terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Sonda japonesa já vai a caminho de um asteróide

AFP

Em 2020, sonda vai trazer para a Terra amostras de um asteróide para se analisar matéria orgânica e água.
A partida do foguetão com a sonda japonesa a bordo
A sonda japonesa Hayabusa-2, que se encontrará com um asteróide em 2018, foi colocada no espaço pelo foguetão japonês H-2A nesta quarta-feira, de acordo com a agência espacial japonesa (JAXA).
 
O foguetão descolou às 13h22 (4h22, hora de Lisboa) da base espacial de Tanegashima, com um céu azul com algumas nuvens ao fundo. Desde domingo que o lançamento foi adiado duas vezes devido às más condições meteorológicas. “A trajectória seguida pelo foguetão está de acordo com o plano de voo”, assegurou um comentador da JAXA alguns minutos após a descolagem.
 
No entanto, foi necessário esperar 1h47 para que a sonda Hayabusa-2 se separasse do foguetão. “A separação da Hayabusa-2 foi confirmada”, declarou uma comentadora da agência, ao mesmo tempo que o canal público de televisão japonês NHK exibiu imagens da equipa da JAXA, felicitando o seu trabalho.
 
A Hayabusa -2 irá agora dirigir-se ao 1999 JU3, um asteróide antigo, com uma forma mais ou menos esférica e com menos de um quilómetro de diâmetro. Espera-se que a sonda atinja o objecto em meados de 2018.
 
O objectivo da missão é descer com um aparelho até ao chão do asteróide para recolher uma amostra e trazê-la para a Terra em 2020. Os cientistas querem procurar água e matéria orgânica nas amostras vindas deste antigo asteróide que, se forem encontradas, poderão dar informações sobre a composição original do nosso sistema solar. Com esta informação espera-se compreender melhor a formação dos planetas e as condições que permitiram o aparecimento de vida na Terra.
 
“Esta missão de recolha de matéria primitiva tem o potencial de revolucionar a nossa compreensão das condições de formação dos planetas”, escreveu a equipa da JAXA que lidera o projecto.
 
A missão Hayabusa-2 segue-se à missão similar Hayabusa, de 2003, e beneficia de tecnologias que foram melhoradas depois das lições tiradas da primeira missão, que teve vários problemas. A sonda Hayabusa só voltou à Terra em 2010, depois de uma epopeia de sete anos no espaço.

Universidade do Algarve está a criar pepinos-do-mar em terra



Os chineses correm meio mundo em busca de uns animais, com o corpo em forma de chouriço, que fazem as delícias à mesa dos orientais – são os pepinos-do-mar, desprezados pelos portugueses. No mercado asiático, depois de secos, chegam a custar 150 a 200 euros por quilo
 

Um dos pepinos-do-mar estudados na estação-piloto do Ramalhete, Algarve
Qual a diferença entre os pepinos produzidos em terra ou no mar? Só existe semelhança na forma e no facto de ambos serem comestíveis e de agrado popular – mas um é vegetal e o outro não. O preço de um pepino dos oceanos – animal da família dos ouriços-do-mar e das estrelas-do-mar – pode chegar aos 150 a 200 euros por quilo seco. Os chineses correm o mundo em busca destes animais, atribuindo-lhes propriedades singulares na alimentação e, na medicina popular, dizem ter poderes afrodisíacos. No Norte da Turquia, nos últimos dois anos, foram pescados 700 mil a um milhão de indivíduos por dia – uma razia que se está a repetir no Norte de África.
No Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, a investigadora espanhola Mercedes González Wangüemert, está a investigar há cinco anos aos pepinos-do-mar. Antes, esteve em Girona e Múrcia, Espanha, a estudar a genética de populações marinhas de outros animais, como pargos e lesmas-do-mar. Está preocupada com a inexistência de legislação que proteja estes invertebrados marinhos em risco de extinção nalguns pontos do globo e defende a monitorização das capturas. “Não existe legislação que regule a pescaria. A zona Norte da Turquia foi dizimada, e agora viraram-se para sul, colocando em perigo a sobrevivência das espécies.”

A partir do Norte de Marrocos estão agora a ser exportadas “toneladas de pepinos-do-mar” para São Francisco, nos Estados Unidos, onde há uma importante comunidade chinesa. A informação sobre o que se está a passar nesses mares tem-lhe chegado através de um investigador local que colabora com a equipa da Universidade do Algarve.
 
Nos mares do Índico e Pacífico, devido à procura desenfreada, há zonas onde estes animais quase desapareceram por completo. Por isso, uma vez esgotados os recursos nas zonas dos trópicos, as capturas passaram a fazer-se no Mediterrâneo e no Atlântico europeu. Além do valor nutricional (possíveis antioxidantes e ácido gordo ómega-3), pode ainda ser utilizado na obtenção de substâncias para fins terapêuticos. Na ausência de normas que protejam estes animais, as capturas são livres.
 
No Algarve, entre a comunidade piscatória, os pepinos-do-mar são conhecidos pelo nome popular que deriva da sua forma fálica. O tamanho médio da espécie Holothuria arguinensis oscila entre 15 a 20 centímetros, mas na ilha da Culatra, na ria Formosa, já foi encontrado um exemplar com 65 centímetros.
 
A equipa do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, que inclui dez investigadores, conseguiu entretanto reproduzir pepinos-do-mar em sistema de aquacultura, na estação-piloto do Ramalhete, na ria Formosa. Nasceram há cerca de três meses as primeiras crias de uma das espécies de pepinos-do-mar de maior valor comercial – precisamente a Holothuria arguinensis, existente no Algarve, na costa ocidental de Portugal até Peniche, nas ilhas Canárias e no Noroeste de África.
 
“Isto é como cuidar de uma criança”, comenta Mercedes González Wangüemert, a coordenadora do projecto, ao observar o aquário os 40 juvenis, com 1,5 centímetros de comprimento.
 
É neste mundo aquático da Estação Experimental do Ramalhete – instalada num velho armazém de apoio às antigas armações de atum da Companhia de Pescarias do Algarve, perto de Faro, e rodeada de salinas – que a vida corre numa aparente tranquilidade. Jorge Domínguez Godino, um jovem biólogo espanhol com um doutoramento nesta área, recorda o momento em que, através de um choque térmico, na última Primavera, promoveu a reprodução induzida da Holothuria arguinensis – os machos lançaram o esperma na água, as fêmeas os óvulos e natureza fez o resto. O resultado não podia ser melhor. “Um êxito”, enfatiza.
 
Na fase seguinte, para o próximo ano, espera que não faltem apoios financeiros para levar a cabo o estudo noutras latitudes. “Ainda falta saber muito sobre estes animais”, comenta Jorge Domínguez Godino, lembrando que há 66 espécies comestíveis de pepinos-do-mar.
 
Próximo passo: a produção em escala

O CumFish, como se chama este projecto de investigação iniciado em 2012 e a terminar no próximo mês de Janeiro, permitiu estudar as cinco espécies de pepinos-do-mar sobre as quais se exerce a maior pressão a nível mundial: além da Holothuria arguinensis, a Holothuria polii e Holothuria tubulosa (que se encontram só no Mediterrâneo) e a Holothuria mammata e Parastichopus regalis (que se encontram Mediterrâneo e Atlântico).
 
A reprodução conseguida no Algarve revestiu-se de particular significado por ser de uma das espécies de pepinos-do-mar mais cobiçadas, e não se conheciam as formas de a fazer multiplicar fora do seu habitat. O sucesso, explicou a coordenadora do projecto, foi conseguir fazer a passagem da fase de larva para juvenil, que é marcada pela “ocorrência de muitas mortes”, tanto em meio natural como em aquacultura. Por outro lado, salienta que, em paralelo, a equipa do Centro de Ciências do Mar “fabricou” as microalgas para alimentar as crias.
 
Entretanto, o Outono foi trazendo o frio e a temperatura da água dos tanques e do mar baixou. E os pepinos-do-mar mudaram de hábitos. Para se protegerem do frio, agruparam-se como se estivessem à lareira. “Muito interessante”, observa Mercedes González Wangüemert.
 
Centrado na estação do Ramalhete, o trabalho contou com uma vasta rede internacional de parcerias, de que se destaca a Universidade de Ordu, na Turquia, a Universidade de Reunião, na Polinésia Francesa, Museu de História Natural de Paris, o Instituto de Ciências Marinhas da Austrália e o Instituto de Investigações Marinhas e Costeiras, na Colômbia. “Juntámos esforços e unimos os conhecimentos”, observa Mercedes González Wangüemert, sublinhando ainda contributos de cientistas no Irão, Grécia, Itália, Holanda, Panamá e Reino Unido.
 
Para o avanço deste projecto, a investigadora considera que foram determinantes os 163 mil euros da Fundação para Ciência e a Tecnologia, além de outros 88 mil euros de outras entidades. “Não me posso queixar”, diz. “Em tempo de dificuldades, é importante valorizar a transferência de conhecimento para a investigação aplicada”, observa, sublinhando a necessidade de dar seguimento ao projecto, com vista a produzir pepinos-do-mar em aquacultura.
 
Nesse sentido, a equipa ultima uma proposta em que prevê um investimento de 250 a 300 mil euros, nos próximos três anos, para saltar da fase de laboratorial para a produção na escala das toneladas.
 
É certo que os chineses já cultivam pepinos-do-mar em aquacultura há décadas. Mas são espécies da região, diz Mercedes González Wangüemert. A maior parte da produção, cerca de 80%, é obtida em sistema de aquacultura (100 mil hectares), na província chinesa de Shandong. Em 2010, a China produziu 100 mil toneladas de pepinos-do-mar, mas a produção não chega para as encomendas. É por isso que ter conseguido reproduzir em aquacultura uma espécie de grande valor comercial como a Holothuria arguinensis é importante.
 
Da Turquia, em 2012, a China importou mais de 600 toneladas de pepinos-do-mar. Mas as suas importações globais vão para além disso: por exemplo, em 2011 importou 6000 toneladas, sendo o país com a maior fatia de importações destes animais (Singapura ou a Malásia também os importam, mas em quantidades muito mais pequenas).
 
"Cozinhei-os com cerveja e é muito bom”

Em Portugal, não existe sequer tradição no consumo destes bichos, mas as coisas poderão estar a mudar. “Já encontrámos duas ou três pessoas a pescar na ria Formosa. Julgamos que será apenas para consumo local, nos restaurantes chineses”, refere Jorge Domínguez Godino.
 
Em Quarteira, o mestre da pesca do polvo José Agostinho fala do lado não científico do seu contacto com os pepinos-do-mar. “Quando apanhamos esses bichos – e durante o Verão aparecem com frequência nos covos –, devolvemo-los ao mar, porque ninguém lhes dá valor”. Do que se recorda, José Agostinho diz que “só há dois ou três anos é que apareceu um indivíduo a dizer que pagava entre 70 a 90 cêntimos por quilo”.
 
O pepino-do-mar, depois de capturado, é submetido a uma operação de limpeza em que lhe é retirado todo o aparelho digestivo e fica a secar. Quando chega à cozinha, é confeccionado como se fosse polvo. Apesar da falta de hábitos de consumo destas espécies em Portugal, José Agostinho garante: “Cozinhei pepinos-do-mar com cerveja, e é muito bom.”
 
Em Sesimbra, há cerca de sete meses, instalou-se uma empresa de capitais da Malásia para começar a exportar este produto. Mas não foi bem-sucedida. Ao fim de dois meses, cancelou o contrato de aluguer do armazém à empresa Docapesca, porque as capturas feitas pelos pescadores da zona não terão obtido a quantidade e a qualidade que esperariam. “Provavelmente, faltou-lhes o conhecimento”, observa Mercedes González Wangüemert, que gosta de meter os pés e as mãos nos sapais da ria Formosa para estudar a morfologia destes animais – bonitos aos olhos dos cientistas, mas não de toda a gente.
 

Choques das enguias eléctricas controlam à distância as suas presas

Will Dunham /Reuters

Como se tivessem um controlo remoto, as enguias eléctricas conseguem activar à distância neurónios dos peixes que estão perto de si, fazendo-os contorcer-se e revelar a sua presença.
A enguia eléctrica vive nas bacias hidrográficas de rios da América do Sul
 
Já se sabe que as enguias eléctricas podem disparar uma potente descarga eléctrica para atordoar as suas presas. Mas este choque pode ser também usado para obrigar os peixes que estão escondidos a denunciarem-se a si próprios, revela um novo artigo na última edição da revista Science.


Enguia a atacar um peixe depois de o ter imobilizado com um choque eléctrico
Este novo estudo mostra que as enguias usam os choques para controlarem remotamente as suas vítimas, fazendo com que peixes que estão escondidos se contorçam, denunciando assim a sua localização.

“Aparentemente, as enguias inventaram as armas de electrochoque muito antes dos humanos”, diz o biólogo Keneth Catania, único autor do artigo, da Universidade de Vanderbilt, em Nashville, no Tennessee, Estados Unidos.
O estudo revela precisamente o que o choque da enguia faz às suas vítimas. Em experiências de laboratório, o cientista mostrou como as descargas eléctricas das enguias activam à distância os neurónios das presas, que por sua vez activam os seus músculos.
Enquanto anda à caça, uma enguia dá periodicamente dois choques eléctricos de grande voltagem, separados por dois milissegundos. Dessa forma, provoca a contorção involuntária nas presas que estão por ali. Como é muito sensível aos movimentos na água, a enguia pode então detectar as contorções dos peixes, ficando a saber a localização dos que estão escondidos.
Depois, a enguia dá um choque eléctrico muito forte e prolongado para imobilizar completamente a presa, que sofre uma contracção muscular – tal como as contracções provocadas pelos aparelhos de electrochoques. Isto permite a captura fácil da presa.
“Passei uma grande parte da minha carreira a examinar as adaptações extremas dos animais e as suas habilidades. Já vi muita coisa interessante, mas as capacidades das enguias são espantosas, talvez a coisa mais surpreendente que já observei”, enfatiza Keneth Catania. “Afinal, elas podem gerar centenas de volts – que, só por si, já é incrível. Mas usar essa habilidade essencialmente para atingir [à distância] o sistema nervoso de outro animal e activar os seus músculos é um belo truque.”
As enguias eléctricas (Electrophorus electricus) têm um corpo em forma de serpente e cabeças achatadas, e podem chegar a medir entre 1,8 e 2,5 metros. Estes peixes vivem nas bacias hidrográficas dos rios Amazonas e Orinoco, na América do Sul.
As enguias têm órgãos eléctricos compostos por células especializadas chamadas precisamente “células eléctricas”, que funcionam como baterias e podem gerar uma descarga até aos 600 volts.
“Apesar de não se ter conhecimento de casos de mortes de pessoas devido aos choques eléctricos de enguias, elas são capazes de incapacitar humanos, cavalos e, obviamente, peixes com as suas descargas”, diz o biólogo.
Segundo o cientista, as enguias ainda usam esta capacidade com um terceiro objectivo: periodicamente, fazem descargas de baixa voltagem que funcionam como um radar para navegar em águas escuras e turvas.
 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Telescópio ALMA revela nascimento de planetas

Texto de Virgílio Azevedo publicado pelo jornal Expresso em 06/11/2014
 
Uma nova imagem do supertelescópio internacional localizado no Chile, revela com um detalhe nunca antes conseguido um disco de formação de planetas em volta de uma estrela.
Esta é a imagem mais nítida de sempre de um disco de formação de planetas em torno de uma estrela, a HL Tauri, que fica a 450 anos-luz da Terra. Foi obtida pelo supertelescópio internacional ALMA, localizado no deserto de Atacama, no Chile. / ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)
A imagem de um disco de formação planetária em torno de uma estrela jovem, com uma resolução nunca antes alcançada, acaba de ser revelada pelo telescópio ALMA, localizado no deserto de Atacama, no Chile.
 
"É um enorme passo em frente no estudo do desenvolvimento de discos protoplanetários e formação de planetas", afirma um comunicado do Observatório Europeu do Sul (ESO).
 
Os astrofísicos apontaram as 66 grandes antenas parabólicas do ALMA para a estrela jovem HL Tauri, situada a 450 anos-luz da Terra, na Via Láctea, que se encontra rodeada por um disco de poeira.
 
Exceder as expectativas
A imagem resultante excedeu todas as expectativas, já que revela um detalhe inesperado no disco de material que sobrou da formação da estrela, mostrando uma série de anéis brilhantes concêntricos separados por espaços.
"Estas estruturas são quase de certeza o resultado de jovens corpos do tipo planetário a formarem-se no disco. Este facto é algo surpreendente já que não se espera que tais estrelas jovens possuam na sua órbita corpos planetários suficientemente grandes, capazes de produzir as estruturas observadas na imagem", afirma Stuartt Corder, diretor adjunto do ALMA.

"Assim que vimos esta imagem ficámos estupefactos, sem palavras, com o nível de detalhe espectacular alcançado. A HL Tauri não tem mais do que um milhão de anos e, no entanto, parece que o seu disco está já repleto de planetas em formação. Só esta imagem já é suficiente para revolucionar as teorias de formação planetária", confessa por sua vez Catherine Vlahakis, da equipa de investigadores ligada ao supertelescópio.
 
Formação de planetas mais rápida do que se pensava
O disco da HL Tauri parece estar muito mais desenvolvido do que seria de esperar de um sistema com esta idade. Ou seja, a imagem ALMA sugere que o processo de formação planetária deve ser muito mais rápido do que o que os astrofísicos pensavam até agora.

 Estrelas jovens como a HL Tauri nascem em nuvens de gás e poeira fina, em regiões que colapsaram devido ao efeito da gravidade e formaram núcleos densos e quentes, que eventualmente incendiar-se-ão dando origem a jovens estrelas.
 
Estas estrelas estão inicialmente embebidas num casulo do gás e da poeira que restou da sua formação. É este material que dá origem ao chamado disco protoplanetário.
 
É devido às muitas colisões que sofrem, que as partículas de poeira vão-se juntando, crescendo em nodos do tamanho de grãos de areia e pedrinhas. Finalmente, asteróides, cometas e até planetas formar-se-ão no disco. Os jovens planetas quebram o disco, dando origem a anéis, espaços e buracos vazios, tais como os que se observaram agora nas estruturas vistas pelo ALMA.
 
Saber como se formou a Terra
A investigação destes discos protoplanetários é crucial para saber como é que a Terra se formou no Sistema Solar. Observar os primeiros estádios de formação planetária em torno da HL Tauri pode mostrar como é que o nosso próprio sistema planetário seria há mais de quatro mil milhões de anos atrás, aquando da sua formação.

 "A maior parte do que sabemos hoje acerca da formação planetária baseia-se na teoria. Imagens com este nível de detalhe têm sido, até agora, relegadas para simulações de computador e impressões artísticas. Esta imagem de alta resolução da HL Tauri mostra-nos até onde o ALMA pode chegar e dá início a uma nova era na exploração da formação de estrelas e planetas," sublinha Tim de Zeeuw, diretor-geral do ESO.
 
O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) é um supertelescópio internacional que resulta de uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com o Chile. É financiado pelo Observatório Europeu do Sul (ESO), Fundação Nacional para a Ciência dos EUA (NSF) em cooperação com o Conselho Nacional de Investigação do Canadá (NRC), e os Institutos Nacionais de Ciências da Natureza (NINS) do Japão em cooperação com a Academia Sínica de Taiwan.
 
 

 

domingo, 2 de novembro de 2014

Novo teste deteta doenças raras


Pais&filhos
Novo teste deteta doenças raras      

No campo das doenças raras, uma das primeiras grandes dificuldades é diagnosticar a patologia exata, dado que muitos sinais e sintomas são comuns a várias situações. Mas este obstáculo pode estar prestes a ser ultrapassado, se um novo teste genético desenvolvido nos Estados Unidos passar a ser utilizado regularmente.
 
O exame denomina-se “sequenciação exomática” e não é mais que a comparação simultânea do código genético da pessoa suspeita de padecer de uma doença rara e dos seus pais. A análise, criada pela Universidade da Califórnia, é tão precisa que consegue detetar uma única mutação genética e, daí, proceder ao respetivo diagnóstico. No caso das crianças, esta precocidade é determinante para o acompanhamento clínico adequado, uma vez que quanto mais cedo as terapias começarem, melhores perspetivas de gestão da patologia e bem-estar existem.
 
A primeira criança a beneficiar do teste foi um bebé que, aos dez meses, apresentava graves problemas digestivos e de mobilidade. Após um conjunto de outras análises darem resultados inconclusivos, os pais foram desafiados a submeterem-se, e ao filho, à “sequenciação exomática”. O teste genético revelou uma mutação no 18.º cromossoma e o diagnóstico foi Síndrome de Pitt-Hopkins, uma doença raríssima que atinge apenas 250 crianças em todo o mundo.
 
A rapidez na deteção da doença permitiu à família iniciar um tratamento específico, de acordo com o artigo publicado na edição de outubro do “Journal of the American Medical Association”. O novo exame consegue rever os cerca de 20 mil genes de cada pessoa em minutos e centra-se no exoma, a parte do ADN responsável por 85% dos erros genéticos.
 
“O nosso estudo é o primeiro a demonstrar que sequenciar o genoma de uma criança ao mesmo tempo dos dois genomas dos pais aumenta dramaticamente as hipóteses dos geneticistas chegarem a um diagnóstico rigoroso das síndromes raras”, garantiu Stan Nelson, professor catedrático da Universidade da Califórnia. O mesmo investigador defende que a “sequenciação exomática” deveria ser vista como uma ferramenta de rotina, a utilizar quando outros testes são inconclusivos e a criança apresenta sinais de debilidades ou atrasos no desenvolvimento esperado.

Cientistas descobrem fruto que pode curar cancro

TSF

É um fruto que só existe na floresta do norte de Queensland, na Austrália, proveniente de uma árvore a que chamam "blushwood". O componente que revela eficácia contra o cancro estará nas sementes desse fruto.
A investigação está a ser feita pelos cientistas do Instituto Berghofer (QIMR Berghofer Medical Research Institute), que conseguiram curar tumores malígnos com uma injeção de EBC-46, um composto extraído a partir desse fruto.

Já foram feitos com sucesso vários testes com animais que comprovaram a eficácia científica do composto, conforme avança a revista científica PLOS One.

A nova droga foi descoberta pelo laboratório de biotecnologia EcoBiotics e, em breve, deve ser iniciada uma fase experimental com aplicação a humanos.

© The Australian
No entanto, de acordo com o The Guardian, mesmo que essas experiências em humanos venham a revelar sucesso, não é provável que esta droga possa substituir a quimioterapia.

Um ivestigador do Instituto Berghofer sublinha, contudo, que a EBC-46 «pode vir a ser eventualmente usada nalgumas pessoas nas quais, por alguma razão, a quimioterapia não resulte ou em doentes idosos que já não consigam suportar esse processo de tratamento.

ONU: Lixo eletrónico já atingiu os 500 milhões de toneladas

TSF
 
As Nações Unidas advertem para o impacto ecológico negativo de milhões de telemóveis, máquinas digitais, computadores, tablets e demais artigos eletrónicos que, anualmente, acabam no lixo comum.
De acordo com a ONU, se no ano 2000 foram produzidas cerca de dez milhões de toneladas de desperdícios eletrónicos, esse número ascende agora aos 500 milhões de toneladas de desperdícios, o equivalente a oito vezes o peso da pirâmide egípcia de Gizé.

Este número significa que cada habitante do planeta gera uma média de sete quilogramas de lixo tecnológico e os cálculos efetuados pelas Nações Unidas preveem que nos próximos três anos esses resíduos aumentem em um terço.

© Reuters/Kc Alfred
A produção de lixo 'per capita' varia segundo a riqueza e a consciência ambiental de cada país: entre os 63 quilogramas [de lixo] gerados por um habitante do Qatar, passando pelos quase 30 quilogramas de um norte-americano, 23 quilogramas de um alemão, 18 quilogramas de um espanhol, nove de um mexicano, sete de um brasileiro ou 620 gramas de um habitante do Mali.

A ONU adverte que a maioria dos parelhos eletrónicos, que têm uma vida cada vez mais curta, estão carregados de metais pesados e são muito prejudiciais para a saúde.

O gabinete das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI), com sede em Viena, estima que em 2016 os países em desenvolvimento vão produzir mais lixo eletrónico do que os países industrializados.

Segundo estimativas da Agência Europeia do Meio Ambiente, pelo menos 25 mil toneladas de desperdício eletrónico saem por ano, e de forma ilegal, da União Europeia como bens em segunda mão, embora se trate de produtos inutilizados.