domingo, 2 de novembro de 2014

ONU: Lixo eletrónico já atingiu os 500 milhões de toneladas

TSF
 
As Nações Unidas advertem para o impacto ecológico negativo de milhões de telemóveis, máquinas digitais, computadores, tablets e demais artigos eletrónicos que, anualmente, acabam no lixo comum.
De acordo com a ONU, se no ano 2000 foram produzidas cerca de dez milhões de toneladas de desperdícios eletrónicos, esse número ascende agora aos 500 milhões de toneladas de desperdícios, o equivalente a oito vezes o peso da pirâmide egípcia de Gizé.

Este número significa que cada habitante do planeta gera uma média de sete quilogramas de lixo tecnológico e os cálculos efetuados pelas Nações Unidas preveem que nos próximos três anos esses resíduos aumentem em um terço.

© Reuters/Kc Alfred
A produção de lixo 'per capita' varia segundo a riqueza e a consciência ambiental de cada país: entre os 63 quilogramas [de lixo] gerados por um habitante do Qatar, passando pelos quase 30 quilogramas de um norte-americano, 23 quilogramas de um alemão, 18 quilogramas de um espanhol, nove de um mexicano, sete de um brasileiro ou 620 gramas de um habitante do Mali.

A ONU adverte que a maioria dos parelhos eletrónicos, que têm uma vida cada vez mais curta, estão carregados de metais pesados e são muito prejudiciais para a saúde.

O gabinete das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI), com sede em Viena, estima que em 2016 os países em desenvolvimento vão produzir mais lixo eletrónico do que os países industrializados.

Segundo estimativas da Agência Europeia do Meio Ambiente, pelo menos 25 mil toneladas de desperdício eletrónico saem por ano, e de forma ilegal, da União Europeia como bens em segunda mão, embora se trate de produtos inutilizados.

sábado, 18 de outubro de 2014

Microscopia pontilhística: ver para além dos limites

Texto de Mariana G. Pinho, Professora associada no Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa e coordenadora do projecto Protein Localization, financiado pelo European Research Council, publicado pelo jornal Público em 17/10/2014.
 
 O primeiro microscópio comercial de microscopia de super-resolução em Portugal está no Instituto de Tecnologia Química e Biológica, em Oeiras, há cerca de um ano.
 
Com a invenção do microscópio, no final do século XVI, descobriram-se novos mundos à nossa volta e dentro de nós próprios. Desde então, a microscopia óptica tornou-se instrumental para o conhecer o funcionamento das células, com crescente nível de detalhe. Já no século XX, a combinação da microscopia óptica com técnicas de fluorescência, permitiu distinguir moléculas específicas (uma proteína, um gene, etc.) de todos os outros componentes celulares, através de marcação com proteínas ou corantes que emitem fluorescência.
 
Mas a microscopia óptica tem uma grande limitação: a sua capacidade de resolução, ou seja, a distância mínima a que dois objetos têm de estar para serem identificados como dois pontos distintos no microscópio, é de cerca de 0,25 micrómetros (ou 0,25 milésimos de milímetro). Se pensarmos que várias estruturas nas nossas células são dez vezes mais pequenas ou que uma bactéria pode ter apenas um micrómetro de diâmetro, rapidamente percebemos que esta limitação constitui um enorme obstáculo.
 
O limite da resolução da microscopia óptica resulta diretamente da difração da luz quando esta passa por uma pequena abertura, como a objectiva de um microscópio, pelo que foi considerado intransponível até à investigação de Stefan Hell, Eric Betzig e William Moerner, galardoados com o prémio Nobel da Química de 2014. Os dois últimos, trabalhando independentemente, estabeleceram os princípios da single-molecule microscopy, ou microscopia de localização, uma técnica de super-resolução que permite, literalmente, determinar a localização e dinâmica de moléculas individuais, mesmo quando muito próximas, dentro de células vivas.
 
Mas como foi possível ultrapassar o limite de resolução do microscópio? A solução engenhosa consistiu, não em tentar separar os pontos muito próximos no espaço, mas em separá-los no tempo. Olhando para o céu, não conseguimos distinguir duas estrelas muito próximas, mas se fosse possível acender uma estrela de cada vez, seria fácil distingui-las.
 
Em microscopia de localização, utilizamos proteínas ou corantes fotoactiváveis, cuja emissão de luz pode ser ligada e desligada. Assim, em vez de visualizarmos simultaneamente todas as moléculas proteicas que constituem uma estrutura celular, visualizamos uma molécula de cada vez e matematicamente calculamos com grande precisão (dez vezes superior à microscopia óptica convencional) a posição de cada molécula que emite luz.
 
Para reconstituirmos a estrutura celular completa é depois necessário justapor todos os pontos originários de milhares de imagens adquiridas. No fundo, é como se tirássemos uma sucessão de fotografias a uma árvore de Natal em que as luzes se acendessem uma de cada vez. Da sobreposição de todas as fotografias seria possível determinar a estrutura que ilumina a árvore.
 
A microscopia de localização é também conhecida por pointillistic microscopy, ou microscopia pontilhística, por analogia à técnica de pintura de pontilhismo usada pelos artistas neo-impressionistas, em que pequenos pontos de cor são dispostos na tela em padrões que formam uma imagem. A super-resolução equivale a termos na mão um pincel fino, com o qual podemos pintar cada detalhe, cada pestana, cada fio de cabelo.
 
Este método foi usado pela primeira vez por Betzig em 2006 e desde então tem sido aplicado em áreas muito diferentes das ciências da vida, por exemplo para medir a velocidade de proteínas que reparam mutações no ADN, para perceber o efeito do colesterol em membranas, determinar a estrutura do núcleo das nossas células ou como é que os neurónios comunicam entre si.
 
O primeiro microscópio comercial de microscopia de super-resolução em Portugal foi adquirido no âmbito de um projecto financiado pelo European Research Council e está há cerca de um ano no Instituto de Tecnologia Química e Biológica (em Oeiras), da Universidade Nova de Lisboa. Desde então tem sido usado intensamente para visualizar os detalhes e a dinâmica das estruturas responsáveis pela divisão celular e pela síntese da parede celular na bactéria patogénica Staphylococcus aureus. Este processo de síntese da parede é o alvo de vários dos antibióticos mais úteis do ponto de vista clínico, cuja utilização está cada vez mais ameaçada pelo aparecimento de bactérias resistentes à sua acção. Podemos agora visualizar, com um grau inédito de detalhe, o que acontece às células bacterianas durante o processo de divisão, de morte ou de resistência aos antibióticos.

Maior “crocodilo” do Jurássico viveu nas águas costeiras e estuários de Portugal

Texto de Ana Gerschenfeld publicado pelo jornal Público em 15/10/2014.
Há uns 150 milhões de anos, existiam pelo menos quatro espécies de grandes carnívoros parecidos com os crocodilos actuais, conclui um estudo. Uma delas nunca fora descrita até aqui.
 

De cima para baixo: Machimosaurus hugii, Machimosaurus mosae, Machimosaurus buffetauti
Eram répteis marinhos, alguns com quase dez metros de comprimento, capazes de esmagar a carapaça das tartarugas e os ossos dos grandes peixes dos quais se alimentavam. Caracterizavam-se, tal como os crocodilos actuais, pelo seu corpo alongado, curtas patas, focinho pontiagudo e temíveis dentes.
 
Os especialistas designam este género de animais com o nome científico de Machimosaurus. Restos fósseis destes predadores já foram encontrados na Europa – da Inglaterra à Alemanha e à Polónia, passando por Portugal, Espanha, França e Suíça –, bem como em África, mais precisamente na Etiópia.
 
Porém, existia uma certa confusão quanto ao número de espécies conhecidas, lê-se num artigo publicado esta terça-feira na revista Royal Society Open Science. E por isso, a equipa internacional de cientistas (incluindo um português) que assina este trabalho decidiu reavaliar a classificação destes “crocodilos” ancestrais, que viveram no nosso planeta no Jurássico Superior, há entre 161 e 145 milhões de anos.
 
“Embora aparentados com os crocodilos, tecnicamente os Machimosaurus não são verdadeiros crocodilos. São crocodilomorfos, ou seja pertencem a um grupo que inclui os crocodilos actuais e também espécies mais primitivas”, começa por esclarecer ao PÚBLICO o co-autor Octávio Mateus, conhecido paleontólogo da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã.
 
Seja como for, neste estudo, salienta o cientista, “é apresentado o ponto da situação, o estado da arte, relativamente a este género de crocodilomorfo, que era conhecido desde há muito, mas mal compreendido”.
 
O que é que a equipa descobriu concretamente? Que as diversas espécies de Machimosaurus “evoluíram numa sucessão cronológica e geográfica, num processo semelhante ao género Crocodylus actual. Ou seja, cada espécie do género Machimosaurus viveu num território e numa idade ligeiramente distinta”.
 
De facto, este trabalho apresenta, diz Octávio Mateus, “uma nova ‘arrumação’ taxonómica das espécies conhecidas dentro do género Machimosaurus, com novas caracterizações e detalhes”.
 
Os autores concluem que os fósseis revelam a existência de quatro espécies destes animais, respectivamente, Machimosaurus hugii (os maiores animais)¸ Machimosaurus mosae, Machimosaurus nowackianus e ainda uma nova espécie: Machimosaurus buffetauti.
 
Machimosaurus mosae, que até aqui se pensava que poderia não ser uma espécie distinta – mas que o estudo agora confirma como tal – viveu no Nordeste da actual França; Machimosaurus nowackianus é a espécie localizada na Etiópia; e a recém-reclassificada Machimosaurus buffetauti provém de França e Alemanha, “bem como, provavelmente, de Inglaterra e Polónia”, escrevem ainda os autores.
Quanto a Machimosaurus hugii, que podia atingir nove metros de comprimento, viveu na Suíça, Portugal e Espanha – e “em Portugal, temos os mais antigos e os maiores espécimes deste género”, salienta Octávio Mateus.
 
Em Portugal, refere ainda o artigo, um dente de Machimosaurus foi encontrado em 1943 pelo geólogo Carlos Teixeira em Lagares (Colmeias, perto de Leiria) – mas o mais completo espécime conhecido provém da mina de Guimarota, um autêntico ecossistema do Jurássico perto de Leiria e inclui um crânio e várias vértebras.
 
Ao contrário de estudos anteriores, explicam ainda os autores, “a nossa reavaliação não se baseia apenas em contagens de dentes e em proporções de biometria craniana. A nossa revisão utiliza estas características, mas vai mais além, incluindo também aspectos de anatomia comparada, de tamanho corporal, de hipotético estilo de vida, de idade geológica e de extensão territorial”.
 
E é essa “abordagem holística”, argumentam, que permite “facilmente identificar três espécies europeias e revela que estes grupos, potencialmente contemporâneos, estavam adaptados a ecossistemas muito diferentes”. Contudo, o que segundo estes cientistas é o mais “surpreendente” é que grande parte do raciocínio que delineiam no artigo “era conhecido há muito tempo, mas que a sua síntese nunca tinha sido feita.”
 
Os cientistas concluem que, à medida que os espécimes de Machimosaurus se forem tornando mais abundantes, será interessante saber se também existiram outros grupos de Machimosaurus, limitados do ponto de vista geográfico, noutras regiões do mundo – e em particular fora da Europa. “Isso permitiria esclarecer ainda mais a evolução desta notável família de crocodilomorfos marinhos.”

28 sinais de que o Planeta está em perigo

Artigo publicado por GREEN SAVERS em 18 de outubro de 2014.
Foto: Nicolas Raymond / Creative Commons
Se é um pessimista por natureza, evite olhar para este artigo. Ele traz-lhe um cenário negro para o futuro – um Planeta super-povoado, com megacidades dependentes de alimentos que vêm de regiões cada vez mais poluídas, com níveis muito elevados de insegurança alimentar.
 
Este Planeta, provavelmente, estará longe do que ele virá realmente a ser. Mas essa realidade paralela não deixa de ser um fantasma na evolução global, cuja aparecimento está apenas dependente de nós – e da forma como gerimos a nossa própria sobrevivência e ligação às boas práticas ambientais.
 
Estes 28 sinais de como o Planeta está em perigo foram retirados do Planeta Sustentável e, ainda que o texto tenha sido escrito há já alguns meses, não perdeu a actualidade. Infelizmente, não a perderá tão cedo.
 
1.Vivemos num século quente
Treze dos 14 anos mais quentes registados na história ocorreram no século XXI. O ano de 2013 foi o sexto mais quente desde que os registos modernos começaram, em 1850, segundo os dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Os recordes anuais são de 2010 e de 2005, com temperaturas globais cerca de 0,55° C acima da média.
 
2.O solo está cada vez piorA degradação e a desertificação ameaçam as terras férteis do mundo, com consequências alarmantes: insegurança alimentar, pobreza, escassez hídrica e maior vulnerabilidade às mudanças do clima. Segundo a ONU, 24% das terras produtivas do mundo estão degradadas, enquanto 168 países sofrem com a desertificação.
 
3. A vida marinha está a sufocarActualmente, existem cerca de 500 zonas mortas no mundo, que cobrem mais de 245 mil quilómetros quadrados, quase a superfície inteira do Reino Unido. São zonas litorais onde a vida marinha foi praticamente sufocada pela poluição.
 
4. Respiramos mal e cada vez piorA poluição do ar nas grandes cidades tem alcançado níveis nada seguros para a saúde humana. Apenas 12% de todas as pessoas do planeta respiram um ar de boa qualidade, segundo um estudo recente da Organização Mundial de Saúde (OMS).
 
5. Diarreia mata uma criança a cada 20 segundosA cada 20 segundos, uma criança morre de doenças ligadas à diarreia, em grande parte evitáveis com saneamento adequado, melhor higiene e acesso a água segura. Todos os anos, 3,5 milhões de pessoas morrem no mundo por problemas relacionados com o fornecimento inadequado da água, a falta de saneamento e ausência de políticas de higiene, segundo a ONU.
 
6. Águas subterrâneas também matamPara além da poluição atmosférica, a China enfrenta outra crise ambiental silenciosa e, muitas vezes, invisível: a contaminação das águas subterrâneas. Quase 60% delas estão poluídas, segundo estudo estatal divulgado pela agência Xinhua. A qualidade da água subterrânea foi classificada como relativamente pobre em 43,9% das regiões analisadas e muito má noutras 15,7%.
 
7. É para beber ou gerar energia?Os recursos hídricos estão sob pressão para atender a crescente procura global por energia. No total, a produção de energia é responsável por 15% de retirada de água do Planeta. Mas este número está a aumentar e, em 2035, o crescimento populacional, a urbanização e o aumento do consumo prometem empurrar o consumo de água para geração de energia até 20%. Recursos hídricos em declínio já estão a afetar muitas partes do mundo e 20% de todos os aquíferos já são considerados sobre-explorados.
 
8. Batemos recordes perigososPela primeira vez, a concentração mensal de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera superou o nível de 400 partes por milhão (ppm), no mês de Abril, em todo o hemisfério norte, segundo dados da Organização Mundial de Meteorologia (OMM). Este limiar é de importância simbólica e científica e reforça a evidência de que a queima de combustíveis fósseis e outras actividades humanas poluentes são responsáveis pelo contínuo aumento de gases do efeito estufa.
 
9. Sofremos desastres históricosEventos extremos, como secas e cheias, mostram-se cada vez mais recorrentes e violentos, quebrando todos os recordes. Há ano e meio, a Europa Central enfrentava a pior cheia da sua história, enquanto o Nordeste brasileiro e Califórnia norte-americano sofria com a pior seca em mais de meio século. Já viu que, nos media, a expressão “pior de sempre” está cada vez mais associada às notícias climáticas?
 
10. Perdem os ricosOs países ricos e emergentes acumulam €1,1 biliões em perdas económicas e danos provocados por desastres naturais na última década, segundo um relatório da OCDE. Sem uma acção imediata, estes custos podem subir ainda mais devido às mudanças climáticas. Para reduzir as perdas no futuro, os países precisam de investir em resiliência e aumentar sua capacidade de resistir a choques e estresses.
 
11. Perde-se produção agrícolaUm estudo feito pelo Grupo Internacional de Consulta em Pesquisa Agrícola (CGIAR, na sigla em inglês) para as Nações Unidas sugere que o aquecimento global pode comprometer, até 2050, cerca de 20% da produção trigo, arroz e milho – as três commodities agrícolas mais importantes e que estão na base de metade das calorias consumidas por um ser humano.
 
12. Perdem os pobres e com fomeA escalada dos preços dos alimentos é uma questão de vida e morte para as populações que vivem em países em desenvolvimento e que gastam até 75% do seu rendimento para conseguir comer. Como se não bastasse, os mais pobres também são os mais afectados pelos extremos do clima, uma vez que seus países estão menos preparados para lidar com essas alterações.
 
13. Enquanto 1/3 da comida via para o lixoUm terço dos alimentos produzidos no mundo não são consumidos, o que se traduz no desperdício de até 2 mil milhões de toneladas de comida por ano. Segundo o relatório “Global Food; Waste not, Want not”, o desperdício é fruto de condições inadequadas de armazenamento e transporte, adopção de prazos de validade curtos, ou compra excessiva por parte dos consumidores. Outro problema é a preferência dos supermercados por alimentos “perfeitos” em termos de formato, cor e tamanho.
 
14. Geramos sucata pós-modernaO acesso fácil às tecnologias modernas tem um efeito colateral difícil de se digerir. Anualmente, segundo dados da ONU, o mundo gera em média 40 milhões de toneladas de lixo eletrónico por ano. A maior parte vem de países emergentes, como o Brasil, que ainda não possuem um sistema de gestão eficiente para lidar com esse tipo de material. Artefactos electrónicos contêm materiais que se demoram a decompor – plástico, metal e vidro – e outros altamente prejudiciais à saúde, como mercúrio, chumbo, cádmio, manganês e níquel.
 
15. E criamos moradas tóxicasActualmente, mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo estão expostas à poluição tóxica em níveis superiores aos tolerados pelas organizações internacionais de saúde. Essas populações vivem em regiões contaminadas por metais pesados, pesticidas e até por substâncias radioativas, como o césio. Agbogbloshie, no Gana, é a segunda maior área de processamento de lixo eletrónico na África Ocidental. Através de processos de reciclagem informais, o chumbo é frequentemente libertado no meio ambiente sem controlo de segurança ambiental.
 
16. Os gigantes de gelo colapsamDois novos estudos, um realizado por pesquisadores da NASA em parceria com a Universidade da Califórnia, em Irvine, e outro pela Universidade de Washington, indicam que o derretimento do manto de gelo da Antártida Ocidental atingiu um estado irreversível. Segundo os pesquisadores, esse processo “poderia triplicar sua contribuição ao nível dos oceanos”.
 
17. E accionam uma bomba relógioO derretimento de gelo no Ártico é uma verdadeira “bomba relógio económica”, segundo os cientistas, que mediram, pela primeira vez, os custos do degelo. A conta é astronômica, algo próximo de €47,3 biliões, quase o Produto Interno Bruto (PIB) mundial, de €55,2 biliões. O degelo intensifica as mudanças climáticas com a libertação de toneladas de gás metano, um gás efeito estufa 20 vezes mais potente que o dióxido de carbono (CO2). O derretimento dos subsolos árticos congelados, o chamado permafrost, por sua vez contribuiria para o aquecimento adicional do planeta.
 
18. O degelo reduz o albedoO degelo tem reduzido o factor de refletividade da região polar, levando a uma maior absorção de energia. Esse poder de reflexão de uma superfície é conhecido como “albedo”, uma das forças motrizes para o tempo e o clima. Se a quantidade de energia absorvida muda, isso tem um efeito sobre o balanço de energia da Terra e, finalmente, afecta o nosso tempo e o clima, reforçando os fenómenos das mudanças climáticas.
 
19. A biodiversidade fica à derivaAproximadamente um terço da biodiversidade dos leitos marítimos polares estão ameaçados de extinção como consequência da mudança climática. A perda progressiva das calotas polares poderá gerar resultados nefastos para o ecossistema das regiões ao permitir uma maior penetração dos raios solares no leito marinho.
 
20. Os oceanos pedem ajudaOs oceanos são os maiores aliados da Terra para a manutenção do seu equilíbrio climático. Eles absorvem grande parte da radiação solar que atinge o Planeta e também funcionam como sumidouros de dióxido de carbono (CO2). Mas esses heróis do clima já se revelam vítimas do aquecimento global. A mudança no PH da água acontece à medida que o CO2 emitido pela actividade humana – originada fundamentalmente pela queima de combustíveis fósseis – é absorvido pelos oceanos. Várias formas de vida marinhas podem ser prejudicadas. Inúmeros estudos mostram que a acidificação interfere principalmente no desenvolvimento das espécies com carapaça ou esqueleto de carbonato cálcico, como corais e moluscos.
 
21. Os corais perdem a forçaA maior barreira de corais do planeta vive uma crise ambiental sem precedentes. Um relatório recente mostra que a Grande Barreira de Corais Australiana já perdeu mais da metade da sua cobertura (50,7%) nos últimos 27 anos. E, se nada for feito na próxima década, podem restar apenas 5% da formação no ano de 2022. Não pára aí. Segundo uma pesquisa global com mais de 700 espécies de corais, aproximadamente 33% delas estão ameaçadas de extinção com o crescente aumento de temperatura do planeta.
 
22. Espécies perdem o rumoA elevação das temperaturas tem causado o que os cientistas chamam de “stress térmico” no mundo animal. Durante vinte anos, pesquisadores europeus vêm estudando o movimento de populações de aves e borboletas no continente frente às mudanças cada vez mais constantes no clima. O resultado preocupa: os animais simplesmente não conseguem migrar na velocidade necessária para habitats com condições propícias para a alimentação e procriação e correm riscos de desaparecer ao se concentrarem em regiões com clima mais hostil. Ou seja, as aves e borboletas europeias estão a voar para longe dos seus habitats mais adequados, sofrendo com o tal “stress térmico”.
 
23. As mudanças são lentas demaisO desenvolvimento mundial das tecnologias de energia limpa continua bem abaixo do nível necessário para evitar os piores impactos das mudanças climáticas. Com a predominância do carvão na geração de energia global, especialmente nos países emergentes, como China e Índia, parece cada vez mais improvável que a meta internacional para limitar o aumento da temperatura média em 2ºC seja atendida, segundo a Agência Internacional de Energia.
 
24. O mar sobe e oprimeQuem disse que a elevação do nível do mar é um problema distante? Estudos já relacionam a elevação do Pacífico às mudanças climáticas. As águas subiram cerca de 20 centímetros nos últimos 200 anos. Segundo os pesquisadores, os maiores picos na elevação do nível do mar aconteceram entre 1910 e 1990, o que pode estar vinculado a intensificação das atividades industriais.
 
25. Os ventos enfurecem-seEntre 2001 e 2010, houve 511 eventos relacionados com o ciclone tropical, que resultou em um total de quase 170 mil mortos, mais de 250 milhões de pessoas afetadas e prejuízos económicos estimados de €300 mil milhões. De acordo com o NOAA, centro de furacões dos EUA, 2001-2010 foi a década mais ativa desde 1855 em termos de ciclones tropicais na bacia do Atlântico Norte. Uma média de 15 tempestades por ano foi registrada, bem acima da média de longo prazo de 12 anos.
 
26. Pragas avançamA segurança alimentar global está ameaçada pelo surgimento e disseminação de pragas e doenças, um fenómeno estimulado pelo aquecimento global, sugere um novo estudo publicado no periódico científico Nature Climate Change. Segundo os pesquisadores das universidades de Exeter e Oxford, as pragas e patógenos estão a mover-se a uma média de 3 quilômetros (Km) por ano. Tal fenómeno, dizem os pesquisadores, constitui mais uma ameaça à produção de alimentos. Actualmente, estima-se que entre 10% e 16% das culturas globais são perdidas devido às pragas e surtos de doenças na agricultura.
 
27. Tornámo-nos insaciáveisJá somos sete mil milhões de pessoas no mundo, comendo, usando energia, poluindo e consumindo cada vez mais produtos num planeta finito. A pressão sobre os recursos naturais só aumenta. Segundo o Global Footprint Network, uma organização de pesquisa que mede a pegada ecológica do homem no Planeta, a diferença entre a capacidade de regeneração da natureza e o consumo humano gera um saldo ecológico negativo que vem-se acumulando desde a década de 80, também estimulado pelo crescimento populacional.
 
28. E o mundo fica mais violentoÀ extensa lista de efeitos relacionados ao aquecimento global, adicione mais um: a raiva. Um estudo publicado na revista Science diz que à medida que as temperaturas globais aumentam, o nosso temperamento também esquenta. A conclusão foi de que a incidência de guerra e distúrbios civis pode aumentar entre 28% e 56% até 2050. De acordo com o estudo, o aquecimento torna regiões vulneráveis do mundo mais susceptíveis a problemas relacionados com o clima, o que estimularia o deslocamento de pessoas para áreas vizinhas, levando a conflitos.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Dieta Mediterrânica reduz risco de doença cardiovascular


Num ano em que a agricultura familiar está na vanguarda, nunca é demais realçar as virtudes da dieta mediterrânica.
Esta é o pilar da alimentação do pequeno agricultor português!

"Um estudo realizado em Espanha, envolvendo 7447 participantes, revelou que a adoção de uma alimentação próxima da dieta mediterrânica, caraterizada por baixo consumo de carne vermelha, mais rica em peixe e legumes, inclusão de frutos secos, utilização do azeite em substituição de outras gorduras menos saudáveis e vinho em pequenas quantidades, levou a uma redução de 30% do risco de acidentes cardiovasculares em pessoas de alto risco de problemas cardíacos.
O estudo durou quase 5 anos e envolveu uma população entre os 55 e os 80 anos que á data do início da análise, apesar do elevado risco cardiovascular, não apresentava sinais de doença.
Os participantes foram distribuídos aleatoriamente por três grupos de sujeitos a dietas sem restrição calórica: dieta mediterrânica suplementada com azeite extra-virgem, dieta mediterrânica suplementada com frutos secos e dieta de controlo. Trimestralmente foram realizadas sessões educacionais individuais e em agrupo e, anualmente, foi feito um questionário de frequência de consumo de alimentos.
Os participantes foram avaliados em relação ao peso, altura, perímetro abdominal e valores de análises, e foi registada a ocorrência de acidentes cardiovasculares graves.
No fim do estudo, os dois grupos aos quais foi atribuída a dieta mediterrânica tinham mudado significativamente o consumo de peixe e legumes. A prática de exercício físico não sofreu alterações. Os resultados indicam que a dieta mediterrânica é benéfica para a saúde: houve uma redução de cerca de 30% do risco de eventos cardiovasculares junto do grupo que a adotou."
Fonte aqui
Imagem daqui

Adeus desperdício alimentar



Desperdício alimentar: um problema atual

"Portugal perde ou desperdiça cerca de 1 milhão de toneladas de alimentos por ano, 324 mil das quais em casa, revela o Projeto de Estudo e Reflexão sobre Desperdício Alimentar (PERDA).
Um dos primeiros passos para não estragar comida é ter atenção à validade dos produtos, antes de comprar e consumir. Distinga entre data-limite de consumo (“consumir até…”) e durabilidade mínima (“consumir de preferência antes de…”).
A data-limite refere-se a alimentos perecíveis, como queijo fresco, iogurte e carne de aves, e deve ser respeitada. Caso contrário, pode sofrer toxi-infeção alimentar, se o alimento já estiver contaminado. A data de durabilidade mínima refere-se a alimentos como arroz, grão, bolachas, chocolates e massas. Nestes casos, ainda que possa haver alterações ao nível do sabor, da textura, da cor e do cheiro dos alimentos se a data for ultrapassada, estes podem ser consumidos com maior segurança."
Fonte aqui
Imagem daqui

terça-feira, 14 de outubro de 2014

O que comer em véspera de exames?

Por Rita Morais, Nutricionista

Para além dos bons hábitos alimentares, dormir no mínimo oito horas é essencial.
Em véspera de exames o que pretendem todos os estudantes? Estar a 100%, ter o cérebro a trabalhar de forma eficaz, eficiente e arranjar formas de combater o cansaço. Para isso, a alimentação deve ser extremamente nutritiva.
 
O que acontece na maioria das vezes, por falta de tempo, é a procura de snacks, opções rápidas, práticas e que “matem” a fome de imediato, sem perder tempo na cozinha. No entanto, pode existir perda de tempo do ponto de vista intelectual. Se estas opções forem ricas em gordura, açúcar e sal, não serão opções nutritivas.
 
Para começar o dia da forma mais equilibrada, independentemente da hora de acordar, os estudantes devem tomar o pequeno-almoço como primeira refeição. Duas sugestões que servem apenas de “inspiração”: Pão de cereais com um pouco de manteiga de amendoim, uma chávena com leite magro com uma colher de chá de café e duas ameixas com a casca.
 
Para os adeptos de cereais, podem adicionar numa taça, um iogurte liquido magro, umas amoras (uma banana, morangos, ou outra fruta), flocos de aveia, umas nozes e/ou avelãs, sementes de chia e/ou girassol e ficam aptos para começar o dia a estudar.
 
Para aqueles que preferem estudar fora de casa, evitem passar muitas horas sem comer. Devem levar de casa algumas opções. A melhor “bomba” de nutrientes que posso recomendar, também muito prática, são as nozes, as avelãs, as amêndoas, considerados frutos gordos amiláceos, extremamente ricos em tudo o que o nosso cérebro precisa, já para não falar que são excelentes opções para substituirmos os croissants, as bolachas, os chocolates, considerados opções calóricas, cheias de gordura, açúcar e zero nutrientes interessantes para o cérebro.
 
A desidratação é algo que pode causar alguma sonolência, fraqueza e moleza. Para evitar estes sintomas tem de existir um esforço acrescido. Para isso, basta arranjar uma garrafa de água e assim beber ao longo do dia.