segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mutação CCR5 delta 32

Ao contrário de outras mutações, a CCR5 delta 32 tem efeitos positivos nos indivíduos.
É uma mutação génica que gera um alelo defeituoso resultante da delecção de 32 pares de bases azotadas. Relativamente ao seu modo de transmissão,
esta mutação transmite-se através de um alelo autossómico recessivo. O gene mutante
CCR5 delta 32 localiza-se no braço curto do cromossoma 3 na região p21.3.
A mutação genética hereditária CCR5 delta 32 é raríssima: está presente em menos de 1% das pessoas de cor branca no norte e no oeste da Europa.
Esta mutação tem origem espontânea, pois não foi induzida por nenhum agente mutagénico, surgiu naturalmente devido a eventuais erros na replicação do DNA, originando-se assim a síntese de uma nova proteína.
Uma teoria para a alta frequência da CCR5 delta 32 na população europeia é que os indivíduos portadores desta mutação sobreviveram à peste negra (ou à varíola, de acordo com outros cientistas), e portanto, segundo a selecção natural, a frequência da mutação na população aumentou. É importante realçar que a mutação não se encontra em África, uma vez que esta não foi afectada por tal epidemia.
O grande benefício desta mutação nos indivíduos é que confere resistência ao HIV em homozigóticos e atrasa a proliferação desse mesmo vírus em heterozigóticos.
Sabe-se que o vírus da SIDA, HIV, utiliza o CD4 como receptor e o CCR5 e/ou CXCR4 como co-receptores, quando se liga à superfície das células alvo, os linfócitos T. A destruição destas células pelo vírus HIV dá início à deficiência imunológica. Consoante as características do vírus, ele liga-se a diferentes co-receptores, CCR5, CXCR4 ou a ambos (tropismo viral). Caso o VIH apenas se ligue ao CXCR4 a mutação no co-receptor CCR5 não impede a entrada do vírus no nosso organismo. Nas outras duas situações, os indivíduos encontram-se protegidos.
A entrada do vírus no nosso organismo tem 3 fases: Inicialmente, a proteína viral gp120 liga-se ao receptor CD4. Posteriormente, o vírus liga-se ao co-receptor CCR5, e/ou CXCR4. Numa terceira fase, as alterações estruturais na glicoproteína gp41 provocam a fusão do vírus com a membrana dos linfócitos T.
No caso dos indivíduos mutantes, a propagação do vírus não passa da primeira fase, pois estes possuem um alelo defeituoso do gene CCR5, o que origina uma proteína denominada CCR5 Δ32, que não apresenta o respectivo co-receptor activo, impedindo,
assim, a ligação da proteína viral, gp 120, à membrana do linfócito.
Sendo assim, os indivíduos portadores desta mutação são imunes ou mais resistentes
ao vírus, excepto quando o vírus se liga ao co-receptor CXCR4 e não ao CCR5.

Imagem daqui
As alunas do 12º B - Ana Almeida e Ana Silva

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