diabetes tipo 2 em milhares de pacientes obesos, através de uma cirurgia revolucionária que vem trazer uma nova esperança para os 382 milhões de pessoas que sofrem desta doença em todo o mundo. A técnica foi desenvolvida por Carlos Ballesta, médico do Hospital Ruber Internacional, em Madrid.
 
Os especialistas calculam que a doença afecte entre 250.000 a 500.000 portugueses, avança o agregador O Meu Bem Estar, mas muitos deles ainda estão por diagnosticar. Apesar dos avanços da investigação científica, estilos de vida mais sedentários e má alimentação contribuem para a proliferação da doença, principalmente no mundo ocidental.
Enquanto tratava os seus pacientes obesos, Carlos Ballesta, chefe da Unidade de Obesidade e Diabetes do referido hospital, descobriu que a cirurgia de redução de apetite desenvolvida por si permitia também reverter o problema da diabetes. Ao contrário do “bypass” gástrico tradicional, a técnica de Ballesta, chamada de cirurgia metabólica, actua na zona do intestino que está ligada ao cólon, onde actuam as hormonas que metabolizam a insulina. A taxa de sucesso da intervenção ronda os 97%, escreve o jornal espanhol ABC.
“Os resultados da cirurgia implementada são extraordinários”, refe o médico ao jornal. A intervenção é pouco invasiva, pois é feita através de laparoscopia, e não deixa cicatrizes no paciente. Como tal, é considerada uma operação de baixo risco e o paciente pode ter alta nas 48 a 72 horas seguintes.
A cirurgia só pode, no entanto, ser aplicada em pacientes com excesso de peso. “Todas as pessoas que tenham um Índice de Massa Corporal superior a 35 ou que apresentem um excesso de peso de cerca de 30 quilos e que sejam diabéticas, hipertensas ou sofram de alguma patologia relacionada com o excesso de peso, como por exemplo hérnias discais, são indicadas para esta cirurgia”, explica Carlos Ballesta.
Desde que desenvolveu a técnica, Ballesta já operou mais de 3.000 diabéticos em toda a Espanha.

sábado, 6 de junho de 2015

Alterações climáticas estão a potenciar uma “nova era” no Árctico

Publicado por Green Savers em 27/05/2015
Uma mudança na camada de gelo permanente em que a camada mais fina desaparece no verão tem grandes implicações no ambiente. É por isso que os investigadores do Instituto Polar Norueguês defendem que o Oceano Árctico está a entrar numa “nova era” com as alterações climáticas.
 
A 25 de Fevereiro deste ano, a superfície gelada do Oceano Árctico registou um mínimo histórico. Desde 2002 que o tamanho do manto gelado de inverno do Árctico tem vindo a diminuir. Em 2013 aumentou ligeiramente, mas em 2014 voltou a diminuir. Os cientistas não sabem ao certo o que causa estas variações dramáticas, mas sabem que a tendência é para que o manto de inverno continue a diminuir de ano para ano.
 
Perante as alterações extremas que começam a acontecer nos pólos, esta equipa de cientistas noruegueses quer perceber quais as reais implicações para o ambiente, já que se pode tratar de uma reacção em cadeia.
 
A bordo do navio científico “Lance”, a equipa do Instituto Polar Norueguês começou já a monitorizar estas alterações. No último inverno, a expedição conseguiu chegar a cerca de 800 quilómetros do Pólo Norte nos meses mais frios. Segundo explica o director da instituição norueguesa, Jan-Gunnar Winther, à BBC, é através das medições do gelo durante o inverno que se podem retirar conclusões e definir cenários futuros.
 
“Não temos quase nenhuns dados sobre o Oceano Árctico no inverno – com algumas excepções -, por isso esta informação é muito importante para percebermos o processo de congelamento do gelo no início do inverno e também aqui estaremos quando começar a derreter no verão”, afirma Jan-Gunnar Winther.
 
Recolher dados sobre as condições do gelo vai permitir melhorar os modelos climáticos o que, por sua vez, ajudará a minimizar a margem de erro das projecções sobre as alterações climáticas.